LOGINRayane veio do Brasil para Portugal em busca de uma vida melhor. Ela tem o objetivo de trabalhar e formar-se em biologia marinha, e está determinada a não permitir que nada interfira em seus planos. Contudo, Rayane não sabia que seus planos estavam prestes a enfrentar um pequeno contratempo. E esse contratempo de nome Santos, iria transformar toda a sua trajetória meticulosamente programada.
View MoreARTUR Estou dentro da universidade à espera que a Rayane chegue; ela teve a última aula e, pelo que me disse, adaptou-se bem à cadeira. Entretanto, já dei uma palavrinha com a pró-reitora, que por acaso era minha conhecida, e ela assegurou-me que a Rayane iria ter toda a assistência necessária nestas próximas semanas. Quando ela chega, eu abro a porta lateral e ela sobe com a cadeira. Realmente dá muito jeito toda esta tecnologia, tem sido mais fácil ajustar os meu horários de trabalho com as aulas de Rayane. Quando chegámos a casa, e Rayane pediu-me ajuda para ir à casa de banho; realmente deve ser complicado orientar-se sem um braço e uma perna. Pediu película aderente para tapar o gesso, pois queria tomar banho. Quando fui à cozinha, reparei que o Guilherme já estava a preparar o nosso jantar. — Vou só ajudar a Rayane a enfaixar a perna para tomar banho e já venho ajudar. — Não precisas, eu tenho tudo controlado. É melhor aproveitares e tomares um banho também, porque estás
RAYANEDe manhã, fui mancando até ao banheiro para me aprontar, porque Deus me livre de chamar Artur após a nossa briga de madrugada.Quando já estava lendo há uns 10 minutos ele bate na porta e eu falei para entrar.- Já estás vestida, ótimo. O pequeno almoço está pronto, temos que passar pelo teu trabalho e vamos buscar a cadeira para poderes ir às aulas. - Já posso frequentar essa tarde?- Se tudo correr bem, penso que sim.- Que boa notícia, vamos lá então. Estiquei os braços para ele, aí ele parou 2 segundos como se estivesse avaliando a situação e me pegou no colo, mas dessa vez eu senti muita diferença. Senti seu rosto virado, senti que me pegava com o mínimo de contato.Enquanto das outras vezes eu o sentia bem perto de mim, dessa vez ele criou distância. Aí eu entendi que ele estava magoado e evitando até contato visual, mesmo enquanto a gente comia. E nisso a porta se abre, e o furacão chamado Guilherme Santos entra na cozinha, ficando em modo estátua, de olhos arregalado
Rayane Então chegámos na casa dele, que por sinal nem é muito longe da Universidade. É uma casa geminada com um pequeno jardim na entrada. Ele saiu do carro, foi abrir a porta, daí voltou, abriu a minha porta e mais uma vez me pegou no colo. Enquanto me carregava para dentro como se eu não fosse nada, me olhou e falou. -Amanhã compro uma cadeira de rodas e umas canadianas para quando tiveres o braço melhor. Por enquanto, eu levo-te pela casa se for necessário. Também irei comprar os analgésicos da receita, mas se tiveres algumas dores durante a noite, diz-me, que eu tenho alguns em casa. - Tudo bem. - mas não tava tudo bem, meu coração batia descontrolado com a proximidade. Ele me levou para um quarto, me colocou na cama e voltou ao carro para pegar as sacolas. Depois, me ajudou a ir ao banheiro, onde tratei da minha higiene e me troquei. Quando o chamei para sair, ele já me esperava com uma bandeja e um prato quente de chili. Ele estava me dando a sua comida; certamente era
ARTUR Dirigi-me à caixa para pagar e sair dali o mais rápido possível. Se a encontrasse novamente, não sei se me conseguiria controlar. Porque é que eu fico tão irritado perto dela? Isto não pode ser normal. Arrumei as minhas coisas na bagageira e iniciei a marcha rumo a casa; quando subi a rampa, passei por uma lomba que me fez cair o telemóvel do suporte. No minuto em que me agachei para apanhar o telemóvel do chão, senti o carro bater em algo; travei bruscamente e o meu coração quase parou quando vi uma pessoa a rolar no chão. Ligo os quatro piscas, puxo o travão de mão e vou em auxílio da pessoa que acabei de atropelar, e o meu coração que tinha parado volta a bater descompassadamente quando vejo a Loira-morena em agonia no chão. Aproximo-me a medo. - Está tudo bem? Onde é que dói? — Você? Eu não acredito, você fez de propósito! — ela disse quando me viu, enquanto o seu semblante alternava entre raiva e dor. - Não, não, não, nem penses numa coisa dessas. Por muitas que






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