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last update Fecha de publicación: 2023-03-08 07:31:24

Mel

Batom vermelho, ou rosa? Saia ou calça jeans? Cabelos soltos ou presos? Meu Deus, e isso importa? Não é de verdade, Melissa. Ok, estou nervosa. Não é todo dia que marco de sair com um suposto namorado. Merda! A verdade é que eu nunca tive um namorado de verdade na vida. O quê? Eu não tinha tempo para essas coisas, precisava estudar de dia e ajudar o meu pai de noite. Agora isso. Cabeça de vento, é isso que você é! O bom é que eu não preciso beijar na boca. Porque isso sim, seria um desastre ecológico, porque eu nem sei como se faz isso. Ah vai, não me taxa de inocente porque isso eu não sou. Eu só não tenho experiência em certas coisas e vê se mantém esse bico fechado. Esse será um segredinho só nosso. Ralho mentalmente para o meu reflexo no espelho. E quer saber? Nada de batom, um vestido de tecido está de bom tamanho e os cabelos? Um rabo de cavalo serve. Prontinho! Sorrio para o espelho, mas não gosto do que vejo e de quebra faço birra para a minha imagem mostrando-lhe a língua. Acho que estou ficando maluca. Sibilo mentalmente levando uma mão a testa e rio das minhas sandices. A buzina me chama escandalosamente e eu corro para a sala, pego os meus livros e a minha bolsa, e saio praticamente voando para o pátio. Acho que vou passar mal. Penso quando ouço as batidas do meu coração dentro dos meus ouvidos. E sabe a pior parte? Os meus amigos não sabem de nada... ainda. Assim que o carro estaciona no estacionamento da faculdade, e saltamos para fora dou uma boa desculpa para eles, e sigo para o nosso ponto de encontro. Todos os alunos devem pensar que chegamos juntos então vale o sacrifício.

— Você está tensa demais, Melissa. — Aiden fala após alguns esclarecimentos e damos alguns passos para a entrada.

— Desculpa, é que eu nunca fiz isso antes! — Ele franze a testa.

— Relaxe, é como namorar de verdade, só que de mentirinha. — Arqueio as sobrancelhas e interrompo a respiração.

— O quê? Não consegue fingir que está namorando? — Incomodada, limpo a garganta.

— Tudo. Esse lance de namorado...

— Espera! Está me dizendo que nunca namorou antes? — O QUÊ?! Não! Sim! Ah, merda!

— Você vai anunciar isso para o mundo todo? — ralho entre dentes e ele me lança uma cara impagável. Isso é ridículo!

— Está falando sério? — respiro fundo. — Ok, desculpa! Só... tenta sorrir, tá bom? — Ele pede e eu faço, porém, ele faz uma careta para mim.

— O quê? O que foi agora?

— Isso é não um sorriso, Melissa. Parece que você está com raiva. — Ele ri e eu rolo os olhos. — Tudo bem! — Aiden sibila e chega perto mais demais. Em seguida ele segura as laterais do meu rosto e se inclina para perto dele.

— O que você está fazendo? — inquiro nervosa.

— Xiu! — Ele solta um som arrastado. — Eu só vou te acalmar um pouco, tá bom?

— Me acalmar? Como... — E fodeu! Fodeu tudo! Porque a sua boca tocou a minha com carinho e lentidão, mas o meu coração está pipocando dentro do meu peito. Depois ele me beijou com uma suavidade espantosa e o meu corpo esquentou assustadoramente, roubando a minha capacidade de respirar. Então o beijo ganhou uma proporção mágica e... gostosa, e todo o meu corpo estremeceu de dentro pra fora. — Mais calma agora? — Ele pergunta com um doce sussurro ainda perto do meu rosto.

— Estou molinha — respondo quase sem forças, levando as mãos ao seu peitoral para me manter em pé, mas o som da sua risada me desperta. — E você está rindo de mim.

— Desculpa! Desculpa! É que não deu pra evitar. É que você é engraçada.

— Ahã! — resmungo chateada.

— Olha, só tenta sorrir e acena para as pessoas que falarem. Só isso.

— Falar é fácil! — retruco e finalmente aparecemos para todos. Todos os olhos estão em cima de nós e confesso que não era essa sensação que eu queria sentir. Eu já falei que odeio ser o centro das atenções, não é? Pois é, estou sendo agora. Olhares surpresos, embasbacados, interessados, curiosos e raivosos. Sim, estou falando da capivara e suas capivaretes. Enquanto caminhamos, Aiden cruza os dedos das nossas mãos e devo dizer que esse gesto roubou toda a tensão dos olhares em cima de nós.

— Viu? Não foi tão difícil assim. — Ele ralha quando finalmente entramos na sala de aula. Forço um sorriso.

— Não foi, mas ainda não acabou.

— Você tem razão. Os meus amigos e os seus vão especular. — Dou de ombros.

— Podemos dizer que começou quando você me salvou na noite do racha.

— Na verdade, não temos que explicar nada para ninguém. Eu gosto de você e você gosta de mim, e isso tudo.

— Você tem certeza? A Brenice...

— Deixa que da Brenice cuido eu.

— Então tá!

***

— Como conseguiu o Aiden para o papel?! — Abby rasga uma interrogação cheia de curiosidade assim que me acomodo na cadeira da lanchonete e imediatamente os outros se inclina para ouvir a minha resposta.

— Digamos que ele caiu de paraquedas em cima dos meus livros. — Eles me olham com se um ET tivesse sentado na frente deles.

— O que isso quer dizer? — Ruby especula, porém, olho para os lados para ter certeza de ninguém está por perto. Me ajeito em cima da cadeira e falo o mais baixo possível. — Nós temos um acordo. Eu o ajudo com algumas matérias e ele me ajuda com a popularidade.

— Santo Deus! Me diz que vai tirar uma casquinha dessa situação? Porque eu tiraria. — Kell retruca e solta um suspiro sonhador. Casquinha? Se só com um beijo o homem sugou as minhas forças, o que aconteceria que arrancasse um pedacinho? Melhor pôr algumas regras e nada de beijos será uma delas. O restante do dia evitamos de falar sobre o namoro de proveta, a final, seguro morreu de velho e eu estou nova demais para morrer.

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Último capítulo

  • O Acordo   Epílogo

    Sete anos depois... — Vai, filhão! Vai, filhão! Diferente do que presumiu, Aiden se tornou um paizão. E acredite, ele não perdeu uma só madrugada e parecia nunca se cansar disso. Perdi as contas de quantas vezes saí da minha cama pela madrugada e o encontrei sentado na cadeira de amamentação dando mamadeira para o nosso filho, enquanto contava-lhe vantagens sobre as suas aventuras como piloto de corrida, ou sobre os troféus que ganhara praticando o seu hobby preferido no mundo. Algumas vezes me peguei rindo ao vê-lo dormindo na cadeira com Jasper adormecido e aconchegado no seu tronco. Desde então, eles se tornaram amigos inseparáveis e eu mal tive trabalho de levá-lo para a escola, ou para o aniversário de um coleguinha. Como veem, Aiden se tornou mais do que um pai, ele também era o seu companheiro. — Joguei, papai! — Desperto quando o nosso filho grita animado, jogando a bola na sua direção. Eu penso que os traumas simplesmente não existem mais, que Aiden os superou de uma vez a

  • O Acordo   70

    AidenAlguns meses depois...— A defesa chama Lisa Carter.Atuar como autoridade e decidir a vida das pessoas como advogado tornou-se o meu legado. Portanto decidi que a minha carreira não pode girar em volta do dinheiro, até porque isso é o que não me falta no momento. Portanto, uma vez por semana ajudo famílias com problemas jurídicos que não podem pagar um bom advogado. Chamamos isso de pró-bônus e acredite é a parte que mais me satisfaz. O julgamento acontece dentro de mim, depois me permito a observar os comportamentos, o que eles falam entre si, mesmo que eu não consiga escutá-los. É um conjunto de esquemas que pode me guiar para a vitória certa.— Eu protesto, meritíssimo! — rosno mantendo a voz firme e autoritária, mas com o timbre certo.— Mantido! — O juiz determina com um bater de martelo e eu sinto a satisfação percorrer as minhas veias.Caso vencido! Penso quando propositalmente me dirijo para a corte do júri e faço o relato de uma vida sofrida e carregada de tragédias.—

  • O Acordo   69

    AidenComo é possível que o dia mais feliz da minha vida tenha se tornado o dia mais aterrorizante também? Eu tive todos os cuidados para isso nunca acontecer, mas ele está acontecendo e não tem nada que eu posso fazer. Lembrar da história que Eve me contou há alguns meses só piora a minha situação. Eu sei que não é a mesma coisa e sei que posso tentar derrubar mais essa barreira, mas o meu corpo inteiro se nega a voltar para aquele quarto e a aceitar as consequências dos meus atos. O mais surpreendente é que eu não consigo voltar ao meu passado para me lembrar o porquê de dizer não para essa gravidez. Simplesmente não ouço os mais meus gritos, não vejo a sua mão se erguendo impiedosa para me bater. Não consigo sentir aqueles dias tenebrosos. O que houve, eles se apagaram? Simplesmente ficaram esquecidos sabe Deus aonde ao longo desses meses? E se me esqueci dos piores momento da minha vida, por que estou fugindo da minha felicidade então? Respiro fundo, transtornado com toda essa con

  • O Acordo   68

    Mel— Como você está, querida? — Mamãe pergunta assim que papai me ajuda a sair de dentro do carro. Ela mexe na saia do vestido tentando ajeitá-la da melhor forma possível e antes de lhe responder, solto um suspiro alto pela boca.— Nervosa. — Resolvo ser sincera, até porque imagino que isso esteja bem a vista no meu semblante tenso. O seu sorriso se projeta bem na minha frente e eu consigo retribui-lo.— Eu me preocuparia se não estivesse. Faça o seguinte, querida. Não olhe para as pessoas, só olhe para o homem da sua vida que estará te esperando em pé naquele altar e tudo ficará mais fácil.— Ouça a sua mãe, Mel. Ela tem experiência. — Papai pede.— Tá! — É tudo que consigo dizer.— Você está tão linda, filhota! — Ela praticamente canta chorosa.— Está pronta, Senhorita Jones? — A promotora de eventos pergunta e eu faço um sim para ela. — Ótimo, houve uma mudança de última hora, mas de resto...— Mudança? Qual mudança — questiono preocupada.— O noivo não está no altar.— Como assim

  • O Acordo   67

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  • O Acordo   66

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