Home / Romance / Meu Sogro Perigoso / Sob Dupla Custódia

Share

Sob Dupla Custódia

last update publish date: 2026-10-17 10:10:49

{Bruna}

A luz da manhã entrava pelas amplas janelas de vidro do Opus Design & Arquitetura, iluminando o piso de cimento queimado e a maquete central da sala de criação. O burburinho suave das conversas, os cliques dos mouses e o aroma constante de café recém-passado desenhavam o cenário de mais um dia comum de trabalho.

Para mim, no entanto, aquele ambiente parecia pertencer a outra vida.

Apoiada sobre a mesa de prancheta, eu encarava a tela do meu computador sem enxergar as linhas do projeto executivo à minha frente. A pele do meu corpo ainda parecia formigar; a lembrança das mãos de Marcos, da parede da minha sala e do som da minha própria voz entregando-se ao pai do meu namorado ecoava como um pesadelo incansável na minha cabeça.

Eu não tinha dormido. Passara a madrugada inteira em claro no chuveiro, tentando em vão lavar o cheiro de uísque e o toque dominador daquele homem.

— Bruna? — a voz de Sofia quebrou o meu transe. Ela encostou a xícara na minha bancada, franzindo as sobrancelhas com preocupação. — Amiga, você tá aí? Já te chamei três vezes.

— Desculpa... — passei a mão pela testa, piscando rápido para afastar o torpor. — Eu só... estou um pouco avoada hoje. O estômago ainda está ruim por causa de ontem.

— Você está com uma cara péssima, sério — comentou Beatriz, aproximando-se da minha mesa com uma pasta de amostras de mármore. — Tem certeza de que aquele jantar com a família do Matheus foi só um jantar? Parece que você foi atropelada por um caminhão.

— Foi só o cansaço acumulado das entregas, amiga — forcei um sorriso fraco, mexendo em alguns papéis para disfarçar o tremor dos meus dedos. — Preciso terminar o detalhamento dessa cozinha até o meio-dia, senão a chefe me mata.

Elas assentiram, embora Sofia ainda me lançasse um olhar desconfiado antes de voltar para a própria mesa.

Respirei fundo e estendi a mão para pegar a caneta. No mesmo segundo, a tela do meu celular, pousado ao lado do teclado, acendeu.

O sobressalto no meu peito foi imediato.

Uma notificação de mensagem surgiu no topo da tela:

Matheus: Bom dia, meu amor! Como você acordou? O enjoo passou? Já estou com saudades de você. Me avisa quando tiver uma pausa no escritório para eu te ligar. Te amo! ❤️

Senti uma onda de náusea violenta me atingir o estômago. A lealdade ingênua e o carinho sincero nas palavras de Matheus eram como lâminas afiadas rasgando a pouca dignidade que me restava. Menos de doze horas atrás, enquanto ele me mandava mensagem preocupado do restaurante, o pai dele me mantinha presa contra a parede da minha própria sala.

Apertei os lábios, a culpa me sufocando a ponto de deixar os olhos marejados. Comecei a digitar uma resposta rápida, tentando soar o mais carinhosa e normal possível:

Bruna: Bom dia, querido. Acordei um pouco melhor, mas o dia aqui no escritório está caótico. Assim que der um respiro, eu te aviso. Um beijo.

Bloqueiei a tela do telefone e o virei para baixo sobre a mesa de madeira, querendo esconder a prova da minha covardia.

Porém, nem três minutos se passaram antes que o aparelho vibrasse novamente sobre a bancada. O som seco da vibração me fez dar um leve pulo na cadeira.

Ergui o celular com as mãos trêmulas, esperando ver mais uma demonstração de afeto de Matheus.

Mas a notificação no visor vinha de um número desconhecido.

Apenas texto, sem emojis, sem rodeios. Uma única frase grave que fez todo o meu sangue congelar nas veias:

Número Desconhecido: A partir de hoje, você não toma nenhuma decisão em relação ao meu filho sem antes passar por mim. Esteja no meu carro às 18h na porta do seu escritório.

O ar sumiu completamente dos meus pulmões.

Encarei as letras escuras na tela, sentindo a sala girar ao meu redor. Ele não estava apenas me chantageando ou provocando; Marcos estava assumindo o controle total das rédeas da minha vida. A promessa de que "amanhã conversamos" acabara de se transformar em uma ordem direta e inegociável.

O celular vibrou mais uma vez na minha mão. A segunda mensagem do mesmo número chegou como o golpe final:

Número Desconhecido: Não me faça ter que subir até a sua sala, baby.

Fechei os olhos com força, cravando as unhas na palma da mão até doer. Eu estava completamente encurralada entre o amor cego de Matheus e a dominação implacável de Marcos Buckhard.

 

Continue to read this book for free
Scan code to download App

Latest chapter

  • Meu Sogro Perigoso     Sob Dupla Custódia

    {Bruna}A luz da manhã entrava pelas amplas janelas de vidro do Opus Design & Arquitetura, iluminando o piso de cimento queimado e a maquete central da sala de criação. O burburinho suave das conversas, os cliques dos mouses e o aroma constante de café recém-passado desenhavam o cenário de mais um dia comum de trabalho.Para mim, no entanto, aquele ambiente parecia pertencer a outra vida.Apoiada sobre a mesa de prancheta, eu encarava a tela do meu computador sem enxergar as linhas do projeto executivo à minha frente. A pele do meu corpo ainda parecia formigar; a lembrança das mãos de Marcos, da parede da minha sala e do som da minha própria voz entregando-se ao pai do meu namorado ecoava como um pesadelo incansável na minha cabeça.Eu não tinha dormido. Passara a madrugada inteira em claro no chuveiro, tentando em vão lavar o cheiro de uísque e o toque dominador daquele homem.— Bruna? — a voz de Sofia quebrou o meu transe. Ela encostou a xícara na minha bancada, franzindo as sobranc

  • Meu Sogro Perigoso    A Entrega Inevitável

    As palavras do meu namorado ecoavam pela linha telefônica, mas o meu mundo já havia sido completamente engolido pela presença avassaladora de Marcos.A mão dele apertava minha cintura com mais força, puxando meu quadril contra o dele, enquanto a respiração quente em meu pescoço destruía qualquer resquício do meu autocontrole.— Amor? Você ainda está aí? — a voz de Matheus soou novamente pelo alto-falante, distante, como se estivesse em outra dimensão.Pressionei as pálpebras com força, buscando na dor da culpa o ar para responder.— Estou... estou sim, Matheus — respondi, com a voz embargada, sentindo a ponta dos dedos de Marcos deslizarem por baixo da alça do meu vestido, roçando a pele sensível do meu ombro. — Amanhã o dia vai ser extremamente corrido no escritório... Temos a apresentação de uma proposta para um cliente novo. Acho melhor não nos encontrarmos para o almoço.Ouvi o suspiro resignado do outro lado.— Entendi... Tudo bem, amor. Você tem razão, seu trabalho exige muito.

  • Meu Sogro Perigoso    O Limiar da Insanidade

    {Bruna}O toque da mão de Marcos no meu queixo não era apenas um gesto físico; era uma reivindicação silenciosa. O calor que emanava dos dedos dele atravessava a minha pele, espalhando uma onda de choque que paralisava qualquer tentativa de reação Racional.— Me solta, Marcos... — sussurrei, tentando recuar o corpo, mas minhas costas já estavam pressionadas contra a parede fria do hall do meu apartamento. — Você não tem o direito de vir aqui. Você não tem o direito de invadir a minha casa.— Eu não preciso de direito quando você deixou as portas escancaradas naquela noite — ele respondeu, a voz grave e soturna ecoando na sala silenciosa. Ele deu mais um passo, colando o peito ao meu até que não houvesse mais ar entre nós. — Você acha que pode me usar como um anestésico para as suas frustrações e depois fingir que nada aconteceu?— Eu não te usei! — rebati, o olhar faiscando de raiva e pavor. — Eu cometi um erro absurdo porque achei que o Matheus estava me traindo! Se eu soubesse quem

  • Meu Sogro Perigoso    A Visita da Noite

    {Bruna}O táxi me deixou em frente ao Edifício Residencial Solaro.A fachada moderna do prédio, com suas pastilhas claras e a iluminação embutida no portão de vidro, costumava me trazer uma sensação imediata de aconchego. Naquela noite, porém, os três andares que subi de elevador pareceram uma eternidade sufocante.Entrei no meu apartamento, girei a chave na fechadura duas vezes e encostei as costas contra a madeira da porta, deixando o corpo deslizar até os meus joelhos dobrarem. O silêncio da minha sala era um contraste violento com o turbilhão de pensamentos que atropelava minha mente.A imagem de Marcos na cabeceira da mesa. O toque firme da mão dele no meu pulso no corredor. E o olhar de Matheus, ingênuo e apaixonado, completamente alheio ao monstro que tínhamos criado nas costas dele.Tirei os saltos altos com desleixo, jogando-os perto da entrada, e fui direto para a cozinha. Enchi um copo com água gelada da geladeira, minhas mãos ainda tremendo tanto que o líquido quase transb

  • Meu Sogro Perigoso    A Assinatura do Predador

    {Marcos}Observar a silhueta de Bruna desaparecer pelo corredor do restaurante foi um espetáculo à parte.A maneira como seus ombros tremiam sutilmente, o desespero velado em seus passos e o medo cru estampado naqueles olhos amendoados faziam cada gota do meu sangue pulsar com uma intensidade que eu não sentia há anos.Ajustei os punhos do meu paletó no espelho do hall de acesso ao sair do banheiro masculino e caminhei com passos tranquilos de volta ao salão principal.Quando cheguei à mesa, Matheus já estava sentado, acompanhando com o olhar a porta de vidro do restaurante por onde a garota acabara de passar. A cadeira ao lado dele estava vazia, e o guardanapo de pano dela repousava amassado sobre a mesa — a única prova física de que a minha nora tinha acabado de fugir do próprio pesadelo.Acomodei-me na minha poltrona com a mesma calma calculada de sempre e pousei os braços sobre a mesa.— Ela já foi? — perguntei, mantendo a voz firme e perfeitamente neutra.— Foi, sim... — Matheus

  • Meu Sogro Perigoso    A Fuga na Penumbra

    {Bruna}Precisei de alguns segundos no corredor para obrigar minhas mãos a pararem de tremer e fazer o ar voltar aos meus pulmões. O toque de Marcos ainda queimava no meu queixo; a ameaça velada que ele sussurrara na minha orelha continuava ecoando como um alerta de perigo iminente.Ajustei a postura, engoli o nó grosso que arranhava minha garganta e passei as mãos pelo vestido para desamassar o tecido. Quando voltei ao salão principal do restaurante, meus pés pareciam pesados, como se eu estivesse caminhando direto para um tribunal.Ao me aproximar da mesa, Matheus me olhou com preocupação imediata e se levantou ligeiramente da cadeira.— Amor, tudo bem? Você demorou... está muito pálida — disse ele, puxando a minha cadeira com o cuidado de sempre.— Está tudo bem, sim... — forcei um sorriso fraco, evitando olhar para a frente enquanto me sentava. — Apenas uma leve tontura, nada demais.— Tem certeza? Se quiser, podemos pedir a conta agora — ele se inclinou, baixando a voz com carinh

More Chapters
Explore and read good novels for free
Free access to a vast number of good novels on GoodNovel app. Download the books you like and read anywhere & anytime.
Read books for free on the app
SCAN CODE TO READ ON APP
DMCA.com Protection Status