FAZER LOGINCapítulo 5
Korine Mille Após sair do escritório do meu cliente, fui direto para o meu apartamento. O silêncio do lugar me envolveu, e percebi o quanto estava precisando descansar. Ser detetive de relacionamentos não é fácil. Descobrir traições, ver famílias se despedaçando… tudo isso pesa. Mas também há um lado de liberdade. A verdade, por mais dolorosa que seja, liberta. Permite que a pessoa se livre da pedra no sapato e siga em frente, cuidando de si mesma, aprendendo a se amar novamente. Olhei ao redor e senti que precisava de algo diferente. Respirei fundo e decidi: era hora de mudar de ares. Sem nenhum trabalho pendente, arrumei minhas malas de viagem. Enquanto dobrava as roupas e fechava o zíper da mala, um pensamento me trouxe paz: eu merecia relaxar, me divertir, esquecer por alguns dias o peso das investigações. Las Vegas seria meu destino. Luzes, música, diversão. Um lugar para deixar para trás as sombras da traição e mergulhar em uma nova energia. Sorri discretamente ao fechar a mala. Pela primeira vez em muito tempo, não estava indo atrás de provas. Estava indo atrás de mim mesma. Assim que cheguei no aeroporto, comprei uma passagem de primeira classe e passei, tudo bem organizado e seguro, depois fui para esperar até a hora de entrar no avião, meu coração batia forte, aquele gelo na barriga, e distraída olhando para a minha mala de rodinha esbarrei em alguém e quase caí de cara no chão, porém uma voz grave e braços fortes me seguraram. — Olha por onde anda, moça! Eu ainda estava de cabeça baixa e levantei. Assim que olhei para cima era o meu cliente. De mala e tudo. — Senhor Valek? — Senhorita Mille. — Obrigada por me segurar... Eu me distraí um pouco e já ia pagar o maior mico. — Está tudo bem. Ainda atônita pelo encontro, fiquei observando Leonardo caminhar até o balcão de passagens. Ele carregava sua mala de viagem com a mesma postura firme de sempre, mas havia algo diferente em seu semblante: uma mistura de cansaço e determinação. — Senhor Valek… o senhor também vai viajar? — perguntei, curiosa, enquanto me aproximava. Ele virou-se, encarando-me com aquele olhar frio e calculista que já conhecia. — Sim, senhorita Mille. Preciso de alguns dias longe de tudo. — fez uma pausa, como se pesasse cada palavra. — Las Vegas. Meu coração disparou. O mesmo destino. O acaso parecia brincar conosco. — Que coincidência… — murmurei, tentando disfarçar o nervosismo. — Eu também comprei passagem para lá. Leonardo entregou seus documentos ao atendente e recebeu o bilhete de primeira classe. Guardou-o no bolso do paletó com precisão e voltou-se para mim. — Talvez o destino esteja nos testando, senhorita Mille. — disse com um leve tom irônico. — Ou apenas nos colocando no mesmo caminho. Sorri sem jeito, ajeitando minha mala de rodinhas. O clima entre nós era estranho: profissionalismo misturado com uma tensão silenciosa, como se ambos soubéssemos que aquela viagem não seria apenas lazer. O alto-falante anunciou o embarque. Olhei para Leonardo, e ele apenas fez um gesto discreto com a cabeça, indicando que era hora de seguir. Dois bilhetes. Dois destinos iguais. E uma história que, sem querer, começava a se entrelaçar ainda mais. O embarque foi tranquilo. Ambos seguiram para a primeira classe, e por coincidência — ou destino — seus assentos eram lado a lado. Leonardo acomodou-se com a postura firme de sempre, abrindo discretamente um jornal e pedindo uma taça de vinho. Korine, por sua vez, ajeitou a mala de mão, colocou os fones de ouvido e tentou relaxar. O voo seguiu em silêncio por alguns minutos, até que o cansaço venceu Korine. Seus olhos pesaram, e sem perceber, ela acabou adormecendo. No meio do sono, sua cabeça escorou suavemente no ombro de Leonardo. Ele olhou de lado, surpreso, mas não a afastou. Permaneceu imóvel, sério, como se respeitasse aquele momento de fragilidade. A cada instante, sentia o contraste: sua mente ainda carregava a dor da traição, mas ali, no avião, havia uma calma inesperada. Horas depois, o comandante anunciou a chegada. Leonardo tocou de leve no braço de Korine. — Senhorita Mille… já estamos em Las Vegas. Ela despertou assustada, ajeitando-se rapidamente. — Oh… desculpe, eu acabei dormindo… — disse, sem graça. — Espero não ter incomodado. Leonardo apenas fez um gesto discreto com a cabeça. Quando o avião pousou e as portas se abriram, a visão da cidade tomou conta. Las Vegas brilhava como um espetáculo de luzes e cores. O céu noturno servia de pano de fundo para os letreiros luminosos, cassinos imponentes e hotéis que pareciam palácios modernos. Korine ficou encantada. — É… realmente lindo… — murmurou, com os olhos brilhando. Leonardo observava em silêncio. Para ele, Las Vegas não era apenas diversão. Era também um recomeço, um lugar para deixar para trás a dor e, quem sabe, iniciar uma nova fase. Assim que chegaram a Las Vegas, ambos seguiram para o mesmo hotel luxuoso. O hall iluminado por lustres de cristal refletia o brilho da cidade. Cada um recebeu sua chave e se dirigiu ao respectivo quarto. Korine, cansada da viagem, tomou um banho demorado, deixando a água quente escorrer sobre o corpo como se lavasse também o peso das últimas semanas. Ao se vestir, decidiu que não queria apenas descansar: precisava se divertir. Pegou sua bolsa e desceu até o bar e a casa de jogos do hotel. O ambiente era vibrante. Luzes coloridas, música animada e o som das fichas de cassino misturavam-se ao aroma de bebidas fortes. Korine pediu um coquetel e, em seguida, outra dose. Queria esquecer por algumas horas o peso das traições que investigava diariamente. Coincidentemente, Leonardo também decidiu descer. Vestindo um terno leve, entrou no bar com a mesma postura séria de sempre. Ao avistar Korine, aproximou-se. — Senhorita Mille… não esperava encontrá-la aqui. Ela sorriu, já um pouco solta pela bebida. — Las Vegas é para se divertir, senhor Valek. Sente-se, vamos brindar. E assim começaram a beber juntos. Uma dose, depois outra. Entre risadas inesperadas e conversas que se tornavam cada vez mais descontraídas, perderam a noção do tempo. A noite avançou, e ambos passaram da conta.Capítulo 84 Korine Mille Eu saí do banho com a pele ainda quente e úmida, enrolada apenas em uma toalha branca. O silêncio da casa era perfeito. Marina dormia na casa dos meus pais, e Luna e Theo, nossos gêmeos de onze meses, já estavam no mundo dos sonhos há horas. Quando entrei no quarto, Leonardo me esperava encostado na cabeceira da cama, sem camisa, o olhar escuro de desejo que eu conhecia tão bem. Deixei a toalha cair no chão. — Vem cá, minha mulher — murmurou ele, a voz rouca. Eu fui. Sentei-me em seu colo e senti suas mãos grandes percorrendo meu corpo como se fosse a primeira vez. Ele apertou minha cintura, subiu até meus seios, que ainda carregavam as marcas da maternidade, e me beijou com fome. Eu gemi contra sua boca, rebolando devagar sobre ele, sentindo-o duro através da calça fina. — Três filhos… e você ainda me deixa louca assim — sussurrei, mordendo seu lábio. Leonardo me deitou na cama, abriu minhas pernas e desceu a boca sem piedade. Sua língua quente e habi
Capítulo 83 Seis Meses Depois A Valek Recorde reluzia como nunca. Seis meses haviam se passado desde os acontecimentos que mudaram para sempre a dinâmica da família Valek. A grande festa de reinauguração oficial da gravadora estava lotada de artistas, investidores, jornalistas e amigos próximos. Luzes douradas iluminavam o jardim amplo e reformado, enquanto uma banda tocava suavemente no palco principal. O ar cheirava a flores frescas, perfume importado e recomeço. Leonardo Valek observava tudo com orgulho silencioso. Ao seu lado, Korine estava deslumbrante em um longo vestido azul-safira que realçava seus olhos claros. Ela segurava sua mão com firmeza. Luna e Theo, os gêmeos de oito meses, dormiam tranquilos em um carrinho duplo luxuoso, vigiados por duas babás dedicadas. Marina, com seus três anos cheios de energia, corria entre as mesas com um vestidinho branco rodado, os cachinhos loiros balançando a cada risada. — Olha só o que construímos juntos, amor — murmurou Leonardo, b
Capítulo 82 Korine caminhava pelos corredores da Valek Recorde, empurrando o carrinho dos gêmeos com Luna e Theo, enquanto Marina seguia animada ao lado da babá. Leonardo mostrava os espaços recém-reformados, orgulhoso de cada detalhe. Os funcionários, encantados, comentavam sobre a generosidade dele e sobre como o ambiente estava se transformando para melhor. De repente, a porta principal se abriu. João Valek entrou com a postura altiva de sempre, mas o rosto carregado de falsidade. Tentava disfarçar o arrependimento com um sorriso forçado. — Então é verdade… — disse, olhando ao redor. — Você assumiu a Record e já está transformando tudo. Leonardo se manteve firme, sem esconder a frieza no olhar. — É verdade. E agora esta gravadora será o que sempre deveria ter sido. João tentou se aproximar de Korine e dos netos, inclinando-se para ver o carrinho. — Esses são meus netos… Que lindos — murmurou, tentando soar carinhoso. Korine, desconfiada, manteve distância. Marina, curiosa,
. Capítulo 81 No escritório da Valek Records Alex estava sentado à sua mesa, mergulhado em papéis e dívidas, quando a porta se abriu com força. João Valek, seu pai e fundador da gravadora, entrou furioso. — Então é verdade que você vai vender a empresa que eu fundei com tanto sacrifício? — perguntou, com a voz carregada de decepção. — Eu coloquei você no meu lugar acreditando que faria essa gravadora crescer! Alex suspirou, cansado e desanimado. — Agora não, pai. Não estou com cabeça para ouvir sermões. Meu filho precisa ser operado e o valor é alto. Além disso, fui processado pelo dono do filme Dupla Perfeita. Seu querido filho Leonardo venceu mais uma vez. O velho Valek bateu na mesa com raiva. — Você e essa sua obsessão em destruir Leonardo levaram você ao fracasso. Eu passei a gravadora para você acreditando em você, mas agora vejo que me enganei. Sem esperar resposta, João saiu do escritório, irritado e profundamente decepcionado. Alex, sozinho, já havia tomado sua deci
Capítulo 80 Korine Mille Valek Dois meses se passaram desde que Luna e Theo nasceram. Agora, saudáveis e fortes, meus filhos mamam com tanta vontade que parecem dois bacuris famintos. Eu estava feliz, mas também preocupada, e comentei com Leonardo: — Amor, vou precisar de ajuda com o leite Nan 1. Eles estão mamando cada vez mais, e meu seio não é tão grande para dar conta. Leonardo sorriu, tentando me tranquilizar, mas eu sabia que precisávamos nos preparar para acompanhar o ritmo dos gêmeos. Apesar da alegria, fiquei triste ao ouvir a notícia sobre Karla e o bebê dela. Não desejo mal a ninguém. Só espero que ela consiga superar esse momento e que o filho dela fique bem logo. Marina, por sua vez, estava cada vez mais feliz. Brincava com os irmãos e já não lembrava muito de Mara. Ainda é pequena demais para entender o que aconteceu, mas sei que, quando crescer e quiser saber a verdade, não vou esconder nada dela. Leonardo Valek Minha vida mudou completamente desde o dia em que
Capítulo 79 Korine Mille Valek A cobertura finalmente parecia um verdadeiro lar. Três dias haviam se passado desde a alta hospitalar, e cada momento parecia uma celebração silenciosa e sagrada. Acordei com o chorinho baixo e delicado de Luna, um som que agora era música para meus ouvidos. Sorri antes mesmo de abrir os olhos. Leonardo já estava de pé, embalando Theo no colo com aquela paciência infinita que só ele tinha. Seus movimentos eram suaves, quase reverentes, enquanto eu me ajeitava na poltrona de amamentação, ajustando as almofadas nas costas. — Eles estão com fome de novo — disse ele suavemente, trazendo os dois para mim com um sorriso cansado, mas feliz. Sentei-me confortavelmente e coloquei os gêmeos para mamar. Com apenas dois meses de vida, Theo e Luna ainda mamavam exclusivamente no peito. Senti o toque quentinho e úmido deles contra minha pele, os corpinhos leves e cheios de vida. Uma onda profunda de gratidão me invadiu, tão forte que meus olhos marejaram. Depois







