Compartir

Capítulo 02

Autor: V. Oliveira
last update Fecha de publicación: 2024-11-09 08:37:57

(Ella)

Eu sentia um frio horrendo e acordo assustada. Ainda está escuro lá fora e me lembrei que ainda estava no trailer do Jared. Ele tinha puxado a coberta toda para ele e estava deitado de costas para mim e o seu ronco não me deixava nem ao menos pensar direito.

Rolei na cama e tentei puxar um pedaço da coberta para me aquecer, mas foi em vão, ele puxa novamente para si e resmunga algo aleatório. Me levanto e apanho uma blusa de frio, visto-a e me deito para tentar descansar um pouco.

Não são nem seis horas e meu alarme desperta me fazendo dar um sobressalto da cama. Jared se levanta enraivecido e me fuzila com olhos ameaçadores.

— Desliga essa merda, Ella. Toda vez que vem pra cá, essa porra me acorda antes da hora. — Ele se deita novamente e me encara.

— Se quiser eu não venho mais. Foi você que me pediu para passar a noite com você. — Tiro a sua blusa de frio e começo a trocar minhas roupas.

— Não foi isso que eu quis dizer. — Ele se aproxima e olha fixamente para meu corpo somente de lingerie. — Ei, onde você vai gata? — Ele me puxa, fazendo-me sentar no seu colo a contragosto.

— Eu te disse ontem que ia passar no hospital para ver a situação do meu pai hoje. — Tento sair dos seus braços, mas ele me segura contra ele.

— Aquele velho ainda está bem vivo, ele pode esperar um pouco. — Ele sussurra através do meu pescoço, dando beijos em minha pele.

— Jared não fala assim do meu pai. Já disse que não gosto disso. — Viro meu rosto para o lado, rejeitando-o.  

— Tá bom, Ella. Mas, porra você não pode ir de tarde? — Sua mão acaricia o interno de minha coxa. — Fica mais um pouco comigo gata! Acordei cheio de tesão.

— Não dá, ok. Hoje eu pego mais cedo no bar. Ultimamente o Mack não sai do meu pé. — Saio de seu colo e começo a me vestir.

— Esse seu patrão é um bosta mesmo, cada dia mais você sai mais tarde daquela merda de bar de quinta. — Ele se j**a para trás obviamente frustrado.

— Ainda bem que você sabe que estou saindo tarde do bar. Você como meu namorado deveria ir me buscar.

— Ah, gata. Você sabe que não posso faltar aos treinos e depois sempre os caras fazem uma resenha em algum lugar.

— Tudo bem, Jared. Seus amigos são mais importantes que eu agora. — Começo a vasculhar o quarto atrás de meus pertences e minha bolsa.

— Isso que você chama de trabalho é mais importante para você do que eu.

— É meu trabalho que paga as despesas do meu pai no hospital, o quarto onde eu durmo e te ajuda de vez em quando. — Franzo o cenho, indignada.

— Falando nisso... meu pai não vai conseguir mandar minha mesada a tempo esse mês. Pode adiantar alguns dólares para eu pagar umas contas. Darei um jeito para pagar a mensalidade do mês.

— Tá falando sério, Jared? — Cruzo os meus braços.

— Estou sim. Você está passando mais tempo aqui no trailer do que naquele moquifo que você paga.

Trinquei minha mandíbula e um ódio subiu pelo meu corpo. Eu sai andando, deixando ele falando sozinho. Acho minha bolsa acima da mesa, misturada ao meio de várias caixas de pizzas e comida japonesa. Eu apanho as embalagens e jogo-as dentro de uma sacola, ponho minha bolsa nas costas e abro a porta para sair.

— Eu não acredito que você me deixou mesmo falando sozinho. — Ele diz altivamente, vindo atrás de mim. — Você vai mesmo embora? — Sua mão aperta meu braço, segurando-me no lugar.

Eu puxo agressivamente meu braço e me viro para ele.

— Eu estou cansada de você. E sim eu vou embora, eu tenho mais o que fazer.

— Você não serve para nada mesmo. Nem para fazer eu gozar, está servindo. Vai, então vai. — Ele diz me desafiando.

Eu ajeito minha bolsa nas costas, ergo a cabeça e viro para frente.

— Onde você pensa que vai com a minha jaqueta? Ela é de marca. — Jared grita, sua voz carregada de raiva, porém eu não paro.

— Fica como pagamento por todos os dólares que me deve. — Falo, sem querer olhar para trás. Não tenho mais paciência para ele ou suas atitudes idiotas.

Ouço o som dos seus passos atrás de mim, mas não me importo. Eu já vi o suficiente. Tudo que ele fez, suas promessas vazias... não valem mais nada.

Quando chego à lixeira, jogo a sacola com o lixo e sigo em direção à rua. A manhã está tranquila, o que me dá um pouco de paz, mas uma sensação de vazio começa a se formar no meu peito. Como eu me deixei a chegar nesta situação. Como me deixei enganar por tanto tempo.

— Oi, Ella. Bom dia! — Brad me cumprimenta, parado na esquina, olhando a cena com uma expressão confusa, mas com um sorriso simpático no rosto.

— Oi. — Respondo de forma fria, sem parar. Não tenho mais saco para conversinhas agora. Tenho que ir logo para hospital, estou ansiosa para saber o diagnóstico de meu pai. E ele precisa de mim agora mais do que nunca.

Brad me observa enquanto eu continuo a caminhada, entretanto não se atreve a me seguir. Ele sabe que, quando estou assim, nada pode me distrair. Apenas sigo em frente, determinada, e tento não pensar muito no que aconteceu dentro do trailer. Nada disso vale a pena.

Continúa leyendo este libro gratis
Escanea el código para descargar la App

Último capítulo

  • Meu Alfa Predestinado    Capítulo Bônus

    (Caelan) Eu não sabia que em algum momento isso aconteceria. Uma hora eu estava rastreando Lucian, tentando encontrar qualquer pista do pouco que sobrou dele — o macho insano que raptou os próprios filhotes — e, na outra, estava sendo raptado por vampiros que antes estavam ao lado dele, mas haviam desertado. Tudo foi rápido. Um cheiro estranho. Um estalo seco atrás de mim. E depois... escuridão. Acordei três dias depois, fraco, com a cabeça latejando. Sem me alimentar, sem saber o que tinha acontecido com os guerreiros que vieram comigo. Pior: eu não sentia meu lobo. Como se ele estivesse longe. Desconectado. Eu estava numa casa velha, escura, gelada. Acorrentado como um animal, quando um dos vampiros entrou sorrindo com escárnio e enfiou uma seringa no meu braço. — Isso é pra você ficar mansinho. Eu gosto de cachorro adestrado — ele riu. Grunhi de raiva. Puxei as correntes com força, mas elas me seguraram com mais crueldade que eu imaginava. — Depois que seu alfa passou naquela

  • Meu Alfa Predestinado    Epílogo

    O sol filtrava-se pelas cortinas brancas da cabana, tingindo o quarto com tons dourados. O cheiro de madeira aquecida pelo sol e o som suave das folhas lá fora criavam uma melodia de paz.Ella e Ethan estavam deitados, envoltos em lençóis amassados e calor compartilhado. A pele ainda suada, os cabelos de Ella espalhados pelo travesseiro como fios de seda. Ele a observava em silêncio, maravilhado. Nada era mais sagrado do que aquele momento: o corpo dela encostado ao seu, o peito subindo e descendo com calma, e o som da respiração que agora pertencia ao seu mundo.— Eu ainda fico sem acreditar na forma como você chegou no momento certo aquele dia — disse Ethan, acariciando o rosto dela com ternura.Ella abriu os olhos, um sorriso sereno surgindo em seus lábios.— Eu te disse… Já estava aqui há dois dias. Rastreei Lucian, sabe que tive ajuda. Tanto que encontrei um dos gêmeos lá. Você sabia que tinham cavernas subterrâneas naquela área?— Sabia… mas achei que estavam obstruídas — respon

  • Meu Alfa Predestinado    Capítulo 150

    (Ethan)O calor percorreu meu corpo como se minha pele estivesse fervendo por dentro. Cada centímetro vibrava com algo antigo, sagrado. O mundo ao meu redor era feito de ecos e sombras. Vozes distantes, como lembranças sopradas pelo vento. Comecei a andar, movido por instinto.Saí do círculo.Entrei na floresta, guiado por uma chama que ardia dentro de mim. Não sei por quanto tempo caminhei. O tempo parecia suspenso.Vi a fogueira primeiro.E ao redor dela, estavam todos. Os ancestrais. Figuras de força e serenidade, olhos profundos como o universo. Quando me aproximei, uma mulher de olhos azuis se ergueu.— Estávamos esperando por você, grande alfa.Essas palavras aceleraram meu coração.Meus olhos buscaram algo… alguém… e então eu vi.Ella.Seu corpo estava ali, inerte no chão. E Lucian… contido pelos ancestrais, ajoelhado, grunhindo baixinho como um lobo ferido. Todos se viraram para mim ao mesmo tempo. Senti o peso de cada olhar.— Ethan Silvershadow — disse a ancestral —, você pe

  • Meu Alfa Predestinado    Capítulo 149

    (Ethan)Eu observava o altar. Cada oferenda ali carregava mais do que flores ou objetos sagrados — era um pedaço da alma de quem entregava, uma prece silenciosa aos ancestrais. Alguns se ajoelhavam. Outros apenas fechavam os olhos por um segundo antes de se afastar. Alguns agradeciam. Outros suplicavam. Era um momento sagrado. Quase intocável.Então eu a vi.Dália.Ela se aproximou com seu novo companheiro. Caminhava de cabeça baixa, as mãos entrelaçadas às dele. Deixaram algo no altar — algo pequeno, envolto em tecido. Ficaram por alguns minutos em silêncio, e então se afastaram para se juntar aos demais.Eu os observei de onde estava: sentado no meu trono de madeira rústica, elevado ao centro da clareira, o símbolo da minha posição como alfa. Ao meu lado, o trono de Ella permanecia. Mesmo sem ela ali, ele estava presente — forte, marcando território, pertencimento, união.Uma corda vermelha ligava os encostos dos dois tronos, como um laço eterno entre nós. Uma promessa silenciosa. U

  • Meu Alfa Predestinado    Capítulo 148

    (Ethan) A irmã do bruxo me olhava com olhos vazios, perdidos entre planos que eu não alcançava. O irmão dela repetia um feitiço em voz baixa, com a manta nas mãos, a mesma que os filhotes usavam antes de serem raptados. As palavras que ele dizia não faziam sentido, mas tinham peso. O ar ao redor parecia vibrar com magia antiga. De repente, sangue escorreu do nariz dele. — Não dá... — ele disse, ofegante. — Eu não vejo mais nada. — Impossível. Pegamos a rota que você disse que eles poderiam estar e paramos aqui? No meio do nada? — questionei, cruzando os braços com raiva contida. — Eu não sinto mais nada. É como se houvesse uma energia ancestral bloqueando tudo. Impedindo a visão. — Mas não há outro feitiço? Com sangue, ou sei lá o quê? — perguntei, sem paciência. Ele arqueou a sobrancelha. — Achei que vocês não aceitassem esse tipo de coisa assim tão facilmente. — Porra, Orion... são filhotes. Filhotes pequenos. Eu faço qualquer coisa. A irmã dele me tocou no braço. Ia dizer

  • Meu Alfa Predestinado    Capítulo 147

    (Ethan)Colocar todos aqueles rebeldes ridículos em seus devidos lugares foi uma tarefa que exigiu mais do que força bruta. Exigiu paciência, sangue-frio e uma disciplina que eu mal tinha energia pra manter. Eu queria que não tomasse tanto do meu tempo, mas durou dias. Dias para exilar os piores, repreender os que vacilaram, subordinar os insolentes, rebaixar posições estratégicas e designar novas missões para garantir que cada um soubesse o que fazer dali em diante.Mas não foi só isso. Também precisei lidar com os danos no território. Cabanas recém-construídas foram destruídas, víveres saqueados, inocentes feridos. Tive que dobrar os esforços nas buscas por ervas, porque o estoque que tínhamos estava escasso, mal dava para os curativos mais urgentes.E, como se não bastasse, o dia da Lua de Sangue se aproximava. Estava tão próximo que eu podia sentir o poder selvagem subir pelas minhas veias como lava correndo sob a pele.Algo mais me incomodava: meu beta, Caelan, ainda estava desap

Más capítulos
Explora y lee buenas novelas gratis
Acceso gratuito a una gran cantidad de buenas novelas en la app GoodNovel. Descarga los libros que te gusten y léelos donde y cuando quieras.
Lee libros gratis en la app
ESCANEA EL CÓDIGO PARA LEER EN LA APP
DMCA.com Protection Status