FAZER LOGINA viagem para Londres foi cansativa, quase chegando ao esgotamento. Tyler não gostou de voar e sentiu medo a viagem inteira; o garotinho só se acalmou quando pousaram e finalmente foram para o pequeno apartamento alugado que seu antigo professor a ajudou a escolher.
Layla ainda não confiava em deixar o menino com desconhecidos, e até nisso seu professor foi um anjo, indicando uma empresa que encontrou uma babá que parecia mais do que qualificada para o cargo. — A mamãe volta às seis, tudo bem? Seja bonzinho com a Diana. — Vou sentir saudades, mamãe. O sorriso dela foi imenso ao abraçar o filho e se despedir dele. Era seu primeiro dia de trabalho e Layla acordou antes do despertador. O sol ainda não tinha subido por completo. Layla respirou fundo. Era o começo. Um recomeço. Arrumou-se com calma, prendeu o cabelo, passou o batom mais discreto que tinha e repetiu mentalmente tudo que precisava lembrar sobre o novo cargo. Era uma oportunidade enorme. Uma chance rara. E ela se agarrou a isso com unhas e alma. Ela chegou ao prédio empresarial com alguns minutos de sobra. O saguão era elegante, alto, cheio de vidro e pessoas de passos rápidos. Layla segurou a pasta junto ao peito e respirou fundo antes de subir no elevador. No 21º andar, o corredor estava silencioso. O tipo de silêncio caro, com tapetes macios e paredes que pareciam sussurrar: “aqui entra quem carrega peso nos ombros”. Layla caminhou devagar até o balcão de identificação e se apresentou. A recepcionista foi muito amigável e lhe disse para esperar alguns minutos. — Pode ir, ele já está esperando você. Última porta do corredor. — Obrigada. O coração batia descompassado em seu peito e a ansiedade crescia, mas ela tratou logo de afastá-la para dar lugar a um comportamento profissional. Ninguém queria uma assistente pessoal nervosa o tempo todo. Layla bateu na porta duas vezes. — Pode entrar. A voz era grave. Familiar. Layla empurrou a porta e, no instante seguinte, o chão desapareceu sob seus pés. Ela engoliu em seco; as pernas falharam e, se não tivesse encostado na parede, teria caído sem esforço algum. De pé, perto da janela. O mesmo olhar castanho e verde, agora mais firme. O mesmo maxilar marcado, agora acompanhado de um terno escuro que moldava seus ombros largos. Ele estava mais maduro. Mais cheio de presença. Mais perigoso para o coração dela. O tempo fez estragos e milagres nos dois, mas Anthony continuava sendo o homem que viveu com ela a noite mais improvável da sua vida. Layla congelou. O ar sumiu. O peito apertou num impacto tão grande que ela precisou fechar os olhos por cinco segundos. Ele virou na direção dela com um movimento preciso. Por um segundo, o rosto dele travou. Um choque silencioso. Mas então algo mudou no olhar dele. Uma retração suave, quase imperceptível, como alguém se blindando antes de tocar uma ferida antiga. Talvez ele não se lembrasse dela, e Layla parecia torcer por isso. — Bem-vinda à equipe, Layla — ele disse, a voz constante demais. — James falou muito bem de você quando avaliamos o seu currículo. Espero que esteja preparada. Layla tentou responder, mas nada saiu. Não sabia se tremia de nervosismo, surpresa ou puro medo de que ele descobrisse a verdade que ela guardara por cinco anos. Aparentemente Anthony, ou melhor, o senhor Jones, não se lembrava de quem ela era. O suspiro de alívio foi imediato. Ela finalmente conseguiu abrir a boca. — É um grande prazer conhecê-lo, senhor Jones. Estou muito feliz e grata pela oportunidade. O senhor gostaria que eu começasse por algo específico? — Não. Na verdade, hoje eu apenas queria que estivéssemos familiarizados um com o outro, já que não nos conhecíamos antes, correto? — Sim. Sim, senhor — Layla afirmou rápido. — Bem, então sente-se e me conte sobre sua vida e como foi sua adaptação em um país novo. Por um momento, Layla não entendeu. Ficou calada por tanto tempo que Anthony levantou uma sobrancelha, confuso. Ela não estava sabendo lidar com a visão diante de si: os olhos bicolores e aqueles lábios que fizeram coisas inimagináveis com seu corpo… — Layla, você está bem? Está passando mal? — ele correu para tentar segurá-la. A mente de Layla girou. — S-sim, eu estou bem. Desculpe, acho que estou um pouco cansada da viagem. — Entendo — a voz dele desceu algumas notas, quase um sussurro. — Posso oferecer algo? Um remédio… sente-se ali no sofá, vou buscar um copo d’água para você. Assim que ele saiu da sala, Layla puxou o ar com uma força quase sobre-humana. Os pulmões ardiam, o coração disparava, tudo girava ao seu redor, e aquilo foi assustador para ela. Alguns minutos depois, ele voltou trazendo uma bandeja com água, remédio e frutas. — Aqui, vamos com calma. Merda. Aquela voz grave fazia Layla sentir coisas que não deveria sentir. Um calor desceu rápido por seu corpo e ela tentou afastá-lo da mente. Anthony observava tudo atentamente, certificando-se de que ela estava bem. Quando Layla voltou a si, reuniu forças e vestiu sua armadura de indiferença. — Obrigada, e me desculpe, acho que é só a exaustão de uma viagem tão grande assim. Bom… deixe-me me apresentar, senhor Jones… E então ela começou a falar, obviamente ocultando todas as partes importantes de sua vida. Principalmente Tyler. Mas o destino não desperdiça encontros que deveriam ter morrido no passado.Mia passou os braços ao redor do corpo de Tyler. No começo, ela pareceu perdida sobre o que fazer, mas logo se adaptou ao enlace da língua dele. Quando se afastaram, ofegantes, Tyler pensou em dizer algo, mas, antes que pudesse se mover, Mia se jogou em cima dele, repetindo o beijo. Ao se separarem mais uma vez, Tyler beijou a testa dela. “— Mia, querida, esperei tanto tempo para fazer isso” — ele disse. “— Você esperou?” — ela indagou, ansiosa. “— Você… Tyler, o que esse beijo significa?” Ele deu mais um selinho nela antes de dizer: “— Significa que eu sou louco por você, que estou apaixonado por você desde que éramos jovens, Mia.” — explicou. “— Você tem certeza, Tyler? Você está sendo sincero?” — ela perguntou. Tyler a pegou nos braços, fazendo Mia sorrir e as bochechas ficarem coradas. Ele entrou no quarto de volta com ela e a colocou delicadamente sobre a cama. “— Você é a única certeza que tenho, Mia” — ele disse. Tyler deitou sobre ela e voltou a be
Aos 18 anos! — Onde você vai? Tyler parou de andar no meio do corredor escuro e olhou para a porta do quarto do irmão, Thomas. — Dar uma volta. — ele respondeu. — Eu volto logo. — Posso ir também? — o menino perguntou, retirando os fones do pescoço. — Hoje não, amanhã você tem aula cedo. — Tyler respondeu. Thomas o encarou em silêncio e balançou a cabeça em afirmação. — Você vai vê-la, não é? — Thomas indagou. — Thomas... — Tudo bem, prometo que não vou dizer ao papai. — ele riu e levantou as mãos. — Até mais! — Até! Eu te devo uma, carinha. — Tyler riu. — Você me deve várias — o mais novo respondeu antes de fechar a porta do quarto. E era verdade, Tyler devia muito ao irmão mais novo. Thomas descobriu onde ele ia durante a noite e nunca disse nada aos pais, e Tyler estava agradecido por isso. Não queria que as coisas dessem errado antes de começar. Tyler caminhou no escuro até se deparar com a cerca viva da propriedade de Sebastian, ele se arrastou pelo mes
Layla prendeu o brinco e deu uma boa olhada no espelho. Usava um vestido vermelho, com uma fenda na perna, decote em V e cabelos soltos. O corpo estava perfeitamente desenhado naquela roupa. Ela calçou a sandália de salto e prendeu as tiras, pegou a bolsa e o casaco e saiu do quarto. Na sala, os filhos bateram palmas. — Uau, mamãe! — as meninas disseram em uníssono. — Você está tão bonita, mamãe. — Thomas disse. — Mãe, se o papai não te der flores, me avise e eu darei uma bronca nele. — Tyler comentou. Layla gargalhou. — Vocês são os melhores filhos do mundo. — ela sorriu e abriu os braços. — Venham aqui me dar um abraço. Os quatro correram para abraçá-la. Anthony saiu do escritório e caminhou até a sala. Quando viu a esposa, respirou fundo. — Acho que vou ter um ataque cardíaco! — ele murmurou. — Você está simplesmente perfeita, minha vida. — disse. Anthony beijou a testa da esposa e, em seguida, olhou para Tyler. — Voltaremos mais tarde. Cuide de seus irmã
Layla estava sozinha em casa quando Anthony entrou, mais cedo do que era de costume. — Meu amor, chegou cedo! Ela abriu os braços e correu para abraçá-lo. Anthony a envolveu com força e a beijou. — Tirei o dia de folga, meu amor. — ele anunciou. — Sério? — ela questionou. — Sim. Estou com saudades de sairmos sozinhos por aí. O que acha de passar o dia inteiro comigo? Só nós dois. — ele disse. Layla pulou no colo dele, sorrindo e beijando todo o rosto do marido. — Eu aceito! Para onde vamos? — Primeiro, para algum lugar onde ninguém possa nos achar. — O parque? — ela perguntou, rindo. — Exatamente. Quero caminhar com minha esposa sem precisar ficar contando cabeças a cada cinco minutos. Layla gargalhou. — Você ama nossos filhos. — Mais do que tudo. Mas hoje eu quero você só para mim. Pouco depois, os dois saíram de casa de mãos dadas. O parque estava tranquilo naquela manhã. Layla e Anthony caminharam pelas alamedas, conversando sobre coisas que normalme
Em uma rápida viagem ao Brasil, Anthony e Layla caminhavam com os filhos pela areia da praia. Tyler agora estava com doze anos, alto e uma cópia fiel do pai. Thomas caminhava ao lado dele, cada dia mais próximo e unido ao irmão mais velho. Com seis anos, fazia perguntas o tempo todo. Lydia e Luna caminhavam segurando a mão do pai e da mãe, logo atrás. As gêmeas, com quase cinco anos, apontavam para qualquer coisa diferente e comentavam com os pais. — Por que a gente não mora aqui, papai? — Luna perguntou. — Gosta daqui, querida? — Anthony perguntou. — Simm!! — Pois eu prefiro a nossa casa. — Lydia respondeu. Anthony e Layla gargalharam no momento em que as duas começaram a debater qual lugar era melhor. — Pai, posso entrar no mar com Thomas? — Tyler perguntou. — Só no raso, não entre muito. — Anthony avisou. Layla organizou o guarda-sol deles, colocou as cadeiras de praia ao redor, e Anthony abriu os coolers com comida e bebida. Ele também gostava do Brasil e, des
A rotina da família era bem estabelecida, e as crianças seguiam exatamente o que os pais diziam. Anthony e Layla tentavam dar o máximo de exemplo possível, pois queriam a família sempre unida. Em uma noite, aconteceu algo diferente. Thomas estava com as irmãs no sofá, vendo desenho com Layla. Tyler aproveitou o momento para ir até o escritório, onde sabia que Anthony estava. Ele bateu na porta. — Pode entrar. — o pai gritou. Tyler entrou devagar, olhando ao redor, tentando não olhar nos olhos do pai. — Filho, não quis ver desenho com seus irmãos? Quer me ver trabalhar? — Anthony riu. — É, bem… eu… eu queria… — Tyler engoliu em seco. Anthony franziu o cenho e colocou a pilha de papéis em cima da mesa. — Tyler, o que houve? Tyler sentou na cadeira de frente para o pai e finalmente fez contato visual. — Pai, eu briguei com um garoto na escola. — avisou. — A professora nos fez pedir desculpas. Disse que não chamaria nossos pais, mas eu quis contar para você. Anthon







