LOGINCasada com um homem que acredita que um casamento aberto favorece uma relação saudável, Elena jamais imaginou que isso se tornaria tão difícil. Ainda assim, ela aceitou. Um casamento aberto, simplesmente para preservar o amor e a felicidade de sua união. Como primeiro passo para aceitar essa nova realidade, Elena se envolve com um desconhecido, sem imaginar que isso traria tanto caos. Afinal, foi apenas uma noite… uma noite de sexo intenso e apaixonado, muito mais satisfatória do que tudo o que seu marido já havia lhe proporcionado. Mas agora, esse desconhecido exige muito mais do que ela pode oferecer. O que acontece quando um casamento está por um fio? E quando um único erro pode destruir tudo, a ponto de não haver mais nenhuma maneira de consertar as coisas?
View MorePOV de Elena
O cheiro de charutos caros e de um perfume floral que definitivamente não era meu me atingiu no instante em que empurrei as pesadas portas do nosso quarto. Diante da cena à minha frente, era surpreendente que eu não tivesse congelado ou gritado. Meu corpo parecia estranhamente vazio, como se o ar tivesse sido sugado dos meus pulmões, deixando apenas um silêncio frio e ensurdecedor em meus ouvidos. Julian estava ali, esparramado sobre os lençóis de seda que eu havia escolhido para o nosso aniversário no mês passado. Mas ele não estava sozinho. A mulher — loira, jovem e completamente despreocupada — nem sequer puxou os lençóis para se cobrir quando me viu. "Julian", murmurei. Minha voz saiu mais baixa do que eu esperava, fria e sem emoção. Ele não se assustou. Não tentou oferecer uma explicação desesperada para o que havia feito. Apenas se apoiou nos cotovelos, com o peito nu, e me encarou com aqueles olhos cinzentos e frios que um dia faziam meu coração disparar. Agora, só faziam minha pele se arrepiar. "Você chegou cedo, Elena", disse ele. Ele parecia tão, porra, entediado. "Hoje é nosso aniversário", lembrei-o. Minhas mãos estavam cerradas com tanta força que minhas unhas cravavam nas palmas. "Saí da festa mais cedo porque achei que você estivesse doente. Foi isso que sua assistente me disse." Julian soltou uma risada curta e seca. Pegou o relógio na mesa de cabeceira e o colocou no pulso com toda a calma, como se estivesse se preparando para uma reunião de negócios, e não enfrentando a própria esposa enquanto sua amante — ou seja lá o que aquela vadia fosse — estava sentada na nossa cama. "Não seja dramática", disse ele. "Já passamos por isso. Lágrimas não combinam com você e, com certeza, não mudam nada." "Esta é a terceira vez em seis meses, Julian. Na nossa casa. Na nossa cama." Ele se levantou, alto e imponente, e caminhou até mim. Só parou quando estava a poucos centímetros de distância. "A cama é apenas um móvel, Elena. E isso?" Ele fez um gesto vago em direção à mulher atrás dele, que agora rolava a tela do celular sem a menor preocupação. "Isso é apenas biologia. Sou um homem de alto desempenho, com necessidades que a sua 'devoção' nem sempre consegue satisfazer." Senti alguma coisa dentro de mim se romper. Não foi o som do meu coração se partindo. Ah, não. Eu já havia sentido aquilo tantas vezes que me tornara indiferente àquela dor. "Eu quero o divórcio", sussurrei. Julian sorriu, com uma curva lenta e condescendente nos lábios. "Não, você não quer. Pense na empresa do seu pai. Pense nas ações vinculadas ao nosso contrato de casamento. Se você for embora, perderá tudo. Será uma pária social, com uma conta bancária que não vai conseguir comprar nem uma bolsa de grife." Ele se aproximou ainda mais e afastou uma mecha do meu cabelo, colocando-a atrás da minha orelha. Seu toque parecia gelo sobre a minha pele. "Tenho uma ideia melhor", disse ele. "Vamos parar de fingir. Podemos continuar casados para as câmeras e para os contratos, mas viveremos vidas separadas. Um casamento aberto, Elena. Eu faço o que quiser e você... bem, pode fazer seja lá o que você faz. Pintar. Fazer compras. Eu não vou perguntar e não vou me importar." "Você quer que eu simplesmente continue vendo você entrar e sair de casa com outras mulheres quando bem entender?" "Quero que você cresça", retrucou ele. "O mundo não é um conto de fadas. Aceite o acordo. É a única maneira de manter seu estilo de vida." Ele voltou para a cama, dispensando-me como se eu fosse uma criada que tivesse permanecido ali além da hora permitida. "Agora, saia. Ainda não terminamos." Saí do quarto de costas, com o coração martelando contra as costelas. Não fui para o quarto de hóspedes. Não chorei. Caminhei diretamente até meu escritório particular, tranquei a porta e me apoiei contra ela. O silêncio da casa parecia pesado, sufocante. Durante cinco anos, eu havia desempenhado o papel da esposa perfeita. Perdoara as "horas extras" no escritório e as "viagens de negócios" que eu sabia que não tinham nada a ver com negócios. Eu havia protegido a reputação dele às custas da minha própria dignidade. Julian achava que eu era fraca. Achava que meu amor por ele era uma jaula que me manteria presa para sempre. Ele queria um casamento aberto? Tudo bem. Eu daria exatamente o que ele havia pedido. Sentei-me à mesa e abri o laptop. Meus dedos estavam firmes. Não procurei um advogado... não ainda. Apesar de ser um completo babaca, Julian tinha razão sobre os contratos; um divórcio agora seria minha ruína. Então, eu precisava de um tipo diferente de liberdade. Digitei um endereço de site que já tinha ouvido as mulheres do clube sussurrarem em tons baixos e escandalizados. Chamava-se THE OBSIDIAN TIER. Não era um site de relacionamentos. Era uma agência de elite para pessoas que buscavam "companhia". Rolei pelos perfis. Fotos em alta definição de homens que pareciam deuses gregos, com descrições que prometiam discrição e "atenção total". Julian achava que era o único capaz de satisfazer sua maldita "biologia"? Ele achava que eu era uma boneca de porcelana que ficava na prateleira até que ele decidisse brincar comigo? Cliquei em um perfil. Um homem chamado Kai. Ele tinha cabelos escuros e olhos lindos, quase doentios, que pareciam conhecer todos os segredos do mundo, além de uma barba por fazer. Era caro... absurdamente caro. Não hesitei. Preenchi o formulário de reserva para aquela noite. Local: Cobertura do St. Regis. Horário: 23h. Observação: Quero apenas uma noite. Sem compromisso. Paguei o depósito com minha conta particular — aquela que Julian não monitorava. Assim que a mensagem "Reserva confirmada" apareceu na tela, uma onda de adrenalina tomou conta de mim, mais intensa do que qualquer tristeza que eu tivesse sentido antes. Levantei-me e fui até o meu closet. Tirei o vestido conservador de gala — aquele que Julian gostava porque me fazia parecer "elegante" — e o joguei no chão. Alcancei o fundo do armário e puxei um vestido de seda, justo ao corpo, em um tom de azul-meia-noite que eu nunca tivera coragem de usar. Fiz minha maquiagem com precisão. Delineador escuro e lábios vermelhos e marcantes. Olhei-me no espelho e não reconheci a mulher que me encarava de volta. Ela estava sexy pra caralho. Às 22h45, eu já estava no andar de baixo. Julian estava na sala de estar, com um copo de uísque na mão, lendo um relatório financeiro. Ele levantou os olhos, percorrendo meu corpo com o olhar. Por uma fração de segundo, pareceu surpreso, mas logo sua expressão arrogante voltou ao lugar. "Vai sair?", perguntou, erguendo uma sobrancelha. "Você mesmo disse, Julian", respondi, pegando minha clutch. "Agora temos um acordo. Vou explorar o meu lado da parte 'aberta'." Julian soltou uma risada, balançando a cabeça. "Elena, não tente se esforçar demais. Você não é o tipo de mulher que se rebela. Provavelmente vai ao cinema e estará de volta antes da meia-noite." "Não me espere acordado", respondi, com a voz firme. Saí pela porta da frente e entrei no carro que me aguardava. O ar fresco da noite pareceu um renascimento. Quando cheguei ao St. Regis, o concierge me acompanhou diretamente até a cobertura. Meu coração batia forte, mas não de medo. Era expectativa. Eu iria queimar da minha mente a lembrança da traição de Julian. Parei diante da porta da suíte 4002. Respirei fundo e passei o cartão-chave. A suíte estava pouco iluminada, banhada apenas pelas luzes da cidade que entravam pelas janelas do chão ao teto. Um homem estava parado diante da janela, de costas para mim. Era alto, vestindo um terno preto perfeitamente ajustado que destacava seus ombros largos. Ele se virou quando a porta se fechou atrás de mim. De perto, Kai era ainda mais impressionante do que nas fotos. Ele não parecia um "acompanhante". Não sorriu; apenas me observou com uma intensidade concentrada que fez minha respiração falhar por um instante. "Senhora Sterling?", perguntou. Sua voz era um barítono baixo e suave. "Elena", corrigi. Ele caminhou até mim, seus movimentos fluidos e confiantes. Parou a poucos centímetros do meu espaço pessoal, e seu perfume preencheu o ambiente. Cheirava a sândalo e cedro, uma combinação muito estranha, mas que nele funcionava perfeitamente. "Você parece tensa, Elena", disse ele suavemente. "Não estou aqui para uma sessão de terapia", respondi, tentando manter a compostura. "Estou aqui pelo que paguei. Quero esquecer tudo o que existe fora deste quarto." Kai estendeu a mão, seus dedos roçando meu maxilar. Seu toque era quente — o exato oposto do toque de Julian. Ele inclinou meu rosto para trás, fazendo-me olhar diretamente em seus olhos escuros. "Do que se trata tudo isso?", perguntou. "Isso importa?" "Não", sussurrou ele, passando o polegar pelo meu lábio inferior. "Mas, se vamos fazer isso, quero que tenha certeza. Porque, quando começarmos, não vou deixar você pensar em mais ninguém nem por um único segundo." Olhei para ele — o homem que eu havia contratado para ser minha arma contra o ego do meu marido. Pensei no sorriso arrogante de Julian, na loira na minha cama e nos anos em que fui "a esposa perfeita". Pela primeira vez em anos, eu não estava fazendo o que esperavam de mim. Eu não era a vítima. Eu era quem segurava o fósforo, e estava pronta para assistir à minha antiga vida ser reduzida a cinzas. Julian queria um casamento aberto, não queria? Ele estava prestes a descobrir que, quando você abre uma porta, não tem controle sobre o que entra por ela. "Ele não existe", disse. A mão de Kai apertou minha cintura, puxando-me para junto dele. "Ótimo. Então vamos começar."Ponto de vista de ElenaVoltei para a mansão principal depois do meu passeio pelo jardim, meus passos agora mais lentos, já que minha gravidez havia se tornado muito mais visível. O peso suave, porém constante, da minha barriga arredondada fazia com que cada movimento meu fosse mais cuidadoso.A senhorita June, a governanta-chefe, já estava parada no meio do caminho do jardim, procurando por mim freneticamente. Quando finalmente me avistou, um enorme alívio tomou conta de seu rosto. Vários guardas a acompanhavam, chamando meu nome em diferentes direções.— Graças a Deus, você está aqui! — exclamou ela, correndo em minha direção. — Você não deveria sair sozinha assim, senhorita Elena. Não é seguro, especialmente no seu estado.— Está tudo bem, June — respondi com um sorriso caloroso para tranquilizá-la. — Eu não queria preocupar ninguém. Só precisava tomar um pouco de ar.Ela segurou delicadamente meu braço para me apoiar enquanto voltávamos para a casa.Minha gravidez tornava mais dif
Ponto de vista de ElenaFazia três meses que eu havia me mudado para a mansão de Alexander Thorne, e minha gravidez estava muito mais visível do que um ou dois meses antes. Minha barriga havia se arredondado bastante, formando uma curva suave que eu frequentemente me pegava acariciando sem nem perceber.A vida aqui parecia um sonho do qual eu tinha medo de acordar.Sinceramente, eu não havia trabalhado um único dia. Alex tornava tudo incrivelmente fácil. Os empregados antecipavam todas as minhas necessidades: refeições frescas, roupas limpas, até lembretes gentis para que eu descansasse. Era um nível de atenção e cuidado que eu nunca havia conhecido antes.Pelo que eu havia descoberto, Julian estava vivendo a própria vida sem criar novos problemas. Nenhuma ligação catastrófica, nenhuma ameaça repentina. Meus pais também haviam ficado em silêncio.A essa altura, eu realmente não sabia mais o que estava acontecendo, mas gostava daquela paz frágil que estava vivendo.O médico tinha acaba
Ponto de vista de ElenaMeus dedos voavam pela tela do celular, tremendo tanto que eu cometia erros de digitação o tempo todo.Não, não, Alex, não. Não é nada. De verdade, não é nada. Vai ficar tudo bem amanhã de manhã, eu prometo.Enviei a mensagem às pressas, com o coração batendo descontroladamente.A última coisa que eu queria era um confronto que complicasse ainda mais a minha situação, que já era impossível. Se Alex começasse a investigar as ameaças de Julian, isso poderia desencadear uma guerra para a qual eu definitivamente não estava preparada.Fiquei olhando para a mensagem enviada, tentando acalmar minha respiração, mas o nó no meu peito apenas apertou ainda mais.A porta se abriu suavemente.Lucy voltou com duas xícaras fumegantes nas mãos.O aroma fresco e reconfortante da hortelã imediatamente tomou conta do quarto.— Aqui, querida. Trouxe um chá de hortelã para você — disse ela, estendendo uma xícara antes de se sentar ao meu lado na cama. — Certo, agora vamos conversar
Ponto de vista de ElenaEu sabia que Julian era um homem perigoso, talvez até mais perigoso do que eu queria admitir. E Alex? Ele pertencia a uma categoria completamente diferente. Mas eu não queria envolver Alexander naquela confusão. Ainda não. Eu não sabia exatamente o que Julian estava planejando, mas sabia que não era nada de bom. A mensagem exibida na minha tela me encarava como uma ameaça de morte:«Se você não voltar para casa, vou garantir que sua família pague o preço.»Eu andava de um lado para o outro pelo quarto luxuoso, meus pés descalços silenciosos sobre o tapete espesso. Minha família havia lutado tanto para escapar do domínio de Julian e de sua poderosa família. Casar-me com ele havia sido a única chance que eles tinham de sobreviver, tanto financeiramente quanto socialmente. Agora, tudo estava desmoronando novamente, e eu sentia todo aquele peso sobre meus ombros.Eu não sabia o que fazer.Não sabia para quem ligar.E certamente não queria envolver Alex, nem mesmo L






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