INICIAR SESIÓNDominique Rodrigues
— Entre — ele se afastou depois de abrir a porta.
Foi o que fiz. Entrei e bati a porta um pouco desajeitada. Não é minha culpa que o imbecil do destino colocou Gael no meu caminho. É demais querer que eu resista a tamanha tentação. Qual é? Sou uma virgem de vinte e dois anos que passou tempo demais recusando sexo. Preciso experimentar, eu quero também sentir mãos masculinas deslizando por minha pele, as mãos desse homem. Quero sentir ele dentro de mim. Perder o controle.
Calma, Dominique! Ele não te convidou para a cama ainda, gata. Quase ri dos meus pensamentos.
— Moro aqui perto. Na rua Margarida — gaguejei um pouco.
O sorriso dele se alargou. De repente a mão dele estava na minha perna e seu corpo se curvou sobre o meu. Tão atrevido! Não preciso ter tanta calma assim. Ele vai me convidar.
— Tem certeza de que quer ir para a sua casa? — sussurrou no meu ouvido antes de beijar suavemente o meu pescoço. Não estávamos na empresa, tudo era permitido. Ou não?
Está vendo? Me convidou. Eu estava discutindo comigo mesma. Era só o que faltava!
Certeza? Não tinha mais nem certeza do meu nome.
O tesão se misturava com a minha leve embriaguez.
— Hum? — foi a única coisa que consegui pronunciar.
— Nos leve para a minha casa — o ouvi dizer ao motorista. Ele entendeu a minha resposta como um sim a uma proposta subliminar.
Só olhei para ele com expectativa e medo. Estava mesmo acontecendo.
— Relaxa!
Ele segurou a minha mão e entrelaçou nossos dedos. A atitude me ajudou a relaxar um pouco, mas só até o motorista passar pelo portão de uma luxuosa casa em um bairro onde nunca pisei.
Depois de descer do carro, vi o motorista partindo e tive vontade de correr atrás, mas Gael novamente entrelaçou nossos dedos me fazendo crer que esse ato sempre me convenceria ao que ele quisesse.
Entramos na casa e tudo que consegui foi ficar admirada com tudo. Quase não ouvia o que ele dizia. A casa era um sobrado e estávamos em uma sala moderna que se não fosse pelo tapete, a mesa de centro e o sofá de canto, estaria vazia. Em um lado da sala havia uma escada onde os degraus pareciam livros clássicos em uma prateleira. Era uma casa daquelas que se vê em fotos e fica sonhando em poder morar nelas.
— Espero que não seja daquelas pessoas que precisam de TV para respirar, pois não tenho nenhuma — finalmente o ouvi dizer algo. — Odeio TV. Acho que as pessoas ficam alienadas sonhando com a vida de pessoas que nunca serão quando poderiam criar seus próprios sonhos.
— Não ligo — respondi meio sem jeito. Me acostumei a sempre estar em lugares onde a TV era compartilhada, então não era algo que me faria falta.
— Eu vou tomar um banho. Tem um banheiro no quarto de hóspedes, se quiser — ele tirou o terno e começou a desabotoar os botões da camisa branca. — Ou pode tomar banho comigo. — Seu sorriso de canto era o mais cafajeste que já vi.
Ao ver ele terminar de desabotoar os botões e me convidar para um banho, virei as costas automaticamente.
— Onde fica o quarto de hóspedes?
Sua risada foi sonora. Ele devia estar rindo da minha atitude idiota, pois qual seria o motivo para eu estar em sua casa além de sexo?
— O meu quarto fica no fim do corredor no segundo andar e o de hóspedes é a primeira porta que encontra ao findar as escadas.
Me assustei quando suas mãos rodearam minha cintura, por trás. O seu perfume amadeirado parecia me embriagar ainda mais.
— Relaxe! Hoje seremos apenas Gael e Mini — sussurrou perto da minha orelha.
— Mini? — questionei sentindo meu corpo amolecer nos braços dele.
— Você é tão pequena! Decidi te chamar assim; Mini — respondeu se afastando um pouco bruscamente. — Não demoro. Fique à vontade.
Eu não sou pequena coisa nenhuma. Tenho quase 1,60. Não é minha culpa que ele seja um gigante. Deve ter dois metros, no mínimo.
Esperei vários segundos até ter certeza de que ele já estava longe, antes de me virar e começar a subir as escadas.
O quarto de hospedes era como um daqueles quartos de hotéis luxuosos que vemos em filmes. Deixei minha bolsa em cima da cama de casal e comecei a tirar a roupa enquanto travava uma batalha em minha cabeça. Era uma luta mortal entre consciência e desejo. Por fim, o desejo venceu. Eu tinha consciência de que a oportunidade de perder a minha virgindade com alguém como Gael era algo praticamente surreal e decidi que seguiria adiante. Quem me garantiria que apareceria um príncipe encantado e romântico para ser o meu primeiro? O melhor seria mesmo atender ao desejo do meu corpo. Afinal, não tenho interesse em me tornar uma freira e nem acredito em príncipe encantado. Só era virgem porque ninguém nunca me despertou como Gael, e porque estive muito ocupada estudando e trabalhando loucamente.
Enfim, o casamento Zeen Ohana estava tão linda vindo em minha direção que não havia palavras que eu pudesse usar para descrevê-la. Enquanto ela seguia em direção ao altar onde eu estava aguardando ao lado dos meus primos, que certamente estavam vidrados em suas noivas, meu coração dava saltos. Dos quatro homens no altar, um não era Dvorak, mas aguardava por uma. A bastarda mais incrível que o mundo já viu. Por um momento, consegui desviar meus olhos o bastante para notar as outras três mulheres que também era maravilhosas, apenas não chegam aos pés da minha esposa. Todas estavam de branco, mas cada uma no seu estilo. Dominique, a mulher que fez com que tudo em minha vida seguisse por um caminho diferente, usava um vestido que lembrava a calda de uma sereia, sem decote e sem mangas. Olhando-a, lembrei de quando a conheci, de quando quase a matei, e principalmente me perguntei se ela foi a chave para eu chegar até a mulher que amo. Será que mesmo que se ela nunca encontrasse Gael e s
OhanaVoltamos cedo para casa. O casamento seria a tarde, em um clube muito famoso por casamentos de pessoas famosas. Precisávamos acordar cedo para não ter problema com horário.Tomamos um banho um pouco demorado, obvio. E quando saímos, me sentei na cama pronta para dormir e Zeen foi até uma mesinha no canto e pegou algo em uma gaveta.Ele veio e se sentou ao meu lado, segurando a minha mão e colocando o objeto nela.— Que linda! — Tratava-se de uma pulseira feita de pedras e couro.— Eu queria te dar isso. Era para ser da minha mãe, mas ela faleceu antes que eu pudesse terminar. Ficou inacabada até eu conhecer você.— Isso é importante para você. Não posso aceitar. Não quando nosso casamento foi só para que recebesse sua herança.Era o momento certo de conversamos sobre isso. Não podia esperar mais.— Ainda acha isso? Eu te amo, minha bobinha linha — disse tocando o meu rosto com as pontas dos dedos. Tão suave.Demorei um pouco para assimilar suas palavras.— Ama? Desde quando? — q
OhanaA noite chegou rapidamente. Me arrumei. Era uma festa da empresa Dvorak, alguma comemoração. Estou tão empolgada com o casamento que nem cabe maiores informações na minha mente.Zeen estava lindo no seu estilo social rebelde, enquanto eu me limitei a um vestido preto, justo, na altura dos joelhos.Chegamos na festa e fomos direto até os meus irmãos e minhas amigas. Estou treinando chamá-los assim.Estávamos conversando animados quando Gael comentou:— Gostaria que trabalhasse conosco, Ohana. Você pode ficar com o andar do preguiçoso do Apollo.— Ai eu finalmente teria paz. — Apollo comentou rindo.— Quem disse que vou deixar minha mulher nessa empresa sozinha? — Zeen apertou um pouco a mão que estava na minha cintura.— Ela estaria entre irmãos.Eles começaram a discutir antes mesmo que eu desse uma resposta. Levantei a mão pedindo que parassem e, quando acabou a pequena discussão, perguntei:— A sua mãe acha o que disso?— Eu ficaria contente se aceitasse. — A mulher chegou por
Ohana— Falta três dias? Meu Deus, não vejo a hora. — Dominique deu pulinhos. — Ai!Escondi o riso com a mão diante da careta que ela fez ao ser espetada. Tão poucos dias e eu já estava quase sentindo nossa convivência como algo natural. São mulheres maravilhosas.— Fica quieta ou vai se casar toda cheia de buracos de alfinetes. — Ayla falou enquanto víamos o balançar de cabeça da mulher que lutava para deixar o vestido de Dominique perfeito.— Você está linda com esse vestido. Acho vestido de noiva a coisa mais linda — comentei lembrando de como as revistas sobre casa e casamento me encantavam. — Por que não sobe ao altar conosco? A estrutura que está sendo montada caberia facilmente mais dois casais.— Eu... — Seria impossível, o casamento é amanhã.— Isso mesmo. Se você acha vestido de noiva algo lindo precisa usar, não pode ficar só no casamento no cartório.— Eu não sei. Essas coisas precisam de tempo. — Eu já estava me imaginando em um daqueles vestidos. Zeen disse qu
OhanaMe senti um pouco acuada quando me vi sem Zeen ao meu lado, indo para um bar com minhas novas amigas. Demoraria um pouco para eu me acostumar a ter amigos, irmãos... O engraçado é que não demorou nem um pouco para eu me acostumar com Zeen.Entramos em um bar onde tocava uma música suave. Quase tudo era de madeira e predominava o preto.Rubia dizia que a noite seria como uma pré-despedida de solteiras. Já que em poucos dias as três estariam se casando.— Você não bebe nada com álcool? — Dominique perguntou quando pegamos o cardápio e eu escolhi um coquetel de frutas sem álcool. — Minha mãe proibia por causa dos remédios e eu tinha medo de beber e fazer besteira. — Sorri fraco. Lembro que na época, por me ser proibido, eu achava bebidas alcoólicas um mistério que deveria ser delicioso. — Claro que já experimentei escondido e depois que soube a verdade enchi a cara, mas não gosto. É superestimada.— Tem um monte de bebidas gostosas. Você nem sente o álcool. — Dominique comentou.
ZeenMinha primeira noite só com os trigêmeos depois de muitos anos. As suas noivas convidaram Ohana para uma noite de meninas e eles me chamaram para beber. Me recordo bem que era algo como um ritual que eles faziam nos aniversários.— Ultimamente estamos fazendo muito isso — Matteo comentou.Olhei os três disfarçadamente. Pareciam felizes apesar da tragédia de perder o pai. Deviam estar completamente apaixonados por suas noivas, só isso explica não desabarem e conseguirem ser o amparo que minha tia precisa nesse momento. Será que a minha expressão é como a deles? Porque garanto que estou perdidamente apaixonado por uma certa loirinha.— Antes era um ritual do nosso aniversário. Percebo que está se tornando um ritual sem data marcada. — Gael completou o comentário do irmão.— A culpa é do Zeen! — Matteo revirou os olhos. Ele ainda soltava algumas faíscas em minha direção algumas vezes. Era inevitável considerando o nosso passado. Eu sempre achei que ele fosse o responsável pela morte







