INICIAR SESIÓNCapítulo 185— Peguem-na! É hora da caçada! — o rosnado de Kaelen ecoou pelas paredes do salão, rouco de fúria enquanto o sangue escorria de seu pescoço.Sem esperar pelos homens, Kaelen rosnou uma ordem para que trouxessem a prisioneira. Em seguida, seu enorme lobo disparou pelas portas destruídas, mergulhando na escuridão da noite atrás da loba branca.Na imensidão da floresta de Squamish, o mundo havia se reduzido a um borrão de árvores, névoa e sombras.As patas da loba cortavam a terra úmida em um ritmo desesperado. Galhos secos e espinhos chicoteavam sua pele, mas a dor física nem sequer chegava à sua mente. O som das garras de Kaelen e de seus caçadores estalando atrás dela parecia cada vez mais perto.Quando finalmente despontou nas margens do rio gélido que dividia o território de Squamish das terras das Sombras de Ônix, as patas da loba cravaram-se no cascalho.Aria travou.A visão apurada da loba e o cheiro trazido pelo vento cortaram o ar como uma lâmina.Do outro lado do
Capítulo 184Aria sorriu, deixando o sangue manchar os dentes em uma exibição de puro deboche.— Você está atrasado, Kaelen.O olhar do Alfa de Squamish se estreitou em uma fenda perigosa, a mandíbula tensa.— Do que você está falando?— Eu já pertenço a alguém — declarou ela. A voz de Aria não tremeu; ressoou com uma serenidade que fez os guardas ao redor trocarem olhares incertos.O rosto de Kaelen endureceu, a expressão se contraindo em uma máscara de desdém forçado:— Não diga besteiras. Você é a loba que nasceu sob a Lua de Solstício. Seu poder pertence a uma linhagem que poucos sequer acreditam existir.— Hulio — pronunciou ela, saboreando cada sílaba do nome como quem empunha uma lâmina sagrada. — Ele é o único que ocupa esse lugar. Entre nós não existe apenas um desejo de conquista, Kaelen. Existe uma ligação de almas ancestrais. Algo que nasceu muito antes de nós e que você jamais conseguirá apagar... nem se me marcar dez vezes à força.Kaelen ficou imóvel. Por uma fração de
Capítulo 183Aria observou as profundezas da fortaleza de Squamish, lutando contra a repulsa que aquele lugar lhe provocava a cada passo.Nada ali lembrava a imponência acolhedora de Vancouver. Enquanto as terras do Alfa Supremo de Sombras de Ônix transmitiam força e vida, aquele lugar parecia sufocado por uma escuridão estagnada. Os corredores estreitos, as paredes de pedra fria e o silêncio pesado faziam a estrutura se assemelhar a uma grande prisão subterrânea. Até o ar parecia diferente — úmido, metálico e gelado o bastante para provocar calafrios.— Alguém lá dentro está esperando por você — anunciou Dom, o Beta de Squamish, deixando escapar uma risadinha debochada ao abrir as portas do salão.Aria não perdeu tempo com provocações. Atravessou a entrada às pressas, o coração disparado no peito pela possibilidade de finalmente reencontrar Janete depois de tanto tempo acreditando que a havia perdido para sempre.Entretanto, assim que pisou o salão de pedra, seus passos desaceleraram
Capítulo 182Rayzel esperou alguns segundos antes de desferir o último impacto:— Há mais uma coisa. Horas antes de deixar a mansão, Aria esteve nas celas subterrâneas com Maike.O olhar do Alfa cravou-se nele no mesmo segundo:— Com o Maike?— Sim, Alfa.— Tragam-no até aqui agora mesmo! Ele vai explicar exatamente o que conversaram ou eu mesmo arranco a verdade dele!— Não será possible — disse Rayzel com cautela.O silêncio que se instalou na sala tornou-se sufocante.— O que você quer dizer com "não será possível"?— Maike desapareceu da cela logo após a visita de Aria — revelou Rayzel. — Os guardas confirmaram que ela pediu para ficar a sós com o prisioneiro e usou sua autoridade para ordenar que eles se afastassem do corredor. Quando os guardas retornaram, a cela estava aberta e vazia.Hulio ficou estático, precisando de longos segundos para processar a magnitude do que acabara de ouvir.— Você está me dizendo que deixaram um prisioneiro escapar?— Aria tinha passe livre como su
Capítulo 181Quatro dias haviam se passado desde a noite em que o sangue lavara o salão principal das Sombras de Ônix. Quatro dias em que a mansão de Vancouver se transformara em um canteiro de reconstrução, luto e silêncio tenso. Os corpos dos guerreiros caídos haviam sido sepultados com as honras da matilha sob o solo sagrado da floresta, e o cheiro sufocante de poeira e fuligem finalmente começava a ceder lugar ao aroma medicinal que emanava das alas de cura.A capacidade de regeneração lupina fizera sua parte. A maioria dos soldados feridos já deixara as macas e retornara às patrulhas com cicatrizações espessas, embora a guarda de fronteira permanecesse em estado de alerta máximo.Na enfermaria, Kili dava sinais mais consistentes de recuperação. As febres que a atormentavam haviam cessado e suas feridas começavam a fechar, mas a jovem loba ainda permanecia mergulhada em um sono profundo e protetor — como se seu organismo lutasse não apenas contra o dano físico, mas contra a dor de
Capítulo 180 Hulio travou por completo.Lisi soltou uma risada breve e incrédula, balançando a cabeça como se não pudesse acreditar no que acabara de ouvir.— Você realmente tem coragem de acusar Aria depois de tudo o que aconteceu? — perguntou, encarando Selene com indignação. — Raimonte tentou matar a própria filha, e você ainda encontra forças para culpar outra pessoa?— Você é cega pela lealdade que tem a essa garota — retrucou Selene com amargura. — Mas eu a vi com o Kaelen na véspera. Os dois estavam próximos demais para serem inimigos. Você pode tentar se convencer de que ele a levou amarrada, mas o que os meus olhos viram não se parecia em nada com uma prisioneira fugindo de um agressor.— Você não sabe o que viu, mãe!— Eu sei o que Raimonte me contou antes de morrer. Aria era prometida a Kaelen por causa de antigos pactos com Squamish. Eles podem ter planejado essa invasão desde o início.Hulio sentiu os músculos da face endurecerem como pedra.— O Raimonte passou a vida in







