FAZER LOGINLyra Castel não se lembra de nada de sua infância, mas sabe que é feliz no Reino do Sol do Meio dia e amada por todos, até que é rejeitada pelo Alfa e precisa deixar o reino que tanto amava ferida e humilhada. A garota só tem o irmão e um pingente de família para guiá-la e o destino a levará para onde ela jamais deveria ter saído, de volta ao Reino da Lua Partida. Cinco anos se passam e ela não é mais a mesma garota, agora ela é uma soldado treinada para matar e morrer e recebe olhares de interesse de um certo general ranzinza. Durante uma batalha alguns soldados inimigos são capturados e cada um deles é designado para ser escravo de um dos soldados do reino. Quando Lyra conhece seu escravo, ela constata que ele é ninguém menos que Cassian, o Alfa do Reino do Sol. Agora ela tem domínio sobre a vida de Cassian e tudo o que ele quer é o seu perdão.
Ver maisLyra Castel
Tudo parecia tão perfeito que às vezes sentia medo. Era como se o mundo fosse desmoronar, mas eu sei que é só bobagem da minha cabeça.
Continuo colhendo as flores do campo para a festa de hoje e tento afastar o pensamento inoportuno.
“Lyra, nosso alfa está se aproximando”, sou alertada por minha loba Jasmin.
— O que será que ele vai dizer? — questiono ficando extremamente nervosa. Venho notando os seus olhares, seu sorriso e hoje é o dia em que ele escolherá a sua Luna.
É tradição no Reino do Sol de Meio Dia, ou apenas Reino do Sol, que o rei alfa escolha sua Luna na Festa da Fartura e ele deve fazer isso mais tarde.
“Acalme-se”, orienta simplesmente.
Continuo colhendo as flores, fingindo que não fui alertada de sua aproximação.
— Lyra — ouço sua voz rouca reverberar em meus ouvidos. Viro-me bruscamente, deixando as flores caírem sobre a grama verde.
— Alfa Cassian. — Limpo a mão de terra em meu avental já meio sujo devido o trabalho.
Reagi como se não soubesse de sua aproximação, de fato, ficando muito nervosa. Ele sorri e se aproxima mais.
— Você sabe que o povo do Reino do Sol gosta muito de você — declara ele e eu aceno a cabeça em concordância.
— Sempre fui bem recebida em qualquer lugar dentro deste reino, Alfa. — Abaixo a cabeça, evitando olhar em seus olhos verdes intensos.
— É mais do que ser bem recebida, eles a amam.
Sinto o toque quente das mãos firmes do alfa em meu queixo, fazendo-me erguer minha face para encará-lo.
— Venho observando-a há algumas semanas. — Bem que Jasmin e eu havíamos percebido os seus olhares e sorrisos. — E você sabe que devo apresentar a todos uma Luna na festa mais tarde.
Começo a ficar ainda mais nervosa e seguro minhas mãos para que elas não comecem a tremer.
Não digo nada, e ele tira seus dedos do meu queixo, passando para os meus cabelos loiros e acariciando a trança que fiz mais cedo devido o trabalho. Meus fios deviam estar todos eriçados devido o suor e o vento.
— Diga que aceita ser a minha Luna, Lyra — pede e eu congelo com esse pedido.
É comum que o Alfa faça seu pedido em particular antes da Festa da Fartura, mas eu jamais imaginei que ele chegaria até mim. Meu coração dispara.
— Eu... Luna? — O sorriso dele amplia, tornando-o ainda mais bonito. O alfa é lindo, é forte, alto e aquele olhar derrete qualquer loba do reino.
— Aceita ou não, Lyra? — Ele está perto demais, sua presença me domina, seu cheiro me envolve e me deixa entorpecida.
— Seria uma honra — sussurro e ele me toma em um beijo avassalador.
Meu corpo esquenta rapidamente e as mãos dele estão em todo lugar, me apertando e acariciando. Seus dedos sobem a barra do meu vestido e trilham um caminho quente por minha coxa.
Sinto sua barba pinicando minha pele, seus cabelos longos cobrem nossos rostos como uma cortina e ele me deita sobre a grama.
— Vou torná-la minha, Lyra, minha Luna. E hoje todos saberão que sou o homem mais feliz e completo do reino. — Ele ergue minha coxa e começa e beijá-la. A sensação que cresce em meu ventre é deliciosa, mas eu preciso perguntar.
— Não vai... — começo, paro, engulo em seco e depois prossigo. É o certo a se fazer. — Não vai consultar o Oráculo antes?
Geralmente o Alfa e a Luna escolhida consultam o Oráculo para que ele diga se a Luna é uma boa escolha para o reino, se terão muitos filhos, se ela trará paz ou guerra, se o reino será abençoado. Mas ele está pulando esta etapa.
— Não preciso de Oráculo para dizer o que já sei. — Ele se coloca sobre mim, seus olhos intensos sobre os meus. — Ele dirá que me fará feliz e que me dará muitos filhos.
— Como pode saber... — murmuro um pouco temerosa.
Ele toca o próprio peito e sua face se torna séria.
— Eu sinto isso aqui dentro, minha Luna. Você é minha Luna e eu serei o seu Alfa — com aquelas palavras de afirmação, sinto algo dentro de mim mudar, um laço que cresce e nos liga. A magia que envolve a escolha do Alfa se afirmando.
Me entrego ao meu Alfa, ansiosa para a festa em algumas horas.
***
— Acalme-se, Lyra — meu irmão ao meu lado repete o que minha loba já até se calou depois de tanto falar.
— Estou tentando.
Coloquei meu vestido mais bonito, prendi meus cachos loiros em uma cascata lateral, me preparei toda para a escolha da Luna, mas uma sensação esquisita não me abandona. E isso me deixa tensa.
A festa está linda, com muitas flores ornamentando a clareira onde a festa é realizada. O palco onde o Alfa apresentará a sua Luna está armado. Não vi mais o meu Alfa depois de consumarmos a nossa união. Estou ansiosa para revê-lo, beijá-lo e torná-lo meu mais uma vez e dessa vez para sempre.
Comida e bebida é farta, a música é animada e sob as árvores o calor do Sol é mais brando, com o vento delicado balançando meus cabelos.
Finalmente Cassian sobe no palco, ele está ainda mais lindo. Ele ergue a mão e todos se silenciam.
— Hoje é um dia especial — ele começa. — Na Festa da fartura, apresentamos a nossa Luna, e é com orgulho que quero apresentar a vocês... — Já me preparo para que ele me convoque, ergo o peito e ajeito mais cabelos. — Yla Ventura, meu amor, vem ficar ao meu lado e se apresentar ao nosso povo.
— Yla... Yla Ventura? — sussurro, baixo demais. — Mas...
Vejo Yla, uma jovem muito bela do reino, com seus longos cabelos negros, como a noite que não temos em nosso Reino do Sol, subir no palco. O sorriso é grande em seu rosto. O Alfa sorri de volta, aquele sorriso que mais cedo era dirigido para mim.
Minhas vistas escurecem e eu desabo, mas as mãos firmes de meu irmão me seguram.
Lyra CastelAquela conversa trouxe de volta sentimentos que estavam adormecidos e agora um novo sentimento se misturava aos anteriores: a injustiça. Soluço sobre o travesseiro. É vergonhoso, eu sei, mas não consigo me controlar. Meu peito dói, minha alma dói, aquele lugar especial onde vivia a minha loba também dói com o vazio. As lágrimas vertem com força.Eu deveria ter ficado nas muralhas, mas depois me entendo com o rei. O fato é que estava abalada demais para enfrentar uma batalha, eu poderia colocar não apenas a minha vida em risco, mas também a vida de outros soldados que ficam sob o meu comando.Ouço um som na janela e ergo o olhar para ver a coruja chegar.— Demorou, hoje — comento, limpando a lágrima.“Pruh”— Pruh pra você também.Sento-me na cama, o peito doendo, os olhos da coruja piscando lentamente na minha direção, como se dissesse que estava me esperando falar, desabafar com ela como fiz milhares de vezes desde que cheguei aqui.— Aquele canalha — pego o travesseiro e
Lyra CastelNão permito que suas palavras me atinjam. Como o general me ensinou, muitas coisas que não são feitas de metal são armas: a beleza, o olhar, a sedução, as palavras... Não sei quais são as intenções do Alfa Cassian. Já fui vítima de suas palavras bonitas, não permitirei que ele as use em mim novamente.— É melhor falar o que quer, Alfa Cassian, ou darei ordem para que os ataquem. — Cruzo os braços sobre meu peito.— Você não é apenas um soldado — constata, me analisando. A malha grossa preta como a roupa dos outros soldados fica semicoberta pela capa de pele de urso e uma proteção de metal que atravessa meu peito.— Sou pupila do general, um dos melhores soldados da muralha... Surpreso, Alfa Cassian? — E sim, ele estava surpreso. Sua expressão denunciava. — Diga logo o que quer, é a última vez que pergunto.— Vim levá-la de volta para o lugar de onde não deveria ter saído — diz ele, a voz baixa, como se não quisesse que os outros o ouvisse. Isso acendeu um alerta na minha c
Alfa CassianDepois de uma longa e exaustiva viagem, finalmente enxergo as muralhas do castelo. Altas e extensas como se fossem infinitas.Levei alguns dias para receber a autorização do rei supremo do Reio do Sol e para reunir uma grande quantidade de soldados, um número suficiente para garantir que teremos sucesso em nossa missão: resgatar Lyra. Já tenho tudo planejado.— Ergam o estandarte — peço aos meu soldados que começam a arrumar a bandeira do nosso reino, um tecido cru com um Sol bordado e um lobo sobre ele. — Talvez enviem algum diplomata para entender os nossos motivos.E dessa forma pouparíamos derramamento de sangue. Basta me entregarem a garota. Mas antes que eu pudesse erguer o estandarte, uma saraivada de flechas nos acerta, fazendo gritos de dor surgir de todos os lados.— Ergam a porra do estandarte! — grito, encolhendo-me, fugindo de uma flecha que se cravou no chão ao meu lado.***Lyra CastelEnquanto as tochas se aproximam, reúno ao longo da muralha um grande núm
5 anos depoisAlfa CassianFinalmente uma notícia. Recebo uma sentinela em minha sala de reuniões, peço sigilo total e ponho guardas no corredor, impedindo a aproximação de outra pessoa.— O que descobriu? — inquiro ao homem em minha frente. Seus cabelos escuros trançados chegam até o ombro.— Ela está no Reino da Lua Partida — anuncia ele sem rodeios.Meu coração pesa no peito. Pela sua expressão sabia que era ruim, mas pensei que talvez estivesse na Bruma com os humanos, por isso concentrei minhas buscas por lá e eu jamais tive resposta.— O Reino da Lua... — Isso bem ruim, muito ruim.Todos conhecem aquele reino pela crueldade de seu rei, se ela está lá...— Ela está presa em algum lugar ou foi feita escrava? — pergunto preocupado.A culpa me corrói por dentro desde o dia em que parti o coração da garota. Não deveria ter feito aquilo, nem por toda riqueza, bens e segurança do mundo.— Não senhor. Ela é um dos soldados da muralha.— Lyra... se tornou um soldado? — Lembro-me de como












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