INICIAR SESIÓN
Seja muito bem-vinda
Me chamo Cristiane - Crisfer Se você chegou agora, já quero te fazer um convite especial: vem embarcar nessa jornada comigo. Essa história foi escrita com muito carinho, intensidade e emoção e eu espero de verdade que ela te envolva do começo ao fim. Deixe comentários pra eu saber se está gostando. Ah, e não para por aqui… Se quiser ficar por dentro de novidades, lançamentos, spoilers e tudo o que vem por aí, me acompanha lá nas redes sociais: @crisfer_autora Vou amar ter você mais pertinho --- Sabe aquela sensação de que a vida te atropelou e nem fez questão de olhar pra trás? Pois é. Eu sei bem como é. Meu nome é Laysla Martins — ou Lali, como meus pais me chamavam. Ou... como chamavam. Porque eles se foram. Assim. De repente. Como quem apaga a luz e deixa tudo no escuro. Eles estavam viajando. Tinham ido até uma cidade vizinha comprar meu presente de conclusão da faculdade. Veterinária. Meu maior sonho desde que me entendo por gente. E eles estavam tão orgulhosos… Faltava pouco. Só mais um semestre. Mais alguns meses e eu teria meu diploma nas mãos. Mas bastou um caminhão desgovernado e uma curva errada pra tudo desabar. Eles se foram. E junto com eles, foi embora minha casa, minha segurança, meus planos, meus sonhos... tudo. De repente, eu estava sozinha no mundo. E não, eu não tenho avós, tios, primos… ninguém. Só eu. E as contas. Muitas contas. Tentei segurar as pontas. Continuei na faculdade enquanto dava. Peguei um emprego de atendente em uma pet shop. O salário não era lá essas coisas, mas pelo menos me mantinha respirando — aluguel pago, uma comidinha no armário e o boleto da faculdade empurrado mês a mês, no sufoco. Mas a vida, essa filha da mãe incansável, não cansa de bater. — Lali... não leva pro lado pessoal, tá? — disse meu chefe, sem nem conseguir olhar nos meus olhos. — A loja tá passando por uns cortes... você é ótima, mas... Não precisei ouvir o resto. Já sabia o que vinha. Fui mandada embora. Assim. Sem mais, nem menos. Nem três anos ralando ali fizeram diferença. Empresa é empresa. Saí daquele lugar meio zonza, andando sem rumo. As pernas tremiam, parecia que eu ia desabar no meio da calçada. Mas não desabei. Não podia. Quem é pobre não tem esse luxo. A gente engole o choro, ajeita o cabelo, respira fundo e segue. Nos dias seguintes, mandei currículo pra todo canto. Mercado, padaria, loja, cafeteria, qualquer coisa. Fiz entrevista pra recepcionista, pra auxiliar de limpeza, pra caixa de supermercado… Mas nada. Sempre a mesma desculpa: “assim que surgir uma vaga, a gente te liga.” Nunca ligavam. As semanas foram passando. E com elas, a grana foi sumindo. Primeiro, vendi meu notebook. Depois, algumas roupas. Depois, o micro-ondas. E por último, aquela bicicleta ergométrica que só servia pra pendurar roupa. Quando percebi, tinha três boletos da faculdade atrasados — e a notificação: “Em caso de não pagamento, matrícula será suspensa.” Além disso, o aluguel já batia na porta, e com ele, o risco real de ser despejada. As noites eram longas. Eu ficava olhando pro teto, pensando onde foi que eu errei. Talvez em ter acreditado que estudar mudaria minha vida. Talvez em ter achado que o mundo seria justo comigo. Besteira. A vida real não tem conto de fadas. No meio desse caos, uma das poucas pessoas que ainda me estendiam a mão era a Lídia. Minha amiga desde os tempos da escola. Linda, boca afiada, sem papas na língua e dona de uma confiança que beirava o absurdo. Ela sempre dava um jeito de aparecer, puxar minha orelha e tentar me arrancar um sorriso. — Tá feia a coisa, né, amiga? — ela perguntou, na última vez que veio aqui em casa, jogando a bolsa no sofá. Suspirei, apertando o travesseiro contra o peito. — Feia não… tá horrível. Tô no limite, Li. Acho que agora... é o fim da linha pra mim. Nem sei mais o que fazer. Ela ficou me olhando por alguns segundos. O olhar dela mudou. Ficou sério. Intenso. — Olha… eu não queria chegar nesse ponto com você, mas… acho que tá na hora de te contar uma parada. — Que parada? — franzi a testa, desconfiada. Ela cruzou as pernas, ajeitou o cabelo e me encarou como quem tá prestes a jogar uma bomba no colo de alguém. — Eu sei que vai soar meio chocante, mas… eu tô fazendo uma grana, Lali. Muita grana, pra falar a verdade. — E o que é? — arqueei a sobrancelha. — Tá traficando órgãos? — forcei uma risada, mas já sentia um frio esquisito no estômago. Ela revirou os olhos. — Não viaja. É algo… diferente. Digamos que... é um job. — Fez até aspas com os dedos. — Job? — repeti, meio sem entender. — É... um trampo. Um trampo que paga muito, muito bem. — Ela respirou fundo. — Eu tô... saindo com uns caras. Uns caras de grana. Só homens selecionados, sabe? Não é zona, não é puteiro... é coisa de alto nível. Mulheres bem cuidadas, caras ricos, tudo às claras, sem estresse, sem violência, sem essas paradas pesadas. Só… companhia. E claro… favores. Fiquei em silêncio. Por alguns segundos, não consegui dizer nada. Só encarei ela. O coração batendo descompassado, a boca seca, a mente tentando processar. Ela continuou, como se quisesse me acalmar: — Olha, eu sei que pode parecer absurdo. Mas, amiga… é real. Eu fiz um job na semana passada. Um único job. Cinco mil na mão. Uma noite. E nem precisei fazer nada além de... bem, você imagina. Mas é tudo acordado antes. Sem surpresas. Sem humilhação. Sem abuso. A gente tem o controle, sabe? E eu... eu pensei em você. — Em mim? — minha voz saiu quase num sussurro. Ela assentiu. — Sim. Tem um cara, um cliente. Diferente dos outros. Meio excêntrico, pra falar a real. Mas inofensivo. Tá procurando uma garota nova. É só um job, amiga. Um único. E resolve sua vida por um bom tempo. Senti um arrepio subir pela espinha. Meu cérebro gritava que não, que não podia ser isso, que não era possível que minha vida tivesse chegado nesse ponto. Ela pegou o celular na bolsa, digitou alguma coisa, me olhou e sorriu, daquele jeito meio cúmplice, meio travesso. — Se quiser... é só me falar. Eu te passo o contato. O job é certo. Fiquei muda. O silêncio tomou conta do quarto. Só dava pra ouvir a buzina distante de algum carro na rua e meu próprio coração batendo no peito. Minha garganta apertou. O olhar dela tava cravado no meu, esperando minha resposta. Mas... eu não disse nada. Ainda.Os anos passaram como o vento que varre os campos de café. A fazenda, que começou como um pedaço de terra simples, virou um império verde, com grãos de café e algodão que vão até o estrangeiro. Minhas ideias de 2025 — irrigação por gotejamento, adubo orgânico, silos vedados — transformaram tudo, mas foram Isidóro, Téo e Bento que botaram a mão na enxada e o coração na roça. Isidóro, meu homem sério, virou um líder respeitado, negociando com compradores de São Paulo e até de fora do Brasil. Ele carrega uma calma que ancora a gente, mas agora tem rugas de sabedoria que o deixam ainda mais bonito. — Laysla, tu nos fez ricos, mas o maior tesouro é tu — disse ele uma noite, segurando minha mão com aquele calor que me acalma. — E tu é minha bússola, Doro. Sempre foi — respondi, com um sorriso que vem do fundo da alma. Téo, meu palhaço, ainda faz piada com tudo, mas cresceu tanto. Ele organiza os peões com um carisma que ninguém resiste, e às vezes me puxa pra dançar na varanda, como
Era uma tarde quente, com o sol se pondo devagar, pintando o céu de laranja e roxo. O Valério tinha ido pro litoral na semana passada, levado por uma carroça até a estação de trem do povoado. Ele tava animado, com o cabelo dourado brilhando e os olhos cheios de curiosidade, falando de como queria ver o mar e ajudar a tia Juliana com os netos. A Laysla, com aquele jeito de mãe que mistura orgulho e saudade, abraçou ele forte antes de ele partir. — Valério, tu cuida da tia Juliana, tá? E não esquece de nós — disse ela, com um sorriso que escondia as lágrimas. — Mainha, eu volto logo. Amo vocês — respondeu ele, com a voz firme, mas cheia de carinho. — Vai com Deus, meu filho — falei, apertando a mão dele, sentindo o peso de ver nosso menino crescer. — Traz um conchinha do mar, geniozinho! — brincou o Téo, bagunçando o cabelo dele. — Ele vai trazer é o mar inteiro — completou o Isidóro, com um meio sorriso. Quando a carroça sumiu na estrada, a casa pareceu grande demais. O Valério,
Esses dias, enquanto estudo matemática e ciência com ele, usando o que sei de 2025, vejo ele inventando pequenas ferramentas, e uma certeza cresce em mim: com essa cabecinha, ele logo vai construir algo grande, talvez até uma maneira de viajar no tempo, e vai partir pra outra época. Vou contar tudo, com cada detalhe, porque ser uma mãe do futuro é viver entre o amor de agora e a saudade do que está por vir. Os anos passaram rápido, e em 1917 nossa fazenda é um exemplo de prosperidade. O café e o algodão, plantados com as técnicas que trouxe do futuro — irrigação por gotejamento com canais de bambu, adubo orgânico, silos vedados — renderam tanto que somos conhecidos até na capital. Isidóro virou um líder, negociando com compradores de outros estados com uma confiança que me faz sorrir. Téo, meu palhaço, organiza os peões com piadas e pulso firme, mas tá mais maduro, com um carinho que aquece o coração. Bento, meu pilar, construiu uma biblioteca na fazenda e entalha madeira com uma d
Agora, em 1917, com cinco anos passados desde a grande colheita que botou nossa fazenda no mapa, tô vendo o mundo com outros olhos. O Valério, nosso menino, tá com 17 anos, quase um homem feito, e começou a se interessar por meninas, com aquele jeito meio sem jeito que me faz lembrar de mim mesmo na idade dele. Tive uma prosa com ele, cheia de risadas, mas com conselhos sérios sobre amor e respeito, porque esse menino é nosso orgulho, e a gente quer que ele cresça direito. Vou contar tudo direitinho, com cada pedaço desse causo, porque um momento assim, com namoricos e conversa de pai, é pra guardar no coração. Esses últimos cinco anos foram como uma enxada cavando fundo na terra da nossa vida. A fazenda tá mais próspera que nunca, com os pés de café dando frutos vermelhos que parecem joias e o algodão branquinho rendendo sacos e mais sacos. A Laysla, nossa mulhé, trouxe do futuro um jeito de cuidar da terra que fez a gente virar referência até na capital. Ela ensinou a usar irrig
Hoje, meu peito tá inchado de orgulho, porque a nossa primeira grande colheita de café foi um sucesso danado, e a fazenda tá sendo falada como uma das mais prósperas da região. A Laysla, nossa mulhé, trouxe do futuro um saber que transformou nossa terra, e eu, junto com o Isidóro e o Téo, trabalhei duro pra ver esse dia chegar. Pra comemorar, preparei um banquete com a Laysla, e mesmo a tia Juliana não podendo vir, porque ficou com os netos no litoral, o primo João e a Clara, esposa dele, vieram pra partilhar a alegria. Vou contar tudo direitinho, com cada pedaço desse causo, porque um dia assim, com cheiro de café e futuro, merece ser guardado na alma. A manhã começou cedo, com o sol ainda tímido, espiando por trás das montanhas. O campo de café tava lindo, com os grãos vermelhos brilhando que nem rubi. Essa foi a primeira colheita grande desde que a Laysla nos convenceu, anos atrás, a plantar café e algodão. Ela trouxe ideias de 2025, como canais de irrigação com bambu, adubo or
Hoje, na formatura do Valério no ensino básico, meu peito tá tão inchado de orgulho que parece que vai estourar. Ele tá com 12 anos, mas já fala e age como se fosse homem feito, com uma inteligência que deixa até os doutores da cidade de queixo caído. A Laysla, nossa mulhé, tá com os olhos brilhando, e o Téo e o Bento, meus irmãos, tão tão orgulhosos quanto eu. Esse dia é especial, e vou contar tudo direitinho, com cada pedaço desse causo, porque ver meu filho subir no palco é como ver um pedaço do futuro que a Laysla trouxe pra nós. Era uma manhã de sol forte, em 1912, com o céu azulzão e um ventinho que balançava os pés de café da fazenda. A formatura do Valério seria no povoado, na escola que a gente ajudou a melhorar com o dinheiro do café e do algodão. Esses últimos anos foram de muito suor, mas também de muita alegria. A fazenda cresceu, virou referência na região, e a Laysla, com suas ideias do futuro, nos ensinou a plantar melhor, a guardar os grãos direito e a fazer a terr







