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Capitulo 5 – O segredo escondido de Rubi.

Autor: ynnanerak
last update Fecha de publicación: 2025-12-01 21:58:35

Foi um inferno por três dias.

Rubi se recusava a sair da cama, atirava brinquedos, sapatos e gritava que não gostava de Ária, e quando era obrigada a se levantar, berrava em russo.

Ária tentava manter a calma, mas sua frustração só crescia.

O uniforme preto, a vigilância de Ramon, o silêncio opressor daquela casa, Hanna aprisionada... tudo conspirava para que ela quebrasse.

Temendo perder o emprego e condenar Hanna, Ária cedia, atrasando a ida à escola, tentando convencer a menina a pelo menos comer algo no café da manhã que não fosse apenas chantilly.

Na terceira noite, enquanto Ária estava sozinha e exausta em seu quarto, seu celular tocou com um número desconhecido.

— Olá, anjinho. Como está o seu progresso?

A voz do homem que mantinha Hanna, era fria e zombeteira.

Ária congelou.

— O que você quer?

— Quero saber por que a minha pequena informante ainda não me deu nada. Você ainda está brincando de casinha?

Ária sentiu o sangue ferver de irritação.

Ela estava ali, humilhada e assustada, lutando contra uma criança mimada, e esse homem ainda ousava zombar dela.

— Eu estou trabalhando. É difícil, mas eu não vou falhar.

— Espero que não. Porque se você me fizer perder tempo, eu prometo a você, Ária, que eu vou garantir que cada um dos ossos dela grite o seu nome.

A ligação caiu e Ária estava tremendo, de raiva.

Ela não podia mais ceder às birras de Rubi.

Na manhã seguinte, Ária abordou Rubi com uma nova determinação.

— Acorda, Rubi. Agora.

— Não quelo. Não vou para aquela escola idiota.

Rubi jogou um ursinho na direção de Ária, que o pegou no ar.

— Escute bem, Rubi. Eu não ligo se você não quer. Eu não ligo se você odeia babás. Se você me odeia. Ou se você odeia o seu pai. Você vai levantar, vai se vestir e vai para a escola, agora.

Rubi arregalou os olhos.

Nenhuma babá jamais havia ousado falar com ela daquela forma.

— Voxê não pode manda em mim! Meu papai... meu papai é o seu chefe!

— Seu papai é meu chefe, e ele me paga para cuidar de você. Então como a sua babá, você vai ir e ponto final.

A determinação inabalável na voz de Ária surpreendeu Rubi, que tentou resistir, mas a brasileira a driblou habilmente.

— Você... — Rubi sibilou, com um suspiro de derrota, e se levantou, começando a se vestir.

Aria sorriu e a elogiou, gentilmente.

-Muito bem! A espero lá fora.

Ao sair do quarto, Ramon estava à observando.

Seus lábios, que geralmente estavam em linha reta, curvaram-se minimamente, numa aprovação, rápida e silenciosa.

Ela havia vencido a primeira batalha, mas o café da manhã prometia ser a verdadeira batalha.

Na sala de jantar, Rubi estava sentada, com os braços cruzados sobre o peito, encarando o prato de mingau de aveia com nojo.

Ramon, estava parado no canto, como uma estátua, testemunhando cada movimento delas.

— Você precisa comer, Rubi. — Ária disse, calma.

— Não vou. É nojento.

— Você não vai sair desta cadeira até que o prato esteja vazio. Não vamos brincar disso hoje.

Rubi pegou a colher e a arremessou na direção do prato, fazendo o mingau espirrar.

— Voxê não pode me obrigar! Vou dizer ao Papai que voxê é uma bruxa má!

Ária ignorou o insulto e a ameaça e a corrigiu, pegando o prato e o empurrando para mais perto de Rubi.

 Um sorriso lento e incrivelmente calmo se instalou em seus lábios.

Ela usou a mesma tática morde e assopra que havia usado com sucesso para impor limites a Hanna nos piores momentos de sua infância.

Ela baixou a voz para um sussurro, garantindo que apenas Rubi e o atento Ramon pudessem ouvir.

— Escute bem o que eu vou te dizer, Rubi Volkov. Eu não estou aqui para brincar. Você vai me obedecer porque eu sei o que é melhor para você. Eu não ligo se você é a filha do papa, ou do chefe da Máfia. Mas eu desconfio que haja um motivo real por trás dessa sua birra e é por isso que você vai me obedecer.

Ária pegou a colher com firmeza e olhou nos olhos cinzentos e assustados da criança.

— Você vai comer tudo o que está neste prato. E se você ousar cuspir, jogar fora, ou não obedecer...

Seu sorriso permaneceu inabalável.

— Eu juro que vou enfiar cada colherada deste mingau pelo seu nariz. E não vai ser gentil e nem gostoso.

O choque tomou o rostinho de Rubi que empalideceu ao ver o sorriso assustador de sua nova babá.

Ela percebeu que a ameaça, embora absurda, poderia acontecer e que sua baba era tão assustadora quanto seu pai, ela comeu.

E quando o prato estava completamente vazio, Ária se inclinou e acariciou o rostinho, limpando-a de resíduos.

— Muito bem, Rubi. Viu como você consegue quando tenta? Eu sabia que você era forte e que iria gostar do mingau.

O sorriso desta vez era genuíno, suave e gentil.

Depois disso, Ária acompanhou Rubi para a escola.

O motorista, um brutamontes silencioso, conduziu o carro blindado até o portão da escola.

— Pronto, Rubi. Chegamos. — Ária abriu a porta para a criança.

Rubi, no entanto, agarrou-se ao assento com uma força surpreendente.

— Não vou sair. Não quero.

— Por quê? Me falaram que você adora o jardim de infância. Por que está fazendo isso?

— Não é da sua conta! — A menina gritou tremula.

Ária suspirou, lembrando-se de que a verdade só viria com paciência e se virou para Rubi, sem raiva.

— Olhe para mim, Rubi. Eu sei que você não gosta de mim. Mas eu estou aqui para te proteger. Se você me disser por que tem tanto medo de sair do carro, eu prometo que vou te ouvir. Se você me contar a verdade, eu te dou uma chance de me fazer ir embora.

Rubi hesitou, os olhos cinzentos vacilando entre a esperança e a desconfiança.

— Eles... eles me odeiam.

— Quem te odeia, meu amor?

— As crianças.

A voz de Rubi era um sussurro doloroso.

— Eles me chamam de esquisita, porque eu só uso preto. Eles dizem que eu não tenho mãe. E também dizem que meu papai é um monstro.

O coração de Ária se apertou.

“-Pobre criança.”

— E as outras babás? Por que você as odeia tanto? Por que faz traquinagens para expulsá-las?

A menina se encolheu, lágrimas espreitando no fundo dos olhinhos.

— Elas... todas, elas só queriam o Papai. Elas me machucavam, me puxavam o cabelo, me mandavam calar a boca para irem atrás dele. Elas diziam que eu era um fardo. E uma delas até chegou a me queimar com cigarro.

-Por que vocês só usam preto?

-Papai falou que é regra da família. Que é assim a gerações.

Ária sentiu uma onda de compreensão.

As regras de Yulian faziam sentido.

Ele só estava tentando proteger a filha dos predadores que se aproximavam dele.

Ela entendia a desconfiança dele agora, e a razão de até mesmo Rubi só usar preto.

— Mas seus coleguinhas sabem quem é seu pai?

Rubi piscou.

— Eles não sabem. O Papai sempre diz que não é para contar que ele é o Papai. E com o que ele trabalha. Por que nem todo mundo vai entender.

Ária notou o quão bem Yulian havia conseguido manter seus segredos e seu mundo longe de sua filha.

Ninguém sabia que ela era a filha do chefe da Máfia Russa.

— E quanto ao preto, Rubi... é uma cor linda e básica, combina com tudo. Nós podemos mudar isso se você quiser. Mas hoje, você vai precisar encarar eles e eu vou com você. E se algo acontecer, eu vou te defender. Você me deixa te defender?

Rubi balançou a cabeça, com uma nova esperança.

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