INICIAR SESIÓN"O problema não é reconhecer o perigo, é quando ele vem na forma do único homem que pode te salvar."
O elevador subia em silêncio.
Alina permanecia parada ao lado de Emma, com as mãos unidas à frente do corpo numa tentativa inútil de esconder o quanto estava nervosa. O espelho discreto na lateral do elevador devolvia a imagem de uma mulher que parecia ter envelhecido anos em uma única noite. Mesmo depois de lavar o rosto no apartamento de Emma, trocar de roupa e tentar disfarçar o hematoma com maquiagem, nada nela parecia realmente recomposto.
Como poderia?
Ainda havia cansaço nos olhos, tensão na boca e o reflexo condicionado do medo em cada músculo.
Emma a observava pelo espelho.
— Quer voltar?
Alina olhou para ela rapidamente.
Era uma pergunta feita com carinho, sem pressão, mas a resposta continuava impossível.
Voltar para onde?
Para o apartamento da amiga? Para o aeroporto? Para a Rússia? Para os braços de um monstro?
Não havia volta. Só havia esse corredor estreito e incerto chamado frente.
Ela respirou fundo respondendo.
— Não.
Emma assentiu devagar.
— Meu irmão pode ser intimidador.
Alina soltou uma pequena exalação sem humor.
— Isso não ajuda.
Emma quase sorriu.
— Estou tentando ser honesta.
— E isso ajuda menos ainda.
Dessa vez, Emma sorriu de verdade, embora rápido. Foi um gesto breve, mas importante. Quase um lembrete de que ainda existiam pequenos instantes de humanidade no meio do desastre.
Quando o elevador finalmente parou, as portas se abriram para um hall privativo com acabamento sofisticado, mármore escuro e iluminação indireta. Tudo ali mostrava luxo de forma discreta, mas evidente, ocupando o espaço com naturalidade, sem precisar chamar atenção.
Thomas não as acompanhou e Emma conduziu Alina por um corredor silencioso até uma porta dupla já aberta.
Não havia secretária, nem recepção ou qualquer movimento que indicasse que a empresa estava funcionando.
Havia intimidade e poder demais. E a sensação de estar entrando no centro exato de alguma coisa que ela ainda não compreendia.
Alina parou por um segundo na soleira da porta apenas para observar.
O escritório era imenso, com paredes em madeira escura, tapetes discretos, obras de arte moderna posicionadas com precisão, uma estante repleta de livros, pastas de couro, e enormes janelas de vidro que revelavam Manhattan como se a cidade inteira estivesse ali apenas para ser observada do alto.
E perto da janela, de costas, com uma das mãos no bolso da calça social escura e a outra segurando um copo baixo com água, estava ele.
Alexander Cárter.
Ele não precisou se virar para que ela soubesse que era ele. A postura firme e a forma natural como ocupava o espaço deixavam isso claro.
Alexander não lembrava exatamente os homens que ela conheceu em Moscou. Neles havia uma ostentação evidente, quase exagerada, com uma necessidade constante de mostrar poder. Em Alexander, pelo menos à primeira vista, o poder parecia mais perigoso justamente porque ele não precisava provar nada.
Emma deu dois passos à frente.
— Alex.
Ele se virou.
Por algum motivo, Alina percebeu a tensão chegar antes mesmo que ele se movesse.
Talvez fosse a forma como ocupava o espaço, ou a maneira como permanecia imóvel diante da janela, como alguém acostumado a ser ouvido sem precisar levantar a voz.
Ou talvez fosse apenas instinto.
Porque, pela primeira vez desde que deixou Moscou, ela teve a sensação de estar diante de um homem que não recuaria diante de Viktor Volkov.
E o primeiro impacto que Alina sentiu não foi o da beleza. Embora ela estivesse ali, inegável, quase severa. O que a atingiu primeiro foi a força do olhar.
Um verde escuro e intenso que a encarou sem hesitar, como se percebesse o medo dela antes mesmo que ela dissesse qualquer coisa.
Alina prendeu a respiração.
Alexander era alto, mais do que ela esperava, mas não foi isso que chamou sua atenção primeiro.
Foi a presença.
A forma como permanecia imóvel diante da janela, ocupando o espaço com uma naturalidade desconcertante, como alguém acostumado a tomar decisões que mudavam o destino de outras pessoas sem precisar levantar a voz para ser ouvido.
Só depois Alina percebeu os detalhes.
O terno preto perfeitamente ajustado aos ombros largos, os cabelos escuros levemente desalinhados sobre a testa, a barba curta desenhando o maxilar e a tatuagem que desaparecia sob a gola da camisa, criando um contraste estranho entre sofisticação e perigo.
Ele era um homem bonito.
Mas havia algo muito mais intimidante do que sua aparência.
A sensação de que aquele era um homem acostumado a vencer.
Alexander olhou primeiro para a irmã e depois voltou a atenção para Alina, sem pressa e sem qualquer sinal de constrangimento.
— Emma — disse, em voz baixa.
Emma cruzou os braços.
— Vai começar a me irritar se usar esse tom de chefe comigo.
— Você entrou no meu escritório sem bater.
— Eu trouxe uma mulher ferida para ver meu irmão emocionalmente atrofiado. Acho que mereço algum crédito.
Alina piscou, surpresa com a ousadia da amiga. Talvez tivesse esperado que Emma se retraísse diante do irmão, mas não. Havia entre eles, uma intimidade antiga, estruturada sobre afeto e irritação mútua.
Alexander sequer pareceu ofendido. Seu olhar apenas voltou para Alina.
— Pode nos dar um minuto? — perguntou a Emma.
O pedido não veio como uma ordem. Mas também não deixava espaço para interpretação.
Emma hesitou.
— Alex…
— Um minuto.
Emma demorou alguns segundos antes de se mover.
Os olhos passaram de Alexander para Alina. E depois voltaram para Alexander.
Era um olhar silencioso, mas carregava um aviso claro.
Se machucar ela, eu mesma te mato.
Ela lançou um olhar rápido para Alina, se aproximou dela e apertou de leve sua mão.
— Eu estou logo ali fora.
Alina assentiu.
Quando a porta se fechou e os dois ficaram sozinhos, o silêncio pareceu mudar de temperatura.
Alexander caminhou na direção dela com cuidado, mantendo uma distância que não a ameaçasse, mas, ainda assim, o corpo de Alina reagiu à proximidade e se encolheu.
Ele percebeu a reação e imediatamente parou a uma distância respeitosa, e isso, de maneira estranha, foi a primeira coisa que realmente a desarmou. Porque ele não havia avançado, nem tentado tocá-la. Apenas a observava com cuidado.
— Sente-se — disse, apontando para a poltrona diante da mesa.
A voz dele era grave e firme, sem esforço para soar gentil, mas também sem qualquer agressividade.
Alina se sentou com cautela e Alexander permaneceu de pé por um momento, observando-a. Depois apoiou uma mão na mesa e se inclinou o suficiente para que seus olhos ficassem na altura dos dela.
Ele ergueu levemente uma das sobrancelhas, e um sorriso curto, quase provocador, apareceu no canto da boca antes de falar.
— Meu nome é Alexander Cárter. Imagino que Emma já tenha falado sobre mim.
Alina tentou umedecer os lábios.
— Um pouco.
O sorriso dele aumentou só o suficiente para deixar a intenção clara.
— Só o necessário ou o bastante para assustá-la?
Alina levantou o rosto e o encarou nos olhos pela primeira vez, sentindo o calor subir pelo rosto.
— Não precisa parecer tão assustada. Eu não sou o homem do qual você fugiu.
O coração dela acelerou na mesma hora, batendo mais rápido do que o normal, e a respiração ficou irregular por um instante, obrigando-a a inspirar fundo para se controlar.
Alexander sorriu ao perceber a reação que havia provocado nela, mais no mesmo instante, notou o corte em sua boca e a expressão dele mudou minimamente.
— Viktor fez isso? — perguntou.
A pergunta a atingiu na hora fazendo Alina baixar os olhos.
Sentia vergonha da resposta, mesmo sabendo que não deveria. Vergonha de ter sido ferida, de ter sido exposta. De estar ali, diante de um homem desconhecido, como alguém que já chegava machucada à vida dos outros.
Como ela não respondeu, Alexander falou de novo:
— Preciso que olhe para mim.
O tom não foi suave, foi firme.
Quando Alina voltou os olhos para ele, encontrou o olhar verde fixo no seu, duro e atento.
— Eu não vou repetir essa pergunta por curiosidade — disse. — Estou perguntando porque preciso saber com quem estou lidando.
Algo na frieza daquela frase a fez acreditar que ele estava falando sério. Ele não estava com pena, ou agia por compaixão. Ele calculava suas respostas, como se analisasse um contrato minuciosamente.
Alina respirou fundo.
— Sim.
Apenas uma palavra bastou para que a mandíbula dele se contrair
— Ele já fez isso antes?
Ela hesitou, e isso, por si só, já era uma resposta.
Alexander endireitou o corpo com calma e passou a língua pelo interior da bochecha, como quem se controla. Caminhou até a janela e ficou de costas por alguns segundos.
Alina observou as linhas largas das costas dele sob o paletó escuro. Ele parecia um homem contido, porém intenso.
Depois de uns segundos, se virou novamente.
— Emma lhe explicou a proposta?
Alina assentiu respondendo.
— Um contrato de casamento.
Ele se virou e sustentou o olhar dela por mais um segundo antes de completar, sem alterar o tom:
— E a única coisa que você precisa decidir agora… é se confia em mim o suficiente para não voltar para ele.
“Talvez o verdadeiro legado de uma vida não esteja naquilo que construímos para permanecer, mas nas pessoas que nos dão uma razão para ficar.”O sol começava a descer sobre o mar quando Alexander percebeu que estava sorrindo.Não havia uma razão específica para isso.Talvez fosse Serena correndo descalça pela areia ao lado de Damian, os dois disputando quem chegaria primeiro à água enquanto Theo seguia alguns passos atrás, já mais velho, mas ainda determinado a acompanhar as crianças.Ou talvez fosse Alina.Ela caminhava mais adiante ao lado de Emma, os cabelos sendo levados pelo vento enquanto as duas conversavam e riam de alguma coisa que Alexander não conseguia ouvir.Ele não precisava.Ao seu lado, Brandon tomou um gole da bebida antes de olhar para ele.— O que foi?Alexander não desviou os olhos da família.— Nada.— Você está olhando para eles há uns dez minutos.— E?— Está começando a ficar estranho.Alexander ignorou.Naquele instante, Serena tropeçou na areia. Alina parou i
“O tempo não apaga aquilo que vivemos; apenas nos permite descobrir o que escolhemos construir depois.”— Papai.Alexander continuou olhando para o notebook.— Estou ouvindo.— Papai.— Serena.— Preciso de uma coisa.Isso fez Alexander levantar os olhos.Serena estava parada diante de sua mesa, com os mesmos olhos verdes do pai e os cabelos dourados presos de qualquer maneira por Alina naquela manhã. Aos cinco anos, já havia aprendido que entrar no escritório de Alexander Carter com as mãos escondidas atrás das costas geralmente tornava suas intenções bastante óbvias.Ele fechou o notebook.— O que sua mãe disse?Serena arregalou os olhos.— Como você sabe?— Experiência.Ela pareceu considerar a resposta.— Mamãe disse não.— Então, por que está perguntando para mim?Serena se aproximou e apoiou as duas mãos na mesa.— Porque você diz sim.Alexander ficou em silêncio.A risada de Alina veio da porta.— Pelo menos ela é sincera.Ele olhou para a esposa.— Você está ouvindo há quanto
“Às vezes, quando acreditamos que a família finalmente está completa, a vida simplesmente encontra espaço para colocar mais alguém à mesa.”Alexander percebeu que havia alguma coisa errada com Emma aproximadamente quatro minutos depois que ela entrou na cobertura.Ela estava quieta.Não completamente em silêncio, porque aquilo provavelmente seria impossível para sua irmã, mas quieta o suficiente para fazê-lo desconfiar.Emma havia beijado Alina, abraçado o irmão e praticamente arrancado Serena de seus braços assim que a sobrinha estendeu as mãozinhas para ela.Depois disso, porém, se sentou no sofá com a sobrinha no colo.Alexander a observou por alguns segundos.— O que aconteceu com você?Emma ergueu os olhos.— Nada.Brandon apareceu logo atrás carregando uma sacola que Alina havia pedido que trouxessem.— Ela está estranha desde ontem.Emma virou lentamente o rosto para o marido.— Obrigada, Brandon.Ele parou.— O quê?— Muito útil.— Só estou dizendo a verdade.Alexander estreit
“Talvez a paz não seja o silêncio depois da tempestade, mas o dia em que percebemos que já não esperamos por outra.”Sete meses depois, as manhãs na cobertura Carter eram consideravelmente mais barulhentas.Naquela, em particular, Serena havia descoberto que bater as duas mãos na água era extremamente divertido.Alina recebeu o terceiro jato no rosto e começou a rir.— Serena!A bebê respondeu com uma gargalhada e bateu novamente as mãozinhas na água.Sentada entre as pernas da mãe, com as costas apoiadas contra ela, Serena parecia absolutamente satisfeita com a própria descoberta.— Você está fazendo isso de propósito.Outro tapa na água.Alina fechou os olhos quando os respingos a atingiram.— Definitivamente de propósito.Serena gargalhou.Alina a apertou contra o corpo e beijou sua bochecha molhada.— Sua pequena terrorista.— Espero que não esteja falando da minha filha.Alina ergueu os olhos.Alexander estava parado à porta do banheiro.Usava camisa social, com as mangas dobrada
“Talvez voltar para casa nunca signifique retornar ao mesmo lugar quando alguém novo chega para transformá-lo.”Alexander havia enfrentado Viktor Volkov com uma arma apontada para sua família sem demonstrar metade da preocupação que sentiu quando Theo se aproximou do bebê-conforto.— Devagar.Alina olhou para o marido.Theo avançou mais alguns centímetros, com o focinho curioso apontado para Serena.— Alexander...— Theo.O filhote parou.Alexander estreitou os olhos.— Devagar.Alina precisou conter o sorriso.Tinham acabado de chegar à cobertura, e Serena ainda dormia tranquilamente no bebê-conforto enquanto Alexander permanecia ao lado dela como se Theo representasse uma ameaça que sua equipe de segurança inexplicavelmente havia deixado passar.Theo se aproximou novamente do bebê-conforto e cheirou com cuidado o pezinho de Serena.Alexander acompanhou cada movimento.— Devagar, filho. Ela é sua irmãzinha.Alina virou o rosto para ele, contendo o sorriso.— Você está explicando isso
“Uma criança nunca chega sozinha ao mundo; às vezes, nasce com ela uma família inteira em novas versões de si mesma.”Emma Carter entrou no quarto decidida a não chorar, uma decisão que conseguiu sustentar por aproximadamente três segundos.Ela havia dado apenas dois passos quando avistou Serena nos braços de Alina. Parou imediatamente, e seus olhos se encheram de lágrimas.— Meu Deus.Brandon, que vinha logo atrás, quase esbarrou nela.— Emma...— Ela é tão pequena.Ele olhou por cima do ombro da noiva para a bebê.— Bebês costumam ser.Emma virou o rosto lentamente.— Cala a boca, Brandon.Alina riu.Alexander, sentado ao lado da cama, apenas balançou a cabeça.— Eu avisei que ela faria isso.— Eu não estou fazendo nada — Emma protestou, já chorando.— Você entrou há cinco segundos.— E conheci minha sobrinha há cinco segundos, Alexander. Tenha um pouco de sensibilidade.Ela voltou imediatamente a atenção para Serena e se aproximou da cama como se todo o restante do quarto tivesse d







