Compartilhar

CAPÍTULO 9

last update Data de publicação: 2023-12-06 12:26:58

Ana

.

.

Pra alguém que já havia matado uma porção de pessoas era difícil acreditar que o Kall tinha um coração, mas o meu pai também havia matado, talvez mais do que o intocável Kall, então eu sabia que ele era um homem bom, ao menos pra mim, mas quando o Kall atendeu imediatamente ao pedido do meu pai e organizou tudo pra nos tirar do país eu fiquei levemente mexida, mas não o suficiente pra demonstrar aquilo que eu estava pensando ou sentindo, eu ainda acreditava que ele jamais seria capaz de se infiltrar nos meus pensamentos de uma forma que eu não pudesse controlar.

Fomos levados pra costa africana, e existia seguranças em todos os cantos da propriedade, um helicóptero pra emergências e um hiate.

O lugar era realmente um espetáculo de tão lindo, e me transmitia uma sensação de paz, embora eu soubesse que estava no meio de uma grande tempestade.

No dia seguinte que chegamos ao local, o celular do meu pai tocou, mas ele não estava perto pra atender, eu olhei a tela do celular e vi que era o Kall e decidi atender, eu poderia ter chamado o meu pai? Poderia...Mas eu não iria perder a oportunidade de confrontar ainda mais o cara que achava que tinha o poder do mundo nas mãos.

Eu nunca considerei que o meu gênio forte fosse de fato um problema, muito pelo contrário, o meu gênio me ajudava a não fugir de confrontos, ele me obrigava a encarar os problemas de frente e a jamais baixar a minha cabeça pra ninguém, eu sempre soube respeitar quem realmente merecia respeito, mas jamais me renderia a imposição de ninguém.

Deu pra notar o quanto eu conseguia deixar o Kall desestabilizado, e eu me divertia com o fato de saber que eu o deixava louco, e depois de ter sugado toda a paciência dele, o meu pai chegou e tirou o celular da minha mão, mas nada me impediu de continuar a atingi-lo mesmo que distante do celular.

Quando o meu pai encerrou a ligação, ele me olhou com aquela cara de sempre, e eu sabia que escutaria outro sermão.

— Precisava disso, Ana?

— Eu não fiz nada demais, apenas expressei a minha humilde opinião.

— Guarde a sua humilde opinião com você quando o assunto for o Kall.

— O Kall precisa entender que eu não vou ser a marionete dele quando eu estiver morando com ele.

— Você é igualzinha a sua mãe.

A simples menção sobre a minha mãe me fez paralisar, eu não sabia quase nada sobre ela, e todas as vezes que fiz perguntas sobre como ela era pro meu pai, ele sempre dava um jeito de desconversar.

— Como ela era?

— Ela era impulsiva, não sabia controlar a língua, assim como você, aquilo me deixava maluco.

— Por que você nunca fala sobre ela?

— Vamos mudar de assunto?

— É sempre a mesma coisa pai, o que aconteceu de tão grave que você não consegue falar dela pra mim por cinco minutos?

— Ela partiu, e eu odeio lembrar disso, por isso evito discutir com você, porque quando você está com raiva, age e fala como ela, e isso me faz lembrar de coisas que eu gostaria de esquecer.

— E qual o problema em lembrar pai?

— Você não entenderia.

— Então porque você não tenta me explicar?

— Vamos deixar isso quieto Ana, agora vá se arrumar, vamos dar uma volta de iate, afinal estamos aqui pra aproveitarmos os meus últimos dias.

Eu respirei fundo tentando não chorar, ele estava certo, precisávamos aproveitar, e eu queria fazer daqueles dias os melhores dias que já tivemos.

Eu coloquei um biquíni, uma saída de banho e um chapéu, fomos pro Iate acompanhados de quatro homens armados que ficaram me devorando com os olhos quando tirei a saída e fiquei só de biquíni.

— Vamos pular na água pai?

— Vai você primeiro.

Ele me jogou na água sem piedade e começou a rir.

— Seu velho covarde.

Falei logo depois de voltar a superfície.

Ele pulou na água e ficamos nadando um pouco, até ele começar a tossir e espirrar sangue.

— Pai? Eu gritei assustada.

— Calma Ana, isso é normal pra minha condição, vamos voltar pro Iate, eu estou com falta de ar.

Quando subimos no iate novamente, ele pegou a toalha se enxugou e se sentou.

— Você precisa de um médico pai? Eu posso ligar pro Kall e...

— Não é preciso, ele já disse que mandaria médicos amanhã, e não existe nada que se possa fazer agora, a tendência é só piorar Ana, eu preciso que você esteja preparada pra isso.

Eu enchi os meus olhos de lágrimas e não aguentei segurá-las, elas começaram a cair e o meu pai me encarou com um olhar de culpa.

— Eu sinto muito por essa dor que você está sentindo minha filha.

— Eu não quero perder o senhor, eu odeio essa droga de vida.

— Não fale isso, um dia você será uma excelente professora, e terá a vida que sempre sonhou.

— Como? Você mesmo disse que eu iria ficar sob a guarda do Kall.

— Eu vou conversar com ele Ana, eu vou pensar em uma forma de você ter uma vida boa sem correr grandes riscos.

— Você promete?

— Eu prometo.

Eu o abracei e chorei muito enquanto ele alisava os meus cabelos, eu sentia a dor de estar prestes a perdê-lo, mas também sentia alívio por saber que ainda existia uma chance pra mim.

— Agora vamos voltar pra casa, eu estou me sentindo com fome e cansado.

Quando chegamos em casa eu me lembrei de um detalhe que havia passado despercebido por mim, eu estava com a cabeça tão cheia de problemas que esqueci que estava sem celular e que também não havia informado a universidade sobre a minha ausência nas aulas.

— Ah droga, como posso ter esquecido disso?

— Esquecido de quê?

— Eu quebrei o meu celular, preciso de um novo, e também não informei a universidade sobre a minha ausência nas aulas.

— Como você quebrou o seu celular?

— Eu joguei ele na parede.

Ele ficou me encarando tentando assimilar aquela reação a mim, pois aquela era a primeira vez que eu havia descontado a minha raiva em um objeto.

— Não me olha assim, a culpa foi sua.

— Minha?

— Sim, você ficou brigando comigo por causa daquele...Deixa pra lá, só de falar dele eu já fico indignada.

— Eu vou mandar alguém providenciar um celular pra você, e sobre a universidade eu vou falar pro Kall resolver isso.

— O Kall vai resolver isso como? Ele não é meu pai e é novo demais pra justificar a minha ausência como se fosse o meu tutor.

— Não há motivos pra se preocupar, Ana.

— Pelo visto, é tudo muito fácil de ser resolvido estando nessa vida.

— Não é que seja fácil, só somos práticos.

— Eu só espero que essa praticidade não me coloque em uma posição ruim diante do reitor.

Eu fui pro meu quarto tomar um banho pra esfriar a minha cabeça, mas a verdade era que nada conseguiria me deixar mais tranquila diante de tudo aquilo que eu estava sendo obrigada a aceitar.

Eu não gostava nem um pouco de todo o poder que o meu pai estava dando ao Kall sobre a minha vida.

Continue a ler este livro gratuitamente
Escaneie o código para baixar o App
Comentários (1)
goodnovel comment avatar
Angela S Silva
o garota chata
VER TODOS OS COMENTÁRIOS

Último capítulo

  • Kall meu mafioso obsessivo    FIM

    ANA..Depois da morte da Aysha, eu passei uma semana com o Kall, eu tentei ser pra ele tudo que eu não fui enquanto ele tentava ser o pai do filho dela.Talvez fosse um pouquinho tarde pra eu ser a parceira que ele precisava, mas eu dei o meu melhor dentro daquela nova realidade.Depois eu tive que voltar pra Espanha, mas antes de ir, eu disse que ele precisava ficar bem para que finalmente a gente pudesse decidir o que seria de nós dois, eu tentei dar pra ele o espaço que eu achava que ele precisava, mas me surpreendi quando ele não me procurou.Os dias foram passando, as semanas foram correndo sem nenhum vestígio dele, e ficou cada vez mais difícil entender o que estava acontecendo.Eu poderia ter ligado pra ele, mas tive medo de estar invadindo o espaço que ele precisava.Eu sempre soube que algumas pessoas levavam um pouco mais de tempo até se recuperar do luto, mas a espera estava me maltratando de uma forma quase insuportável, eu tive noites de insônia, a ansiedade me atacou,

  • Kall meu mafioso obsessivo    CAPÍTULO 96

    KALL..Eu pensei que nada poderia me tirar daquela bolha em que eu me encontrava com a Ana, mas quando o meu celular tocou, eu senti um leve arrepio na espinha, afinal ninguém tinha aquele número.Eu me levantei pra atender e me assustei ao ouvir a voz do Lion do outro lado da linha...— Kall, a Aysha passou mal e foi levada às presas pro hospital.— Mas ela está bem? E o bebê?— Parece ser sério Kall.— Certo, chego em algumas horas.Eu sabia que a minha atitude desesperada poderia passar uma visão distorcida dos fatos pra Ana, mas eu não tinha como explicar o que nem mesmo eu tinha conhecimento.Eu vi ela chorando, e parecia cruel eu sair daquela forma depois de ter feito sexo com ela, mas eu sabia que depois ela entenderia tudo.Eu tive a sorte de chegar no aeroporto e ter vôo uma hora depois, mal eu sabia o que me esperava.Quando eu cheguei na Itália, peguei o carro no estacionamento e fui pro hospital, chegando lá encontrei a tia Carmem aos prantos nos braços do marido dela, e

  • Kall meu mafioso obsessivo    CAPÍTULO 95

    ANA..Eu nunca me achei uma pessoa manipulável, embora durante a minha vida eu tenha passado por um processo de manipulação.Quando eu vi o Kall totalmente despido do ego, com a voz calma, totalmente diferente de quando eu o vi mais cedo, eu senti a imensa necessidade de devolver para ele a mesma calma.No fundo eu sabia onde aquela conversa daria, mas vê-lo me ouvir atentamente, levando em consideração tudo o que eu sentia, me fez ter um pouco de esperança, eu não consegui conter as minhas lágrimas porque eu segurei elas dentro de mim por muito tempo, eu tentei ficar bem e reprimi tudo que eu tava sentindo, pra não demonstrar pras pessoas a minha volta o quanto eu estava sofrendo, mas naquele momento na frente dele, eu não vi mais necessidade de esconder, ele precisava entender o que tudo aquilo estava causando em mim e finalmente ele compreendeu.Ter as mãos dele em volta do meu corpo fez eu reviver sentimentos que estavam adormecidos, mas foi a melhor sensação do mundo, era como

  • Kall meu mafioso obsessivo    CAPÍTULO 94

    KALL..Faltando 5 minutos pras 20:00 horas, eu fui pra parte externa do hotel e olhei pra imensa praça que havia em frente, eu atravessei a pista e fui até lá, e sentei nos bancos.Nesse mesmo momento, um táxi parou, e eu vi a Ana descer e me procurar em volta, eu me levantei e ela me viu.Ela estava linda como sempre, tudo naquela garota me fazia suspirar.O meu coração estava agitado, a minha garganta estava seca, era como se eu esperasse o pior daquela conversa.Quando ela se aproximou de mim, não pude decifrar o olhar dela, parecia que ela havia aprendido a não demonstrar o que ela realmente estava sentindo.— Eu tive medo que não viesse.— Eu pensei em não vir.— Porque marcou aqui?— Eu costumo vir aqui quando quero pensar, o lugar é calmo, bonito e rodeado pela natureza, totalmente o oposto do que acontece dentro de mim a meses.Ela falou com o olhar fixo nos meus.— O lugar é lindo, mas gostaria de conversar com você em um lugar mais reservado.— Que lugar seria esse?— No h

  • Kall meu mafioso obsessivo    CAPÍTULO 93

    ANA..Quando coloquei os meus pés em solo espanhol, eu parei e pensei: Esse lugar tem a minha cara.Mas era só uma forma de eu convencer a mim mesma que eu estava feliz, afinal eu precisava acreditar nisso.Quando saí da Itália, tentei me apegar ao fato de que aquela decisão estava inteiramente ligada a realidade de ter sido trocada por outra mulher, e que o amor que o Kall sentia por mim era apenas fruto da minha imaginação, foi exatamente isso que me manteve em pé por longos meses.Mas o Kall não tornou esse período nada fácil pra mim, por alguma razão o meu pai não trocou o número do meu celular, e ele sempre mudava de assunto nas vezes que questionei o motivo, mas no fundo eu sabia que era só mais uma forma de fazer eu me entender com o Kall.Meu pai gostava dele, ele idealizou um relacionamento entre a gente, e embora ele dissesse que estava do meu lado, eu sabia realmente o que ele queria, ele não sabia mentir pra mim.O meu celular já acumulava centenas de mensagens do Kall,

  • Kall meu mafioso obsessivo    CAPÍTULO 92

    KALL..Cinco meses se passaram desde a última vez que eu vi a Ana, os dias foram difíceis e sombrios, e não houve nenhum dia que eu não pensasse nela.Antes do depoimento, o Lion e o Valente foram buscar a Alice e a Sam, e o Valente prometeu que entregaria o celular pra Ana, eles saíram, e uma hora depois eu liguei pro número dela na esperança de marcar de conversar com ela após o depoimento, mas ela não atendeu.Quando cheguei no local do depoimento, eles já estavam indo embora.A Aysha estava comigo, pois ela também precisava depor e me ligou pra que eu fosse buscá-la no hotel, eu fui, mas nada aconteceu entre eu e ela, nem mesmo uma conversa, e embora ela tenha tentado conversar comigo o caminho inteiro, eu me mantive calado pensando no que eu falaria pra Ana.Quando a Ana me viu com a Aysha, o semblante dela endurecido deixou claro que não haveria nenhum acordo ou entendimento entre nós, e a última frase que eu disse pra ela era que eu não iria desistir dela.A Ana foi embora le

Mais capítulos
Explore e leia bons romances gratuitamente
Acesso gratuito a um vasto número de bons romances no app GoodNovel. Baixe os livros que você gosta e leia em qualquer lugar e a qualquer hora.
Leia livros gratuitamente no app
ESCANEIE O CÓDIGO PARA LER NO APP
DMCA.com Protection Status