FAZER LOGINAmetista Davis
Fui recebida por uma mulher de semblante firme, cabelos perfeitamente alinhados em um coque e uma postura educada, mas implacável. Sem rodeios, ela me explicou que eu participaria de uma reunião de diretoria imediatamente; somente após o término do briefing é que eu descobriria para qual executivo trabalharia como secretária executiva. Meu coração deu um salto, mas engoli em seco e assenti. Ao entrar na sala de conselho, o ar-condicionado parecia ainda mais gélido. Na cabeceira da imensa mesa de vidro lapidado, estava o presidente da empresa, o senhor Albert Franklin. Um homem de pouco mais de sessenta anos, cuja postura rígida e terno sob medida exalavam um respeito quase monárquico. Eu o cumprimentei com a voz ligeiramente trêmula, e ele me respondeu com uma polidez mecânica, distante. Logo ao lado, estava outro executivo, apresentado como Gary Franklin. Ele era inegavelmente bonito, aparentando uns trinta e cinco anos, vestido com uma elegância impecável, mas havia algo em seu sorriso... uma expressão velada, quase maquiavélica, que me fez manter a guarda alta. Aos poucos, a fauna de diretores e investidores foi ocupando as cadeiras de couro. Os minutos passavam, mas a reunião não começava. O motivo? Faltava o futuro sucessor do império, o filho do presidente: um tal de Jay Franklin. Aproveitando aquele hiato de expectativa, decidi abrir discretamente a minha bolsa sobre o colo. Precisava conferir meus pertences. Se algo tivesse caído naquele maldito corredor, eu ainda teria tempo de inventar uma desculpa e voltar para buscar. Meus dedos tatearam o interior do couro sintético às pressas. Carteira, documentos, chaves, batom... Nada. Senti o sangue fugir do meu rosto, e meu coração errar uma batida cinematográfica. O controle remoto fosco daquela calcinha vibratória infernal não estava ali. Revirei os compartimentos, o pânico arranhando minha garganta. Sumiu. Tentei respirar fundo, me convencendo de que o aparelho estava desligado, seguro e que eu o procuraria assim que a reunião acabasse. Não havia motivo para desespero. Foi quando a porta pesada da sala se abriu, e o tempo simplesmente parou. Jay Franklin havia chegado. Eu não sabia se desfazia o movimento de me levantar ou se simplesmente congelava na cadeira, fundindo-me ao couro. Ele era alto, de uma altivez magnética, cabelos escuros desalinhados na medida exata do charme e os olhos azuis mais cortantes e impressionantes que eu já vira na vida. A boca, perfeitamente desenhada, parecia esculpida para uma campanha de perfume de luxo. No segundo em que seus olhos varreram a sala, senti um soco térmico no baixo ventre. Uma reação física, imediata e avassaladora diante de tanta beleza crua que me deixou profundamente desconfortável. Por que meu corpo estava se entusiasmando tanto com um completo estranho? Ele era um bilionário herdeiro, e eu, uma garota desajeitada do interior tentando sobreviver em Los Angeles. Restava-me apenas recolher minha insignificância e admirá-lo em um silêncio torturante. Finalmente, os relatórios começaram. Para a minha total surpresa, o assunto me fisgou de imediato. Tudo o que eu havia devorado nos livros do cursinho técnico de administração estava ganhando vida bem diante dos meus olhos. Fluxogramas de processos, estratégias de posicionamento de mercado, gestão de recursos, planejamentos de logística macroeconômica... Era fascinante. A administração possuía uma lógica cirúrgica, uma engenharia milimétrica aplicada ao caos do mercado, e ver aquela teoria se transformando em prática me encantava. Era exatamente ali que eu queria construir meu futuro. Quem sabe, se eu me esforçasse, eles não veriam o meu valor? Mas, enquanto eu devorava cada palavra, o herdeiro parecia habitar outro planeta. Jay Franklin estava completamente deslocado. O homem que mais deveria estar interessado no destino daquela empresa parecia afogado em um tédio mortal, girando uma caneta entre os dedos longos, distante. Eu o observava discretamente, intrigada com aquela contradição, quando o meu mundo desabou. Sem qualquer aviso, um choque elétrico e violento atingiu o meu ponto mais íntimo. A calcinha de renda ganhou vida, vibrando na intensidade máxima. O bulbo de silicone pressionou-se contra a minha carne com uma força tão brutal e repentina que perdi completamente o domínio sobre os meus reflexos. O prazer agudo, úmido e avassalador subiu pela minha espinha como fogo. — Oh, meu Deus...! O grito, que na verdade foi um gemido sôfrego e rouco, escapou dos meus lábios antes que eu pudesse morder a língua. O silêncio na sala foi instantâneo e mortal. Todos os pares de olhos se cravaram em mim. O diretor de finanças parou a apresentação no ato. — Perdão. Está tudo bem, senhorita? — a mulher do RH perguntou, franzindo o cenho. Tentei responder, mas minha garganta travou, a mente em completo curto-circuito enquanto a vibração continuava a me castigar por baixo da saia. — Pois não parece que está tudo bem — Cameron, a secretária ao lado, destilou seu veneno, me medindo de cima a baixo. Foi nesse momento de humilhação pura que meus olhos encontraram os de Jay Franklin. E o meu sangue congelou. No canto daquela boca perfeita, desenhava-se um sorriso discreto, canalha e repleto de uma diversão provocadora. Seus olhos azuis faiscavam de malícia. Ele segurava algo sob a mesa. Ele havia encontrado o controle. E estava me controlando como uma marionete erótica bem no meio da reunião do pai. — Eu... eu preciso ir ao banheiro — gaguejei, minhas coxas se pressionando uma contra a outra em uma tentativa desesperada de conter o tremor do meu corpo. Minha voz saiu estranha, arrastada, quase um ganido de puro êxtase contido. A situação ficou insustentável. O senhor Albert suspirou de forma pesada, massageando as têmporas, a paciência evaporada. — Quem contratou essa moça? — perguntou ele, a voz fria como gelo. Meu rosto queimou tanto que achei que fosse sangrar de vergonha. — Senhor, por favor... é uma emergência... — supliquei, sentindo as lágrimas de humilhação ameaçarem meus olhos. — Então vá. Vá ao banheiro ou para onde quiser. Só não volte para interromper a reunião e, de preferência, não volte à empresa. Aquelas palavras foram um soco direto no meu estômago. Eu estava sendo demitida antes mesmo de ser contratada. Minha grande chance em Los Angeles desintegrara-se em segundos, e eu sequer podia me defender. Saí praticamente correndo da sala, as pernas bambas, os dentes cravados no lábio inferior enquanto a calcinha maldita continuava a pulsar contra a minha intimidade a cada passo no corredor. Encontrei a placa do banheiro feminino e me joguei para dentro, trancando a porta principal. Apoiei as mãos trêmulas na pia de mármore e joguei água gelada no rosto, tentando aplacar o incêndio que corria pelas minhas veias. Eu queria chorar, sumir do mapa, morrer. Entrei correndo em uma das cabines e, com movimentos frenéticos, me livrei daquela maldita peça de renda e silicone, jogando-a no fundo da lixeira. Quando saí de volta para a área dos lavatórios, secando o rosto com papel, meu coração saltou pela boca. Jay Franklin estava escorado contra a parede, de braços cruzados, a jaqueta do paletó levemente aberta. Ele estava no banheiro feminino. E me esperava com a paciência de um predador. Tentei manter o restante de dignidade que me sobrava, cruzando os braços sobre o peito para disfarçar o quanto a presença física dele — aquele perfume amadeirado caro e a proximidade perigosa — me perturbava. — Você sabe que está no banheiro feminino, não sabe? — disparei, tentando soar firme, mas minha voz ainda oscilava. — Claro que sei — respondeu ele, com um tom de deboche que fez meu estômago revirar. — E você sabe que não deveria usar certos... produtos durante uma reunião executiva? — Ele arqueou uma das sobrancelhas escuras, dando um passo lento em minha direção. Um sorriso preguiçoso e perigosamente sensual brotou em seus lábios. — Esse tipo de brinquedo costuma funcionar muito melhor em casa... Ele deu mais um passo, reduzindo a distância entre nós a quase nada. Pude sentir o calor que emanava do corpo dele. — Ou, dependendo da companhia... — Seus olhos desceram para a minha boca, intensos, cheios de uma promessa explícita. — ...a dois. Minhas costas bateram contra a pia de mármore. O ar sumiu completamente dos meus pulmões.Ametista DavisO sol de verão brilhava majestoso sobre as colinas de Hidden Hills, iluminando o gramado verde onde a nossa vida se consolidara como um monumento à esperança.Dois anos haviam se passado desde que chegamos a Los Angeles. Dois anos de uma felicidade serena e inabalável.A propriedade estava em festa para comemorar o aniversário de dois anos de Aurora. Balões coloridos decoravam os galhos da grande figueira, e uma mesa repleta de doces e um bolo artesanal preparado por minha mãe enfeitava o centro do pátio.Paul e April haviam chegado cedo de Santa Bárbara, trazendo presentes e o carinho incondicional dos padrinhos dedicados que sempre foram. Cameron Sterling tirara o final de semana de folga da presidência da Maçã Vermelha para estar conosco, demonstrando que a amizade criada nas tempestades do passado permanecia mais forte do que nunca.Aurora corria alegremente pela grama, seguida de perto pelo nosso Golden Retriever, soltando gargalhadas gostosas que preenchiam t
Ametista DavisO outono chegou a Hidden Hills pintando as folhas dos carvalhos e das videiras de tons dourados e acobreados. O ar tornara-se mais fresco e agradável, convidando-nos a longos passeios pelo vale ao final da tarde.O meu atelier de pintura, instalado no antigo celeiro de madeira rústica totalmente reformado por Jay, cheirava a óleo de linhaça, tintas e madeira nova. As grandes janelas orientadas para o sul ofereciam uma vista panorâmica das colinas que me serviam de inspiração constante.Eu estava parada diante de uma grande tela em branco sobre o cavalete principal. Segurava a paleta de cores e o pincel, mas meus olhos estavam fixos na paisagem lá fora.Aurora, agora com quase um ano de idade, brincava no chão coberto por um tapete felpudo de lã, empilhando cubos de madeira colorida sob o olhar atento do nosso cão da raça Golden Retriever, que Jay adotara em um abrigo local.A porta do atelier abriu-se suavemente e Jay entrou carregando uma cesta de piquenique e uma
Cameron SterlingA sede da Maçã Vermelha em São Francisco passara por uma transformação profunda nos últimos seis meses. As paredes de vidro frio e o design minimalista austero deram lugar a espaços abertos de convivência, plantas ornamentais e um ambiente de trabalho focado na criatividade humanizada e na responsabilidade social.Eu estava parado no centro do laboratório de inovação, observando a equipe de jovens engenheiros e designers testarem o novo protótipo de acessibilidade digital criado pela nossa divisão.A Maçã Vermelha deixara de ser uma arma de especulação financeira nas mãos do conselho corporativo para se tornar uma referência internacional de tecnologia voltada para o bem-estar humano — exatamente como Jay sonhara em seus primeiros anos de carreira.A porta do laboratório abriu-se e Paul Montgomery entrou carregando uma pasta de couro e um sorriso tranquilo no rosto.— Como estão os testes da nova interface, Cameron? — perguntou Paul, aproximando-se da bancada pri
Helena DavisA tranquilidade das manhãs em Hidden Hills trouxera para mim uma velhice que eu jamais julguei merecer. O som do trator leve que o caseiro usava nas hortas distantes e o cantar dos galos na vizinhança eram os únicos despertadores de uma rotina abençoada pela paz.Eu estava sentada no banco de madeira sob a grande figueira do jardim, com uma cesta de vime no colo, descascando ervilhas frescas colhidas da horta. Ao meu lado, Aurora engatinhava sobre uma manta colorida estendida na grama, brincando com blocos de madeira e soltando murmúrios felizes.Ver a minha neta crescer saudável, rodeada pelo amor puro dos pais, era a resposta às orações que eu fizera durante as minhas noites mais escuras.Ametista saiu da casa principal caminhando devagar pela grama. Ela vestia um vestido leve de algodão florido, com os cabelos compridos presos num coque despojado. Havia nela uma aura de serenidade e maturidade que me fazia lembrar o meu falecido marido nos seus melhores dias.— Bo
Jay FranklinA recepção do batizado aconteceu nos jardins da casa principal, sob a sombra de uma majestosa figueira secular cujos galhos abrigavam mesas decoradas com toalhas de linho branco, louças de porcelana e arranjos de flores do campo.O som suave de um quarteto de cordas tocando melodias clássicas ao fundo misturava-se ao riso de Aurora e às conversas animadas dos nossos convidados.Servimos um almoço preparado com ingredientes frescos colhidos na própria propriedade e na região do vale. Não havia fotógrafos de revistas de celebridades, não havia jornalistas do mercado financeiro nem executivos fazendo contatos de negócios. Éramos apenas uma família reunida para celebrar a vida e o amor.Ajoelhei-me na grama ao lado de Paul, enquanto víamos Aurora tentar dar seus primeiros passos equilibrando-se nos braços de April e Helena do outro lado do jardim.— O Cameron me disse que a transição na Maçã Vermelha foi um sucesso absoluto — comentei, servindo duas taças de vinho para m
Ametista DavisA manhã de domingo em nossa propriedade em Hidden Hills amanhecera com um céu azul de brigadeiro, sem uma única nuvem para sombrar a beleza das colinas que cercavam o vale. O perfume das flores de laranjeira e dos jasmins espalhava-se pelo ar fresco, criando uma atmosfera de pura celebração e paz.A pequena capela de madeira e pedra rústica que Jay mandara construir no ponto mais alto da propriedade estava decorada com arranjos de rosas brancas, lírios e fitas de cetim claro. Era o dia do batizado de Aurora.A cerimônia fora planejada para ser estritamente íntima, reunindo apenas as pessoas que caminharam conosco através das tempestades e nos ajudaram a alcançar o porto seguro.Dentro da capela, o sol filtrava-se pelos vitrais simples, projetando mosaicos de luz colorida sobre o altar. A minha mãe, Helena, vestia um vestido elegante de renda azul-marinho e trazia no rosto uma expressão de radiante serenidade que há anos eu não via. Ao lado dela, Cameron Sterling con







