FAZER LOGINMeus olhos observam com atenção a loba à minha frente. É como se a história estivesse se repetindo. Meu corpo treme, e um arrepio percorre minha espinha, mas me mantenho firme, com o rosto sem expressão. Não posso demonstrar medo ou insegurança diante dos meus lobos.
Aproximo-me dos dois, e meus olhos se fixam no homem loiro de olhos azuis. Há algo nele que me parece familiar. Por que ele não sente medo na minha presença?
— Como ousa ir contra as minhas ordens, loba? — pergunto com minha voz fria, aquela que causa pavor até mesmo em alfas experientes.
A loba treme diante da minha dominação. Mas o humano a abraça, mesmo com as correntes que os prendem. No mesmo instante, a fêmea se acalma, o que só aumenta minha irritação.
— Vocês serão condenados à morte! — grito, fazendo os lobos ao redor começarem a sussurrar.
Ouço o humano me questionar, desafiando minha decisão e dizendo que estou indo contra a Deusa da Lua. Uma fúria toma conta de mim, e um rosnado monstruoso escapa dos meus lábios. Todos caem de joelhos, submissos.
— Seus malditos! Ousam questionar o seu rei?! — rugi, mais fera do que homem, e o medo tomou conta do ambiente.
Viro-me para o humano que ainda abraça a loba.
— Quem você pensa que é para acasalar com uma das minhas lobas? Será morto como todos os outros humanos insignificantes!
Falo com a força da minha dominação alfa, mas ele apenas me encara com desprezo e responde:
— Você acha que tenho medo de você, lobo? Suas palavras não me assustam.
Ele não demonstra intimidação, o que me faz rosnar de raiva. Mas sei que é só fachada. Assim que eu começar a torturar a loba, ele implorará por misericórdia.
Com um sorriso cruel, pego minha espada. Estou prestes a desferir o primeiro golpe na loba quando um perfume invade minhas narinas. Meu lobo desperta com uma alegria imensa.
— Companheira! Minha companheira está aqui! — ele grita na minha mente.
Antes que eu possa reagir, uma flecha atinge minha mão, fazendo a espada cair. Olho, chocado, na direção de onde veio a flecha — e perco o chão.
Diante de mim está o ser mais belo que já vi.
Ela me encara fixamente. Seus olhos coloridos brilham. Seus lábios carnudos são tão beijáveis. Cabelos escuros como uma cascata repousam sobre os ombros. Usa uma calça legging e um top justo, revelando um corpo que me hipnotiza. Seios grandes e redondos que desejo apertar, cintura fina, quadris largos, pernas grossas... Onde está a menina magrinha que um dia vi? Ela caminha em minha direção sem medo, enquanto meu lobo uiva de excitação. Uma vontade quase incontrolável de possuí-la me consome.
— Solte meu irmão e sua noiva, ou vai se ver comigo. Posso garantir que minha flecha fará um estrago ainda maior — ela diz, me tirando do transe.
Percebo minha mão sangrando, com a flecha ainda cravada. Sorrindo, puxo a flecha e digo:
— Como você está linda!
Ela franze a testa.
— Acho que não conheço o senhor — responde com uma carranca.
— Até com cara de brava, nossa companheira é linda — meu lobo diz em minha mente, e eu sorrio, concordando.
— Você já me viu. Só não se lembra... — falo com gentileza.
Mas ela não está para brincadeiras. Atira outra flecha, e num movimento rápido, me desvio. Meu lobo vibra de alegria por poder lutar com sua companheira. Avanço, mas ela continua disparando.
— Ela não está brincando. As pontas são de prata e foram banhadas em acrônic... ela teve ajuda de caçadores! — meu lobo rosna, preocupado.
— Vamos parar com isso, garotinha. Não quero te machucar — digo, tentando soar calmo.
— Maldito! Você matou minha mãe e agora quer matar meu irmão. Eu vou te matar! — suas palavras são carregadas de dor e lamento.
— Alguém está usando nossa companheira como distração — Luke alerta em minha mente.
Sem perder tempo, dou ordens ao meu beta:
— Os caçadores vão atacar. Reúnam todos. Protejam os filhotes! — grito.
Minha companheira me olha, confusa. Eu a encaro e explico:
— Você foi usada por aqueles malditos caçadores. Eu não matei sua mãe.
Ela ainda tenta me atacar, mas a maioria dos lobos já se dispersa com a previsão do ataque. Quando tento me aproximar, uma grande explosão nos atinge. Todos são jogados ao chão.
O som ensurdecedor me deixa zonzo. Levo as mãos aos ouvidos, tentando conter a dor, e vejo minha companheira correndo até o irmão, tentando libertá-lo das correntes com pedras.
Fausto, o líder dos caçadores, se aproxima dela com uma arma e diz:
— A sua ajuda foi boa, mas agora você é descartável.
Ele atira.
Uso minha velocidade sobrenatural e a protejo com meu corpo. As balas atingem minhas costas, mas eu não me movo. Protejo Anabela com todo o meu ser. Seus olhos coloridos me encaram, chocados, e tudo o que sinto é o calor do seu corpo junto ao meu. É como se o tempo parasse, e só existíssemos nós dois.
A felicidade transborda no meu peito. Minhas mãos deslizam por suas costas, puxando-a contra meu peito. Meus lábios tocam os dela, e o mundo desaparece por um segundo.
Mas então ela se afasta, aflita.
— Você está sangrando! — diz com a voz baixa.
Volto à realidade. Ainda estamos sob ataque. A raiva do meu lobo explode por terem estragado o momento com nossa companheira. Ele se manifesta. Meu corpo muda, tornando-se meio homem, meio lobo.
Com uma voz monstruosa, ordeno:
— Leve-os para a casa da alcateia e mantenha os dois em segurança, ômega. Eu cuido desses vermes aqui!
A companheira do irmão dela obedece na mesma hora.
Ponto de Vista de AnnabelleO jardim do refúgio sempre foi um dos meus lugares favoritos. Mesmo antes de me tornar rainha, eu costumava caminhar entre as flores como uma fugitiva em busca de paz. Hoje, porém, pela primeira vez em muito tempo, eu não estava fugindo de nada. Estava apenas… vivendo.A brisa da manhã trazia o cheiro das flores silvestres, do orvalho recém-caído e da magia que sempre se espalhava por este lugar. O sol dourado tocava as pétalas com delicadeza, iluminando os caminhos de pedra, os arcos cobertos de trepadeiras e os bancos antigos onde tantas histórias já foram contadas.E foi ali, observando minha família reunida, que percebi como meu coração estava cheio.Bernardo caminhava pelo gramado com Ema, que ainda parecia perdida entre fascínio e irritação — mas o olhar que lançava para meu filho dizia tudo. Ele segurava a mão dela com cuidado, como se segurasse algo raro, precioso. E de certa forma… era isso mesmo. Minha nora.Alice estava agarrada ao braço de Benja
Ponto de Vista de AndreasEu sempre achei que já tinha visto de tudo. Guerras entre reinos, traições de conselheiros, batalhas sangrentas, nascimentos, mortes… Mas nada me preparou para o que senti quando minha filha entrou na sala de reunião com a aura da deusa queimando em volta dela como um sol. Não foi só Annabelle que ficou aterrorizada. Eu também fiquei. Só que diferente dela… eu não podia me deixar cair.Sou rei.Sou pai.Sou companheiro.E naquele dia, eu tive que escolher qual desses papéis precisava da minha força primeiro.Annabelle desabou, tremendo, chorando, seu instinto materno quebrado ao ver a filha consumida por Selene outra vez. Enquanto todos no conselho se ajoelhavam, enquanto os alfas tremiam e os vampiros não ousavam respirar, eu só conseguia olhar para o rosto da minha menina — o rosto dela — escondido atrás do brilho da divindade.Medo.Medo puro.Medo de perder quem eu amo.Mas eu não podia demonstrar.Então, fiz o que um rei faz: ergui Annabelle e a leve
Ponto de Vista de AnnabelleAcordei com um sobressalto, o coração batendo acelerado, a respiração presa no peito como se eu tivesse corrido por horas. Por um momento, não entendi onde estava. O teto familiar do meu quarto me encarava de volta, silencioso, enquanto a luz suave da manhã entrava pelas cortinas. Levei alguns segundos para perceber que não estava mais naquele campo de flores… que a menina de cabelos brancos e olhos prateados não corria mais na minha direção chamando “mamãe”.Mas, mesmo assim, algo dentro de mim estava diferente.Havia paz.Eu não sentia isso desde que Mara nasceu — desde que Selene tomou posse do corpo da minha filha pela primeira vez. Sempre temi que cada manifestação tirasse um pedaço da humanidade dela, que um dia Mara desapareceria por completo e se tornaria apenas… a deusa. Mas o sonho — ou talvez visão — me trouxe algo que eu nunca achei que teria: a certeza de que minha filha ainda estava lá.Ela tinha falado comigo. Tocado meu rosto. Me abraçado co
Ponto de Vista de AnnabelleSaí do quarto onde minha filha dormia ainda pálida, o peito subindo e descendo devagar, como se cada respiração exigisse força demais. Meus olhos ardiam e o peso que carregava no coração parecia me afundar. O corredor estava silencioso, mas dentro de mim tudo era caos. A imagem de Mara tomada pela força divina, aquele brilho prateado rasgando o ar, ainda queimava na minha mente como um sol impossível de esquecer.A porta se fechou atrás de mim e senti minhas pernas fraquejarem por um instante. Eu me apoiei na parede fria, respirando fundo, tentando não desmoronar ali mesmo.— Anne... — Andreas chamou suavemente, aproximando-se. Seus passos eram cautelosos, como se qualquer coisa pudesse me quebrar no meio.Eu não queria ouvir sua voz. Não queria consolo, nem palavras bonitas, muito menos racionalidade. O mundo inteiro tinha acabado de ruir dentro de mim.— Me deixa, Andreas — pedi baixinho, apertando os lábios para conter o choro que ameaçava sair de novo
Ponto de Vista de AnnabelleEu sempre soube que um dia minha família seria testada. Ser rainha de uma alcateia poderosa carrega um peso que nenhum livro prepara, que nenhuma história realmente explica. Mas, naquele dia, na reunião do Conselho, percebi que nada — absolutamente nada — me preparou para o que presenciei.Eu não estava com medo da deusa.Eu estava com medo de perder minha filha.Quando Mara entrou na sala de reunião usando a forma dela — a forma da Deusa Selene — meu coração simplesmente parou.Não foi a força que me assustou.Não foi a aura branca como luz de lua cheia.Nem a pressão tão intensa que fez alfas, vampiros e bruxas caírem de joelhos em questão de segundos.Foi o olhar.Os olhos que antes eram da minha filha, brilhando com mischief, charme e rebeldia… agora eram dois sóis prateados, frios, imortais. Olhos que não pertenciam à garota que eu pari. Olhos que pertenciam à força mais antiga do mundo sobrenatural.E naquele momento eu entendi, com uma dor que quas
O silêncio que permaneceu na sala do Conselho depois da aparição da Deusa Selene não era apenas silêncio. Era um vazio pesado, sufocante, como se o ar tivesse sido drenado e substituído por uma sombra antiga que ainda se agarrava às paredes.Ninguém sabia o que dizer.Ninguém ousava sequer respirar fundo.Era como se a própria lua estivesse observando, esperando, julgando.Os líderes que momentos antes gritavam, discutiam e exigiam punições, agora evitavam até olhar uns para os outros. Os vampiros mantinham a postura rígida, mas seus olhos estavam dilatados em puro terror. As bruxas murmuravam orações baixas, tentando se ancorar depois de sentir a força primordial que atravessou o corpo de Mara. E os alfas… aqueles que deveriam ser os pilares da força lupina, mal levantavam o olhar do chão.Todos tinham entendido a mesma coisa:A deusa está no mundo. E ela está acordada.Mas entre todos naquele salão, ninguém ficou tão abalada quanto Alice e Ema.AliceAlice ainda segurava a mão de B







