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CAPÍTULO 5 - MENTIRAS ANTIGAS

last update Data de publicação: 2026-07-07 05:52:30

Os passos continuavam acima deles, lentos e pesados. Como se a pessoa soubesse exatamente onde estavam.

Ninguém se mexeu.

O porão mergulhou em um silêncio sufocante.

Maytê apertou a mão de Gustavo, ela podia sentir o coração dele acelerado.

Henrique fez um gesto pedindo silêncio.

Outro passo, depois outro. A madeira do piso rangia, alguém caminhava pela casa sem pressa, como quem procurava alguma coisa ou alguém.

Gustavo aproximou a boca do ouvido de Henrique.

— Quantas pessoas sabem que estamos aqui? — perguntou, num sussurro.

— Só nós três. — respondeu, quase inaudível.

Maytê sentiu um frio percorrer sua espinha.

Então quem estava lá em cima?

Cinco minutos pareceram uma eternidade, os passos cessaram.

Veio outro silêncio, até que... o som de uma porta se fechando com força ecoou pela casa.

Henrique esperou mais alguns segundos e acendeu novamente a lanterna.

— Vamos.

Subiram a escada lentamente.

Gustavo foi o primeiro a colocar a cabeça para fora da porta escondida, o corredor estava vazio, a casa permanecia em silêncio, mas havia algo diferente.

A mochila dele que estava sobre a mesa da sala, estava aberta e os documentos haviam sido revirados.

— Alguém esteve aqui. — Maytê olhou rapidamente ao redor — Mas não levou nada.

— Ainda não sabemos. — Henrique discordou.

Começaram a conferir tudo: a fotografia, a carta, a chave, a fita. Tudo continuava ali ou quase, o gravador havia desaparecido.

Gustavo sentiu um aperto no peito.

— Não...

Henrique confirmou.

— Levaram justamente a gravação de Helena.

Maytê respirou fundo.

— Então quem entrou aqui sabia exatamente o que procurava.

Eles deixaram a fazenda pouco depois.

Henrique conseguiu pedir socorro usando o telefone de um caminhoneiro que passava pela estrada.

Enquanto esperavam o reboque, ninguém falou muito. Cada um estava perdido nos próprios pensamentos.

Quando finalmente voltaram para a cidade, já era noite.

Gustavo deixou Maytê em casa e antes que ela saísse do carro, segurou sua mão.

— Promete uma coisa?

— Depende. — ela sorriu levemente.

— Se perceber qualquer coisa estranha... me liga imediatamente.

— Você também. — disse, acariciando o rosto dele.

No dia seguinte, Gustavo tomou uma decisão.

Precisava conversar com a única pessoa que talvez conhecesse parte daquele passado, sua mãe.

Ela morava em uma casa tranquila, longe do centro da cidade.

Quando abriu a porta e viu o filho, sorriu. Mas o sorriso desapareceu ao notar sua expressão.

— O que aconteceu?

Gustavo entrou, sentou-se na sala e colocou a fotografia sobre a mesa. A mãe olhou, seu rosto perdeu completamente a cor e suas mãos começaram a tremer.

— Onde você conseguiu isso?

Ele percebeu imediatamente, ela conhecia aquela mulher.

— Quem é ela?

Silêncio.

Ela fechou os olhos por alguns segundos e depois respondeu baixinho.

— Helena.

O nome saiu quase como um sussurro.

— Você sabia?

Ela assentiu, as lágrimas começaram a escorrer.

— Sim.

— Quem era ela?

A mulher respirou profundamente, como se estivesse criando coragem para abrir uma ferida antiga.

— Ela trabalhou para seu pai durante muitos anos. Era muito competente, muito inteligente e muito leal.

Gustavo permaneceu olhando para ela, esperando.

— Só isso?

Ela abaixou a cabeça.

— Não. — outro silêncio — Ela também era minha amiga.

A revelação pegou Gustavo de surpresa.

— Sua amiga?

— Sim. Durante muitos anos.

Maytê, que permanecia sentada ao lado dele, franziu a testa.

— Então por que ela desapareceu?

A mãe de Gustavo enxugou as lágrimas.

— Porque um dia, ela descobriu uma coisa que jamais deveria ter descoberto.

O coração de Gustavo acelerou.

— O quê?

A mulher olhou diretamente para o filho.

— Seu pai tinha uma segunda família.

O mundo pareceu parar.

Gustavo ficou completamente imóvel.

— Não... — disse, quase sem voz — Isso não pode ser verdade.

Ela fechou os olhos novamente.

— Eu também não quis acreditar, mas era.

Henrique, que acabara de chegar à casa para buscar Gustavo, ouviu apenas a última frase.

— O que era?

Os três olharam para ele, foi Maytê quem respondeu, ainda tentando aceitar a revelação.

— Augusto Ferraresi escondia uma segunda família.

Henrique ficou sem reação, mas a mãe de Gustavo ainda não havia terminado, ela respirou fundo e disse algo que fez o chão desaparecer sob os pés de Gustavo.

— E a menina chamada Laura... não era apenas filha de Helena, era filha do seu pai.

Ou seja, Laura era irmã de Gustavo e ele acabara de descobrir que tinha uma irmã cuja existência lhe fora escondida durante toda a vida.

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