FAZER LOGINA beleza de Haiden quase me fez esquecer a merda de vida que eu tinha, quer dizer, ele parecia ter saído de uma revista, de tão lindo que ele era, até Vincent se colocar na minha frente, impedindo minha passagem e dizer em um sussurro:
— Precisamos conversar – ele segurou meu braço e eu me afastei tão depressa que um grito escapuliu dos meus lábios.
— Como ousa tocar em mim?
Todo mundo parou e olhou para mim. Eu senti meu rosto esquentar quando a atenção do CEO ficou voltada para meu comportamento. Hainden me olhava tão profundamente que eu até achei que ele desnudaria minha alma.
— Peço desculpas – gaguejei e abaixei a cabeça, torcendo para não ser tarde demais.
Mas Vincent não parecia disposto a desistir. E ele não desistiria, eu sabia disso. Convivi com aquele traidor por oito longos anos. Fechei os olhos com força e desejei que todos esquecessem o que havia acontecido e se dirigissem à sala do novo CEO, mas não foi o que aconteceu.
— Por que você está incomodando a funcionária? – Haiden direcionou sua palavra a Vincent e eu ri internamente pela bronca que ele iria levar.
— O Vincent e a Daphne eram noivos até ontem, senhor – Penélope se meteu, revelando meu segredo – ele trocou a Daphne pela irmã mais velha no dia do noivado.
Penélope riu, achando conveniente contar algo tão pessoal assim para o meu novo chefe, como se fosse uma piada. Coloquei a mão no rosto para que ninguém visse o quanto eu estava constrangida. Se o plano de Penélope era conseguir a vaga de assistente, ela havia acabado de passar bem na minha frente.
— Vocês não devem tratar assuntos particulares na empresa – disse Haiden.
Vincent gaguejou, mas eu não tive a oportunidade de ver o rosto dele se contorcendo em vergonha, porque eu estava afundada na minha própria desgraça.
— É estritamente proibido que funcionários mantenha relacionamentos no ambiente de trabalho.
— Mas, senhor, eu e a Daphne…
Ergui meus olhos imediatamente quando Haiden levantou a mão e ordenou que Vincent se calasse. Como aquele abutre tinha coragem de colocar eu e ele na mesma frase? Depois do que ele me fez, nem mesmo olhar para mim, Vincent tinha o direito.
— Chega de conversa, eu não tenho tempo para perder – Hainden girou os calcanhares e entrou no escritório.
Enquanto todo mundo o acompanhava, eu sentia como se os meus pés estivessem grudados no chão. Como se já não bastasse arruinar minha vida amorosa, agora Vincent planejava me deixar também sem um emprego?
Alisei minha saia com as mãos encharcadas de suor, inspirei o ar com força e enchi o peito de coragem. Não havia como ficar pior, o máximo que podia acontecer dentro daquela sala era eu perder a vaga de assistente.
Quando entrei no escritório, Haiden estava sentado, olhando para os funcionários com um olhar gélido. Um frio percorreu minha espinha. Penélope exibia seu enorme decote, se ela projetasse os seios mais para fora, poderia perfurar alguém com tanta vulgaridade. Além disso, ela falava demais e eu sabia que ela só fazia essas coisas para tirar vantagem.
— Apresentem-se – Haiden disse, analisando o rosto de cada um – começando por você.
Ele apontou para Penélope. Era claro que ele começaria com ela. Penélope era tão apresentável, que me fazia me sentir pequena demais. Me senti desconfortável. Quais as chances eu teria de vencê-la?
— Sou Penélope – ela abriu a boca para começar o seu discurso, ajeitou sua postura, elaborando a forma mais sensual que encontrava, quando Haiden a interrompeu de repente.
— Pare – todo o brilho dela desapareceu – eu não quero você como assistente. Provou que não tem profissionalismo quando revelou algo tão pessoal sobre a sua colega de trabalho.
O silêncio tomou conta do lugar. Todos olhavam para Penélope em choque. Agora, Penélope estava furiosa e incomodada e por dentro eu festejava. Finalmente, alguém estava colocando-a em seu devido lugar. Era certo que ela nunca havia experimentado a rejeição de um homem tão bonito e poderoso como estava experimentando agora.
— Alguém mais quer se candidatar à vaga de assistente? – Haiden perguntou, mas o silêncio na sala foi geral. Em um momento, todos pareciam animados com a possibilidade de trabalhar com o novo CEO, agora todos pareciam ter medo dele.
Menos eu. Corajosamente, eu levantei a mão, me candidatando à vaga.
O olhar nivelado com que Penélope me olhou mostrou o quanto ela estava insatisfeita com aquela situação. Certamente ela me culparia pela sua derrota.
Haiden lançou seu olhar gélido em minha direção, o que durou poucos segundos. Depois, ele desviou o olhar para o relógio de pulso e ordenou em seguida.
— Ótimo! – ele enfiou as mãos no bolso da calça – já que a senhorita foi a única a se candidatar, reitero que a reunião está encerrada, saiam todos, menos você Daphne.
Minhas pernas travaram pela segunda vez naquele dia. Observei meus colegas se retirarem da sala, um por um, deixando um rastro de medo e insegurança dentro de mim. Quando olhei para Haiden, o medo se transformou em confusão. Quando finalmente ficamos sozinhos, ele se aproximou e já não havia mais um olhar gélido, mas um olhar questionador.
— Responda-me uma coisa, Daphne, nos conhecemos de algum lugar?
Fiquei confusa com a pergunta dele. Arregalei os olhos e puxei na memória qualquer coisa que me fizesse lembrar de ter visto um homem tão bonito quanto ele, mas não encontrei nada. Se eu tivesse o visto, alguma vez teria me recordado.
— Não que eu me lembre, senhor – minha voz saiu fraca e tremula.
Ele continuou em silêncio me observando, depois de um tempo fazendo isso e me afundando no constrangimento, ele virou o rosto e se afastou. Eu pude, enfim, soltar o ar que havia aprisionado em meus pulmões. Por que ele me olhava como se eu fosse uma criminosa, ou como se fosse me devorar a qualquer momento?
— Sabe o motivo do porquê eliminei a senhorita Penélope? – Ele mudou de assunto e eu percebi que Haiden costumava fazer isso com frequência.
— Você é casado – respondi tão depressa que Haiden se virou para me olhar em choque – Uma secretária não deve se insinuar para o seu chefe nem mesmo se mostrar tão inconveniente com os colegas de trabalho.
— Você é uma boa observadora – Haiden elevou a mão e observou a aliança posta em seu dedo – e é por isso que eu precisava de alguém tão inteligente quanto você, senhorita Daphne. Preciso encontrar a minha esposa e você vai me ajudar com isso.
Daphne Antes visto pela sociedade como um homem de valor familiar, exemplo de empresário e bom pai, agora Ramon era descrito pelos jornais de mídia social como um homem cruel e assassino. Todos falavam sobre o crime bárbaro que ele havia cometido. Depois de o Haiden cuidar do ferimento, ele se arrumou e foi para a empresa. Eu e Genevive tentamos convencê-lo de desistir, mas ele disse precisar fazer algo. Com Ramon preso, acusado de assassinato, quase todos os investidores retiraram suas ações e a situação da empresa colapsou. Nem eu mesma poderia salvá-la e de fato não sabia se queria fazer isso. Eu construí uma vida dentro daquele lugar. Por muito tempo me senti orgulhosa por fazer parte daquela empresa reconhecida internacionalmente, mas isso foi arrancado de mim desde o dia em que descobri que meu marido misterioso era o CEO. Algumas pessoas não suportaram me ver bem, outras me detestavam antes mesmo de saber toda a verdade. E assim todos eles se juntaram para tentar me elimin
Daphne Eu agarrava Elijah com tanta força contra o meu peito que ele começou a reclamar. Eu mal havia percebido que o medo de que Ramon fizesse mal ao meu filho fizesse eu apertá-lo, que o deixaria sem ar. Eu o soltei, mas não o coloquei no chão, embora ainda fosse uma criança. Elijah odiava que eu o pegasse no colo. — Eu não sou mais um bebê, mamãe – ele protestou. — Mas parece um quando sai correndo daquele jeito – eu o recriminei e finalmente o coquei no chão - promete para mim que não vai mais fazer isso. Ele olhou profundamente nos meus olhos e concordou com a cabeça. Quando me ergui, Genevive estava parada na minha frente e senti um frio na espinha ao perceber que ela estava mais séria do que o normal. — Onde está o Haiden? Estava aí a pergunta que eu não queria responder. — Ele foi à delegacia soltar a Natalia – a voz de Ramon rompeu logo atrás de mim, me fazendo agarrar Elijah e escondê-lo nas minhas costas – acho que eles vão reatar o casamento. — Não fale bobagens,
Natalia. Eu ainda me recordava do grande susto que tive ao ver a Daphne novamente. Todos acreditavam que ela havia falecido e parecia que todos ficaram surpresos e intimidados ao encontrá-la viva novamente. Meu mundo desmoronou. Observei a maneira como Haiden a encarou, como ele se emocionou e, naquele instante, tive a certeza de que o perderia para sempre. A ideia de ter um filho poderia me manter próximo a ele. Ao sair naquela manhã, algo em mim indicava que Haiden estava a caminho para vê-la. Meu peito acelerava descontroladamente. O problema em tudo isso foi que eu me apaixonei pelo meu marido, o que não deveria ter acontecido. Durante cinco anos, eu lutei contra esse sentimento, desprezei o Haiden, o humilhei, acreditando que nunca o perderia. Por que nós só damos valor a algo ou alguém quando perdemos? Quando meu celular vibrou, eu vi o que não queria ver. Era uma foto de Haiden beijando Daphne. O inevitável havia acontecido e bem mais rápido do que eu imaginava. Eu fingir
Horas antes. Haiden Acordei horas depois, sozinho no quarto. O dia já escurecia. Lembrei então que havia chegado ali de tarde e Daphne me segurou. Depois, tudo se tornou um enorme borrão. A porta do quarto se abriu e vi Genevive entrar com uma bandeja de comida em mãos. — A notícia de que você fugiu do hospital já se espalhou – ela falou isso, deixando a bandeja em cima da mesa ao lado – tive que ir ao hospital esclarecer isso. — Sinto muito, mãe, se causei problemas para você. Eu me levantei lentamente, me sentando enquanto ela repousava a bandeja nas minhas pernas. Meu braço ainda doía e eu mal conseguia mexê-lo. Evitei me esforçar para não sentir dor e deixar minha mãe ainda mais preocupada. — Onde está a Daphne? – questionei, olhando para a comida parada à minha frente sem vontade de comer. — Ela foi descansar em outro lugar, já que você tomou conta do quarto dela – eu ri com a situação, embora não devesse – você a deixou assustada. Eu nunca havia visto a Daphne tão preocu
Ramon O telefone não parava de tocar na mesa ao lado da cama. Eu olhava para o teto, o peito acelerado, lembrando-me do incidente com o Haiden e me sentindo culpado por colocá-lo nessa situação. Eu o forcei a se casar com a Natalia e essa decisão quase faliu nossa empresa e quase matou o meu filho. Me levantei assim que ouvir um burburinho no andar de baixo. Desde que Genevive partiu, a casa tornou-se silenciosa. Era raro ouvir até mesmo as vozes dos meus empregados. Eu havia mandado quase todos embora. Depois que meu casamento acabou, minha vida tornou-se cinza e sem graça. Eu andava pelos corredores vazios, cheios de lembranças e meu peito explodia. Eu podia ser inescrupuloso, mas eu não era um traidor. Genevive foi embora de casa me acusando de traição, mas não foi exatamente ela que eu havia traído. Me levantei rapidamente e corri as escadas. Meus joelhos estalaram e eu precisei me lembrar de que já não era mais tão jovem. Precisei parar por um segundo para recuperar o fôlego
Daphne Eu não deveria ter abandonado o Haiden depois dele arriscar corajosamente sua vida para me salvar. Eu deveria ter confrontado o Ramon e tê-lo feito pagar por cada palavra que me disse, mas eu preferiria agir como uma covarde e fugir, deixando Haiden para trás. Agora, não consigo parar de pensar em como ele está. Fiquei me corroendo por dentro até finalmente chegar ao hotel e ser bombardeada por perguntas vindas de todo o lado. — Como o Haiden está? – Rute perguntou, depois foi Claus e seguiu uma onda em cima de mim que eu quase não pude aguentar. — Ele está bem – eu menti irritada – fez a cirurgia e ficou no quarto para se recuperar. — Você não o viu? – Claus me encarou com uma sobrancelha levantada. Ele era um detetive, como eu poderia mentir para ele? — Eu o vi, mas o Ramon estava lá e eu não consegui ficar ao lado dele. Eu não estava com vontade de lidar com o que estava acontecendo. Eles estavam decididos a saber cada detalhe, mas eu não tinha nada para oferecê-los







