INICIAR SESIÓNApós dar aulas as crianças e brincar com elas, aproveitei enquanto elas descansavam, e fiquei na sala de informática fazendo meu curriculum e alterando o meu nome nos documentos. Sempre fui boa em informática e me formaria em informática se não tivesse perdido a bolsa na faculdade, então modificar os documentos não foi um grande problema . Eu não podia deixar ele reconhecer o nome em meu curriculum e logo me descartar, então alterei o meu nome: 'Helena Lima' esse foi o nome que escolhi. havia a chance dele me reconhecer pela aparência pois meu rosto não tinha mudado muito nesses 5 anos, então fiz algumas edições na foto que enviaria. Eu tinha de tentar, eu tinha de ter pelo menos a chance de ficar na frente dele agora que ele era um homem importante e inalcançável. Aquela era a única chance que eu tinha de me aproximar dele e entrar na vida dele.
Depois de alterar as informações nos documentos, foquei no curriculum o caprichando para ser mais chamativo, Afinal, se tratava da família Almonte, e os requisitos eram altíssimos, eu preenchiam apenas metade deles, mas eu tinha muita experiência com diferentes crianças, vários diplomas da instituição e até da prefeitura pelos trabalhos que eu fazia com as crianças na cidade, pequenos cursos feitos localmente, e ótimas recomendações incluindo do próprio perfeito, pois eu já tinha sido tutora particular do filho dele. Então mesmo não tendo formações académicas de alto nível, meu curriculum era perfeito para o cargo, eu conseguiria aquela vaga, ou melhor, eu tinha de conseguir aquela vaga! Depois de terminar, fui até o refeitório aproveitando que as crianças estavam dormindo, e lá recebi muitos olhares das outra cuidadoras, e quando fui me sentar para comer, quase todas se sentaram na mesma mesa que eu. –É verdade? Você vai se candidatar para ser a babá da família Almonte?– perguntou uma delas cheia de curiosidade. –Vou sim.– respondi com um leve sorriso. –Eu ouvi que o senhor Almonte é muito rigoroso e que essa é a terceira vez que ele está recrutando uma babá neste ano– comentou outra. –E eu ouvi que todas elas saem de lá chorando e jurando nunca mais voltar– –isso é porque dizem que para ele, a filha dele é o bem mais precioso que ele tem, ela só sai com vários seguranças, tem várias empregadas somente para atender ela, a casa de brincar dela é um palácio rosa no meio do jardim. Ela é basicamente uma criança da elite, a definição perfeita de "filhinha do papai". Então deve ser muito mimada chata e irritante, Não deve ser mole cuidar de uma criança assim não– Inconscientemente, apertei o garfo na minha mão com raiva ao ouvir a forma como ele tratava a filha, como se fosse um tesouro, enquanto a minha estava lá sozinha e esquecido pelo pai naquele cemitério. –Bom, ela é filha única, a herdeira de toda aquela fortuna bilionária, os dois nunca mais quiseram ter outros filhos, então é normal que ela seja tratada como uma princesa herdeira, afinal, é isso que ela é para os pais não é? Uma princesa cercada de riquezas, luxos e muito amor! Aposto que um mês do que Gastam com ela daria para sustentar as crianças daqui por um ano, aí aí, as vezes o mundo é tão injusto– Bati com o garfo na mesa assustando a todas que me olharam surpresas, e logo me levantei. –Eu vou ver as crianças, com licença.– me virei caminhando para saída. –Eu acho que a Júlia vai conseguir a vaga, ela ama cada uma dessas crianças como se fossem dela– –Verdade, mas também, ela perdeu a filha ao nascer, é normal que ela tenha muito amor por crianças– Ouvi as moças sussurrarem e continuei caminhando pelos corredores, até chegar aos quartos. Ao ver aqueles anjinhos dormindo, meu peito voltou a se acalmar apaziguando toda aquela raiva e frustração, eles realmente eram minha terapia. Não entendia como algumas pessoas podiam jogar fora ou machucar criaturas tão inocentes que só queriam um pouco de amor. Aquelas pessoas eram tal como o Leonardo, que partiu sem se importar com a nossa filha, mas ele logo logo teria seu castigo. Após terminar o dia, Fui para casa com a mente pensando ainda na contratação, eu tinha de ser chamada pelo menos para entrevista. Queria ver com meus próprios olhos a vida perfeita dele, para que a pudesse destruir com todo prazer. –Você está muito quieta hoje, não está falando como a Maria fez aquilo, o João fez isso, a Marta.– Joaquim comentou me tirando dos pensamentos, e finalmente olhei para ele desde que tinha entrado no carro. –Você está diferente, aconteceu alguma coisa?– voltou a perguntar ele. –Bom...– eu não tenho segredos com o Joaquim, ele é meu melhor amigo e confidente, e sabe do ódio que eu ainda tenho pelo Leonardo. –Eu me candidatei para uma vaga de babá na capital– –Na capital?– ele perguntou surpreso e fez uma expressão de decepção. –m-mas por que? Não gosta mais de trabalhar aqui? Por que quer ir para tão longe?– –É que... É uma vaga para ser babá na família Almonte– Joaquim freiou o carro bruscamente fazendo nossos corpos irem para frente e para trás no acento. –o-o que? De que família Almonte você está falando?– perguntou ele ainda em choque. –A família do Leonardo Almonte– –o que? Por que fez isso?– –porque eu quero me aproximar dele, eu quero me vingar dele, eu vou acabar com a família perfeita dele assim como ele fez comigo! eu vou fazer ele pedir desculpas de joelhos e com lágrimas de sangue no túmulo da minha filha!– –Júlia!– Joaquim levantou a voz chamando minha atenção. –do que está falando? Vingança? Destruir? Você não é assim! Você vai a igreja toda semana, faz obras de caridade, cuida de crianças todos os dias, como pode agora falar de vingança e essas coisas ruins? Você não é assim!– –Eu tenho de fazer isso pela minha filha! Eu tive uma gravidez difícil e perdi a minha filha enquanto ia atrás daquele imbecil que nos abandonou! Então eu não vou ficar aqui quieta enquanto ele vive bem e feliz com a esposa e a filha! E a justiça para minha filha?!– –Como você sempre diz: entregue nas mãos de Deus– Fechei a cara e virei o rosto para o lado. Era fácil falar de perdão para outras pessoas, e eu pessoalmente conseguia perdoar muita coisa, mas aquilo, eu não conseguiria. aquele rancor e mágoa em meu peito nunca se acalmariam até o dia que eu fizesse justiça com minhas próprias mãos. Os dias seguintes foram uma mistura de nervosismo, ansiedade e preocupação. Já tinha enviado meus documentos todos mas ainda não tinha sido chamada, e o medo de não ser chamada estava me deixando mais nervosa. Até que quando cheguei no centro numa manhã, a diretora logo me chamou para sala dela e me deu a notícia que eu mais desejava ouviu: Fui chamada para entrevista na mansão dos Almonte. Ela logo me dispensou para ir para casa arrumar minha mala pois a entrevista seria em dois dias. Mas eu não fui para casa, tinha um lugar que eu precisava ir antes. O lugar para onde eu ia todos os dias nos últimos 5 anos. Ao chegar ate a pequena lápide, depositei o buquê das flores coloridas colhidas por mim mesma sobre a campa, e sorri tirando as folhas secas ali ajoelhada. –Meu amor, eu finalmente vou puder vingar a sua morte. Aquele homem vai pagar por tudo, vai pagar por você estar aí. Então aguente um pouco, a mamãe vai ficar um tempo fora, mas eu prometo voltar logo.– beijei a cruz e me sentei ao lado dela como sempre, mas agora com esperança de que finalmente teríamos justiça. E no dia seguinte, eu já estava no aeroporto pronta para embarcar para capital. Aquele momento me trouxe lembranças de quando me despedi de Leonardo 5 anos atrás naquele mesmo aeroporto, e também, lembranças de quando perdi minha filha tentando ir atrás dele. E me lembrar de tudo aquilo, apenas me deu mais forças para continuar. Assim que cheguei a capital, me instalei numa pensão pois a entrevista seria apenas no dia seguinte, mas eu não consegui dormir naquela noite, a ansiedade não me deixava fechar os olhos. E quando o sol raiou, eu já estava pronta com minha roupa impecável bem passada, um terno, saia social, saltos básicos, e o cabelo preso ficando com um ar profissional. Peguei um táxi e durante o caminho todo até a mansão, eu apenas imaginava que cara ele faria ao me ver, e o que ele diria. Alguns minutos depois, eu já estava diante da grande mansão que parecia o palácio de um rei. Ele era o dono daquilo tudo, era por aquele luxo e extravagância que ele haviam nos trocado tão facilmente. Suspirei internamente e segui a empregada para dentro da mansão que era ainda maior do que parecia no lado de fora, até que chegamos a uma sala onde estavam várias outras mulheres sentadas aguardando. Saudei a todas e me sentei soltando enquanto meu coração batia forte, tentando manter a calma e a postura. Eu estava a um passo de voltar a ver ele, voltar a olhar para cara dele depois de anos, e a cada vez que via a secretária sair e chamar o nome de uma das candidatas para entrar na sala onde ele fazia as entrevistas, meu nervosismo só aumentava. –Senhorita Helena Lima!– Senti meu coração bater forte ao ouvir meu nome ser chamado, e me levantei da cadeira. –Por favor entre– Por alguns segundos congelei não acreditando que aquele momento finalmente tinha chegado, o momento em que eu ficaria frente a frente com o homem que havia destruído a minha vida. Confiante e determinada, caminhei até a sala ansiosa e sem hesitar.Júlia ficou em choque ao ouvir aquelas palavras sendo pronunciadas de forma tão fria e dura. –o-o que?– as lágrimas subiram para os olhos.Leonardo suspirou, passando a mão pelo rosto, como se estivesse se preparando para uma guerra que não queria travar, não queria fazer daquilo, mas tinha de ser firme.–Você vai se mudar para uma das minhas propriedades na cidade– completou com a voz controlada e firme, assim como seu olhar. –será temporário, só até tudo se acalmar–Júlia piscou várias vezes, como se não tivesse ouvido direito.–Você… você está me mandando embora?– a voz saiu baixa, incrédula e falha.–Não estou te mandando embora– Leonardo respondeu rápido e defensivo.–Estou tentando proteger todo mundo. Você, a Dália… e o meu filho––Proteger?– ela riu sem humor.–Você acha mesmo que isso é me proteger?–Leonardo desviou o olhar por um instante, apertando os maxilares.–A médica foi clara. Qualquer estresse pode fazer a Carla perder o bebê. E hoje…– ele fez uma pausa.–Hoje você p
Leonardo saiu da mansão apressado e entrou no carro que logo partiu, desesperado ao ver a mulher se contorcer de dor em seu colo.–Leonardo!– Carla chamou, segurando com força o terno do homem.–Eu não quero perder o nosso bebê, eu não quero!––Calma, vai ficar tudo bem com o nosso bebê. Nada vai acontecer com ele, eu prometo. Vai mais rápido!– Leonardo gritou para o motorista, que acelerou imediatamente.Chegando ao hospital, foram prontamente atendidos, e Carla foi levada para um quarto.Leonardo andava de um lado para o outro no corredor, impaciente, nervoso e tomado pelo medo de perder o filho.–Se algo acontecer com a minha filha ou com esse bebê, a culpa será sua!– Beatriz esbravejou.–Que tipo de homem você é? Colocar a amante vivendo na própria casa? Você não tem moral nenhuma? Por culpa daquela mulher, a Carla caiu da escada, e agora, por culpa dela, pode perder o bebê! A sua amante é mais importante do que a vida do seu filho? Até quando você vai permitir isso? Até a Carla mor
Júlia sentiu um frio no estômago. Sabia que, cedo ou tarde, chegariam àquele assunto, mas estava pronta. Manteve a expressão calma e impassível.–É verdade. Eu e o Leonardo temos um passado– Júlia respondeu, firme, sem desviar o olhar.–Mas a senhora terá de ser mais clara quando fala em “passado”, pois, como sabe, a minha história com o Leonardo não é de hoje e teve várias fases. Então seja mais clara. Quando fala de “passado”, se refere a seis anos atrás, quando eu e o Leonardo tivemos uma filha? Ou a meses atrás, quando entrei nesta casa e retomamos nosso relacionamento?–Carla apertou o vestido entre os dedos, mas manteve a expressão de coitada, como a vítima daquela história.–Bom, como sabe, eu perdi minhas memórias, então me desculpe se não sei contextualizar o período exato. Mas o fato é que a minha mãe me contou que vocês tiveram um envolvimento antes– Carla continuou, a voz suave, quase triste. –Confesso que isso me deixou abalada. Eu me lembro do Leonardo sendo gentil e amá
Leonardo estava em seu escritório, encarando a tela do computador, pensativo e perdido em divagações, tanto que não percebeu as batidas na porta até Gabriel entrar e se aproximar da mesa.–Senhor! Senhor!– Gabriel elevou a voz para finalmente chamar a atenção do chefe.Leonardo piscou algumas vezes, despertando do transe, e então ergueu a cabeça para encarar o outro.–Aqui estão os documentos que pediu– Gabriel deixou a pasta sobre a mesa e voltou a olhar para o chefe, percebendo que ele não estava focado como nos outros dias.–Há algum problema, senhor? Desde que saímos da mansão, o senhor não parece bem–Leonardo passou a mão pelo rosto, tentando clarear a mente. Não tinha muitos “amigos”; todos eram sócios ou parceiros de negócios, ninguém próximo o suficiente para desabafar. Desde que se lembrava, vivia apenas trabalhando e cuidando de Dália. Gabriel era o único próximo o bastante para ser considerado um amigo. Conhecia todos os segredos da empresa e de sua vida pessoal, era leal,
Depois de dar banho e arrumar Dália, Júlia a acompanhou até a mesa do café da manhã. Leonardo não estava lá, apenas Carla, Beatriz e Adrian.–Meu amor, você está tão linda! Todas as roupas caem em você como numa boneca!– disse Carla para Dália, e levantou o olhar para Júlia.–Júlia, venha se sentar–Júlia olhou para Carla com um olhar indiferente. Não queria mais ficar ali e presenciar as provocações dela, mas Leonardo não estava, e ela estava com medo de deixar Dália ali com aquelas pessoas de intenções duvidosas. Então foi se sentar ao lado de Dália, como sempre.Júlia ajudava Dália a comer, ignorando as palavras “inocentes e amáveis” de Carla, que tinham ela como alvo. Cada vez mais se convencia de que aquela história de perder a memória era tudo fingimento. Tinha de desmascará-la, era a única forma de tirar aquele peso de Leonardo e, quem sabe, talvez aquele bebê nem sequer fosse de Leonardo. Ela o tinha enganado uma vez, por que não o faria uma segunda vez?Júlia olhou para Adria
Leonardo se aproximou de Júlia, a encarando intensamente enquanto buscava uma explicação.–Como assim você esperou por mim por 6 anos?–Júlia devolveu o olhar intenso, seus olhos se enchendo de lágrimas que ameaçavam cair, e os lábios trêmulos, tanto pela raiva quanto pelo nervosismo de tocar naquele assunto que estava entalado em sua garganta há anos.Leonardo esperava ansioso pela resposta, mas sentiu Júlia soltar sua mão e voltar o rosto para o lado.–Você mesmo disse antes, disse que queria ter me conhecido antes para que eu não sofresse tudo o que passei. Mas agora é você quem está me causando mais sofrimento, mesmo depois de tudo!–Leonardo sentiu o peito pesar diante daquelas palavras. Sentia-se culpado por ter prometido algo e estar fazendo o oposto.–Júlia, eu...––Você disse que me protegeria, que não deixaria ninguém me machucar, mas agora é você quem está me machucando! O pai da minha filha também dizia que me amava e me abandonou, e você diz que me ama e me deixa de lado,







