INICIAR SESIÓNAlessandro Vitali
O Salão é o lugar onde transformo homens em carcaças. Quem entra lá nunca sai o mesmo. Quando adentramos o ambiente, Luca estava esmurrando a cara do sujeito. — Deixe-me brincar um pouco também, irmão — anunciei, fazendo o futuro defunto me encarar com terror. Eles conhecem minha fama: sabem que não dou ponto sem nó e que minha tortura não conhece o perdão. Tirei o terno e enrolei as mangas da camisa social branca. Fui até a mesa de ferramentas e escolhi meu "brinquedo" favorito: um alicate de corte articulado. É preciso, cruel e eficiente. — Perguntarei apenas uma vez. Se não responder, arrancarei seus dedos. Entendeu? O homem engoliu em seco e permaneceu em silêncio. Sem hesitar, encaixei a ferramenta e arranquei seu dedo mínimo do pé. Ele gritou como uma criança. Odeio esses gritos, mas adoro o resultado. — Você entendeu, seu merda? — Sim! — ele guinchou. — Por que vocês estão aqui? — Eu... eu não sei... — Respirei fundo e arranquei o segundo dedo. — Resposta errada. O desespero tomou conta dele. Preso à cadeira, ele percebeu que eu não pararia até que não restasse nada. — Fomos enviados para proteger uma mulher! — disparou ele, trêmulo. — O chefe disse que ela sabe onde está algo que ele precisa. — E o que aquele filho de uma cadela quer dela? — Ele não disse! Só sabemos que ela está aqui na Itália e que o que ela tem é de suma importância. Interessante... — E por que ela ainda não abriu o bico? — indaguei friamente. O homem já nadava em uma poça da própria urina. Humilhante. Nojento. — Ela diz que não sabe... e... — ele hesitou. — Continue, seu verme! — gritei, perdendo a paciência. — Ela está muito debilitada. Os homens que a capturaram quase a mataram. Ela não vai aguentar muito tempo. — Onde vocês a estão escondendo? Mesmo soluçando, o rato abriu a boca. Era novo no serviço; não aguentou dois minutos de dor real. Agora eu tinha a localização. — Quais são suas últimas palavras? — perguntei, a voz gélida. — Vá à merda! — ele cuspiu em mim. Não levei para o lado pessoal. Simplesmente saquei minha Glock G42 dourada — presente do meu falecido pai — e disparei contra a cabeça do maledetto. Fitei por um segundo o lobo cinzento gravado no cabo da arma, a marca da nossa máfia, e me voltei para os meus soldados com autoridade: — Eu quero essa garota. Encontrem-na! Três horas depois, a mensagem chegou. Haviam localizado o esconderijo: uma casa afastada da cidade, protegida por pelo menos uma dúzia de russos. Um absurdo. Eles entraram no meu território e ninguém percebeu. Isso só tinha uma explicação: eu tinha ratos na minha organização. E, quando eu os encontrasse, eles implorariam pela morte. Chegamos ao local. Era um refúgio estratégico, isolado o suficiente para o crime, mas perto o bastante para uma fuga rápida. — Entramos primeiro, senhor! — meu Consigliere sugeriu, mas eu neguei com um gesto ríspido. — Eu entro primeiro. Fim de questão. Não precisávamos de um plano elaborado; éramos a força dominante. Entramos atirando. O som dos disparos com silenciadores era abafado, mas os gritos femininos que vinham do fundo da casa eram nítidos. Algo em mim mudou naquele instante. A urgência em encontrar aquela mulher triplicou. Meus homens limparam o caminho com eficiência. Derrubei a porta do cômodo de onde vinham os gritos e cheguei a tempo de impedir que um dos desgraçados a molestasse. — Mas o que... — Ele não terminou a frase. O terror em seu rosto ao ver minha arma foi a última coisa que sentiu. Os outros já estavam mortos. Restavam apenas o que estava sobre a mulher e o que observava a tortura. — Levem esses dois — ordenei, a voz vibrando de ódio. — Vamos mostrar a eles o que fazemos com estupradores em solo italiano. Meus soldados os arrastaram para fora. Eu me aproximei da garota. Ao me abaixar, afastei os cabelos que cobriam seu rosto. Eram fios escuros e volumosos. Mas foi a face delicada e os olhos castanhos que me paralisaram. Ela olhou diretamente para mim, uma conexão silenciosa, como se estivesse me esperando, mesmo sem saber quem eu era. — Quem é você? — perguntei, incapaz de desviar o olhar.Valentina Duski Olhei o Alessandro entrar na sala privativa e a porta fechar. Fiquei ali, plantada no meio do salão, com a mão ainda quente de onde ele tinha tocado. Foi ridículo. Eu parecia uma idiota esperando ele voltar. Estava tão distraída que nem vi a Lu chegar do meu lado. — O negócio está sério, hein? — ela soltou do nada. Sobressaltei-me de verdade. — Luisa, que susto! — disse, irritada. Mais comigo do que com ela. — Está cuidando do seu amado? — ela perguntou, com aquele sorrisinho. — Não sei do que está falando. Não seja intrometida como o seu homem — rebati, estressada. Por que eu estava tão na defensiva? Por que toda vez que falam dele eu fico assim? — Calma aí, nervosa. O que está acontecendo? — Luisa perguntou, agora séria. Ela percebeu que não era brincadeira. — Não sei, Lu. Eu só... — Bufei. Olhei em volta, todos rindo, bebendo, e eu me sentindo um peixe fora d'água. — Eu admito: estou apaixonada pelo cabeça-dura do Alessandro, e não ajuda em nada vocês me da
Valentina DuskiOlhei o Alessandro entrar na sala privativa e a porta fechar. Fiquei ali, plantada no meio do salão, com a mão ainda quente de onde ele tinha tocado. Foi ridículo. Eu parecia uma idiota esperando ele voltar.Estava tão distraída que nem vi a Lu chegar do meu lado.— O negócio está sério, hein? — ela soltou do nada.Sobressaltei-me de verdade.— Luisa, que susto! — disse, irritada. Mais comigo do que com ela.— Está cuidando do seu amado? — ela perguntou, com aquele sorrisinho.— Não sei do que está falando. Não seja intrometida como o seu homem — rebati, estressada. Por que eu estava tão na defensiva? Por que toda vez que falam dele eu fico assim?— Calma aí, nervosa. O que está acontecendo? — Luisa perguntou, agora séria. Ela percebeu que não era brincadeira.— Não sei, Lu. Eu só... — Bufei. Olhei em volta, todos rindo, bebendo, e eu me sentindo um peixe fora d'água. — Eu admito: estou apaixonada pelo cabeça-dura do Alessandro, e não ajuda em nada vocês me darem esper
Valentina DuskiOlhei o Alessandro entrar na sala privativa e a porta fechar. Fiquei ali, plantada no meio do salão, com a mão ainda quente de onde ele tinha tocado. Foi ridículo. Eu parecia uma idiota esperando ele voltar.Estava tão distraída que nem vi a Lu chegar do meu lado.— O negócio está sério, hein? — ela soltou do nada.Sobressaltei-me de verdade.— Luisa, que susto! — disse, irritada. Mais comigo do que com ela.— Está cuidando do seu amado? — ela perguntou, com aquele sorrisinho.— Não sei do que está falando. Não seja intrometida como o seu homem — rebati, estressada. Por que eu estava tão na defensiva? Por que toda vez que falam dele eu fico assim?— Calma aí, nervosa. O que está acontecendo? — Luisa perguntou, agora séria. Ela percebeu que não era brincadeira.— Não sei, Lu. Eu só... — Bufei. Olhei em volta, todos rindo, bebendo, e eu me sentindo um peixe fora d'água. — Eu admito: estou apaixonada pelo cabeça-dura do Alessandro, e não ajuda em nada vocês me darem esper
Alessandro VitaliSei que o que eu disse a magoou, mas sou assim. Não sei fingir simpatia. Nunca soube. Se eu gosto, eu gosto demais. Se me irrita, eu destruo. E ela me irrita de um jeito que nenhum negócio nunca irritou.— Isso me irrita porque nunca esperei nada de ninguém, mas de você, eu quero tudo.Falei seco. Foi mais sincero do que eu queria. Ela me olhou com os olhos dobrando de tamanho, assustada. E isso me fez rir. Que merda, eu devo estar maluco mesmo.O riso tomou o salão, alto demais. Todo mundo olhou. Vi a Bianca revirar os olhos, vi o Casanova cochichar com a filha. Que olhem. Foda-se eles. Meu foco está na única mulher em meus braços e eu não vou disfarçar.— Você me enlouquece! — ela soltou, séria. Quase brava.Ótimo. Estamos empatados então.— Que bom, isso quer dizer que sua vida não será chata — declarei. Tentei soar debochado, mas a verdade é que eu estava completamente preso ali. — Você está linda. Esse seu vestido é...Me calei. Porque se eu falasse o que eu rea
Valentina Duski Perfeito, entendi. Agora com — nas falas, no padrão de livro: É um nome muito bonito. Comentou ainda agindo estranho. — Porque o seu nome é Valentina? Comecei a rir ao lembrar da explicação que meus pais me deram quando eu tinha oito anos. — Valentina, minha mãe dizia, você não parava quieta nem na barriga. Ela contava que não dormia à noite porque eu chutava demais e que fez de tudo para eu sossegar. No dia da cesárea, quando o médico me tirou, eu já nasci brigando. Assim que olhou para o meu pai, ele disse: Meu amor, essa daí vai dar trabalho para qualquer um. Terminei o relato limpando uma lágrima discreta que teimava em cair. — Eles pareciam pessoas incríveis — disse o Senhor Romano, apertando minha mão direita em um gesto de conforto. — Foram — sorri com um aperto no peito. — O mais duro é não lembrar direito deles, nem do que aconteceu. Senhor Romano, eu não sei qual é a minha origem, mas sei que não sou uma pessoa ruim. Eu não sou uma inimiga. — Eu se
Alessandro Vitali— Vovô? — o homem exclamou, surpreso. Até eu me surpreendi.— A Maria disse que nos parecemos muito e, quando estou perto do senhor, sinto-me muito bem. É como se fosse o certo. Mas, se não gostou, não o chamarei mais assim.— Não... eu gostei muito. Há muito tempo não sou chamado de outra coisa que não seja "Senhor Giuseppe". Ser chamado de vovô quebra esse ciclo.— Então vamos, vovô — ela o guiou.Fiquei ao lado deles, ainda atônito. Romano não é receptivo; uma vez vi Bianca tentar chamá-lo pelo primeiro nome e ele a repreendeu duramente. Agora, com Valentina, ele sorriu e aceitou. Estranho.Todos se sentaram em seus devidos lugares, do topo à base da pirâmide de poder da família. Quando viram Valentina ao meu lado e ao lado de Giuseppe, o burburinho começou. Senti o desconforto da minha futura Donna, por isso tratei de encerrar o assunto.— O jantar será servido! — avisei, sério. O silêncio foi imediato.Valentina DuskiTodos se organizaram na grande mesa imperial.







