登入A rede de luz se expandiu pelo horizonte.Não havia mais um ponto central.Nenhuma torre dominava as outras.Nenhuma força ordenava o movimento.Os mundos estavam ligados por linhas delicadas que surgiam e desapareciam conforme decisões eram tomadas.Lyra observou em silêncio.Durante eras, tudo havia sido organizado para impedir que as possibilidades se confundissem.Agora, os próprios caminhos estavam aprendendo a reconhecer uns aos outros.Não havia uma autoridade acima de todos.Não havia uma única vontade decidindo quais realidades mereciam continuar.Havia negociação.Havia escolha.Havia consequência.Darius permaneceu ao lado dela.— Você parece preocupada.Lyra soltou o ar lentamente.— Estou.— Com o quê?— Com a quantidade de liberdade que acabamos de devolver ao mundo.Darius sorriu.— Achei que você quisesse isso.— Quero.Ela olhou para as incontáveis linhas luminosas.— Mas querer liberdade é diferente de descobrir o que acontece quando ela realmente existe.Darius segu
A última frase permaneceu suspensa diante da torre.“...vai perceber que todo este sistema nasceu dela.”Lyra ficou imóvel.A marca em seu peito ardia, mas não como antes.Não era dor.Era uma sensação estranha de reconhecimento, como se alguma parte muito antiga de sua existência estivesse tentando despertar.Darius apertou sua mão.— Não escute sozinho.Lyra olhou para ele.— Estou aqui.— Eu sei.Ela voltou os olhos para as cinco figuras.Nenhuma delas parecia humana.Seus corpos eram altos, cobertos por uma espécie de tecido escuro que mudava constantemente, como se diferentes momentos se sobrepusessem sobre eles.A quinta figura permanecia à frente.Era a que havia falado.— Você sabia que isso aconteceria — disse a outra Lyra.A figura respondeu:— Sempre soubemos.A outra Lyra apertou o bebê contra o peito.— Então por que me permitiram continuar existindo?— Porque você serve como prova.Lyra estreitou os olhos.— Prova de quê?A figura virou-se para ela.— De que uma realidad
A passagem se fechou.Lyra permaneceu diante do vazio, com a mão ainda estendida.Durante alguns segundos, ninguém falou.A última frase da outra Lyra continuava ecoando em sua mente.“Descubra se ele merece continuar.”Não havia pedido de socorro.Não havia súplica.Ela não havia pedido que Lyra salvasse sua família, seu mundo ou sua própria versão.Havia feito algo muito mais difícil.Entregara uma decisão.Lyra baixou lentamente a mão.Darius permaneceu ao seu lado.— Você não está pensando em simplesmente atravessar, está?Lyra respirou fundo.— Não.— Ótimo.Ela olhou para ele.— Está aliviado?— Um pouco.— Por quê?Darius respondeu com sinceridade:— Porque salvar alguém sem saber se essa pessoa quer ser salva seria exatamente o tipo de erro que passamos tanto tempo tentando deixar para trás.Lyra assentiu.— Mas também não podemos ignorar o que está acontecendo.— Não.Eryon ainda encarava o ponto onde a passagem havia desaparecido.— A situação é pior do que parece.Elara apr
A luz pairou acima deles durante longos minutos.Não emitia ordens.Não apontava para uma direção.Não mostrava futuro algum.Apenas permanecia.“Escolha.”Lyra continuava olhando para ela quando percebeu que algo havia mudado dentro de si.Durante tanto tempo, esperara que uma resposta aparecesse depois de cada revelação. Uma profecia, uma marca, uma voz, uma torre, qualquer coisa que pudesse indicar o próximo passo.Agora não havia nada.Somente espaço.Darius aproximou-se.— Você está bem?Lyra respirou fundo.— Estou tentando entender como continuar quando ninguém está dizendo para onde ir.Ele sorriu.— Podemos começar andando sem saber.Ela olhou para ele.— Você realmente gosta de não ter respostas.— Não.Darius ergueu uma sobrancelha.— Eu gosto de ter alguém comigo enquanto procuramos por elas.Lyra sorriu.— Isso foi uma tentativa de me tranquilizar?— Funcionou?— Um pouco.Ele estendeu a mão.Lyra entrelaçou os dedos aos dele.O gesto parecia simples.Mas agora havia algo
O silêncio que tomou o espaço pareceu mais pesado do que qualquer batalha que Lyra já enfrentara.O menino permanecia diante dela.Pequeno.Sereno.E absurdamente familiar.Seus olhos prateados lembravam os de Lyra, enquanto os cabelos escuros carregavam algo de Caedmon. A marca em seu peito, porém, não pertencia a nenhuma das forças que conheciam.Duas linhas cruzadas.Como dois caminhos que haviam se encontrado.Lyra não conseguia parar de olhar.— Meu filho?As palavras saíram quase sem voz.O homem atrás do menino sorriu.— Sim.Lyra sentiu Darius se aproximar.Não para ficar entre ela e a criança.Apenas para estar perto.Ela apertou a mão dele.— Você disse que queria conhecer sua mãe.O menino assentiu.— Disseram que você seria minha mãe.Lyra respirou fundo.— Quem disse?O garoto apontou para o homem.— Ele.Lyra voltou os olhos para aquela versão de Caedmon.O rosto era semelhante ao homem que conheciam, mas havia algo profundamente diferente nele. Não havia o peso dos sécu
Lyra não conseguiu responder.A criança permanecia no centro da ausência.Ela parecia ter a mesma idade de Noa, talvez um pouco mais jovem. Seus cabelos prateados refletiam uma luz que não vinha de lugar algum. Os olhos eram iguais aos de Lyra, mas havia algo diferente neles.Não havia curiosidade.Havia saudade.Uma saudade impossível.Como se aquela criança sentisse falta de alguém que nunca estivera ao seu lado.Darius apertou suavemente a mão de Lyra.— Não precisa se aproximar.Ela olhou para ele.— Eu sei.A criança ouviu.— Você sempre diz isso.Lyra ficou imóvel.— O quê?— Que sabe.A pequena inclinou a cabeça.— Mas nem sempre sabe.A frase atingiu Lyra.Noa observava de longe.— Ela parece triste.Elara ficou atenta.— Você consegue sentir o que ela é?Noa negou com a cabeça.— Não.Eryon fechou os olhos.Sua marca pulsou.— Eu também não consigo.Cael estava pálido.— Porque não há caminho que leve até ela.Lyra olhou para ele.— Então como pode existir?Cael respondeu:—







