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Lucas

last update Fecha de publicación: 2025-03-24 18:58:17

LUCAS

Eu sei que ela está chateada.

E, para ser sincero, eu também estou. Não só com ela, mas comigo mesmo.

Entro no quarto principal e me jogo na cama, lutando contra o peso do cansaço e do álcool. Meu corpo está exausto, minha mente um turbilhão. Tento me manter acordado, esperando que Giovanna entre a qualquer momento.

Mas meu estômago revira.

Droga.

Corro para o banheiro e me inclino sobre a privada. Mais vômito. Meu corpo parece querer expulsar cada gota de álcool que ingeri. Seguro-me na pia por um instante, sentindo as mãos trêmulas.

Será que ainda existe alguma merda para sair?

Fecho os olhos com força. A ânsia finalmente cede. Dou descarga e lavo o rosto, passando um pouco de água na nuca, tentando me sentir mais humano.

Mas o enjoo não é só físico.

É uma ressaca moral.

Dio Santo... Eu nunca aprendo.

Respiro fundo e olho meu reflexo no espelho.

Os olhos inchados, a expressão abatida. Meu corpo carrega o peso do cansaço, não apenas pela bebida, mas pelos últimos dias que me sugaram completamente. A falta de sono, a ansiedade crescente antes do casamento, as palavras ácidas de Raquel ecoando na minha cabeça, dizendo que eu estava cometendo o maior erro da minha vida ao me casar com Giovanna para agradar minha família.

Talvez ela estivesse certa.

Jogo a toalha de lado e volto para a cama, caindo pesadamente sobre o colchão. Meus músculos relaxam, minha mente oscila entre consciência e sono.

Bocejo uma última vez antes de apagar completamente.


Acordo com o quarto mergulhado na escuridão.

A luz fraca do luar atravessa a fresta da cortina, projetando sombras suaves no teto. O ambiente está abafado, carregado com o cheiro de quarto fechado e álcool velho.

Meu corpo inteiro reclama. Minha cabeça lateja em uma batida surda, e minha boca está seca como o inferno.

Mas não é apenas o desconforto físico que me atormenta.

A lembrança da noite volta com força.

O nojo nos olhos de Giovanna.

Seu tom de voz firme e magoado.

Meu corpo esquenta com um nervoso que sobe pelo peito. Eu odeio essa sensação.

Vergonha.

Eu não queria que ela guardasse essa imagem de mim.

Eu não queria ser apenas o marido bêbado que não soube se controlar na primeira noite do casamento.

Preciso consertar isso.

Levanto-me de supetão, forçando meus músculos a se moverem. Vou até o banheiro e tomo um banho gelado, deixando a água levar o torpor da ressaca. Esfrego a pele, como se pudesse me livrar do que aconteceu.

Visto um jeans escuro, uma camisa branca de malha e tênis. Nada demais. Só preciso parecer... normal.

Diante da porta do quarto de hóspedes, hesito.

São dez minutos de indecisão.

Minha mão paira sobre a madeira, sem coragem de bater.

Ela ainda deve estar chateada. E, para ser sincero, não sei como encarar isso.

Mas eu preciso.

Não pretendo seduzi-la, não estou aqui para fingir que tudo está bem. Só preciso falar com ela.

Bato.

Silêncio.

Sei que ela está ali. Consigo ver a luz acesa por baixo da porta.

Bato de novo. Mais uma vez. E uma quarta.

Ouço passos.

A maçaneta gira e, então, a porta se abre.

Giovanna está ali, parada diante de mim, vestindo um robe branco. Seus cabelos longos estão levemente bagunçados, soltos ao redor dos ombros. Mas o que me atinge de verdade são seus olhos.

Vermelhos.

E seu nariz também.

Ela estava chorando?

Isso me faz sentir ainda pior.

Ficamos em silêncio por alguns segundos, apenas nos encarando. O perfume dela chega até mim – uma mistura de rosas e jasmim. Um cheiro suave, mas envolvente.

Engulo em seco.

— Posso entrar?

Ela não se move. Não recua. Seus olhos encontram os meus com firmeza.

— O que você quer?

Sua voz é fria.

Ela bloqueia a entrada com o próprio corpo.

Não esperava isso dela.

Meu orgulho se acende no mesmo instante. Transformo meu nervosismo em ironia e forço um sorriso, como se estivesse me divertindo com o mau humor dela.

— Como assim, o que eu quero? Somos casados. Precisamos conversar.

Meu tom é neutro, mas estou me segurando para não perder a paciência.

— Não quero conversar com você.

Dá para sentir a raiva vibrando nela, pulsando em cada palavra.

Respiro fundo, tentando conter minha própria irritação.

— Olha, eu já pedi desculpas. Eu bebi demais. Mas, e daí?

Seus olhos faiscam.

E daí? — Ela ergue a voz. — E daí que hoje era um dia especial e você poderia ter ficado sóbrio!

Seus lábios tremem um pouco, como se estivesse segurando a emoção.

— Sabe a impressão que eu tenho de tudo isso, Lucas? Que você se casou comigo por obrigação. Como se estivesse cumprindo uma missão. Um dever, não um desejo.

Suas palavras acertam o alvo.

Porque, no fundo, são verdade.

Hoje não foi o dia mais feliz da minha vida.

Tive minha solteirice sacrificada pelo bem da família.

Giovanna tenta fechar a porta, mas eu a bloqueio com o pé e forço a entrada.

Ela recua, os olhos arregalados.

Meu cérebro trabalha rápido, tentando encontrar as palavras certas.

— Giovanna, realmente fiz isso por um pedido do meu pai.

Ela ri sem humor, cruzando os braços.

Claro.

Engulo em seco.

— Mas você tem que entender! Sempre te olhei com respeito, sempre te vi como...

A esposa do seu irmão?

Meu silêncio responde por mim.

Ela desvia o olhar. Seu peito sobe e desce lentamente, e eu posso ouvir sua respiração pesada.

Espero que ela me olhe de volta com um pouco de compreensão.

Mas quando levanta o rosto, vejo tristeza nos olhos dela.

Isso mexe comigo de um jeito que eu não gosto.

— Se era assim que pensava, por que não negou o pedido do seu pai? Você teve seis meses para pensar, Lucas. Se era tão difícil para você, por que aceitou?

A resposta está na ponta da minha língua.

Por causa das crianças.

Porque eles precisavam de uma presença masculina.

Mas eu não digo.

Porque conheço as mulheres. Elas sempre tentam ver romantismo onde não há.

Então, minto.

— Porque acredito que podemos ser felizes juntos.

Ela pisca, surpresa.

Dou um passo à frente.

—Por que acredito que podemos ser felizes juntos. E se eu pensar bem, você é a mulher que mais me ouviu nesses últimos meses.  

 A única com quem perdi tempo ouvindo.

Quase rio do meu próprio pensamento.

Os olhos dela suavizam.

Sei que venci essa rodada.

— Tudo bem, Lucas. Eu entendo. Mas hoje, quero dormir sozinha.

O gosto amargo da rejeição me atinge.

Um nó de contrariedade se forma no meu estômago.

As mulheres não costumam me rejeitar.

Forço um sorriso digno de comercial de pasta de dentes.

— Está certo. Mas amanhã, passaremos o dia juntos.

Ela não responde.

Dou meia-volta e saio do quarto.

A sensação de que perdi alguma coisa fica grudada em mim.

E eu não gosto nem um pouco disso.

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Último capítulo

  • Lucas- Homens da máfia   Grande Final

    EpílogoUm mês depois...Pedi para Ruan estacionar em frente ao cassino. Meus dedos tremiam de ansiedade enquanto eu segurava o envelope com o exame em mãos. Meu coração martelava no peito, apertado, elétrico. Eu mal podia esperar para contar a novidade a Lucas. Aquela notícia mudaria nossas vidas — outra vez.A secretária, uma senhora gentil de meia idade que sempre me recebia com um sorriso caloroso, me olhou surpresa, mas com ternura.—Preciso falar com Lucas — pedi. —Mas não quero ser anunciada.Ela assentiu com delicadeza, como se já adivinhasse que se tratava de algo importante.Abri a porta devagar. Lucas estava no escritório, atrás da mesa de madeira escura recém-comprada. Vestia roupas casuais, mas havia algo em sua postura — a segurança, a beleza crua, o brilho nos olhos castanhos — que o fazia parecer saído de uma campanha de moda. Um bad boy elegante, meu homem. O pai dos meus filhos. Meu tudo.Ele ergueu o olhar, e um sorriso iluminou seu rosto quando me viu.—Giovanna? —

  • Lucas- Homens da máfia   Oh, Lucas... que vergonha...

    De repente, ele me afasta. Segura meu queixo com firmeza e força meu rosto a encará-lo. Seu aperto é duro, mas não machuca. Seus olhos, como tempestades prestes a desabar, mergulham nos meus.— Que tipo de resposta é essa?Não desvio o olhar. Quero que ele veja a verdade crua nos meus olhos, sem hesitação.— Eu te amo. E resolvi que... devemos recomeçar do zero.Lucas solta meu queixo devagar. Respira fundo e inclina-se para frente, colando sua testa na minha. Ficamos assim, respirando juntos, como se nossos corpos estivessem tentando se encontrar novamente no silêncio.Ele se afasta apenas o suficiente para me encarar com seriedade.— Isso significa que confiará em mim daqui por diante? Cegamente?A palavra pesa. "Cegamente" é um salto no escuro, um risco. Mas naquele momento, entre o passado que me atormenta e o presente que pulsa diante de mim, percebo que nunca estarei pronta se não tentar. Meu coração bate acelerado e eu digo:— Sim. Cegamente.E antes que a dúvida tivesse tempo

  • Lucas- Homens da máfia   Esqueça o passado! Aposte! Seja feliz!

    Meu coração se aperta no peito.Dio! Por Lucas?—Entendo. E ele estava bem? Feliz?—Sim, não se preocupe. Renata é uma ótima tia.Eu limpei uma lágrima do meu rosto. —Obrigada senhora Smith. Não consigo deixar de me sentir triste. Que Cazzo! Eu sou uma mãe dedicada e ele pergunta por Lucas? Não consigo deixar de rever a expressão feliz no rostinho dele com a promessa que fiz que hoje nós sairíamos juntos. E agora eu quebro essa promessa com meu sumiço?Desligo o telefone e subo as escadas devagar. Tento não pensar nisso. Felipe é muito noivo para ficar encucado ou magoado e eu não tenho culpa.Vou até o banheiro. Escovo os dentes. Penteio meus cabelos. Meus lábios ainda estão vermelhos com o beijo. Passo um batom clarinho e depois vou até a janela. Olho para o lado de fora. O céu está azul, mas como entramos no outono está frio. As montanhas ao longe e o sol atrás delas é um lindo espetáculo. Olho para baixo e vejo Lucas mais ao longe. Ele está de costas para mim. Está apoiado a u

  • Lucas- Homens da máfia   Dio! Ele está tentando me confundir?

    — Lucas. Como pode agir normalmente? Você me trouxe a força. Você me sequestrou.Lucas gargalha e pega um pão.— Sequestro? Isso não foi um sequestro.— Diga isso à polícia!—Você é minha esposa.—Sua esposa? Você me trouxe amarrada, vendada e amordaçada.—Estávamos te protegendo. Do jeito que anda nervosa, poderia ter provocado um acidente.— Me protegendo? Vocês deturpam as coisas. Só um Bertizollo acha normal uma coisa dessas! Vocês são tão obstinados naquilo que querem que nem pensam nas consequências.—Você está dramatizando tudo. —Lucas me diz com pouco caso e tranquilamente enche a xícara de café e depois a minha.—Lucas! E meus filhos? Felipe e Marcello?—Renata e Vincent ficarão com eles. Hoje Vincent irá leva-los a um parque de diversão. E eles são meus filhos também.Eu ignoro esse último comentário dele e digo:—Dio! Vocês planejaram tudo!—Sim, podemos ser intempestivos, mas cuidamos de todos os detalhes. Agora coma. Eu estou morrendo de fome. Você não?Adiantava argumen

  • Lucas- Homens da máfia   Ah, eu amo o jeito que seu jeans o cobre perfeitamente, e o contraste de sua pele bronzeada com o branco de sua camisa.

    LUCASNo dia seguinte acordo cedo. Procuro com os olhos Giovanna. Ela está adormecida. O lençol cobrindo apenas metade de seu corpo.Os cabelos espalhados no travesseiro. Suas costas nuas. Na hora sinto meu coração se agitar. Afasto os lençóis e me levanto. Sinto uma dor forte no joelho. Mancando pego minhas roupas e me visto. Antes de sair do quarto fito Giovanna novamente, sentindo-me frustrado, e com um sentimento de raiva saio do quarto. Desço as escadas com dificuldade.Sento-me no sofá e fico encarando o vazio, revivendo a noite anterior.Sim, eu a tinha levado ao limite, a deixado louca de desejo e propositalmente parei. A questionei, querendo saber se sua ótica em relação a mim havia mudado. Eu sabia que ela insistiria naquele absurdo que eu não sabia quem era ela. Mas mesmo esperando essa resposta, não consegui deixar de me corroer de raiva quando ela confirmou Como um camaleão de sentimentos, eu não demonstrei o quanto isso me afetava, e a tratei friamente. Ainda assim,

  • Lucas- Homens da máfia    Não quero nada com você. Não, enquanto tiver essa visão deturpada de mim.

    Ele dá um sorriso cínico e fica sério. O cheiro dele e seus olhos pesados sobre mim é uma combinação inebriante. Isso me deixou um pouco desequilibrada. Quando comecei a me afastar senti seus dedos de repente no meu rosto. Meus olhos se arregalaram e meu coração começou a bater duro e antes que eu percebesse o que estava acontecendo ele tomou minha boca com um beijo intenso e quente. O tempo todo me provocando com sua língua, sugando meus lábios. Eu estremeci. Odiava-me, naquele momento por apreciar tanto esse beijo.Quando seus lábios soltaram os meus, eu choraminguei.—Nunca vou perdoar você!Ele correu sua boca no meu pescoço dizendo:— Nunca é tempo demais....Seus lábios tomaram os meus novamente, numa tortura angustiante. Eu estremeci novamente. Seu cheiro maravilhoso era golpe baixo. Seus braços fortes e quentes me trazendo para mais perto do seu corpo me davam um prazer torturante.Seus lábios soltam os meus e correm pelo meu pescoço. Revivo tudo que sofri com ele. Tudo que el

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