FAZER LOGINA noite estava mal iluminada. Rodrigo dobrou os joelhos, apoiando as mãos nos quadris de forma relaxada e prepotente. Ele inclinou a cabeça, aproximando o rosto do de Sara, aguardando uma resposta.
A mulher, que vinha soluçando baixinho, sentiu-se ainda mais constrangida com o aparecimento repentino de seu "marido" de papel. Ela tentou conter o choro, mas não conseguiu evitar um soluço fofo que fez seu narizinho mexer. Com a voz anasalada, Sara tentou desviar o foco: — O que você está fazendo aqui? Os olhos escuros de Rodrigo brilharam com um divertimento indiferente. — Eu? Bem, quando vejo uma mulher bonita em lágrimas, meu instinto não me deixa ir embora. Eu queria ver quem era o sujeito que feriu a dignidade de uma beldade dessas... — Ele fez uma pausa dramática. — Jamais imaginei que a beldade em questão fosse da minha família. As sobrancelhas de Sara se franziram. Ela o encarou com cautela: — Rodrigo, por favor, tenha um pouco de decoro. Estamos em uma aliança matrimonial por conveniência; não somos próximos. Rodrigo deu um passo atrás, estreitando os olhos de forma apática. — Um casamento arranjado ainda é um casamento. Você é minha esposa perante a lei, não é? Agora, entre no carro. Ele apontou para o seu Bugatti roxo metálico, um veículo escandalosamente chamativo, e fez um gesto com o dedo. Sara mordeu o lábio, a tristeza por Austen sendo substituída pela irritação com a arrogância de Rodrigo. — Não. — Depressa — disparou ele, impaciente. — Não quero sair no noticiário de amanhã com a manchete de que minha esposa estava chorando no meio da rua por causa de outro homem. Isso me deixaria muito infeliz. Sem muitas opções e sentindo o peso do cansaço emocional, Sara obedeceu e sentou-se no banco do passageiro. Ela nunca tinha andado em um carro esportivo tão chamativo. Austen era um homem de hábitos sóbrios; sempre preferia SUVs executivos ou sedãs de luxo. Embora ele tivesse esportivos na garagem, Sara nunca tivera permissão ou coragem para usá-los. Enquanto o carro ganhava velocidade, Rodrigo a observava de soslaio. Os olhos dela ainda estavam vermelhos. — De coração partido? — Desta vez, o tom dele não era brincalhão. Era sério. Sara olhou para ele, notando a tatuagem discreta em sua clavícula que aparecia sob a gola da camisa. — Acho que sim. Mas não se preocupe, ele é passado. Não causará problemas ao nosso acordo. Você pode continuar vivendo sua vida como quiser. Para ser honesto, o herdeiro dos Weller era famoso por seu estilo de vida mulherengo e descompromissado. — Chegamos. — Rodrigo parou em frente ao prédio de Sara. — Uma hora é suficiente? Pegue suas coisas e venha comigo. — Ir para onde? — ela perguntou, confusa. — Para nossa casa. Ou você pretende que vivamos separados e corramos o risco de meu pai descobrir a farsa? Sara manteve a calma, pensando nas ações da empresa que ainda precisava receber. — Sem pressa. Podemos nos mudar oficialmente depois que nossas famílias se encontrarem formalmente para o jantar. Rodrigo pressionou a língua contra a bochecha, num gesto de quem aceita o desafio. — Tudo bem, como quiser. Assim que ela desceu, o Bugatti desapareceu num rugido de motor. Sara ficou olhando para o rastro de luz. Ele ficou bravo?, pensou ela. Às 23h, Austen foi levado de volta para sua casa na Vila Mares.. Era ali que ele mantinha Sara. Ao entrar, viu uma luz acesa e, por hábito, chamou: — Sara, faça um chá para ressaca para mim. O silêncio da mansão vazia o atingiu. Ele se lembrou, então, da cena no hotel. Recostou-se no sofá, cobrindo os olhos com a mão. Quando ouviu passos leves, um sorriso presunçoso surgiu em seus lábios. Eu sabia. Por mais que ela tente ser firme, ela não consegue ficar longe de mim. Mas, ao abrir os olhos, sua expressão congelou. — O que você está fazendo aqui? A governanta, Ali, encolheu-se: — Senhor... sou eu. A senhorita Sara viajou e ainda não voltou. Vou preparar o seu chá. — Não precisa — cortou ele, ríspido. — Vá para o seu quarto. Austen pegou o celular e abriu a conversa com Sara. Estava cheia de mensagens dela que ele nunca se dera ao trabalho de responder. Ele começou a digitar: "Onde você está?", mas o orgulho falou mais alto. Apagou as palavras e jogou o aparelho longe. Eu a mimei demais. Ela precisa aprender qual é o seu lugar. No dia seguinte, Sara acordou com olheiras profundas. Tomou um remédio para a dor e foi para a empresa, decidida a fazer daquele o seu último dia. — Mandy, minha família está me pressionando para voltar para minha cidade e aceitar encontros às cegas. Hoje é meu último dia. Já enviei tudo para o seu e-mail. Mandy ficou chocada. — Você vai embora assim? E o seu salário? — Não quero mais nada — respondeu Sara, fechando sua bolsa. — Me dê meio dia — pediu Mandy. — Vou agilizar seu certificado de demissão no RH. Vai ser melhor para sua carreira futura. Sara concordou. Enquanto organizava suas coisas, sentiu um olhar penetrante em sua nuca. Logo, um par de sapatos de couro preto impecáveis apareceu em seu campo de visão. Austen estava parado ali, batendo os dedos na mesa dela. — Secretária Sara, ao meu escritório. Agora. Ele se virou e saiu sem esperar resposta. Sara teve vontade de atirar o cacto da mesa na cabeça dele, mas respirou fundo. Entrou no escritório dele e manteve uma distância de segurança. — Sr. Austen, o que deseja? Austen ergueu o queixo, apontando para a porta. — Feche a porta e venha aqui. Ela deixou a porta entreaberta e não se aproximou. — Sr. Austen, por favor, diga o que precisa. Ele deu um sorriso zombeteiro, carregado de malícia: — Engraçado. Você costumava implorar para passar uma noite na minha cama, é agora age como se eu fosse um estranho? Sara respondeu com uma calma glacial: — Estou me demitindo, Presidente Austen. Em breve, não serei mais sua funcionária nem nada seu. É natural mantermos distância. — Demitindo? — Os olhos dele brilharam com uma luz perigosa. — Quem te deu permissão? Sara, esses seus joguinhos de "se fazer de difícil" não funcionam comigo. Ela sorriu docemente, mas sem nenhum brilho nos olhos: — Eu não tenho tempo para jogos, Austen. Minha família já arranjou um pretendente para mim. Ela fez uma pausa, saboreando a liberdade iminente. — Austen, eu vou me casar.Um ano.Trezentos e sessenta e cinco dias que pareciam ao mesmo tempo uma eternidade e um suspiro.Muita coisa havia mudado. Muita coisa havia ficado para trás.Após a morte de Mariza, Sara não recebeu mais nenhuma notícia da família da mãe. Com a prisão dos tios pelo sequestro de Rodrigo, aquelas pessoas simplesmente desapareceram do mapa — mudaram-se, dispersaram-se, como se nunca tivessem existido. Sara não sentiu falta. Algumas ausências são, na verdade, alívios disfarçados.Alfredo havia perdido tudo. Vivia no exterior agora, trabalhando como vendedor, morando num apartamento pequeno com o filho. Mal tinha notícias de Marcely, que continuava presa, sem data para liberdade, colhendo em silêncio o que havia plantado com tanto descuido.Austen voltara do exterior algum tempo atrás. Tentara contato com Sara algumas vezes — mensagens cuidadosas, respeitosas, como quem sabe que o jogo já terminou mas ainda não consegue simplesmente ir embora. Com o tempo, porém, ele aceitou a derrota.
Alberto tirou apenas três dias de folga. No dia em que partiu, sua tia chegou para cuidar de Patricia."Lembre-se de me avisar se não estiver se sentindo bem, tá bem?""Tá."Os dois agora eram mais do que simples contatos no Chat — já haviam até trocado uns tapas — mas ainda estavam longe de serem íntimos.Alberto sorriu levemente, bagunçou os cabelos dela e disse: "Entre, vista mais roupas. Estou saindo."Ao sair, Patricia notou as alianças iguais no dedo anelar dele, brilhando com um reflexo prateado e ambíguo.Vinte dias se passaram rapidamente, e os dois ainda mal se conheciam. Alberto costumava informar sua agenda a Patricia ao fim de cada dia de trabalho.Após desembarcar do avião com o resto do grupo, Patricia estava prestes a chamar um carro quando a tia a interrompeu, dizendo que seu marido havia vindo buscá-la.Patricia observava de longe o homem encostado casualmente na van preta, falando ao telefone com alguém."Patty, quer carona com a gente?""Não precisa, minha família
Era originalmente um reality show de sobrevivência ao ar livre. Eles haviam entrado em uma vila quando começou uma chuva torrencial.Patricia teve um pouco de azar. Estava menstruada durante a tempestade e contraiu uma infecção viral, desenvolvendo febre alta de 40 graus. A equipe de produção havia filmado apenas dois dias quando acionou urgentemente o serviço de emergência.É o tipo de coisa que só acontece com ela.Tonta, estava deitada na enfermaria. Como detestava injeções, uma agulha permanente havia sido inserida no dorso da sua mão."Patricia, por que você não avisa sua família? Ouvi dizer que você se casou. Seu marido não vai ficar preocupado?"Patricia havia tirado licença durante os dias do casamento justamente para não esconder o matrimônio da empresa."Já disse que não é nada. Diretor , pode ir embora agora, eu me viro sozinha. Se realmente se sentir mal com isso, contrate uma cuidadora para mim."Embora Patricia fosse mimada, não era o tipo que chora sozinha no hospital.
Tudo havia terminado. Quando Patricia acordou no dia seguinte, descobriu que a empregada havia transferido todas as suas roupas para o guarda-roupa do quarto principal.É óbvio de quem foi esse acordo. Ela deveria elogiar Alberto por ser um homem de ação?Era sábado, dia de folga. Quando Patricia foi a sala, encontrou um homem lendo um jornal em uma mesa. Um passatempo tão antiquado tem um toque um tanto antiquado. O avô dela não gosta mais de ler jornais.Quando Alberto a viu sair, largou o jornal que tinha na mão e disse calmamente. "Venha comer."A tia foi imediatamente esquentar comida para ela.Patricia não tem o hábito de acordar cedo — é normal que pessoas em sua área de atuação tenham seus dias e noites invertidos. Ela tinha outro projeto para trabalhar antes do casamento, que começaria em alguns dias, o que significava que estaria trabalhando dia e noite novamente. Por isso, sempre que tinha uma folga, tentava recuperar o sono perdido.Enquanto Patricia tomava mingau, o home
Patricia é a princesinha da família, mas não tem muito complexo de princesa.Por causa de uma traição de uma amiga durante o ensino fundamental, Patricia percebeu que as amizades nesse círculo eram hipócritas e que as pessoas só queriam ser amigas dela por causa de laços familiares. Patricia preza pela pureza — por isso sua amiga mais próxima é Sara, que não trabalha no ramo do entretenimento.Ela estudou direção na faculdade e, mais tarde, galgou posições de assistente a assistente de direção na empresa do primo, até se tornar diretora. Os relacionamentos na indústria do entretenimento são ainda mais complicados. Após entrar nesse círculo, passou a ter ainda menos expectativas em relação a relacionamentos. Muitos casais que aparecem na tela têm suas equipes se desentendendo nos bastidores. Nem mesmo os casais casados são diferentes — não há dignidade alguma a ser mencionada.Assim, quando Patricia tinha vinte e seis anos e estava sob imensa pressão da família para se casar, conheceu
Ficar em segundo lugar significava que Sara só acordou às 14h do dia seguinte.Do lado de fora da porta, as criancinhas balbuciavam com suas vozes doces e infantis. "Mamãe, mamãe!"A tia insistia pacientemente. "Mamãe está dormindo — vamos brincar ali, está bem?""Não, eu quero a mamãe! Mamãe, mamãe!"Apesar das dores por todo o corpo, Sara se arrumou rapidamente e abriu a porta para as crianças. Os dois pequenos estenderam as mãos ansiosamente e pularam em cima dela. Sara olhou para a tia e perguntou. "Onde está o patrão?""Senhora, o patrão foi para a empresa."Nossa, você corre muito rápido.Sara raramente tinha um dia de folga, então passou a tarde inteira com as duas crianças pequenas. Mas conforme a noite se aproximava, entregou os dois à babá e saiu.Ao voltar para casa se sentindo culpado, Rodrigo descobriu que Sara não estava lá."Tia , onde está a senhora?"A tia sorriu. "A senhora disse que tem um compromisso esta noite e não vai jantar em casa."Rodrigo estava tomado pe







