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Capitulo 6 – A Decisão de Ária

Autor: ynnanerak
last update Fecha de publicación: 2025-12-02 19:00:12

Ária levou Rubi para o portão da escola, com a menina agarrada à sua mão, o corpo tenso e o medo estampado nos olhos cinzentos.

Ária podia sentir a fina camada de suor na palma da criança, uma prova silenciosa do terror que Rubi sentia ao se aproximar daquele lugar.

O que se seguiu foi rápido e cruel.

Um menino loiro e gordinho, correndo com a arrogância de quem sabe ser intocável, empurrou Rubi com força deliberada.

Ária a segurou antes que caísse.

— Olhe por onde anda, seu idiota! - Rubi gritou, a raiva sua única defesa contra a humilhação.

— Foi ela quem se meteu na frente, Igor. O que você esperava de uma órfã de mãe?

Uma mulher loira e exageradamente maquiada, envolta em um casaco de pele caro, surgiu como um predador.

Era a mãe do menino, uma das pessoas mais influentes da cidade.

Ela sorriu com prazer ao ver Rubi encolher-se.

— Sua pirralha mal-educada! Onde está sua mãe para lhe ensinar boas maneiras? Ah, é, você não tem! Ninguém nunca fica com você por muito tempo, não é? Está sozinha!

A crueldade da frase atingiu Ária como um chicote.

As palavras de escárnio sobre a ausência de mãe de Rubi desencadearam memórias ardentes e dolorosas da própria infância e da morte da mãe de Ária.

A ferida do passado de Ária, e a vergonha inconfessável, colidiu com o terror presente de Rubi.

— Não se atreva a falar assim com a minha... com Rubi.

Ária interveio com a voz baixa, mas gelada.

— Você não tem o direito de humilhar uma criança, nem de tocar em um assunto tão pessoal.

A mulher rica avaliou Ária da cabeça aos pés com desdém evidente.

— E quem é você, a nova babá? Deve ser mais uma caçadora de fortunas, como as outras! Não se meta, sua brasileirinha barata!

A fúria de Ária atingiu o pico, e o sangue lhe subiu à cabeça em um turbilhão protetor.

— Eu não sou uma caçadora, e ela não está sozinha!

Ária deu um passo à frente, cobrindo Rubi com o próprio corpo, encarando a loira com ódio.

Seus olhos castanhos esverdeados brilhavam com uma ameaça visceral.

Neste momento, a professora se aproximou, uma mulher de meia-idade com óculos, e ela olhou para a mãe influente, depois para a cena tensa.

— Sra. Silva. Não cause problemas no primeiro dia. Igor, peça desculpas à sua mãe. Rubi, não seja teimosa. Você sabe que é melhor evitar confrontos.

A injustiça era gritante, como um soco na boca do estômago.

Até a professora havia cedido à influência e ao dinheiro, sacrificando a verdade e a dignidade de Rubi no altar da conveniência social.

Ária, irada pela situação e pelo tratamento covarde e injusto dado à criança, tomou uma decisão insana, uma que violava diretamente as regras de Yulian.

— Chega! Isso acabou! — Sua voz era um rugido baixo.

Ela agarrou a mão de Rubi e se virou para o motorista, que observava a cena com a resignação de quem via o espetáculo se repetir.

— Para o parque de diversões! Agora!

O motorista hesitou, olhando para a porta da escola e depois para o rosto decidido, quase selvagem, de Ária.

Ele sabia que estava desobedecendo a uma ordem direta do Gospodin, uma ofensa punível, mas a aura de fúria que Ária irradiava o fez ceder.

— Sim, senhora.

O carro preto cantou os pneus ao se afastar da calçada, deixando a escola e a mãe influente em um estado de choque.

No banco de trás, Rubi soltou uma risada pura e alta que ecoou pela cabine.

Pela primeira vez em muito tempo, Rubi riu.

O carro parou em frente a um grande parque de diversões.

Um universo de cores vibrantes e música alta que parecia uma ofensa direta à tudo na mansão Volkov.

O motorista desligou o motor e Rubi saiu do carro primeiro, com os olhos arregalados pela excitação.

Ela correu alguns passos em direção à entrada, mas, de repente, hesitou, parando sob um arco colorido.

Ela se virou para Ária, a alegria nublada por uma sombra de culpa e pelas lembranças das regras de seu pai.

— O Papai... — A palavra ficou presa em sua garganta.

Ária se ajoelhou na calçada, ficando na altura da menina e tocou o braço de Rubi com gentileza.

— O Papai está em seu trabalho, Rubi. E você... você é uma criança. Crianças merecem gritar, correr, pular, comer doces e ganhar brinquedos ridículos. Por uma tarde, os valentões não existem. Você merece se divertir e esfriar a cabeça, enquanto acalma o seu coração.

A determinação na voz de Ária era um bálsamo e Rubi cedeu.

Logo as duas estavam imersas no burburinho.

Elas foram ao carrossel, e Ária olhou para Rubi, cuja expressão estava mais relaxada do que ela jamais vira.

— Eles te chamaram de órfã de mãe, não foi? — Ária perguntou, mantendo o tom casual.

Rubi balançou a cabeça, o cabelo ruivo voando.

— Eles sempre chamam. E dizem que meu casaco preto é feio. Ninguém quer brincar com quem vive de luto.

— O preto é a cor mais elegante do mundo, ela combina com absolutamente tudo. E sobre a sua mãe... eles estão errados. Sua mãe está sempre com você. Ela está em cada lembrança do seu pai e está dentro de você. Eles não têm o direito de te machucar por isso, nunca. Então, nunca mais permita que te tratem assim de novo.

O carrossel parou e Ária ajudou Rubi a descer, a levando para o estande de tiro.

Enquanto Ária atirava bolas de argila com uma precisão surpreendente, da época que ajudava Hanna a se preparar para as gincanas escolares, Rubi segurava o braço dela admirada.

— Meu Papai não vai gostar que a gente veio aqui — Rubi sussurrou. — Ele disse que a escola é importante.

Ária sorriu para Rubi, mas por dentro, seu estômago se revirava de medo.

Yulian a mandaria embora, ou pior.

“- Hanna” - pensou Ária, enquanto mirava o próximo alvo. “- Me perdoe. Sei que isso é imprudente, mas não pude deixar que machucassem a filha dele. Eu vou resolver isso de outra forma. E vou protegê-las.”

Ária acertou o alvo no centro, ganhando de prêmio um pinguim de pelúcia gigante, que entregou a Rubi.

— Escute. Eu sou a adulta e eu decidi vir para cá. A responsabilidade é toda minha. Você apenas teve uma tarde de criança. Escola é importante, sim. Mas você precisa arejar para poder aprender. Então, aproveite o seu pelúcia e o resto das suas horas de diversão. E deixa que eu arco com as consequências.

Ária prometeu, formando um elo entre as duas.

E pela primeira vez, Rubi sentiu que alguém estava genuinamente do seu lado.

A tarde no parque de diversões, havia sido o alívio que Ária e Rubi precisavam, mas a bolha em que estavam estourou, no momento em que a comitiva de carros pretos invadiu o estacionamento do parque.

Os seguranças se espalharam pelo local com precisão, antes de Yulian Volkov surgir imponente de um dos carros.

Seu rosto era de puro gelo, esculpido em mármore, desprovido de qualquer emoção, exceto sua fúria contida.

Não houve palavras, ele simplesmente caminhou até elas, pegou Rubi desastradamente como de costume.

A menina se aninhou a ele, ainda rindo e segurando seu novo amigo pinguim.

Ele não olhou para Ária, mas ela o seguiu, temerosa e com o estômago revirado pela vergonha e antecipação, até a mansão.

O silêncio da viagem de volta era mais ensurdecedor do que qualquer grito na cabeça de Ária.

— Leve-a ao quarto e não a deixe sair.

Ramon pegou e levou Rubi, que ainda tentava se explicar, culpada e apavorada pelo silêncio assustador do pai.

Assim que ficaram a sós, Yulian se virou para Ária, revelando o predador que era.

— Você é inconsequente, Srta. Silva! Inconsequente e irresponsável! Minha filha tinha que estar na escola e não se empanturrando de açúcar em um lugar público, desprotegido! Você sabe quem somos! Você quebrou as regras e a colocou em perigo com a sua burrice! Eu a proibi que saísse sem minha permissão!

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