Compartilhar

CAPÍTULO 4

Autor: Joss Austen
last update Data de publicação: 2025-10-16 00:17:56

Narrado por Anita

Todos começaram a cochichar em simultâneo ao verem uma professora aparentemente tão jovem que mais parecia uma das alunas. Notei também o quão vermelho Alberto ficou e percebi que seus colegas começaram a tirar brincadeiras com ele, o deixando ainda mais envergonhado. Por isso, eu continuei:

— Sim, sou professora, e gostaria muito de me dar bem com todos vocês. Afinal, este é meu primeiro ano aqui. Então, vamos começar: gostaria de perguntar o nome e a idade de cada um, tá ok?

Uma das adolescentes levantou a mão e eu dei-lhe a palavra:

— Hã... qual é o seu nome mesmo?

— Patrícia Martins, tenho 14 anos — respondeu ela — Mas me desculpe perguntar, como vamos acreditar que você é mesmo professora? Parece tão jovem, até mais jovem que eu, pode ser uma aluna fazendo piada da nossa cara. Se for realmente nossa professora, tem como provar?

— Patrícia, entendo sua dúvida. Sei que aparento ser muito jovem, mas é só aparência mesmo, e sobre mim o que posso dizer... Bem... Estou seguindo a carreira do magistério por amor, mas não abro mão do meu doutorado. Quem sabe um dia não viro uma PhD, não é?

Novamente ouvi um coro de exclamações na sala, mas continuei:

— Sei que aparento ser muito jovem, mas é só aparência mesmo, e sobre mim o que posso dizer...Bem.. Poderia ter me tornado uma historiadora, mas preferi a área do magistério por motivos pessoais. Para provar que sou sua professora, tenho aqui todo o conteúdo que precisarei passar este ano!

Então falei tudo o que havia anotado na agenda e, após as apresentações, eles começaram a acreditar em mim. Então, um aluno um pouco mais audacioso chamado Gustavo Moura, que disse ter 15 anos, comentou:

— Professora, a senhora é muito bonita e tem um sotaque muito sexy e fofo, a senhora é japonesa?

Fiquei corada com as palavras dele e pensei comigo mesma:

— Meu Deus, como esses jovens são ousados hoje em dia?

Mas sorri e respondi:

— Não! Tenho descendência coreana. Meu pai era coreano e minha mãe brasileira.

Depois disso, comecei a dar a aula. Todos os jovens adoraram o jeito engraçado e até um pouco atrapalhado com que eu explicava, prendendo-os em pontos específicos da história com prazer. Com o tempo, eles disseram ser impossível não aprender história do jeito que eu explicava, fiquei muito feliz com a receptividade deles.

Quando a primeira aula acabou, todos agradeceram e saíram para o corredor, inclusive Alberto, mas não antes de se desculpar por tentar me cantar. Ri e disse:

— Tudo bem, Alberto, não foi desrespeitoso. Além disso, você não sabia que eu era sua professora. Mas espero que, agora que sabe, continue a me tratar como tal. Assim, nos daremos muito bem!

Levantei o polegar, ele sorriu e fez o mesmo.

VOLTANDO AO PRESENTE.

Aquelas lembranças, ainda ressoava em minha mente quando cheguei à minha sala, preparando-me para mais um dia intenso de ensino, desafios e, claro, minhas trapalhadas costumeiras.

Após a entrega das provas, percebi que Alberto chegou à sala quinze minutos atrasado e ainda estava muito inquieto. Foi o quarto a me entregar a prova, o que achei estranho, pois ele geralmente era o primeiro. Quando comecei a ler seu teste, franzi o cenho, decepcionada.

Após passar as provas, fui para a lanchonete da escola. Sentada, saboreando meu lanche, olhava as provas.Tinha muito orgulho da maioria dos meus alunos, pois eles demonstravam ter entendido bem as aulas. Mas, em relação a Alberto, eu não entendia o motivo do desempenho ruim: das dez perguntas, ele só acertou quatro.Logo que vi Gael, seu melhor amigo, chamei-o com a mão para perto da minha mesa. Ele se aproximou com o cenho franzido, parecia apreensivo, e falou:

— O que houve, professora? Fui muito mal na minha prova?

Sorri consoladora e respondi:

— Não se preocupe, você foi bem. Vai saber melhor amanhã, quando entregar os resultados. Mas o que quero saber é se viu o Alberto. Gostaria de falar com ele, mas ainda não o vi por aqui.

Ele respondeu:

— Vi o Beto lá no portão do colégio, conversando com uns caras aí e…

— E o que?! — Perguntei, levantando as sobrancelhas.

Ele desconversou:

— Ah... esquece, professora! Não é nada demais. Mas não se preocupe, daqui a pouco ele entra, ainda temos prova da professora Ângela de biologia!

— Tudo bem, então depois falo com ele!

Percebi que ele queria falar algo mais, mas não falou, pediu licença e foi embora, deixando-me com pensamentos confusos. Tinha certeza que Gustavo sabia algo sobre o amigo, mas não tinha coragem de contar. Depois disso, não consegui mais falar com ele, pois o horário das minhas aulas havia acabado.

Ao cair da tarde conheci minhas novas turmas, e o tempo passou rápido. Quando olhei o relógio no pulso, já eram seis e meia. Despedi-me dos colegas e saí do colégio, feliz por não ver mais Carlos durante o dia. Parecia que ele realmente ficou assustado com minhas ameaças. Enquanto esperava no ponto de ônibus, conversava animadamente com Marlene, a senhora da lanchonete.

Quando ela pegou seu ônibus, fiquei sozinha. Olhei para o outro lado da rua e vi, ao longe, Alberto. Perguntei-me:

— Nosso Alberto aqui nesse horário? Ele não devia estar em casa uma hora dessas?

Notei que ele conversava com dois rapazes que pareciam alterados. Eles pegaram o braço dele e o colocaram dentro de um carro com rudeza, praticamente usando força. Em desespero, chamei por ele, mas ele não me ouviu.Vi a cena, chamei um táxi e pedi para o motorista seguir o carro. Acompanhei enquanto seguiam para Vila Olímpia. Depois de cerca de uma hora e meia, pararam em frente a uma casa muito bonita. Não entraram pela frente, mas pelos fundos, e ele entrou com eles. Notei muitas câmeras por ali, então me abaixei e me escondi atrás de um arbusto.

Fiquei um bom tempo escondida ali me perguntando o que estava fazendo afinal. E havia passado cerca de uma hora, e ele ainda estava lá dentro. Pensei:

— O que será que Alberto faz aqui? Com esses homens tão esquisitos? Droga, por que estou seguindo ele? Talvez sejam apenas amigos. E se ele me encontrar aqui? Que vergonha! No fim das contas, Martina tem razão: eu sempre me meto em situações vergonhosas e desastrosas! Melhor ir embora… pensei.

Determinada, levantei-me bem devagar para não ser vista. Mas o que observei a seguir me deixou temporariamente estática e nervosa. Não sabia como agir, mas sabia que algo tinha que ser feito…

Continue a ler este livro gratuitamente
Escaneie o código para baixar o App

Último capítulo

  • MEU DELEGADO PROTETOR    CAPÍTULO 46

    Narrado por HenriqueA porta do apartamento de segurança se fechou atrás de mim, mas o eco da preocupação permaneceu grudado em meus ossos. Cada passo que eu dava para longe de Anita era um exercício de vontade. Meu instinto primitivo gritava para ficar, trancar o mundo lá fora e protegê-la dentro daquela fortaleza. Mas a parte lógica, o delegado, sabia que a verdadeira proteção vinha da ação. Vinha de eliminar a ameaça.Na delegacia, o ar estava carregado daquela energia tensa e familiar que precede uma caçada. Ivan me esperava, seu rosto marcado pela fadiga e pela raiva contida.— Conte-me tudo, Ivan. Como foi possível? — minha voz saiu mais controlada do que eu sentia.— Acredite ou não, Macedo, foi igual filme de ação — ele cuspiu as palavras, frustrado. — O desgraçado tinha uma equipe esperando. Eles abordaram a viatura antes mesmo de chegar ao presídio. Tomaram o Pivô e desapareceram. — Ele fez uma pausa, e eu vi o peso daquilo em seus olhos. — Dois dos nossos estão gravemente f

  • MEU DELEGADO PROTETOR    CAPÍTULO 45 

    Narrado por AnitaEle olhou para mim rapidamente, e a fúria nos seus olhos era aterradora, mas também, de uma forma estranha, reconfortante. Era uma fúria protetora.— O que eu não posso — ele continuou, sua voz baixa e carregada de uma determinação absoluta — é deixar você e a pequena desprotegidas. Nem por um segundo.O carro acelerou suavemente, mas com um propósito renovado. A rota não era mais para minha casa. Ele pegou um desvio.— Para onde estamos indo? — perguntei, confusa.— Para a delegacia, primeiro. Preciso dar algumas ordens, montar uma operação. E você — ele disse, olhando para mim — vai ficar em uma sala segura até eu resolver isso. Já estou chamando a Raquel para buscar a Chun-hee e sua avó. Vão ficar todas juntas, protegidas.— Henrique, eu tenho minha vida, meus alunos… — tentei argumentar, mas a expressão dele me fez calar.— Sua vida é o que mais importa para mim, Anita. E a vida daqueles que você ama. A comunidade, infelizmente, não é mais segura para você nem pa

  • MEU DELEGADO PROTETOR    CAPÍTULO 44

    Narrado por AnitaO sol da manhã entrava mais forte agora, iluminando partículas de poeira que dançavam no ar como pequenos diamantes. O som dos pássaros substituía o ritmo constante da chuva. Ríamos, um som leve e despreocupado que ecoava pelo bangalô. Pela primeira vez, me permiti imaginar um futuro – um futuro real, colorido, cheio de manhãs como aquela ao lado de Henrique. Um futuro sem a sombra constante do medo.Enquanto nos vestíamos, a atmosfera era de uma intimidade doméstica deliciosa. Eu me sentia centrada, completa. Até que, ao me virar para pegar minha bolsa, Henrique me puxou de volta para seus braços.Seu beijo não foi um simples adeus. Foi uma reignição da tempestade da noite anterior, um lembrete urgente e possessivo de tudo o que havíamos compartilhado. Suas mãos percorreram minhas costas, puxando-me para mais perto, e por um instante, tudo o que eu quis foi ceder, esquecer o mundo e afundar naquele homem mais uma vez.Mas a razão, frágil e recente, falou mais alto.

  • MEU DELEGADO PROTETOR    CAPÍTULO 43 

    Narrado por AnitaA luz da manhã filtrou-se suavemente pelas frestas das persianas, pintando listras douradas no corpo de Henrique. Acordei com ele ainda ao meu redor, seu braço pesado e protetor sobre minha cintura, sua respiração quente contra meu cabelo. Pela primeira vez em anos ao acordar, ao lado de um homem, o medo não foi minha primeira companhia matinal. Em seu lugar, havia uma paz profunda, um contentamento que permeava cada célula do meu corpo.Movimentei-me levemente, e ele, mesmo no sono, apertou-me contra si, um rosnado de posse saindo de sua garganta. Sorri, encostando o rosto em seu peito. Ele era solidez e calor. Era segurança.— Bom dia, coisinha pequena — sua voz, rouca de sono, ecoou em seu peito contra meu ouvido.Ergui o olhar e encontrei seus olhos abertos, observando-me com uma expressão que eu nunca tinha visto antes. Era uma mistura de admiração, posse e uma ternura tão nua que me fez o coração apertar.— Bom dia — sussurrei, meus dedos traçando os contornos

  • MEU DELEGADO PROTETOR    CAPÍTULO 42 

    Narrado por AnitaE eu confiei. Com minha vida, com meu corpo renascendo, eu confiei.A ponta dele pressionou minha entrada, e houve uma resistência, um alongamento súbito que roubou meu fôlego. Uma pontada aguda de dor. Fechei os olhos, concentrando-me não na sensação incômoda, mas no cheiro dele — uma mistura de perfume amadeirado, suor masculino e algo inerentemente dele —, no som de sua respiração ofegante perto do meu ouvido, no calor que irradiava de seu corpo e envolvia o meu. Ele empurrou, com uma paciência que beirava o sobrenatural, centímetro após centímetro, preenchendo-me de uma forma tão completa, tão profunda, que eu nem sabia ser possível. Quando ele finalmente se encaixou por completo, parou, imóvel, dando a meu corpo o tempo de se acostumar com a invasão gloriosa.A dor latejante ainda estava lá, real e inegável, mas os beijos que ele começou a depositar em meu pescoço — suaves, quase reverentes —, as mãos que acariciavam meus seios com uma mistura de posse e adoraçã

  • MEU DELEGADO PROTETOR    CAPÍTULO 41

    Narrado por AnitaE enquanto Henrique continuava a me beijar, foi como se o mundo exterior, com suas ameaças e traumas, deixasse de existir. O único som era a chuva batendo nas vidraças e a nossa respiração ofegante, sincronizada em um ritmo ancestral. Ele parou de me beijar e então me encarou; seus olhos escuros eram dois abismos de desejo puro e uma posse tão absoluta que deveria me assustar, mas que, ao invés disso, era o que mais me acendiava por dentro.Ele era um homem grande, uma fortaleza de músculos e vontades, e eu sabia, por uma intuição feminina profunda, que aquele seria um território de intensidades sem concessões.— Henrique… — sussurrei seu nome, nervosa, mordendo os lábios. Ao fazer isso, foi como puxar o gatilho de uma tempestade.Ele não falou nada, apenas voltou a fechar a distância entre nós em um único movimento. Suas mãos, tão capazes de violência controlada, encontraram meu rosto com uma reverência que me fez tremer.E então, seu lábio desceu sobre os meus nova

Mais capítulos
Explore e leia bons romances gratuitamente
Acesso gratuito a um vasto número de bons romances no app GoodNovel. Baixe os livros que você gosta e leia em qualquer lugar e a qualquer hora.
Leia livros gratuitamente no app
ESCANEIE O CÓDIGO PARA LER NO APP
DMCA.com Protection Status