FAZER LOGINKALL
..Temor, era exatamente isso que eu provocava nas pessoas, eu caminhei bastante por aquela estrada pra chegar onde eu cheguei, mas confesso que antes de eu andar por aquele caminho, o meu pai já havia construído a estrada.Eu era de uma família de mafiosos, o meu pai fez história antes de ser assassinado covardemente por seu inimigo, o próprio irmão, um traidor que queria a todo custo o poder, no entanto, quando o meu pai partiu, eu assumi a vida dele, os negócios dele e me tornei tão notável e temido quanto ele e eu passei a buscar por justiça, eu botei na cabeça que eu iria honrar o sangue dele.O meu pai tinha um melhor amigo e esse amigo era o braço direito dele, Lion Benevides nunca o decepcionou e sempre esteve ao lado do meu pai em todas a batalhas, então eu não poderia ter outra pessoa ao meu lado pra depositar toda a minha confiança, então o Lion tornou-se o meu braço direito também, porém eu o tinha como um pai também, pois muitas vezes ele agiu como tal.A nossa família era grande, tinhamos conselheiros, e tínhamos o Lion que era o líder do conselho, a nossa principal atividade era o tráfico de drogas e armamentos, e éramos conhecidos pela polícia da Itália como “Ratos de esgoto”, pois eles nunca conseguiam nos pegar.O meu verdadeiro nome é Kallyon Bellini, e Kall era o nome do meu pai, porém meus conselheiros afirmaram que era bom manter vivo o legado do meu pai e eu assumi esse mesmo nome como se fosse a abreviação do meu.Por falta de provas, o meu rosto nunca foi associado a esse nome, então ao pesquisar sobre o líder da máfia, o meu nome aparecia lá, mas não o meu rosto, afinal eu era um rato.Eu morava em uma ampla mansão no meio de uma ilha que não era localizado no mapa, o acesso era difícil, fora os vários seguranças que eu tinha ao redor da minha propriedade, todas as nossas embarcações estavam no nome de pessoas que eram livres de qualquer suspeita, e elas eram muito bem pagas pra isso, mas o preço pela traição era a morte, e elas sabiam disso.Nós estávamos atrás do Daylon Bellini, o meu tio, autor do assassinato do meu pai, ele era um Bellini, então eu podia afirmar que ele era muito bom em se esconder, e ele aprendeu muitas coisa com o meu pai, e isso dificultava muito a nossa busca, mas com a descoberta da doença do Lion, as buscas foram encerradas temporariamente.Confesso que eu estava emocionalmente desestruturado, e apesar de aquele sentimento ser considerado uma fraqueza no mundo da máfia, era difícil ignorar o fato de que eu jamais iria encontrar um homem como ele, e pela imensa gratidão e respeito que tinha por ele, eu estava totalmente disponível para tudo o que ele precisasse naquele momento.Na manhã em que descobrimos sobre a doença dele, eu vi um homem completamente desesperado diante de mim, o homem forte e destemido havia sumido e dado lugar a um pai preocupado com a filha, eu coloquei todos os meus homens para fora daquela sala, e tentei agir com humanidade, algo muito difícil de se ver em mim.Enquanto eu esperava ele se acalmar o celular dele tocou e ele ao ver que era a filha me pediu pra atender, eu nunca havia falado com aquela garota, e apesar de saber que ele era pai de uma menina de 18 anos, eu nunca me interessei por saber quem ela era, a minha única preocupação era até que ponto ela sabia sobre o trabalho do pai dela, e até que ponto o Lion conseguiria controlar a língua dela, o acordo sempre foi ela saber o mínimo possível e nunca comentar sobre mim com ninguém, porém ao atender eu percebi que ela tinha tudo, menos controle na língua.Aquela era a primeira vez que eu havia sido confrontado por alguém, nem os meus maiores inimigos tinham tamanha audácia.Eu a ameacei, mesmo sabendo que eu jamais poderia fazer mal a ela, não só em nome de tudo o que o pai dela já fez por mim, mas também em nome de tudo o que ele já fez pelo o meu pai, eu só não sabia que iria surgir mais outro impedimento nessa lista.— O que houve? Ela falou o que não devia?Ele perguntou assim que eu xinguei e ela desligou na minha cara.— Eu não sabia que a sua filha gosta de desafiar a morte Lion.— Eu sinto muito Kall, ela não consegue medir as palavras dela antes de falar.— Ela precisa de uma lição.— Por favor, não faça nenhum mal a ela, não agora que vou precisar tanto de você.— Como posso ajudá-lo?— Você sabe que eu sou a única família da Ana, e você sabe dos inimigos que deixei ao longo do caminho, então eu não vou morrer em paz sem saber que ela ficará protegida, eu preciso que você me dê a sua palavra que irá cuidar e proteger ela.Eu fui pego de surpresa, eu nunca imaginei que seria responsável pela filha do Lion, mas ele praticamente ficou responsável por mim quando o meu pai partiu, então eu não poderia negar isso a ele.— O que você me diz Kall?— Eu devo muito a você Lion, então eu não posso ignorar o seu pedido, eu não vou deixar nada acontecer com a sua filha.— Muito obrigado Kall, isso me dará um pouco de paz.— Mas preciso que você me deixe fazer uma coisa.— Que coisa?— Preciso dar uma lição na linguaruda da sua filha.— Você irá machucá-la?— Não, mas se ela vai ficar comigo, ela precisa me respeitar, eu só quero assustá-la um pouco.— Se você não irá machucá-la, por mim tudo bem, mas devo alertá-lo que a Ana não é qualquer garota.— Eu sei, ela é sua filha.— Não estou falando necessariamente disso.— Do que está falando então?— Ela sabe muito bem como se defender, então se as coisas não saírem como você quer, não diga que eu não avisei.— Você acha que uma garota de 18 anos pode me confrontar?— Aqui estão as chaves de todos os cômodos da minha casa, vá em frente e tire as suas próprias conclusões.Ele me entregou as chaves e eu fiquei intrigado, mas eu iria pagar pra ver, afinal eu precisava conhecer pessoalmente a garota que iria ficar sob os meus cuidados.ANA..Depois da morte da Aysha, eu passei uma semana com o Kall, eu tentei ser pra ele tudo que eu não fui enquanto ele tentava ser o pai do filho dela.Talvez fosse um pouquinho tarde pra eu ser a parceira que ele precisava, mas eu dei o meu melhor dentro daquela nova realidade.Depois eu tive que voltar pra Espanha, mas antes de ir, eu disse que ele precisava ficar bem para que finalmente a gente pudesse decidir o que seria de nós dois, eu tentei dar pra ele o espaço que eu achava que ele precisava, mas me surpreendi quando ele não me procurou.Os dias foram passando, as semanas foram correndo sem nenhum vestígio dele, e ficou cada vez mais difícil entender o que estava acontecendo.Eu poderia ter ligado pra ele, mas tive medo de estar invadindo o espaço que ele precisava.Eu sempre soube que algumas pessoas levavam um pouco mais de tempo até se recuperar do luto, mas a espera estava me maltratando de uma forma quase insuportável, eu tive noites de insônia, a ansiedade me atacou,
KALL..Eu pensei que nada poderia me tirar daquela bolha em que eu me encontrava com a Ana, mas quando o meu celular tocou, eu senti um leve arrepio na espinha, afinal ninguém tinha aquele número.Eu me levantei pra atender e me assustei ao ouvir a voz do Lion do outro lado da linha...— Kall, a Aysha passou mal e foi levada às presas pro hospital.— Mas ela está bem? E o bebê?— Parece ser sério Kall.— Certo, chego em algumas horas.Eu sabia que a minha atitude desesperada poderia passar uma visão distorcida dos fatos pra Ana, mas eu não tinha como explicar o que nem mesmo eu tinha conhecimento.Eu vi ela chorando, e parecia cruel eu sair daquela forma depois de ter feito sexo com ela, mas eu sabia que depois ela entenderia tudo.Eu tive a sorte de chegar no aeroporto e ter vôo uma hora depois, mal eu sabia o que me esperava.Quando eu cheguei na Itália, peguei o carro no estacionamento e fui pro hospital, chegando lá encontrei a tia Carmem aos prantos nos braços do marido dela, e
ANA..Eu nunca me achei uma pessoa manipulável, embora durante a minha vida eu tenha passado por um processo de manipulação.Quando eu vi o Kall totalmente despido do ego, com a voz calma, totalmente diferente de quando eu o vi mais cedo, eu senti a imensa necessidade de devolver para ele a mesma calma.No fundo eu sabia onde aquela conversa daria, mas vê-lo me ouvir atentamente, levando em consideração tudo o que eu sentia, me fez ter um pouco de esperança, eu não consegui conter as minhas lágrimas porque eu segurei elas dentro de mim por muito tempo, eu tentei ficar bem e reprimi tudo que eu tava sentindo, pra não demonstrar pras pessoas a minha volta o quanto eu estava sofrendo, mas naquele momento na frente dele, eu não vi mais necessidade de esconder, ele precisava entender o que tudo aquilo estava causando em mim e finalmente ele compreendeu.Ter as mãos dele em volta do meu corpo fez eu reviver sentimentos que estavam adormecidos, mas foi a melhor sensação do mundo, era como
KALL..Faltando 5 minutos pras 20:00 horas, eu fui pra parte externa do hotel e olhei pra imensa praça que havia em frente, eu atravessei a pista e fui até lá, e sentei nos bancos.Nesse mesmo momento, um táxi parou, e eu vi a Ana descer e me procurar em volta, eu me levantei e ela me viu.Ela estava linda como sempre, tudo naquela garota me fazia suspirar.O meu coração estava agitado, a minha garganta estava seca, era como se eu esperasse o pior daquela conversa.Quando ela se aproximou de mim, não pude decifrar o olhar dela, parecia que ela havia aprendido a não demonstrar o que ela realmente estava sentindo.— Eu tive medo que não viesse.— Eu pensei em não vir.— Porque marcou aqui?— Eu costumo vir aqui quando quero pensar, o lugar é calmo, bonito e rodeado pela natureza, totalmente o oposto do que acontece dentro de mim a meses.Ela falou com o olhar fixo nos meus.— O lugar é lindo, mas gostaria de conversar com você em um lugar mais reservado.— Que lugar seria esse?— No h
ANA..Quando coloquei os meus pés em solo espanhol, eu parei e pensei: Esse lugar tem a minha cara.Mas era só uma forma de eu convencer a mim mesma que eu estava feliz, afinal eu precisava acreditar nisso.Quando saí da Itália, tentei me apegar ao fato de que aquela decisão estava inteiramente ligada a realidade de ter sido trocada por outra mulher, e que o amor que o Kall sentia por mim era apenas fruto da minha imaginação, foi exatamente isso que me manteve em pé por longos meses.Mas o Kall não tornou esse período nada fácil pra mim, por alguma razão o meu pai não trocou o número do meu celular, e ele sempre mudava de assunto nas vezes que questionei o motivo, mas no fundo eu sabia que era só mais uma forma de fazer eu me entender com o Kall.Meu pai gostava dele, ele idealizou um relacionamento entre a gente, e embora ele dissesse que estava do meu lado, eu sabia realmente o que ele queria, ele não sabia mentir pra mim.O meu celular já acumulava centenas de mensagens do Kall,
KALL..Cinco meses se passaram desde a última vez que eu vi a Ana, os dias foram difíceis e sombrios, e não houve nenhum dia que eu não pensasse nela.Antes do depoimento, o Lion e o Valente foram buscar a Alice e a Sam, e o Valente prometeu que entregaria o celular pra Ana, eles saíram, e uma hora depois eu liguei pro número dela na esperança de marcar de conversar com ela após o depoimento, mas ela não atendeu.Quando cheguei no local do depoimento, eles já estavam indo embora.A Aysha estava comigo, pois ela também precisava depor e me ligou pra que eu fosse buscá-la no hotel, eu fui, mas nada aconteceu entre eu e ela, nem mesmo uma conversa, e embora ela tenha tentado conversar comigo o caminho inteiro, eu me mantive calado pensando no que eu falaria pra Ana.Quando a Ana me viu com a Aysha, o semblante dela endurecido deixou claro que não haveria nenhum acordo ou entendimento entre nós, e a última frase que eu disse pra ela era que eu não iria desistir dela.A Ana foi embora le







