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GIOVANNA

last update Data de publicação: 2025-03-24 18:54:30


 

O carro para suavemente em frente à casa térrea, uma construção branca impecável cercada por imponentes coqueiros que balançam sob a brisa noturna. O céu está límpido, e a lua ilumina a fachada da casa de veraneio com um brilho prateado, projetando sombras elegantes pelo jardim bem cuidado.

Os homens de Lucas descem primeiro, assumindo suas posições como sombras treinadas para proteger. Um deles abre minha porta, mas antes que eu possa sair, ouço um ruído desagradável.

Viro o rosto e vejo Lucas inclinar o corpo para fora do carro e vomitar.

Uma careta involuntária se forma em meu rosto.

A cena me causa um desconforto profundo. Não era isso que eu imaginava para a primeira noite do meu casamento. Não era isso que eu queria.

A visão dele, vulnerável e descontrolado, traz consigo um pensamento indesejado e cruel: ele precisou beber para encarar nosso casamento. Para me encarar.

Meu coração pesa com essa constatação.

Lucas ainda está apoiado no carro, a respiração irregular, procurando algo no bolso com dedos trêmulos. Encontra um lenço e o passa pela testa, como se pudesse apagar o estrago feito pela bebedeira. Quando seus olhos encontram os meus, há algo de vago neles, uma mistura de embriaguez e hesitação.

Ele está pálido, abatido, parecendo frágil pela primeira vez desde que o conheci.

Dói vê-lo assim.

Não por ele.

Por mim.

Porque essa cena me faz sentir um peso que eu não queria carregar, uma sensação de fracasso antes mesmo de começar.

— Perdoe-me. — Sua voz sai pastosa, arrastada, e um sorriso vacilante surge em seus lábios, um sorriso que ele jamais daria se estivesse sóbrio. — Exagerei na bebida.

Cruzo os braços, apertando os dedos contra minha pele.

— Lucas, você precisou beber para encarar nossa vida juntos? É isso?

Minha voz sai firme, mas dentro de mim há um abismo se abrindo, um medo que cresce a cada segundo de silêncio.

Ele me olha, mas não responde. O tempo se arrasta, e vejo em seu rosto o momento exato em que minhas palavras fazem sentido para ele.

— Giovanna... — Ele balança a cabeça devagar, como se quisesse afastar a névoa do álcool. — Não é nada disso. Vamos sair do carro, está ficando quente aqui.

Antes que eu possa dizer qualquer coisa, ele se inclina para frente e vomita novamente.

A repulsa me atravessa como um golpe.

Respiro fundo, lutando para manter a calma, mas é impossível. Sinto um nó na garganta, uma mistura de revolta e exaustão.

Para isso eu deixei meus filhos? Para essa cena lamentável?

Saio do carro, ignorando a confusão dentro de mim, ignorando o nojo, a decepção, a irritação que ferve sob minha pele.

Meu coração aperta ao pensar nos meus filhos. Eles ficaram para trás para que Lucas e eu tivéssemos tempo juntos, para que pudéssemos nos conectar como marido e mulher.

Mas como criar laços com alguém que nem ao menos consegue me encarar sem antes se embebedar?

— Giovanna, espere!

Sinto sua mão envolver meu braço. Sua pele está quente, seus dedos firmes, mas seu corpo vacila, traído pelo álcool.

Paro no mesmo instante. Meu sangue ferve. Meu peito sobe e desce com a respiração acelerada.

Viro-me devagar para encará-lo.

Seus olhos estão desfocados, confusos. Ele abre a boca para falar, mas parece perder o fio do pensamento no meio do caminho.

Ele está completamente chapado.

E eu não tenho paciência para bêbados.

— Gio...

Levanto a mão, interrompendo-o antes que consiga continuar.

— Lucas, você não está em condições de conversar. Vamos entrar. Tome um banho, durma. Depois falamos.

Ele pisca, processando minhas palavras com um segundo de atraso.

— Não fica chateada comigo. Lamento... — Ele se encosta na parede, sua voz é quase um sussurro arrastado.

Cruzo os braços, segurando minha vontade de explodir.

— Tudo bem.

Faço um gesto para os homens ao nosso redor.

— Levem-no para o quarto.

Lucas se esquiva deles como um garoto teimoso, cambaleando no processo.

— Não. — Ele ergue a mão, tentando parecer mais firme do que realmente está. — Não preciso de ajuda. Estou bem!

Irritada, giro nos calcanhares e caminho para dentro da casa sem olhar para trás.

No topo dos degraus da entrada, Helena, a governanta, já nos aguarda. Ela me observa por um breve instante e depois desliza o olhar para Lucas, estudando-o.

Pela expressão discreta, sei que ela entendeu a situação.

— Por favor, poderia me mostrar onde fica o quarto de hóspedes?

Helena franze a testa.

— Quarto de hóspedes?

— Sim.

Ela hesita por uma fração de segundo, mas então assente.

— Sim, senhora.

Lucas, ainda no fundo das escadas, solta um riso rouco.

— Olá, Helena.

A governanta sorri polidamente, mas não responde.

Irrito-me ainda mais.

Como se não bastasse tudo, agora sou forçada a testemunhar seu charme inconsequente, mesmo em meio ao vexame.

Aperto os lábios e entro.

O hall é espaçoso e imponente. O carpete marrom macio absorve o som dos meus passos. As paredes são forradas com painéis de madeira escura, conferindo um ar sofisticado ao ambiente. Um lustre de cristal brilha no alto, suas luzes refletindo como pequenos diamantes no teto abobadado.

Mas não reparo na beleza do lugar.

Minha mente está mergulhada na frustração.

Cruzo a sala rapidamente, ignorando a decoração refinada e os móveis de luxo. O que importa agora é me afastar dele.

Assim que chego ao quarto, viro-me para Helena.

— Obrigada. Peça para trazer a mala rosa para cá.

— Sim, senhora.

Assim que a porta se fecha, solto o ar que nem percebi que estava segurando.

Meus olhos ardem.

Minha lua de mel.

Minha primeira noite como esposa de Lucas.

E aqui estou, sozinha, enquanto ele afunda na própria bebida.

Sento-me na beirada da cama, pressionando os dedos contra as têmporas.

Por que ainda me surpreendo?

Eu deveria estar acostumada com decepções.

Mas, de alguma forma, sempre insisto em esperar mais.

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Último capítulo

  • Lucas- Homens da máfia   Grande Final

    EpílogoUm mês depois...Pedi para Ruan estacionar em frente ao cassino. Meus dedos tremiam de ansiedade enquanto eu segurava o envelope com o exame em mãos. Meu coração martelava no peito, apertado, elétrico. Eu mal podia esperar para contar a novidade a Lucas. Aquela notícia mudaria nossas vidas — outra vez.A secretária, uma senhora gentil de meia idade que sempre me recebia com um sorriso caloroso, me olhou surpresa, mas com ternura.—Preciso falar com Lucas — pedi. —Mas não quero ser anunciada.Ela assentiu com delicadeza, como se já adivinhasse que se tratava de algo importante.Abri a porta devagar. Lucas estava no escritório, atrás da mesa de madeira escura recém-comprada. Vestia roupas casuais, mas havia algo em sua postura — a segurança, a beleza crua, o brilho nos olhos castanhos — que o fazia parecer saído de uma campanha de moda. Um bad boy elegante, meu homem. O pai dos meus filhos. Meu tudo.Ele ergueu o olhar, e um sorriso iluminou seu rosto quando me viu.—Giovanna? —

  • Lucas- Homens da máfia   Oh, Lucas... que vergonha...

    De repente, ele me afasta. Segura meu queixo com firmeza e força meu rosto a encará-lo. Seu aperto é duro, mas não machuca. Seus olhos, como tempestades prestes a desabar, mergulham nos meus.— Que tipo de resposta é essa?Não desvio o olhar. Quero que ele veja a verdade crua nos meus olhos, sem hesitação.— Eu te amo. E resolvi que... devemos recomeçar do zero.Lucas solta meu queixo devagar. Respira fundo e inclina-se para frente, colando sua testa na minha. Ficamos assim, respirando juntos, como se nossos corpos estivessem tentando se encontrar novamente no silêncio.Ele se afasta apenas o suficiente para me encarar com seriedade.— Isso significa que confiará em mim daqui por diante? Cegamente?A palavra pesa. "Cegamente" é um salto no escuro, um risco. Mas naquele momento, entre o passado que me atormenta e o presente que pulsa diante de mim, percebo que nunca estarei pronta se não tentar. Meu coração bate acelerado e eu digo:— Sim. Cegamente.E antes que a dúvida tivesse tempo

  • Lucas- Homens da máfia   Esqueça o passado! Aposte! Seja feliz!

    Meu coração se aperta no peito.Dio! Por Lucas?—Entendo. E ele estava bem? Feliz?—Sim, não se preocupe. Renata é uma ótima tia.Eu limpei uma lágrima do meu rosto. —Obrigada senhora Smith. Não consigo deixar de me sentir triste. Que Cazzo! Eu sou uma mãe dedicada e ele pergunta por Lucas? Não consigo deixar de rever a expressão feliz no rostinho dele com a promessa que fiz que hoje nós sairíamos juntos. E agora eu quebro essa promessa com meu sumiço?Desligo o telefone e subo as escadas devagar. Tento não pensar nisso. Felipe é muito noivo para ficar encucado ou magoado e eu não tenho culpa.Vou até o banheiro. Escovo os dentes. Penteio meus cabelos. Meus lábios ainda estão vermelhos com o beijo. Passo um batom clarinho e depois vou até a janela. Olho para o lado de fora. O céu está azul, mas como entramos no outono está frio. As montanhas ao longe e o sol atrás delas é um lindo espetáculo. Olho para baixo e vejo Lucas mais ao longe. Ele está de costas para mim. Está apoiado a u

  • Lucas- Homens da máfia   Dio! Ele está tentando me confundir?

    — Lucas. Como pode agir normalmente? Você me trouxe a força. Você me sequestrou.Lucas gargalha e pega um pão.— Sequestro? Isso não foi um sequestro.— Diga isso à polícia!—Você é minha esposa.—Sua esposa? Você me trouxe amarrada, vendada e amordaçada.—Estávamos te protegendo. Do jeito que anda nervosa, poderia ter provocado um acidente.— Me protegendo? Vocês deturpam as coisas. Só um Bertizollo acha normal uma coisa dessas! Vocês são tão obstinados naquilo que querem que nem pensam nas consequências.—Você está dramatizando tudo. —Lucas me diz com pouco caso e tranquilamente enche a xícara de café e depois a minha.—Lucas! E meus filhos? Felipe e Marcello?—Renata e Vincent ficarão com eles. Hoje Vincent irá leva-los a um parque de diversão. E eles são meus filhos também.Eu ignoro esse último comentário dele e digo:—Dio! Vocês planejaram tudo!—Sim, podemos ser intempestivos, mas cuidamos de todos os detalhes. Agora coma. Eu estou morrendo de fome. Você não?Adiantava argumen

  • Lucas- Homens da máfia   Ah, eu amo o jeito que seu jeans o cobre perfeitamente, e o contraste de sua pele bronzeada com o branco de sua camisa.

    LUCASNo dia seguinte acordo cedo. Procuro com os olhos Giovanna. Ela está adormecida. O lençol cobrindo apenas metade de seu corpo.Os cabelos espalhados no travesseiro. Suas costas nuas. Na hora sinto meu coração se agitar. Afasto os lençóis e me levanto. Sinto uma dor forte no joelho. Mancando pego minhas roupas e me visto. Antes de sair do quarto fito Giovanna novamente, sentindo-me frustrado, e com um sentimento de raiva saio do quarto. Desço as escadas com dificuldade.Sento-me no sofá e fico encarando o vazio, revivendo a noite anterior.Sim, eu a tinha levado ao limite, a deixado louca de desejo e propositalmente parei. A questionei, querendo saber se sua ótica em relação a mim havia mudado. Eu sabia que ela insistiria naquele absurdo que eu não sabia quem era ela. Mas mesmo esperando essa resposta, não consegui deixar de me corroer de raiva quando ela confirmou Como um camaleão de sentimentos, eu não demonstrei o quanto isso me afetava, e a tratei friamente. Ainda assim,

  • Lucas- Homens da máfia    Não quero nada com você. Não, enquanto tiver essa visão deturpada de mim.

    Ele dá um sorriso cínico e fica sério. O cheiro dele e seus olhos pesados sobre mim é uma combinação inebriante. Isso me deixou um pouco desequilibrada. Quando comecei a me afastar senti seus dedos de repente no meu rosto. Meus olhos se arregalaram e meu coração começou a bater duro e antes que eu percebesse o que estava acontecendo ele tomou minha boca com um beijo intenso e quente. O tempo todo me provocando com sua língua, sugando meus lábios. Eu estremeci. Odiava-me, naquele momento por apreciar tanto esse beijo.Quando seus lábios soltaram os meus, eu choraminguei.—Nunca vou perdoar você!Ele correu sua boca no meu pescoço dizendo:— Nunca é tempo demais....Seus lábios tomaram os meus novamente, numa tortura angustiante. Eu estremeci novamente. Seu cheiro maravilhoso era golpe baixo. Seus braços fortes e quentes me trazendo para mais perto do seu corpo me davam um prazer torturante.Seus lábios soltam os meus e correm pelo meu pescoço. Revivo tudo que sofri com ele. Tudo que el

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