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Raio de sol (II)

last update Data de publicação: 2023-06-13 10:08:30

— Não vá provocar o seu irmão. Faz tempo que ele não fica para dormir. Quero que isso se repita outras vezes.

— Vai se repetir. Em breve vou estar na minha casa... Com Robin Hood. — Pisquei. — Quer dizer, Robin Giordano — corrigi-me.

Eles me incomodavam tanto com Robin Hood que sem querer acabei repetindo o que tanto odiava, que eram as piadinhas sobre meu namorado.

Porque era assim: Ben e Babi perdiam os amigos mas não a piada.

Bati de leve na porta de Theo e não ouvi som do outro lado. Claro que eu não ia acordá-lo. Mas fazia tanto tempo que não o via e não queria que ele fosse embora sem me contar pessoalmente como estava sua vida.

Estava desistindo, virando as costas, quando a porta se abriu. Ele vestia uma calça de moletom e estava sem camisa e descalço.

— Quando você criou peito? — questionei-o, aturdida.

Theo olhou para o próprio peito e riu:

— Tenho me dedicado a ficar musculoso.

Gargalhei:

— Não é o seu tipo... Não vai ficar bem de músculos. Mas seu peitoral... Uau! — Me abanei, debochadamente.

O vi enrubescer e fiquei encarando-o. Adorava a timidez dele. Empurrei a porta e entrei no quarto, deitando na cama dele, sem cerimônia.

— Como você é educada, raio de sol — debochou.

— Não me chame assim, imbecil.

— Desde quando não gosta mais de ser chamada assim?

— Desde sempre, lá de quando a mamãe achou você no lixo. — Comecei a rir.

— Sim, já sei da história que ela fez caridade, me tirando da lata de lixo... — Ele riu e pegou um travesseiro, jogando sobre mim.

— Você sempre acreditava na minha história... E chorava. — Sentei na cama, rindo dele.

— Porque você era manipuladora... E digna de um prêmio de melhor atriz, mesmo quando era criança.

Ele colocou uma camiseta e fiz beicinho:

— Por que está se cobrindo, bonitão? Sou só a sua irmã...

— Não é minha irmã — falou seriamente.

— Quanta ironia... Passei anos atormentando-o que foi encontrando na lata de lixo... Quando na verdade, eu fui encontrada lá.

Theo sentou ao meu lado e puxou meu queixo, fazendo-me encará-lo:

— Você não foi encontrada na lata de lixo e sabe muito bem disto. Nós crescemos, Maria Lua. E você não é mais uma adolescente para agir como tal.

— Me... Desculpe...

— Nunca lhe falou amor nesta família. E sempre foi criada como uma legítima Casanova. Nossos pais poderiam ter mentido a vida inteira que tinha nascido da barriga de Babi que você jamais duvidaria, já que é a cara dela.

— Devo ser parecida com meu pai... Já que minha mãe era meio ruiva. — Retirei a mão dele, que ainda estava no meu queixo.

— Não... Você é parecida com nossa mãe e eu com nosso pai. Ponto final.

— Heitor é mais bonito que você.

— Como você consegue me irritar tanto?

Deitei novamente na cama e perguntei, enquanto colocava os braços debaixo da cabeça:

— O que você está fazendo além de estudar e trabalhar? Aliás, você tem vida social? Você transa? — Virei o rosto na direção dele, debochadamente.

— Estou fazendo uma especialização. E trabalhando num novo produto, que promete ser o melhor do mercado. Vou detonar a Giordano Cosméticos e destruir a empresa do seu futuro marido. Faço hora extra todos os dias, afinal, sou o dono do meu próprio negócio. E quando chego em casa, para desestressar, eu faço sexo com a minha namorada.

— Faz sexo? Que termo que não excita.

— O que você faz?

— Eu gosto de homem que fode.

— Qual seu problema, Maria Lua?

— Gostar de foder. Este é o meu problema, Theo.

Ele jogou uma manta sobre mim.

— Não estou com frio — reclamei.

— Não quero olhar sua calcinha.

— Que mal tem? É só uma calcinha... Pior se olhasse a minha... — Theo tapou minha boca imediatamente, o corpo quase sobre o meu, fazendo com que meu coração quase parasse quando meus olhos entraram nos azuis celestes mais profundos do mundo inteiro.

Você a ama? Perguntei, sem que minha voz saísse por minha boca estar tapada com a mão dele.

— O que você disse? — ele indagou, retirando a mão.

— Eu disse “pior seria se você olhasse a minha boceta” — gargalhei, provocando-o.

— Boca suja... É isso que você é.

— Senti saudade de você... — Sentei na cama, olhando-o.

Theo não disse nada, o que fez com que uma dor atravessasse meu coração. Respirei fundo e disse:

— Eu... Estou feliz que tenha vindo ao meu noivado.

— Papai foi insistente.

— Veio por ele?

— Sim.

— Não viria se eu pedisse?

— Você não fez questão.

— Achei que não viesse de jeito nenhum... Faz tanto tempo que não vem!

— Não tinha intenção de assistir você firmando compromisso com Robin Giordano. Mas agora já foi...

— Por que não queria assistir? — Ainda o encarava, incapaz de desviar o olhar, como se estivesse hipnotizada.

— Porque ele é o meu maior oponente nos negócios e sabe muito bem disto. Com tantos homens em Noriah Norte, ou mesmo no mundo, por que foi escolher ele?

— O escolhi porque os cosméticos da Giordano são bons.

— Você não vale nada, raio de sol.

— Você... Pretende firmar compromisso com sua namorada no futuro? Ela é legal? Como se chama? Por que não a trouxe para conhecer papai e mamãe? Acha que ela vai gostar de mim?

— Você nunca consegue fazer uma pergunta de cada vez?

— Foram anos que você ficou fora. E quando veio, pareceu escolher os dias que eu estava viajando.

— Pretendo firmar compromisso com ela no futuro. Eu gosto de Málica.

— O nome dela é Málica?

— Sim.

— Nome feio e esquisito.

— Mais que Maria Lua? — Os lábios dele se curvaram num sorriso debochado, que raramente ele conseguia fazer.

Dei um tapa forte no peito dele, que reclamou:

— Você está forte, raio de sol.

— Não viu nada... Que testar meu soco?

— Nem pensar. Já senti o peso do seu braço algumas vezes.

— Sempre me provocou.

— Eu provoquei você? Só pode estar brincando!

— Acha que ela vai gostar de mim? Por que não a apresentou aos nossos pais? — exigi a resposta.

— Ela vai gostar de você... Porque somos da mesma família... Então ela meio que é obrigada. — Ele riu.

— Você disse que tem uma irmã mais velha? Ou... Mencionou que não somos irmãos de verdade?

— E não somos, Maria Lua? — Ele me olhou.

— Você disse que não.

— Eu disse?

Levantei-o do travesseiro pela camiseta, fazendo-o me encarar.

— Vai rasgar a minha roupa — observou, preocupado.

— Por que você foi embora, porra? — implorei por uma resposta.

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Último capítulo

  • Minha tentação usa terno   Epílogo

    Theo abriu a porta e me ajudou a descer do carro. Minha barriga pesava e eu me cansava com facilidade.O carro de Heitor parou atrás do nosso e ele e Bárbara desceram, vindo ao nosso encontro.Nos encaminhamos todos juntos até a lápide de Salma Hernandez, junto das tantas que ocupavam a grama verde e bem cuidada. Theo segurava minha mão carinhosamente.- Oi, amiga! – Babi falou com a voz embargada – Eu trouxe alguém que queria muito fazer algo por você.Respirei fundo, incerta se estava emocionada ou não. Embora tivesse sim me consternado com a situação vivida por Salma, não conseguia ter sentimentos por ela.- É errado eu não conseguir pensar nela como minha mãe? – Olhei incerta para Bárbara.- Não, meu amor. Não é errado.Olhei para o nome dela na lápide e consegui dizer:- Nem sei se acredito que está me ouvindo, Salma. Mas gostaria que seus diários acabassem aqui, junto de você. Finalmente é hora de nos livrarmos deles. Obrigada por ter escrito sua história. Ela nos elucidou muita

  • Minha tentação usa terno   O aniversário (II)

    Percebi Theo ficar incerto sobre como agir. Até que os olhos lacrimejaram e me pegou no colo, rodando-me tantas vezes que me deixou completamente tonta.Quando finalmente me deixou no chão, Babi pegou minha mão, recriminando o filho:- Theo, você não pode fazer isso. Ela vai enjoar... Sem contar as tonturas que já são de praxe você ainda a roda mil vezes...- Não tenho tido enjoos... Nem tonturas. – Sorri, feliz – A não ser quando alguém me pega no colo e me roda feito louca. – Olhei para meu marido.- Há quanto tempo você sabe? De quantas semanas está? – Heitor quis saber.- Esperei completar 12 semanas. Fiquei com medo... De acontecer o que houve da outra vez. – olhei para Theo – Desculpe não ter contado para você antes, mas... Enfim, não queria deixá-lo alegre e correr o risco de novamente... Perder...- Meu amor, poderia ter me contado. Mas amei a forma como me surpreendeu. - Sabe que acabamos nos aproximamos com a perda do outro bebê não é mesmo? – Apertei a mão dele, de forma

  • Minha tentação usa terno   O aniversário

    Assim que Theo e eu chegamos na casa de Ben e Anon, as meninas vieram correndo na nossa direção. Theo pegou Kimberly no colo e eu Monique. Larguei a guia de Gatão e o deixei solto no pátio, para que pudesse correr.- Trouxeram presentes? – Kim perguntou.- Que vergonha, princesa! – Ben escondeu o rosto – O que falei sobre pedir presentes?- Que só podemos pedir para Ben e Anon. – Moni recriminou a atitude da irmã, dando a resposta.- Mas trouxemos presentes sim – Avisei. – Quem faz aniversário precisa ganhar presente. Isso é tradição.- Olha o tamanho do presente que Heitor trouxe! – Monique quis descer do meu colo.As duas saíram correndo em direção aos meus pais. Anon se aproximou de nós, pondo o braço sobre o ombro de Ben.- E então? Como foi organizar a primeira festa de aniversário infantil? – Perguntei, observando-os tão felizes, o amor transbordando em seus olhos.- Ben ama qualquer coisa que tenha como objetivo divertir-se. Ou seja, tirou de letra. – Anon sorriu e deu um beijo

  • Minha tentação usa terno   A minha melhor experiência (II)

    A próxima música migrou do ritmo dance para algo mais sensual e calmo. Recostei-me na cela, de costas, e lambi o cassetete, deixando-o completamente umedecido com minha saliva.- Eu não vou aguentar se fizer isso... – Theo tentou mover-se, sem conseguir.- Pode gozar novamente, Theozinho. Prometo lamber tudo depois. – Provoquei.- Me matará deste jeito... Terei que quebrar a cadeira para sair daqui e tocá-la... Não deixarei que enfie este...Sorri e chupei a ponta do cassetete antes de enfiá-lo na minha boceta, enquanto o olhava, provocantemente.Theo tentou soltar-se mais uma vez e depois passou a mover a poltrona com os pés, tamanha força que fazia, arrastando-a ao meu encontro. Embora surpresa por ele realmente estar fazendo um esforço sobrenatural e ao mesmo tempo completamente envolvida com o cassetete e o prazer que ele me proporcionava, fechei os olhos e gemi, enfiando cada vez mais profundamente.A sensação era incrível, especialmente por saber que Theo estava ali, observando

  • Minha tentação usa terno   A minha melhor experiência

    Me diverti com a expressão dele. Liguei o carro e parti em direção ao endereço do Motel que eu havia reservado.Theo, obedientemente, mesmo algemado, abriu o botão da calça e o zíper. O toquei e reclamei:- Isto ainda não está duro o suficiente.Theo riu e provocou:- Você sabe como deixá-lo duro, exatamente da forma como gosta.Mantendo uma mão no volante, com a outra peguei o cassetete e passei pelo peito dele por dentro da camisa, puxando o suficiente para estourar os botões.- Por favor... Me chupe, raio de sol... – Implorou, ajeitando-se no banco.Gargalhei:- Não mesmo, meu amor. Eu dou as ordens aqui, esqueceu?Puxei uma algema de cada vez, abrindo-as, livrando as mãos dele.- O que devo fazer, senhora Policial? – Ele perguntou.- Deve me masturbar, enquanto eu estiver dirigindo. Exijo que me faça gozar antes de chegarmos na prisão, seu delinquente.- Só Deus sabe o quanto quero beijar a sua boca neste momento, meu amor. – Theo revelou.- Não beijará a minha boca... Só a boceta

  • Minha tentação usa terno   A Polícia (II)

    Assim que chegamos em frente à porta, onde julguei ser o quarto em que meu pai estava, toquei a mão de Theo. Eu ainda usava a roupa do hospital, mas retirei a máscara, como se o fato de usar aquilo pudesse fazer com que Heitor não me reconhecesse.Theo abriu a porta do quarto, me deixando para o lado de fora. Pôs a cabeça para dentro e disse:- Oi, pai. Já estão trazendo sua companheira de quarto. – Fez cara de chateado.- Companheira? – ouvi a voz de Bárbara – Como assim companheira? Não podem botar uma mulher aqui, de jeito algum.- Vou processar a porra deste hospital. – Ouvi a voz de Heitor alterada.- Tente ser gentil, pai!- Gentil? Não tenho que ser gentil porra nenhuma.- A pessoa não tem culpa. – Theo justificou.- Falou com a sua irmã? Ela vem hoje?- Sim... Aliás... – Theo me olhou – Ela está chegando! – Sorriu.Theo abriu a porta e puxou minha cadeira, colocando-me frente a frente com Heitor e Bárbara.Nos olhamos, os três e por um bom tempo eles pareceram não entender nad

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