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Machucada!

Autor: MellRibeiro
last update Data de publicação: 2025-10-19 10:41:38

Josephine está triste e desiludida, após Ana a deixar no restaurante, também pela maneira como a tratou; não precisava ser daquele jeito. Sua filha René se aproxima quando a vê ali sentada, observando os patos, e sabe que ela está triste. Pergunta o que houve; sua mãe lhe conta e ela responde que avisou que aconteceria, está preocupada com a mãe.

— Vamos para dentro, não quero mais te ver assim, mãe. Eu acho que a senhora deveria sair com outras pessoas desse aplicativo mesmo; pode ser bom. Dê uma chance, já que é sócia e imagem da empresa! Olha, até eu já arrumei um encontro!

René mostra a tela do celular para a mãe; ela o vê e o rapaz é até bonito. Ela o elogia e diz que espera que sua filha tenha mais sorte que ela, e deixa René ali, mas a menina corre atrás dela.

— Mãe, espera, o que a senhora fará? Gostei desse negócio, quero participar ativamente também, se a senhora continuar como sócia, claro!

Ela continua andando e a garota continua falando que será uma boa para ela, que é jovem, que pode colocar as amigas monstros dela para participar, que trabalhará duro para ajudar sua mãe e, quem sabe, ela mesma pode lhe arrumar um vampiro ou vampira que ela queira, ou até mesmo outro monstro que seja melhor que vampiros! De tanto tagarelar, Josephine se vira para ela e diz que apenas continuará de sócia, mas que não pisará lá. Então a garota diz que ficará em seu lugar. Ela aceita e diz que proporá amanhã, quando for cancelar o contrato!

— Então eu serei a imagem da Play With Me?

A garota pergunta para ela, que confirma.

— Sim, pode ser você; eu não quero passar por isso novamente!

E sai dali, indo para a mansão, e lá ela entra em seu quarto e não sai mais. René se preocupa, já viu a mãe fazer isso antes e não foi bom na última vez, e para tirá-la desse buraco sentimental foi um custo; nem ao trabalho ela ia, apenas falava por telefone.

Amanhece com um belo sol na janela do quarto de Ana. Ela acorda lembrando da noite passada; aquela investida que não esperava de Josephine a deixou desconcertada. Ela não queria ser grossa, mas Josephine insistiu e ela havia lhe dito que sair com clientes é proibido, que ela poderia perder o seu emprego. Ana se cansa, ela senta na cama e não quer mais pensar no assunto. Ela levanta e tenta esquecer o que aconteceu, vai ao banheiro, toma um longo banho e se arruma para trabalhar. Ela coloca uma calça preta social justa, uma camiseta branca em gola "U", sapatos escarpam redondos, salto doze e terninho preto combinando com a calça, solta os cabelos negros e longos, se maquia levemente e pega a sua bolsa preta. Os presentes que Josephine lhe deu, ela coloca no guarda-roupa, não os quer ver! Ela segue para a cozinha e encontra quem a espera para saírem juntas.

— Ana, como você dormiu? Pelo visto, nada bem, você se maquiou!

Suzi a conhece deveras bem, sabe que a sua amiga apenas usa maquiagem em ocasiões que a exigem, ou se estiver com olheiras de uma noite mal dormida. Ana olha para ela e pega sua caneca gigante de café, não responde e come pão e queijo. Suzi não comenta mais; ela sabe, sente e percebe que a sua amiga não quer falar no assunto! Ambas são surpreendidas pelo celular de Suzi tocando; é o seu chefe Jake. Suzi atende prontamente!

— Alô, Jake, como está? Sim, ela está. Não sei, o telefone dela não tocou, eu não ouvi!

Ana olha para ela e franze a testa, não entende por que ele liga e pergunta por ela, então, Suzi lhe passa o telefone.

— Toma, o chefe está bravo com você! Quero lhe falar.

Ana pega o telefone e Jake lhe fala aos berros!

— Ana, qual é o seu problema?

Ela se espanta, não sabe do que ele fala e pergunta nervosa o que ele tem!

— Não se faça de boba, Ana, caramba. Foi um custo trazer Josephine para cá e agora ela quer romper o contrato. Diga-me o que faremos.

Ana não entende nada, achou que a noite estava tudo certo, que Josephine iria continuar com a empresa, mas, pelo visto, ela quer se vingar e Ana quer saber por quê.

— Jake, não sei do que fala, eu não fiz nada, apenas nos desentendemos, foi isso, mas achei que estava tudo bem!

Ele fica mais bravo ainda com ela, diz que a vampira a exigiu ao seu lado ou sairia, cancelaria o contrato.

— Ana, você sabe o que fez. Agora estou aqui porque a senhora "sou melhor que todos" vem aqui para cancelar. O que eu faço? Venha para cá já, você vai dar um jeito nisso!

Ana concorda com ele; ela diz que falará com Josephine e que ele não se preocupe, ela vai consertar as coisas. Ele agradece e desliga com ela ainda na linha!

— O que ele queria, amiga? Pelo visto, deu uma bronca, não é?

Ana nem responde, ela chama um Uber e diz a Suzi que terá de ir agora, pergunta se ela irá também e Suzi corre para pegar a bolsa. As duas descem e o carro as espera na entrada do prédio. Ao chegarem à empresa, Ana e Suzi entram no elevador. Quando as portas estão quase fechando, uma mão muito pálida entra no meio das portas, impedindo-as de fechar. As duas observam e uma moça jovem, muito bonita, entra com elas, séria e calada. A moça sobe com elas para o andar e não lhes dirige uma só palavra. Ambas descem e Ana segue para a sua sala. Suzi vai para o seu escritório, na frente da sala de Ana, olha para seu amigo Josh e pergunta quem é a moça que chegou. Josh a responde.

— Essa é René Rosetown, veio para falar com Jake, é a filha de Josephine!

Suzi ouve aquilo e imediatamente corre para contar a Ana. Ela entra de uma só vez e assusta Ana, que grita.

— Está doida, Suzi? Quer me matar de susto?

Ela se desculpa e para de falar quando vê Ana no telefone, espera ansiosa para contar o que passa na sala de Jake.

— Ok, senhor Marlos, se ela aparecer, diga que eu preciso lhe falar! Grata, passe bem.

Ana termina de falar e olha para Suzi, arregalando os olhos, esperando que ela conte logo, já que entrou sem avisar.

— Então, querida? O que quer? Não vê que estou ocupada? Preciso encontrar Josephine; tenho que saber por que vai cancelar o contrato!

Suzi diz que ela pare de tentar, porque não a encontrará em casa, provavelmente!

— Como assim? Por que diz isso?

Pergunta Ana, ela não entende. Será que Josephine viajou ou lhe passou algo? Ela está agora preocupada e pede para Suzi contar logo! Suzi, conta.

— É que a filha dela está aqui, na sala de Jake!

Ana arregala os olhos, se levanta e sai. Ela fica no corredor, aguardando que essa tal filha saia da sala para ela saber o que acontece com a vampira, quando então Suzi diz que a mesma moça que subiu com elas, séria e calada, é a filha de Josephine! Ana se toca de que, se a garota veio no lugar da mãe, é porque já sabe o que aconteceu, isso se Josephine contou, ou pode ser que ela apenas tenha vindo para especular algo. Pela cara feia dela, pode ser que saiba quem é Ana.

A espera por saber o que ela veio fazer na empresa acaba com Ana, a deixa mais preocupada ainda e, enfim, elas ouvem a porta abrir. Ana disfarça e finge conversar com Suzi sobre algo aleatório. Quando Jake a chama em sua sala, ela se vira para ir e dá de cara com a garota, que a olha de cima a baixo. Sua cara não está nada boa. Se ela não sabia, agora sabe com certeza quem é Ana e o que fez com a sua mãe, e não gosta nada.

Ana segue para a sala de Jake. A garota vai embora, mas só perde Ana de vista quando ela some atrás da porta. Todos no trabalho olham para René, impressionados por sua exuberante beleza e também curiosos para saber o que ela faz ali.

— Ana, não sei o que fez, o que disse, mas você terá que consertar isso. Não podemos estar com a maior investidora da empresa querendo retirar a sociedade que firmamos ontem.

Ana olha para o seu patrão, ela quer saber primeiro o que a garota fazia ali e quem era ela, e pergunta. Jake responde.

— Ela é a filha de Josephine. René veio para ficar no lugar da mãe dela, disse que Josephine viajou e não voltará tão cedo, quer cancelar o contrato, ou sua filha ficará em seu lugar, mas revisamos tudo e o contrato não permite substituição!

Ana não sabe o que dizer; ela colocou essa cláusula, como ele mesmo pediu, e agora, o que poderão fazer?

— Bom, eu não sei o que fazer. Liguei para ela, mas o mordomo disse que ela não se encontra. Teremos que esperar ela voltar.

Jake fica bravo e b**e na mesa; ele grita com Ana.

— Que diabos, Ana, será que você não entendeu ainda? Essa mulher é o que nos levantará; ela é simplesmente a maior CEO que existe, maior que eu até. Pode acabar com a gente se seguir o processo!

Ana se assusta com o grito dele; ela dá um passo para trás e arregala seus grandes olhos claros. Ele olha para ela e vê que a assustou; ela é humana e não está acostumada com o seu temperamento.

— O que... Oh, Jake, você nunca gritou comigo assim!

Ela gagueja, faltam-lhe palavras; ela não esperava que isso fosse tomar essa proporção intensa e se desculpa com ele. Ela diz que dará um jeito de falar com Josephine, nem que tenha de persegui-la por todas as partes.

— Calma, eu vou consertar isso, te prometo!

Ele manda ela sair e voltar com boas notícias. Ela sai de sua sala, o coração acelerado, o peito apertado. Nunca o vira daquela maneira, nunca imaginou que fora passar isso com ela um dia. Ele é muito explosivo e agora ela está com bastante medo dele. Ela vai para sua sala e pede para Suzi levar uma garrafa de água e calmantes para ele e também para ela. Suzi corre para fazer o que ela pediu e ela, mais uma vez, tenta ligar para Josephine, todos os telefones possíveis, mas nenhum contesta. Ela pensa no que irá fazer, mas vai encontrá-la.

Josephine não pediu que sua filha fosse à empresa; ela disse que resolveria tudo por e-mail ou telefone, mas René é teimosa e foi. Ela desce para a sala e o telefone toca. Ela atende; é Ana. Sua voz lhe deixa nervosa; ela chega a tremer e chama Marlos baixinho, entregando o telefone a ele, que atende.

— Alô, senhorita Ana? Desculpe, uma criada nova atendeu e, como não fala nossa língua, passou para mim. Em que posso ajudar?

Ana lhe pergunta por Josephine; ele repete alto para ela poder ouvir, então ele diz que Ana quer falar com ela e Josephine manda dizer que viajou a trabalho, que ela ligue depois, mas não fala dia nem hora, pois não sabe ao certo quando ela voltará. Ana aceita a resposta e desliga. 

— O que ela queria?

Pergunta à vampira interessada.

— Ela queria lhe falar, senhora, algo com o contrato!

Josephine ri; ela acha engraçado. Como pode querer que ela continue o contrato se ela o quebrou? Elas tinham um acordo e Ana não cumpriu!

— Não quero falar com ela. Se ligar novamente, desligue; não quero saber dela!

O mordomo aceita e se retira. Momentos depois, sua filha chega, ela olha para sua mãe e diz compreendê-la. Ana é linda! Mas Josephine não quer conversa; ela pergunta o que a filha fora fazer lá. A menina responde.

— Ué, mãe, fui ficar no seu lugar, mas, ao que parece, seu contrato é insubstituível! A propósito, Ana estava com uma cara de culpa enorme. Ouvi que ela ligou para você; também fiquei um tempo por lá e ouvi o Jake gritar com ela. Se não a matou, a matará em breve.

René a beija na testa e sobe as escadas. Ela vai para o quarto e Josephine fica na sala. Quando o seu telefone celular toca, é Ana novamente. Ela não quer atender e deixa tocar. Ana tenta mais vezes e, logo após muitas ligações, ela manda uma mensagem, que a vampira não abre, lê pela barra de notificação!

— Josephine, preciso falar com você. Não é justo que a empresa pague pelo que aconteceu à noite. Espero que pense bem; estará deixando muitos desempregados. Por mim, não se preocupe, mas, por eles!"

Josephine lê a mensagem e não acredita que ela nem ao menos se desculpou pelo que fez. Ela j**a o celular no sofá, sobe e se tranca em seu escritório.

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