Mag-log inMAITÊ Desci as escadas sentindo o coração pesar no peito. Meu pai estava ali, sentado no sofá da sala, olhando para o nada. Parecia que tinha envelhecido dez anos em uma noite. — Pai... chamei com a voz mais firme do que eu realmente sentia. — Tudo acabou... Foi só uma briga. O Theo mentiu pra mim... disse o que sabia que iria me machucar. Ele ergueu os olhos, perdidos. — Eu não sei mais o que dizer, filha... não sei como te proteger disso. Nem como encarar o Algustus. Olhei pra porta do quarto onde Algustus estava. Eu sabia que ele tinha ouvido tudo. Sabia que não queria confrontar meu pai. Estava tentando se conter, por mim. — Ele vai precisar de tempo... Você também. murmurei. — Talvez o senhor devesse voltar pra sua casa. — Não vou sem você. Balancei a cabeça, respirando fundo. — Meu lugar é aqui. Foi aqui que eu escolhi ficar, e eu... eu vou me cuidar agora. Ele suspirou, resignado. — Vou pra empresa. Você devia ir também. Assenti. .... Levamos vários dia
Nossos corpos se entendiam como velhos cúmplices. Um encaixe de vilões e amantes. Era perigoso. Era errado. E era inevitável.— Eu... sussurrei contra sua boca, arfando.— Meu pai não vai fazer nada. Nem você contra ele. Ele nunca vai saber que você tentou incriminar ele. Vocês não vão ser mais inimigos. Nunca mais. Ou enterra esse passado, ou acabou algustus! Você me perde de vez. Pra sempre. Ele tentou responder, mas eu não deixei. Apertei seu rosto entre as mãos, o olhar fixo, decidido.— Eu tô pensando só no bebê, Algustus. Só nisso.Ele cerrou os olhos e balançou a cabeça, como se não quisesse aceitar.— Acabou, eu juro! Mas você não pode deixar eles ganharem assim. Aqueles dois infelizes. Isso é tudo o que eles queriam! Cora se fazendo de mártir, e o idiota do Theo fingindo ser o cavaleiro branco pra você... pra quê? Pra quando sairmos daqui, você procurar por ele? Você não vê, meu amor?! Não faz isso... Não joga tudo que a gente viveu fora!Ele me puxou mais forte pra ele, su
Porque o meu corpo tremia... mas não era de medo. Era de raiva, desejo, confusão. Um misto insuportável de querer e odiar. Eu queria gritar. Queria chorar. Queria cair nos braços dele. E isso... isso me matava. Inclinei o queixo, desafiando. Meus olhos presos nos dele, tão fixos que o ar pareceu evaporar entre nós. E eu só pensei no meu bebê, em tudo que a gente viveu. Tudo. Não tinha como ser mentira, não... Eu sei que dessa vez não foi ilusão da minha cabeça. Eu tinha mesmo conseguido dobra-lo a mim. Eu tinha! Era mérito meu, e a tudo que eu tanto desejei. E agora eu tinha, aqui na minha frente, implorando por mim. Por segundos eu quis matar ele, xingar e fazer ele lamber meu chão, e ainda quero. Mas também sinto um a imensa vontade de ligar o foda-se... Foda-se todos eles, foda-se essa vingança. E ser dele... De novo e de novo. E fazê-lo meu, mais uma vez. — É tarde demais pra fugir. Silêncio. O chão pareceu sumir sob os nossos pés. — O que você está dizendo, filha?!
Ele diz com toda indignação. Crápula enganador! Destruiu meu pai, ficou com a mulher que ele amava. Tomou tudo que era dele e agora é o efendido? — E eu?! Maitê gritou, chamando minha atenção. — Eu tenho culpa de quê, Algustus?! Que mal eu te fiz? — Nenhum! eu rugi. — Porra, você é a mulher da minha vida! Sempre foi! Eu só fui cego demais pra não enxergar isso desde o início. Mas agora eu vejo, e não vou te perder! Ela deu um passo atrás. Eu avancei. — Você já me perdeu, Algustus. No segundo em que mentiu pra mim. Você disse que não tinha nada naquela droga de gaveta! Aquilo me quebrou. Me virou do avesso. Mas eu não deixaria acabar ali. Avancei, segurei seus braços. — Você não vai sair daqui. Não vai. minha voz saiu baixa, mas feroz. — Só nós dois entendemos esse amor. Ninguém mais. Ninguém mais vai entender. Mesmo que seja insano, mesmo que seja doente. Eu não me importo. Você é minha. Minha mulher, Maitê. O pai dela veio pra cima de mim. — Solta minha filha!
E então… ela vai embora. Com meu coração nas mãos dela. Com minha vida desmoronando em silêncio. Levando com ela tudo que eu tenho... Ou tinha agora. Estava desnorteado. Joguei a droga daqueles papéis todos pelo chão. O coração parecia fora do compasso, batendo alto demais, rápido demais.. Pressionei os cabelos fechando os olhos com força, tentando controlar meu interno enfurecido, achar uma saída, como se tentasse me alertar de que eu estava prestes a perder tudo. Ela. Porra, ela! Não! Gritei, sem nem pensar, e minha mão voou contra a prateleira de vidro do escritório. Os cacos voaram, cortando minha mão, mas eu não senti. Não doía. Nada doía mais do que ver Maitê destruída… por minha causa. — Eu não vou desistir! rosnei, ofegante. Corri até os papéis espalhados pelo chão. Cada maldita prova, cada maldito pedaço de um passado que eu jurei enterrar. Peguei tudo, o sangue pingando por onde andava, e enfiei todos os papéis dentro da lata metálica de lixos ao lado da mesa
MAITÊAs mãos tremiam. Mas eu não hesitei.Abri a porta da sala dele com tudo, ignorando a voz desesperada da assistente que tentava me impedir.— Você não pode entrar! Senhorita, São ordens. ela gritou.Mas eu podia. E eu ia.Fui direto até aquela maldita gaveta. Aquela que me despertou suspeitas e que ele negou!Negou que tinha algo, que... Eu estava imaginando coisas. Mas meu instinto nunca me engana, nunca!Puxei com força. Mas, Nada.Destravei ela das corrediças e arremessei no chão.Nada ainda.— Senhora! Pare com isso!— SOME DAQUI! gritei com a alma em chamas, sem nem olhar na cara dela.Ela saiu quase correndo. Levantei a gaveta de novo e joguei contra o chão com mais força. O estrondo ecoou na sala. Um pedaço quebrou.E então… a verdade se derramou diante de mim.Papéis. Vários. Uma chuva de provas, documentos, fotos. Tantos que meus olhos não conseguiam focar em nada por alguns segundos.Caí de joelhos, os dedos buscando desesperados em meio à bagunça.— Não... não







