INICIAR SESIÓNPOV IsabelaO evento de gala da Associação de Arquitetura e Engenharia era, tradicionalmente, o lugar onde a elite do setor se reunia para pavonear egos. Três anos atrás, eu estaria lá como a esposa do Daniel, preocupada com a cor do vestido, com o ângulo da foto e com o que Álvaro diria sobre a minha postura.Hoje, eu estava lá como a CEO da Vanguarda.O salão principal do hotel estava iluminado por candelabros que lembravam uma era de grandiosidade, mas a atmosfera que eu trazia era diferente. Eu vestia um vestido de um azul profundo, com um corte simples que transmitia confiança e autoridade. Eu não estava ali para ser exibida. Eu estava ali como uma igual entre iguais — ou, talvez, como a pessoa que mudou as regras do jogo.Leonel caminhava ao meu lado. Ele estava impecável em um terno escuro, mas o que me chamava a atenção não era a roupa; era a forma como ele me olhava. Não era o olhar de quem protegia uma propriedade, mas o olhar de um parceiro que compartilhava a jornada. Ele
POV IsabelaUm ano. Doze meses são o suficiente para transformar o caos em lembrança e a agonia em uma nota de rodapé.Eu estava parada no terraço da nossa casa, não a cobertura fria que ocupava na época de Daniel, mas uma casa térrea, ampla, cercada por jardins, a trinta quilômetros do centro. O ar aqui era diferente. Tinha cheiro de terra molhada, de jasmim e de um silêncio que não era mais vigiado. Abaixo de mim, o terreno se estendia até um pequeno bosque de mata nativa que decidimos preservar em vez de construir mais uma garagem.A Vanguarda Engenharia não era mais o centro gravitacional da minha existência. Ela continuava a ser o império que eu comandava, mas agora era uma entidade saudável, independente e ética. As auditorias externas, que antes eu encarava como ferramentas de sobrevivência, tornaram-se parte do nosso DNA corporativo.A empresa lucrava, sim, mas lucrava de um jeito que me permitia dormir sem precisar verificar se havia alguém rondando o meu portão. O nome "Lace
POV IsabelaO ponto de encontro era um estacionamento isolado, nos fundos de um depósito de materiais que a empresa utilizava. Eu observei tudo do meu escritório, através de monitores de alta resolução. Leonel estava lá embaixo, em um carro descaracterizado, com uma equipe de segurança que ele mesmo treinou, pronta para agir no momento em que Vilela desse o primeiro passo em falso.O carro de Vilela entrou no estacionamento às 22h. Ele estava sozinho, nervoso. Eu podia ver pela forma como ele olhava para os lados a cada segundo. Quando ele desceu do carro, ele segurava um pendrive, o objeto que ele acreditava ser o seu seguro de vida.— Ele não sabe onde se meteu — Leonel murmurou pelo rádio, sua voz calma e precisa. — Ele acha que está negociando com uma empresa. Ele não percebeu que está negociando com a mulher que derrubou o clã Lacerda.Vilela caminhou até o carro de Leonel.Quando ele se aproximou da janela, Leonel saiu, sua presença preenchendo o espaço de uma forma que forçou V
POV IsabelaA paz na Vanguarda Engenharia tinha um sabor singular, uma mistura de trabalho árduo e a leveza de quem não precisa mais olhar por cima do ombro. No entanto, o mundo dos negócios, especialmente o da construção civil, é feito de camadas profundas de podridão que nem sempre emergem de uma vez só. A empresa prosperava, as ações eram as mais valorizadas do setor e eu, finalmente, conseguia me ver como algo além de uma sobrevivente. O meu escritório, agora com as paredes forradas de projetos sustentáveis e não de documentos de auditoria, era o coração de uma nova era. Mas, naquela terça-feira nublada, uma notificação no sistema de monitoramento de fluxo de caixa de Leonel disparou um alerta vermelho.— Isabela, venha aqui. Rápido — a voz dele pelo interfone era desprovida de qualquer emoção, o tom que ele guardava apenas para ameaças reais.Caminhei até a sala de segurança, onde ele concentrava o monitoramento de riscos. Ele apontava para uma transação obscura, uma tentativa d
POV IsabelaO juiz de paz era um homem de fala mansa, cujo sorriso sugeria que ele já vira muitos casais passarem por ali, mas nenhum com a intensidade que via em nós. Ele começou o rito. As palavras sobre "honra" e "fidelidade" não soaram como obrigações religiosas pesadsa, mas como uma promessa prática, quase uma extensão do nosso trabalho diário na Vanguarda.Quando chegou o momento dos votos, eu não precisei de cartões. As palavras estavam gravadas na minha alma, forjadas por tudo o que superamos.— Leonel — comecei, olhando-o nos olhos, ignorando a leve trepidação na minha voz. — Nós nos conhecemos nas sombras de uma vida que tentava nos destruir. Eu te conheci como o assessor, a guarda, e você me conheceu como a vítima. Nós vimos o pior um do outro. Vimos o desespero, a ganância, o medo e a destruição de tudo o que achávamos ser o nosso mundo. Mas, mesmo diante da escuridão, você escolheu me proteger, e eu escolhi lutar ao seu lado. Hoje, eu não te prometo apenas amor. Eu te pr
POV IsabelaA manhã do dia 14 de maio não trouxe o sol escaldante que costumava banhar a cidade, mas uma luz suave, filtrada por uma leve neblina que tornava a cidade mais silenciosa.Eu estava parada diante do espelho de corpo inteiro em uma suíte modesta, porém elegante, longe de qualquer hotel de luxo que o clã Lacerda costumava frequentar. Não havia estilistas italianos contratados por uma revista de celebridades para me vestir. Não havia uma legião de assessores de imprensa coordenando cada movimento para garantir que o ângulo da foto fosse perfeito para a capa da Forbes.Havia apenas um vestido de seda branca, de corte simples e fluido, sem rendas ostensivas ou pedrarias desnecessárias. Era o vestido de uma mulher que não precisava mais provar nada para ninguém.A porta se abriu suavemente e Leonel entrou. Ele parou, observando-me através do espelho. O terno dele era azul-marinho, bem ajustado, longe da austeridade dos uniformes de segurança ou da formalidade sufocante dos terno







