LOGINAs palavras do meu namorado ecoavam pela linha telefônica, mas o meu mundo já havia sido completamente engolido pela presença avassaladora de Marcos.A mão dele apertava minha cintura com mais força, puxando meu quadril contra o dele, enquanto a respiração quente em meu pescoço destruía qualquer resquício do meu autocontrole.— Amor? Você ainda está aí? — a voz de Matheus soou novamente pelo alto-falante, distante, como se estivesse em outra dimensão.Pressionei as pálpebras com força, buscando na dor da culpa o ar para responder.— Estou... estou sim, Matheus — respondi, com a voz embargada, sentindo a ponta dos dedos de Marcos deslizarem por baixo da alça do meu vestido, roçando a pele sensível do meu ombro. — Amanhã o dia vai ser extremamente corrido no escritório... Temos a apresentação de uma proposta para um cliente novo. Acho melhor não nos encontrarmos para o almoço.Ouvi o suspiro resignado do outro lado.— Entendi... Tudo bem, amor. Você tem razão, seu trabalho exige muito.
{Bruna}O toque da mão de Marcos no meu queixo não era apenas um gesto físico; era uma reivindicação silenciosa. O calor que emanava dos dedos dele atravessava a minha pele, espalhando uma onda de choque que paralisava qualquer tentativa de reação Racional.— Me solta, Marcos... — sussurrei, tentando recuar o corpo, mas minhas costas já estavam pressionadas contra a parede fria do hall do meu apartamento. — Você não tem o direito de vir aqui. Você não tem o direito de invadir a minha casa.— Eu não preciso de direito quando você deixou as portas escancaradas naquela noite — ele respondeu, a voz grave e soturna ecoando na sala silenciosa. Ele deu mais um passo, colando o peito ao meu até que não houvesse mais ar entre nós. — Você acha que pode me usar como um anestésico para as suas frustrações e depois fingir que nada aconteceu?— Eu não te usei! — rebati, o olhar faiscando de raiva e pavor. — Eu cometi um erro absurdo porque achei que o Matheus estava me traindo! Se eu soubesse quem
{Bruna}O táxi me deixou em frente ao Edifício Residencial Solaro.A fachada moderna do prédio, com suas pastilhas claras e a iluminação embutida no portão de vidro, costumava me trazer uma sensação imediata de aconchego. Naquela noite, porém, os três andares que subi de elevador pareceram uma eternidade sufocante.Entrei no meu apartamento, girei a chave na fechadura duas vezes e encostei as costas contra a madeira da porta, deixando o corpo deslizar até os meus joelhos dobrarem. O silêncio da minha sala era um contraste violento com o turbilhão de pensamentos que atropelava minha mente.A imagem de Marcos na cabeceira da mesa. O toque firme da mão dele no meu pulso no corredor. E o olhar de Matheus, ingênuo e apaixonado, completamente alheio ao monstro que tínhamos criado nas costas dele.Tirei os saltos altos com desleixo, jogando-os perto da entrada, e fui direto para a cozinha. Enchi um copo com água gelada da geladeira, minhas mãos ainda tremendo tanto que o líquido quase transb
{Marcos}Observar a silhueta de Bruna desaparecer pelo corredor do restaurante foi um espetáculo à parte.A maneira como seus ombros tremiam sutilmente, o desespero velado em seus passos e o medo cru estampado naqueles olhos amendoados faziam cada gota do meu sangue pulsar com uma intensidade que eu não sentia há anos.Ajustei os punhos do meu paletó no espelho do hall de acesso ao sair do banheiro masculino e caminhei com passos tranquilos de volta ao salão principal.Quando cheguei à mesa, Matheus já estava sentado, acompanhando com o olhar a porta de vidro do restaurante por onde a garota acabara de passar. A cadeira ao lado dele estava vazia, e o guardanapo de pano dela repousava amassado sobre a mesa — a única prova física de que a minha nora tinha acabado de fugir do próprio pesadelo.Acomodei-me na minha poltrona com a mesma calma calculada de sempre e pousei os braços sobre a mesa.— Ela já foi? — perguntei, mantendo a voz firme e perfeitamente neutra.— Foi, sim... — Matheus
{Bruna}Precisei de alguns segundos no corredor para obrigar minhas mãos a pararem de tremer e fazer o ar voltar aos meus pulmões. O toque de Marcos ainda queimava no meu queixo; a ameaça velada que ele sussurrara na minha orelha continuava ecoando como um alerta de perigo iminente.Ajustei a postura, engoli o nó grosso que arranhava minha garganta e passei as mãos pelo vestido para desamassar o tecido. Quando voltei ao salão principal do restaurante, meus pés pareciam pesados, como se eu estivesse caminhando direto para um tribunal.Ao me aproximar da mesa, Matheus me olhou com preocupação imediata e se levantou ligeiramente da cadeira.— Amor, tudo bem? Você demorou... está muito pálida — disse ele, puxando a minha cadeira com o cuidado de sempre.— Está tudo bem, sim... — forcei um sorriso fraco, evitando olhar para a frente enquanto me sentava. — Apenas uma leve tontura, nada demais.— Tem certeza? Se quiser, podemos pedir a conta agora — ele se inclinou, baixando a voz com carinh
{Bruna}A poeira da revelação ainda flutuava no ar, mas o silêncio na mesa era ensurdecedor.O olhar de Marcos Buckhard não era apenas surpreso; era uma lâmina afiada que parecia cortar a pele da minha face. Ele permaneceu imóvel por dois segundos intermináveis — o tempo exato que levou para a sua máscara de homem de negócios implacável voltar ao lugar.— Bruna... — Marcos pronunciou meu nome devagar, a voz grave e aveludada reverberando direto na minha espinha. Ele estendeu a mão na minha direção, o tom perfeitamente polido. — É um prazer finalmente conhecê-la. O Matheus fala muito de você.Minha mão tremeu quando se encaixou na dele. O toque foi breve, mas a temperatura da pele dele parecia queimar. A memória daquela mesma mão segurando meus pulsos na suíte do hotel voltou como um soco no estômago.— O... o prazer é meu, senhor Buckhard — consegui articular, a voz saindo por um fio.— Por favor, apenas Marcos — respondeu ele, puxando a cadeira à minha frente e acomodando-se com a el







