Compartilhar

Capítulo 4

Autor: J.P Andrade
last update Data de publicação: 2025-07-13 05:05:28

Ângela suspirou e abriu os olhos.

O quarto estava completamente escuro, suas mãos vagaram pela cama em busca do celular.

Seus dedos acharam o criado-mudo e ela começou a procurar o celular, até que esbarrou em algo.

Um som alto de vidro se quebrando preencheu o quarto, gotas de suco de laranja espirraram ao redor dela.

— Merda!

As luzes do quarto se acenderam.

Heitor estava parado na porta, sua expressão estava estranha.

— Heitor? Que horas são?

— Ângela, quem é esse homem? — ele arremessou um pacote sobre ela.

Os olhos de Heitor estavam vidrados. Seus cabelos estavam bagunçados e seus olhos cinza vermelhos.

Quando Ângela abriu o pacote, viu fotos horríveis de si mesma deitada na cama com um homem nu ao seu lado.

Ela olhou cada uma das fotos enquanto seu coração batia cada vez mais forte.

— O que? Como... eu...

— Você não vale nada. Uma hipócrita. — Heitor rugiu.

Seu rosto estava vermelho e ele estava segurando uma garrafa de uísque.

— Essas fotos são falsas, eu não trai você.— disse e se levantou da cama.

Assim que seus pés tocaram o chão, ela pisou em um pedaço de vidro e gritou.

Heitor largou a garrafa de bebida e cruzou o quarto em segundos, a levantando do chão.

Ela se segurou nele enquanto gritava de dor com o vidro em seu pé, seus braços fortes a envolveram em um abraço e a colocaram de volta na cama.

O sangue pingava de seu pé.

— Heitor... precisa acreditar em mim, eu não o trai.

— Não. Você se vingou de mim. — Ele disse sem olhar em seus olhos. — Fique na cama, Ângela.

O homem se levantou e antes que ele se afastasse, Ângela o segurou pelo pulso.

— Eu não fiz isso. Nunca estive com outro homem! Quem entregou essas fotos?

Heitor puxou sua mão da dela e a olhou.

Seu olhar era frio e distante.

— Se não estivesse grávida de mim agora mesmo, eu iria me divorciar de você.

Suas palavras a cortaram profundamente.

Seu marido se afastou e Ângela permaneceu na cama, sua ferida sangrando. Mas não doía como seu coração.

Olhou novamente para as fotos.

Quem diabos era aquele homem e porque ela dormia tão profundamente ao lado dele?

. . .

— Precisa repousar agora Sra. Torres. Pelo bem do seu bebê. — recomendo o doutor Emanuel após fazer o curativo em seu pé.

Heitor estava parado na porta, seus cabelos ainda bagunçados, sua camisa desalinhada.

— O bebê está? — ele perguntou ao médico.

— Sim, está.

Sem dizer uma palavra, Ângela o observou se afastar.

O médico o seguiu.

Ela olhou para o seu pé e as lembranças das fotos vieram em sua mente.

Quem havia feito aquilo com ela? Quem envenenou ele contra mim?

— Ângela? Deus, Heitor me contou que você se machucou. Eu estava em um encontro e vim correndo.— sua prima apareceu na porta.

Ana Clara entrou e se sentou ao seu lado.

— Ah, você não tem ideia do que aconteceu. — disse e em seguida contou tudo.

Ana Clara olhou para as fotos com expressão incrédula.

— Você não se lembra de nada disso? Mas é você na foto. Está abraçada com um homem nu. — Ana Clara disse e a olhou.

— Eu não sei como e nem quem tirou essas fotos, mas elas foram tiradas aqui nesse quarto. E eu não trai meu marido, mas agora ele acha que sim e me odeia! — lamentou.

Ângela sentia um nó se formando em sua garganta. Seu coração começou a bater mais rápido e as lágrimas desceram de forma inconveniente.

— Ah prima, espere aqui. Farei um chá para você, precisa se acalmar pelo seu bebê. — anunciou e saiu do quarto.

Ângela se recostou nos travesseiros e deixou que as lágrimas descessem.

Olhou para a aliança em seu dedo e os olhos de Heitor vieram a sua mente.

Eu era uma esposa infiel para ele agora.

Alguns minutos depois, Ana Clara entrou no quarto segurando uma bandeja com o chá quente.

Ângela limpou as lágrimas e no minuto que sua prima se sentou ao seu lado, ela tocou em sua mão.

— Tudo vai ficar bem, Ângela. Vocês vão se entender, agora beba o chá. — disse e ofereceu o chá para ela.

Ângela respirou fundo e sentiu o aroma de camomila.

Olhou para a pequena xícara e bebeu devagar.

Quando terminou, olhou para Ana Clara que a observava atenta.

— Melhor você dormir agora. — Ana Clara disse e se levantou.

Ângela se cobriu e fechou os olhos, tentando adormecer, mas seus pensamentos giravam em torno de Heitor e daquela farsa.

Por que estavam fazendo aquilo com ela?

Ficou horas olhando para o teto branco pensando em Heitor e como ele a amava no início.

Como isso se perdeu? Se perguntou.

De repente sentiu uma forte pontada na barriga, ao ponto de deixá-la sem ar.

— Meu Deus! — gemeu de dor e se sentou cama sentindo algo úmido entre suas pernas.

Ângela afastou os lençóis e gritou ao ver todo o sangue.

Alguns segundos depois, a porta do quarto se abriu e Heitor entrou agitado segurando uma bebida.

— O que? O que? — ele gritou e seu olhar se prendeu no sangue entre suas pernas.

Ângela tremia e gritava.

— Meu bebê! Não...meu bebê!

Heitor caiu de joelhos.

— Maldita seja você...eu quero o divórcio.

Continue a ler este livro gratuitamente
Escaneie o código para baixar o App

Último capítulo

  • Minha Adorada Acompanhante    Capítulo 19

    Uma semana depois, a mansão estava silenciosa, mas carregada de expectativa. Heitor estava no quarto, observando pela janela. O sol da tarde iluminava o jardim, e foi nesse momento que ele a viu.Ângela chegava com Noah nos braços, o pequeno rindo, alheio à tensão que pairava no ar. O coração de Heitor disparou, uma alegria súbita e avassaladora o encheu, quase fazendo-o esquecer a fraqueza que ainda carregava do hospital. Cada passo dela pelo jardim parecia acelerar o pulso dele, como se o tempo tivesse parado apenas para observá-la.Ela deixou a criança com a governanta, que o recebeu com um sorriso acolhedor, e subiu silenciosa até o quarto de Heitor. Cada passo ecoava pelo corredor, aumentando o frio que se formava na barriga dele, misturando esperança e medo.— Ângela… — começou ele, a voz cheia de expectativa. Ele estendeu os braços, desejando envolvê-la em um abraço, sentir o calor dela de novo.Ela recuou, firme, os olhos brilhando de emoção, mas a parede que havia construído

  • Minha Adorada Acompanhante    Capítulo 18

    Ângela segurava o celular com as mãos trêmulas, os dedos apertando o aparelho como se a vida de seu filho dependesse disso — e dependia. Ligou para Heitor, cada toque ecoando em seu peito como um tambor de guerra.De repente, o som estridente do celular dele cortou o ar do hospital. Ela olhou para trás e congelou.Ele estava ali, na entrada da recepção, pálido, os olhos cansados e o corpo ainda frágil da febre que havia sofrido. O choque nos dois foi imediato; a sala pareceu desaparecer ao redor.— Eu ouvi tudo. — A voz dele saiu rouca, carregada de tensão e drama. — Se o médico precisar do meu sangue, pode pegar tudo. — Cada palavra parecia custar esforço, mas ele não hesitava.Ângela engoliu em seco, o coração disparando. O sangue frio que ela tentava manter se misturava à urgência que queimava em suas veias.O médico se aproximou, observando Heitor com preocupação.— Ele parece muito fraco… talvez não consiga aguentar uma transfusão completa. — A voz era cautelosa, quase implorando

  • Minha Adorada Acompanhante    Capítulo 17

    Ângela avançou num impulso, o coração acelerado. Aproximou-se da cama e tocou a pele úmida de suor de Heitor. Estava em chamas.— Heitor… — sussurrou, quase sem perceber.Os olhos dele permaneceram fechados, a respiração entrecortada. Então, num murmúrio fraco, escapou de seus lábios:— Ângela…O som a atingiu como uma lâmina. Seu nome. Não “senhora”, não “madame”. Apenas Ângela.A garganta dela se apertou. O peito subia e descia em descompasso. Por um segundo, esqueceu-se de tudo — da vingança, da mágoa, do ódio que alimentava. Apenas o viu, perdido em febre, clamando por ela como se fosse sua única âncora.Num gesto rápido, chamou um médico.. . .— Ele está esgotado. — o profissional explicou após examiná-lo. — Estresse extremo, noites sem dormir, falta de alimentação. O corpo dele entrou em colapso. Se insistir nesse ritmo, não terá forças para continuar.Ângela ouviu em silêncio, os dedos crispados contra o vestido. Queria perguntar desde quando ele se negligenciava assim, mas co

  • Minha Adorada Acompanhante    Capítulo 16

    Ângela permaneceu imóvel, observando pela vitrine.Ana Clara estava sentada em uma mesa elegante, ao lado de um homem mais velho, de terno impecável. O sorriso dela era ensaiado, venenoso, enquanto o garçom se aproximava.Heitor.Ângela viu a cena se desenrolar como um pesadelo familiar. Ana Clara franziu o nariz, reclamando do prato, e antes que ele pudesse retirá-lo, arremessou a comida contra o peito de Heitor.Ele permaneceu parado, o uniforme encharcado, a vergonha estampada no rosto. Ana Clara riu alto, exibindo-se para os clientes ao redor, e saiu de braços dados com o homem rico, satisfeita com o espetáculo.Ângela sentiu a bile subir à garganta. Não de piedade por Heitor — ainda não queria admitir isso — mas de raiva pela prima que continuava espalhando veneno.. . .No dia seguinte, mandou seus assistentes investigarem. O relatório veio rápido: Ana Clara havia se tornado amante de um empresário casado, e agora alegava estar grávida dele. O detalhe mais interessante: Ana Clar

  • Minha Adorada Acompanhante    Capítulo 15

    As batidas na porta continuavam, firmes, desesperadas.— Ângela! Abre essa porta, por favor! — a voz dele tremia, carregada de urgência.Ela apertou as mãos contra o peito, o coração disparado. Cada pancada parecia ecoar dentro dela. Por um momento pensou em ignorá-lo, deixá-lo implorar até perder a voz. Mas a raiva queimava em seu peito, e com um gesto brusco, girou a chave e abriu a porta.Heitor entrou de imediato. O rosto tenso, os olhos avermelhados.— Por que você nunca me contou? — a voz dele era quase um sussurro, mas havia desespero em cada palavra. — Esse menino… ele é meu filho, não é? Por que me escondeu isso?Ângela sentiu o chão tremer sob os pés. O corpo inteiro latejava de ódio.— Está realmente me perguntando isso, Heitor? — sua voz cortava o ar como lâmina. — Depois de me trair com a minha própria prima? Depois de me humilhar, de me expulsar da sua vida como se eu fosse lixo? Ela ainda me envenenou! me fez sofrer abortos! Ele engoliu em seco. Aproximou-se devagar, a

  • Minha Adorada Acompanhante    Capítulo 14

    O vestido branco pesava sobre seus ombros.Pesava mais que os cinco anos de dor que ela carregava.Cinco anos de humilhação.Cinco anos sabendo que Heitor estava com sua prima.Seus olhos queimavam de ódio.Seu coração batia descompassado.O véu cobria seu rosto, mas não podia esconder o poder que brotava dela.Cada passo na igreja fazia o chão tremer sob seu peso.Cada olhar dos convidados parecia julgá-la, mas ela não sentia medo.Nada importava além daquele momento.Ela lembrava de cada aborto, cada mentira, cada noite em que se sentira sozinha.A raiva fervia em suas veias.O corpo gelado, mas o sangue fervendo de desejo e vingança.Heitor estava lá.Impecável.Confiante.Não fazia ideia de quem estava prestes a enfrentar.Não a reconheceu.Ela sorriu.Pequeno. Frio. Calculado.O suficiente para que ele sentisse um arrepio.O padre disse as palavras:— Pode beijar a noiva.Ela ergueu a mão lentamente.O véu caiu.O silêncio foi absoluto.Heitor recuou.Os olhos arregalados.O choq

Mais capítulos
Explore e leia bons romances gratuitamente
Acesso gratuito a um vasto número de bons romances no app GoodNovel. Baixe os livros que você gosta e leia em qualquer lugar e a qualquer hora.
Leia livros gratuitamente no app
ESCANEIE O CÓDIGO PARA LER NO APP
DMCA.com Protection Status