FAZER LOGINTodos os Alfas rezam para a Deusa da Lua. Mas nenhum deles imaginou que sua filha caminharia entre os mortais. Movida por um amor que desafiava as leis celestiais, Lyra abandonou a imortalidade e desceu à Terra para viver ao lado de Caelan, um jovem Alfa de uma pequena alcateia. Em silêncio, usou sua bênção para protegê-lo, conduzi-lo à vitória e transformá-lo no líder mais respeitado do Norte. Ela nunca quis um trono. Só queria o homem que escolheu amar. Mas a guerra mudou tudo. Quando Caelan retornou, trouxe outra loba ao seu lado e, diante de toda a alcateia, rompeu o vínculo que os unia, rejeitando a mulher que havia sacrificado o próprio céu por ele. Humilhada e de coração despedaçado, Lyra descobre que a dor está rompendo o selo que escondia sua verdadeira natureza. Enquanto seus poderes despertam, a Lua deixa de responder às preces das alcateias, antigas forças voltam a se mover nas sombras e um segredo enterrado há séculos ameaça mudar o destino de todos os lobos. Agora, o Alfa que a abandonou fará de tudo para recuperá-la. Mas como reconquistar a filha da própria Deusa da Lua... depois de destruir o único coração que ela entregou a um mortal?
Ver maisMuito acima das nuvens, onde o céu jamais conhecia tempestades, existia um reino que nenhum mortal era capaz de alcançar.
O Reino da Lua.
Ali, o tempo não corria como na Terra.
As flores nunca murchavam.
Os lagos refletiam uma lua eterna.
As estrelas pareciam tão próximas que podiam ser tocadas com a ponta dos dedos.
Era daquele lugar que a Deusa da Lua observava todas as alcateias.
Cada nascimento.
Cada vínculo.
Cada Alfa escolhido.
Cada companheira destinada.
Nada acontecia sem que seus olhos testemunhassem.
E, ao seu lado, sempre estava sua única filha.
Lyra.
Desde que aprendera a caminhar pelos jardins celestiais, ela demonstrava uma curiosidade incomum pelos mortais.
Enquanto outras entidades se interessavam pelas estrelas ou pelos antigos espíritos da floresta, Lyra passava horas debruçada sobre o Espelho Lunar, um lago cristalino capaz de revelar qualquer lugar do mundo.
Gostava de observar os filhotes correndo entre as árvores.
As celebrações das alcateias.
As caçadas.
As festas sob a Lua Cheia.
Os casais que encontravam seus companheiros.
Tudo aquilo lhe parecia fascinante.
— Você passa tempo demais olhando para baixo.
A voz suave da Deusa da Lua ecoou pelos jardins.
Lyra desviou os olhos do espelho.
Sua mãe caminhava lentamente entre as flores prateadas.
Os longos cabelos brancos brilhavam como fios de luar, e seu vestido parecia feito da própria luz da lua.
Ela sorria.
Mas havia preocupação em seu olhar.
— Os mortais são interessantes. — Lyra respondeu.
— São passageiros.
— Justamente por isso.
A deusa aproximou-se do lago.
A superfície cristalina mostrava dezenas de alcateias espalhadas pelo continente.
— Você vê apenas os momentos felizes.
Não enxerga as guerras.
A inveja.
As traições.
O sofrimento.
Lyra tornou a olhar para o espelho.
— Mesmo assim... eles continuam amando.
A Deusa da Lua acariciou os cabelos da filha.
— Porque suas vidas são curtas.
Quem sabe que o tempo acaba valoriza cada instante.
Quem vive para sempre aprende a proteger o próprio coração.
Lyra permaneceu em silêncio.
Naquele momento, ela ainda não compreendia aquelas palavras.
Dias depois...
Ou talvez anos.
No Reino Celestial, o tempo não obedecia às mesmas regras do mundo mortal.
Lyra voltou ao Espelho Lunar.
Percorreu dezenas de territórios.
Até que um movimento chamou sua atenção.
Uma pequena alcateia cercada por montanhas.
As muralhas estavam parcialmente destruídas.
A fumaça subia de algumas casas.
Parecia ter ocorrido um ataque recente.
No centro da vila, um jovem Alfa ajudava os próprios moradores a reconstruírem as cabanas.
Ele carregava troncos de madeira sobre os ombros.
Consertava cercas.
Brincava com algumas crianças.
Depois dividia sua própria refeição com uma loba idosa.
Lyra inclinou levemente a cabeça.
Aquilo era incomum.
A maioria dos Alfas ordenava.
Aquele trabalhava ao lado do próprio povo.
Ela observou até o anoitecer.
Quando a lua surgiu, o jovem caminhou sozinho até um pequeno penhasco.
Sentou-se sobre uma pedra.
Respirou profundamente.
Seu rosto demonstrava cansaço.
Mesmo assim, continuava olhando para o céu.
— Quem é ele?
A voz escapou quase sem perceber.
Uma das sacerdotisas aproximou-se.
Olhou para o espelho.
— Ah... esse é Caelan.
— Ele é um Supremo?
— Não.
A sacerdotisa sorriu.
— Apenas um Alfa de uma pequena alcateia.
Lyra franziu a testa.
— Apenas?
— Seu território é um dos menores do Norte. Vive cercado por alcateias maiores. Dizem que dificilmente sobreviverá ao próximo inverno.
Ela tornou a olhar para o espelho.
Caelan levantou-se.
Uma criança apareceu correndo.
Mesmo exausto, ele abaixou-se para ouvi-la.
Depois sorriu.
Era um sorriso simples.
Honesto.
Sem arrogância.
Sem superioridade.
Algo aqueceu discretamente o coração de Lyra.
Os dias passaram.
Ou talvez meses.
Sempre que encontrava um momento livre, Lyra voltava ao Espelho Lunar.
Sem perceber, procurava apenas um território.
A pequena alcateia de Caelan.
Ela o via treinando os guerreiros.
Caçando ao lado deles.
Consolando famílias que haviam perdido parentes.
Dividindo o pouco alimento que possuíam durante um inverno rigoroso.
Nunca o via sentado em um trono.
Nunca usando a própria posição para humilhar alguém.
Certa tarde, uma tempestade caiu sobre a floresta.
Durante uma caçada, um filhote caiu em um rio tomado pela correnteza.
Sem pensar duas vezes, Caelan lançou-se na água.
A corrente era violenta.
As pedras rasgavam sua pele.
Ainda assim, ele segurou o menino antes que fosse levado.
Quando conseguiu alcançar a margem, caiu de joelhos, completamente esgotado.
O filhote abraçou seu pescoço, chorando.
Caelan apenas sorriu.
— Está tudo bem.
Você está seguro.
Lyra sentiu os próprios olhos marejarem.
Nunca havia visto um líder arriscar a própria vida daquela maneira.
Naquela noite, ela permaneceu muito tempo diante do espelho.
Mesmo depois que Caelan adormeceu.
Mesmo depois que todas as luzes da alcateia se apagaram.
Ela continuava olhando para ele.
— Lyra.
A voz da Deusa da Lua interrompeu seus pensamentos.
Ela rapidamente afastou as mãos do espelho.
— Mãe...
A deusa aproximou-se devagar.
Observou a imagem refletida na água.
Caelan dormia encostado em uma árvore depois de passar todo o dia trabalhando.
— Você voltou a observá-lo.
Lyra sorriu discretamente.
— Ele é diferente.
— Todos parecem diferentes quando vistos de longe.
— Não é isso.
Ela respirou fundo.
— Ele cuida das pessoas antes de cuidar de si mesmo.
Nunca mente.
Nunca abandona ninguém.
Mesmo quando perde, continua tentando.
A Deusa permaneceu alguns segundos em silêncio.
Depois perguntou:
— Há quanto tempo acompanha esse Alfa?
Lyra demorou para responder.
Nem ela sabia.
O tempo celestial confundia qualquer contagem.
— Não sei.
A deusa sorriu de forma serena.
Mas seus olhos demonstravam preocupação.
— Tome cuidado.
— Com o quê?
— Com o sentimento que está nascendo dentro de você.
Lyra sentiu o rosto aquecer.
— Não existe sentimento algum.
— Ainda não.
A resposta veio calma.
— Mas existirá.
A jovem desviou os olhos.
Tentou negar para si mesma.
Era impossível.
Ela era filha da Deusa da Lua.
Ele era apenas um mortal.
Os dois pertenciam a mundos completamente diferentes.
Mesmo assim...
Na manhã seguinte, antes mesmo de caminhar pelos jardins celestiais...
Lyra voltou ao Espelho Lunar.
Procurou apenas um rosto.
O dele.
Sem perceber, seu coração já havia escolhido um caminho que mudaria para sempre o destino dos céus... e da Terra.
A frase continuava ecoando na mente de Lyra."Principalmente em mim."Ela permaneceu parada diante do lago.A voz da mãe havia desaparecido.Mas a presença dela ainda parecia estar em todos os lugares.Nas paredes.Na água.Na luz prateada que cobria o templo.Lyra sentia uma mistura de raiva, tristeza e confusão.Durante toda a sua existência, acreditara que sua mãe era a única pessoa que jamais mentiria para ela.Agora descobria que havia segredos escondidos até mesmo dentro do amor que recebia.Darius continuava segurando sua mão.Não dizia nada.Sabia que aquele momento pertencia a Lyra.Aurelian permanecia diante do lago.As últimas correntes que prendiam seu corpo estavam desaparecendo.Edran observava tudo com preocupação.— Temos que sair daqui.Lyra olhou para ele.— Por quê?— Porque o templo não permanecerá estável depois que o selo for rompido.Aurelian soltou uma risada.— Finalmente alguém sensato.Darius puxou Lyra para perto.— Vamos.Ela não se moveu.— Não.— Lyra.—
A última corrente se rompeu.O som ecoou pelo templo.Lyra sentiu o chão desaparecer sob seus pés.Darius segurou sua mão com força.— Não solte.Ela não respondeu.Seus olhos estavam presos na figura que emergia lentamente do lago.Aurelian.Durante séculos, aquele homem havia permanecido escondido entre os mundos.Agora estava diante deles.Livre apenas pela metade.As correntes que ainda permaneciam presas ao corpo dele brilhavam como serpentes de luz.Aldren observava tudo com um sorriso.— Finalmente.Aurelian levantou os olhos.— Você demorou.Aldren franziu a testa.— Eu fiz exatamente o que você pediu.— Não.Aurelian olhou para Lyra.— Fez o que achou que eu pedi.Darius ficou atento.— Vocês não estão trabalhando juntos?Aurelian sorriu.— Aldren acredita que controla a Aliança.— E não controla?— Não.Aldren apertou os punhos.— Cuidado.Aurelian riu.— Você ainda é tão previsível.Lyra deu um passo à frente.— Então por que permitiu que ele viesse até aqui?Aurelian a enc
Lyra permaneceu diante do lago.A imagem de Selene havia desaparecido, mas suas palavras continuavam vivas em sua mente."Pergunte à sua mãe quem era o verdadeiro companheiro de Magnus Veyr."Ela repetia a frase em silêncio.Uma vez.Outra.E outra.Até que percebeu algo.Edran não havia demonstrado surpresa.Ele já conhecia aquela resposta.Lyra virou-se lentamente.— Você sabia.O ancião baixou os olhos.— Sabia o quê?— Que Magnus não foi o verdadeiro responsável pela criação da Aliança.Edran permaneceu em silêncio.Darius deu um passo à frente.— Responda.— Eu não posso.Lyra sentiu a irritação crescer.— Todos dizem que eu sou a filha da Lua. Todos falam sobre meu poder. Sobre meu destino. Sobre o perigo que represento.Ela apontou para o lago.— Mas ninguém me conta a verdade.Edran respirou fundo.— Algumas verdades não podem ser contadas sem consequências.— Então eu vou descobrir sozinha.Lyra caminhou até ele.— Quem era o verdadeiro companheiro de Magnus Veyr?O rosto do
A barreira surgiu como um relâmpago silencioso.Não houve explosão.Não houve fogo.Apenas luz.Uma luz prateada que nasceu das mãos de Lyra e se espalhou pelo chão de Silverpine, formando um círculo gigantesco ao redor das tropas da Aliança de Ferro.Os guerreiros tentaram atravessar.O resultado foi imediato.Cada um que tocava a barreira era arremessado para trás.Aldren permaneceu parado.Seu rosto havia perdido toda a arrogância.— O que você fez?Lyra respirava com dificuldade.— Eu disse que você cometeu um erro.— Isso não estava na profecia.— Você não conhece a profecia inteira.Aldren olhou para o altar destruído.— Não.Ele apertou os punhos.— Conheço o suficiente.— Esse é o problema.A energia ao redor de Lyra aumentou.Darius percebeu algo.Ela estava tremendo.— Lyra.Ela não respondeu.— Lyra, pare.Aldren sorriu novamente.— Ela não consegue.Darius virou-se.— Cale a boca.— Olhe para ela.Darius olhou.A energia lunar estava ficando mais intensa.Os cabelos de Lyr


















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