INICIAR SESIÓNDica: Gabriela sempre acreditou que tinha a própria vida perfeitamente planejada. Aos vinte anos, deixa a família no Sul do Brasil para estudar Engenharia Econômica em uma das universidades mais prestigiadas de São Paulo, determinada a conquistar independência, construir uma carreira brilhante e, principalmente, não se envolver em romances. Thomas Marques também tem suas próprias regras. Aos trinta e dois anos, engenheiro e professor universitário, vive entre as exigências da família, o peso de um sobrenome poderoso no mercado da construção e a responsabilidade de formar seus alunos. Depois de um relacionamento que o fez questionar quem realmente era, decidiu que nunca se envolveria com uma aluna. Então Gabriela aparece. Entre aulas, livros, corridas, viagens, acidentes e encontros inesperados, os dois descobrem uma conexão que nenhum deles planejou. Enquanto Gabriela aprende a lidar com sentimentos que nunca experimentou, Thomas precisa decidir quanto de sua vida está disposto a colocar em risco por algo que jamais deveria ter acontecido. Mas, quando sentimentos ultrapassam limites e outras pessoas começam a perceber o que existe entre eles, manter tudo em segredo se torna cada vez mais difícil. Porque algumas regras existem justamente para serem testadas. tags que você escolheu acima
Ver másA primeira coisa que todos aprendiam sobre o professor era que ele não tolerava erros.
Não importava se fosse um cálculo mal feito, uma planta desenhada às pressas ou uma medida esquecida em uma questão aparentemente insignificante. Para ele, a engenharia não perdoava descuidos — e ele também não.
Aos trinta e dois anos, já carregava uma experiência incomum para alguém tão jovem. Formado em Engenharia Civil, crescera cercado por projetos, canteiros de obras e reuniões intermináveis. Filho caçula de três irmãos, sua família estava há décadas no ramo da construção civil, e foi ele, entre os irmãos, o escolhido pelo pai para assumir futuramente aquele império. A escolha, para o pai, era clara e pontual: entre todos, somente Thomas tinha o dom nato para tal responsabilidade — o que o fez carregar o peso de levar adiante o legado de poder e reputação que o Grupo Marques e Construtora possuía. Eram referência entre empresários e profissionais da área.
Poderia ter simplesmente assumido um cargo confortável na empresa da família. Mas ainda não.
Essa responsabilidade ainda era demais. Por isso, enquanto o pai ainda gozava de boa saúde, Thomas preferia lecionar pelas manhãs e, no período da tarde, estar em seu próprio escritório de engenharia de menor porte, fundado por ele e mais dois amigos de infância: Caio e Léo.
A Marques e Brandão Engenharias era um ambiente de trabalho em que ainda podia se sentir no controle, fazer o que gostava sem a sobrecarga do nome e da cobrança da família. Gostava da paz de postergar, por ora, a demanda que o esperava no futuro.
Mas escolhera a sala de aula porque, para ele, lecionar era mais do que um emprego — era uma forma de preparar a próxima geração de profissionais naquilo que acreditava ser mais excelente, naquilo que sua família havia feito por décadas: construir algo que permanecesse de pé.
Por isso, suas aulas eram exigentes.
Muito exigentes.
Chegava sempre alguns minutos antes do horário, organizava os materiais na mesma ordem e verificava cada detalhe da apresentação. Não gostava de improvisos. Não gostava de atrasos. E definitivamente não gostava de alunos que entregavam trabalhos feitos de qualquer maneira.
— Se vocês não aprenderem a prestar atenção aos detalhes aqui dentro — costumava dizer —, vão cometer erros muito maiores quando estiverem lá fora.
Alguns alunos o consideravam rígido demais. Outros o admiravam.
Ele não se importava com nenhuma das duas coisas. Havia aprendido, muito tempo antes, que a aprovação dos outros era uma coisa perigosa de se buscar. Principalmente quando envolvia sentimentos.
Fisicamente, também transmitia a mesma disciplina que exigia dos outros. Com 1,80m de altura e corpo atlético construído à base de rotina e constância, dificilmente passava despercebido. Todos os dias, seu despertador tocava às cinco da manhã. Enquanto a maioria ainda dormia, ele já estava treinando. Não acreditava em motivação — acreditava em rotina e disciplina. Praticante de jiu-jitsu desde a infância, o esporte reforçava traços de sua personalidade: paciência, autocontrole e precisão.
A pele clara contrastava com os cabelos escuros, sempre bem cuidados, sem exageros. Sua fisionomia era forte, marcada por traços firmes que combinavam com a postura impecavelmente ereta, transmitindo uma autoridade natural.
E havia aqueles olhos.
Verde-avelã, profundos e atentos. Pareciam observar muito mais do que ele demonstrava. Era difícil esconder alguma coisa diante daquele olhar, principalmente quando ele estava concentrado em alguém. Sob determinadas emoções, a tonalidade parecia mudar, adquirindo nuances douradas mais intensas — revelando uma intensidade e paixão que raramente deixava transparecer.
No ambiente profissional, mantinha uma postura séria e irretocável, ora exigente; mas em alguns momentos revelava um traço quase desconhecido: o humor, ácido e debochado. Quando algum aluno cometia um erro, conseguia arrancar risos da turma inteira.
— Impressionante — comentou certa vez. — A matemática te persegue, Pablo, porém você é mais rápido, e ela nunca te alcança. Portanto, sua nota é zero!
Todos riram. Todos, claro, exceto Pablo.
GabrielaO som do despertador na manhã de domingo parecia uma punição desnecessária.Eu mal havia dormido. Passei metade da madrugada encarando o teto, repassando os acontecimentos do show como quem tenta encontrar um erro de cálculo em uma equação que recusa o resultado final.A lógica dizia que Thomas tinha usado a presença daquelas mulheres como um escudo. Dizia que ele tinha sido frio com Pedro para não entregar o jogo. Mas o peito... o peito não funciona por algoritmos. A imagem dele sorrindo para aquela mulher enquanto eu estava do outro lado do salão ainda queimava de um jeito bobo, infantil e doloroso.Levantei devagar, ainda de camisola e fui até a cozinha. Caio me seguiu em silêncio, encostando o focinho na minha perna, como se soubesse que a dona não estava nos seus melhores dias.Quando a campainha tocou às nove da manhã, eu não precisei olhar pelo olho mágico.Sabia que era ele.Abri a porta sem pressa, mantendo o braço apoiado no batente.Thomas estava ali. Não usava o t
GabrielaVi o semblante de Pedro escurecer.Foi rápido. O sorriso que ele vinha sustentando a noite inteira desabou, e no lugar ficou algo amargo, que ele nem tentou esconder. Antes que eu pudesse segurá-lo, disparou na direção de Thomas, abrindo caminho entre as pessoas com os ombros.Fui atrás, mas o salão estava cheio, e eu ainda não tinha desistido de ser discreta.Cheguei a tempo de ouvir:— O que você faz aqui? Pelo jeito, está mesmo disposto a não deixar que eu me aproxime dela. Está mais claro do que nunca quais são as suas verdadeiras intenções!Thomas respondeu com uma calma que só quem o conhecia saberia ser esforço.— Pedro, você está bem? Não me diga que só você pode gostar dessa banda. Imagina o que essas outras centenas de pessoas pensariam de você se soubessem disso.Ele fez um gesto discreto para as mulheres ao lado, que ainda esperavam a conversa recomeçar.— Estou aqui com meu amigo e, se não percebeu, estou muito bem acompanhado.Parei de andar.Eu sabia o que era
Um Convite PerigosoGabrielaNo fim, decidi ir.Eu confiava na minha capacidade de me esquivar das investidas de Pedro e, principalmente, não queria que uma simples recusa servisse como confirmação para as suspeitas que ele já carregava.Se eu tratasse aquilo como apenas um show entre amigos, talvez ele finalmente percebesse que estava enxergando coisas onde não existiam.Pelo menos era o que eu tentava acreditar.No sábado, Pedro apareceu para me buscar.Aquilo me pegou de surpresa.Eu tinha imaginado que nos encontraríamos no local, não que ele apareceria na porta do meu condomínio. Entrei no carro tentando não demonstrar o quanto aquilo me incomodava.Durante o caminho, ele parecia confortável demais. Conversava como se aquela noite tivesse algum significado especial, enquanto eu fazia questão de manter a distância.Quando chegamos ao show, respirei aliviada.O lugar estava cheio, barulhento e iluminado. Era fácil desaparecer no meio da multidão.O problema era que Pedro parecia de
GabrielaO problema de Pedro não era exatamente o convite.Era o motivo pelo qual ele tinha feito o convite.Desde que saí da biblioteca, a frase dele não saía da minha cabeça. Ele não queria simplesmente me levar a um show. Queria descobrir alguma coisa. Testar até onde eu iria para esconder o que existia entre Thomas e mim.E, pela primeira vez, eu começava a entender que talvez ele estivesse mais perto da verdade do que eu gostaria.Passei boa parte da tarde tentando me concentrar no trabalho, mas o celular continuava sobre a mesa, com a mensagem de Pedro esperando uma resposta.Então, sábado?Eu ainda não tinha respondido.Quando Thomas chegou naquela noite, percebeu imediatamente que havia alguma coisa errada.— Aconteceu alguma coisa?Hesitei antes de entregar o celular para ele.Thomas leu a mensagem e ficou alguns segundos em silêncio.Não precisou perguntar quem era.— Pedro de novo!Assenti.Ele devolveu o celular sem dizer nada, mas a mudança em sua expressão foi suficiente


















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