FAZER LOGINEpílogo(Alguns anos depois...)O tempo passou. Não voou, nem correu... apenas seguiu seu curso. Leve, sereno, como quem sabe que o que é sólido permanece mesmo quando as estações mudam. E o que ficou foi amor. Uma história que começou com dúvidas, cicatrizes e recomeços... e que floresceu.Ana Kelly caminha pelo quintal da nova casa dos Carter com uma xícara de café na mão. Os cabelos soltos dançam com o vento da tarde. No colo, a pequena Lara, sua segunda filha com Anthony, dorme serena. TomTom corre atrás de uma borboleta, com Antonela gritando atrás: "Cuidado com o jardim da vovó!". Sim, agora Ana Kelly é oficialmente nora e filha da Luísa Carter, que senta na varanda ao lado do marido, Arthur, com um sorriso que só o tempo sabe explicar.Anthony sai da casa rindo com Álvaro, agora com 15 anos, quase da altura do pai. Já não há mais estranhamento nos olhos do menino. Ele sorri fácil, abraça com força, chama Ana de tia, e quando ninguém vê, a chama de mãe do coração. Ele encontrou
Anthony narrandoA festa tava acontecendo diante dos meus olhos, mas parecia um sonho. Um daqueles que a gente tem medo de acordar e descobrir que não era real. Mas era. Eu tava ali. Casado. Com a mulher que eu lutei, que me salvou, que me ensinou o que é amor de verdade. Ana Kelly agora era minha esposa. Minha mulher. Meu lar.As luzes do salão refletiam nos olhos dela enquanto dançava com a TomTom no colo. Nossa filha. Nossa razão. A pequena olhava pra mim e esticava a mãozinha, chamando. Me levantei devagar, o peito cheio, o coração transbordando. Caminhei até elas e segurei as duas com um braço só.— Vocês são meu mundo — sussurrei.Ana sorriu, com aquele olhar que me desmonta desde o primeiro dia. O DJ trocou a música, e a galera já tava animada. As crianças corriam entre as mesas, o Álvaro ria com o Enzo, e até o Vitor, que sempre foi mais sério, tava com a Marcela dançando um forrozinho. O Estevão passou com a Karen, os dois com sorrisos largos. A Jéssica veio me abraçar e diss
Ana Kelly narrando O meu dia… foi simplesmente inesquecível. Acordei cedo, com o coração disparado no peito, mas logo fui cercada por pessoas que amo. Passei o dia inteiro ao lado da Luísa, que pra mim é mais do que sogra — é mãe. A mulher que me acolheu desde o primeiro dia, que enxergou em mim muito além do que eu mesma via. Foi ela quem segurou minha mão em tantos momentos… e hoje não seria diferente. Karen, minha melhor amiga, minha irmã de alma, tava comigo também. Sempre risonha, sempre prática, sempre me equilibrando. Ela foi quem me lembrou de respirar fundo quando as mãos começaram a suar. E junto com ela, estavam Jéssica e Marcela. As irmãs que a vida me deu, que a caminhada trouxe. Cada uma com sua história, com sua força, mas todas com o mesmo carinho por mim. Tivemos um dia de princesa. Spa, massagem, maquiagem, cabelo… risadas e lembranças. Tiramos fotos, brindamos com espumante, e em cada olhar delas eu via orgulho e amor. Foi leve. Foi mágico. E agora, enqua
Anthony narrandoAinda não caiu a ficha.Parece que foi ontem que eu conheci a Ana Kelly naquele bar. Que ela me olhou com aquele jeito de quem não acreditava muito em mim — e com razão. Eu também não me reconhecia mais naquela época. Mas hoje… hoje eu tô aqui, de terno alinhado, cercado pelos meus amigos, meu pai ao meu lado, e o coração batendo como se eu tivesse vinte anos e fosse pedir ela em namoro pela primeira vez.Mas não. Hoje é mais que isso.Hoje eu vou casar com a mulher que mudou minha vida.— Tá nervoso, irmão? — Vitor perguntou, rindo, ajustando a gravata no espelho.— Um pouco. — Sorri de canto, olhando meu reflexo. — Mas é um nervoso bom, sabe? Aquela ansiedade de saber que tô fazendo a melhor escolha da minha vida.Meu pai, Arthur Carter, me olhou com aquele semblante calmo e firme que sempre teve.— E está mesmo, filho. A Ana Kelly é uma mulher admirável. E eu tô muito feliz por ver você viver isso. Você merecia esse recomeço.Assenti, sentindo o peito apertar. Eu o
Ana Kelly narrandoNove meses. Parece que foi ontem que estávamos naquela ligação de vídeo, comemorando as notícias das gestações da Jéssica e da Marcela, e agora… agora tudo estava prestes a mudar de novo. Eu ainda tava de roupão, ajeitando o cabelo na frente do espelho, quando o telefone tocou. Era a Karen, a voz animada e ansiosa do outro lado da linha:— Amiga! A Marcela tá indo pro hospital! E a Jéssica também! As duas! Tá acontecendo!Dei um pulo.— Como assim as duas ao mesmo tempo? — perguntei rindo, já abrindo o armário pra me trocar. — Tu tá de sacanagem, né?— Tô falando sério! A Marcela tá indo pro São Pedro e a Jéssica pro mesmo hospital, porque o médico das duas tá lá hoje. Vem logo!Desliguei rindo e corri pro quarto.— Anthony! Amor! Levanta! Nasceram! Quer dizer, vão nascer! A Vitória e o Marcos! Hoje!Ele saiu do banheiro com a toalha na cintura, o rosto surpreso e cheio de sono.— Como assim hoje?! As duas?— As duas! Já tô me trocando. Deixa eu só arrumar a bolsa d
Sr. Carter narrandoAcordei mais cedo do que o normal naquele sábado. Talvez fosse a ansiedade, talvez fosse a sensação estranha — e ao mesmo tempo bonita — de estar celebrando o aniversário de um filho que eu só descobri há poucos meses. Onze anos. O garoto tinha onze anos. E hoje a casa tava em festa.Desci as escadas devagar, e já dava pra sentir o cheiro de bolo, salgadinho frito e risada de criança. A Antonela corria de um lado pro outro com um apito pendurado no pescoço, achando que era árbitra. A Ana Kelly organizava as bexigas com a Karen, enquanto a Luísa dava os toques finais na mesa do bolo, toda decorada com bolas, traves e os escudos dos principais times.O tema da festa era futebol. E não poderia ser outro. O Álvaro era apaixonado por bola. Perguntaram se ele queria super-herói, videogame, personagens… ele respondeu direto: “Quero futebol, porque quero correr, suar, brincar com todo mundo”.— Ele puxou o senhor — a Ana Kelly disse mais cedo, quando o viu vestindo a cami







