Início / Romance / O Chefe Que Roubou Meu Coração / 4. Qual Será a Próxima Jogada?

Compartilhar

4. Qual Será a Próxima Jogada?

Autor: Ju Andrade
last update Data de publicação: 2025-08-01 12:09:55

O mesmo homem gentil que me consolou naquela noite agora me observa com olhos frios como gelo. Como se eu fosse uma estranha.

Meu estômago revira.

— Sente-se — ele ordena, com a voz seca, sem nenhum pingo da gentileza de antes.

Fico paralisada por um segundo.

Então me forço a entrar e me aproximar, tentando manter a calma por fora, enquanto por dentro tudo desmorona.

O Nathan daquela noite não está aqui. O homem diante de mim agora… é só o CEO da Evermont Industries.

Frio. Calculista. Irreconhecível.

Me sento à sua frente e, por alguns segundos, o encaro em silêncio, buscando qualquer sinal de reconhecimento.

Um sorriso. Um olhar. Qualquer coisa que diga “eu me lembro daquela noite”.

Nada.

— Bem, vamos começar, Srta…?

— Sterling. Ann Sterling — respondo, mais fraca do que gostaria.

— Ann Sterling — ele repete, como se fosse a primeira vez que ouve o nome. — Currículo.

Entrego o papel, tentando controlar as mãos trêmulas. Nathan nem me olha, apenas folheia as páginas como se tivesse todo o tempo do mundo.

— Srta. Sterling — ele começa, largando os papéis de lado com indiferença. — Me dê um motivo para não jogar seu currículo no lixo.

— Sou formada em Gestão Empresarial — começo, tentando manter a postura. — Tenho cinco anos de experiência em administração e…

— Experiência… — ele me interrompe, levantando os olhos. — Isso normalmente não basta quando a reputação da candidata está… em dúvida.

— O que quer dizer exatamente?

— Que os boatos não têm sido nada gentis com você, Srta. Sterling — responde, seco. — Uma empresa séria não quer contratar alguém envolvida num escândalo. Principalmente alguém cuja maior “qualificação” é… seduzir homens comprometidos.

Engulo em seco, sentindo a humilhação me sufocar. Todas as rejeições, olhares, sussurros… até quando isso vai durar?

— Você também acredita nisso — murmuro, amarga. — Acha mesmo que eu era amante do Robert?

— As evidências falam por si — ele dá de ombros. — Relacionamento secreto por três anos, ninguém sabia da “namorada”… É exatamente o que uma amante faria.

— Eu não era amante de ninguém! — explodo, perdendo a calma. — Robert era meu namorado. Há três anos. Você viu como eu estava destruída, como não fazia ideia de nada!

— Vi uma mulher chorando num bar — responde, frio. — Mulheres sempre têm sua versão dramática dos fatos.

A raiva sobe quente, queimando minhas veias. Não é só a humilhação. Não é ele fingindo que não me conhece. É o julgamento, vindo justamente de quem me acolheu naquela noite.

— Passei três anos acreditando que tinha um namorado — murmuro, sentindo a voz falhar. — Ajudei o Robert a construir aquela empresa. Nunca fui amante. Eu era…

— Era o quê? — ele me interrompe, se inclinando para frente. — A namorada secreta que ninguém podia saber? Por favor, Srta. Sterling. Até você deve perceber o que isso parece.

Passo a mão pelos cabelos, segurando a vontade de chorar. No fundo, ele está certo.

Porque agora, dizendo em voz alta, tudo soa como a desculpa esfarrapada de uma amante descoberta.

— Está explicado por que ninguém me contrata — sussurro, amarga. — Todo mundo pensa igual a você.

— Bem-vinda à realidade, Srta. Sterling — ele se recosta, frio. — Ninguém quer contratar a mulher que tentou destruir um casamento e ainda posa de vítima.

— Por que está fazendo isso? — pergunto, quase num fio de voz. — O que eu fiz para merecer tanta crueldade?

— Crueldade? — ele inclina a cabeça, fingindo pensar. — Só estou sendo honesto sobre sua… reputação. Contratar alguém como você pode ser… arriscado.

Levanto de repente, deixando a raiva vencer a humilhação.

— Não vou ficar aqui ouvindo esse tipo de coisa. Especialmente de…

— De quem? — ele me corta, os olhos brilhando perigosamente. — De um homem decente que resolveu te dar uma chance?

A forma como ele me trata agora é pior que qualquer insulto. Como se aquela noite não tivesse significado absolutamente nada.

— Você sabe bem do que eu estou falando — murmuro, odiando a tremedeira na minha voz.

— Não faço ideia do que está insinuando, Srta. Sterling. Que tal ser um pouco mais clara?

— Obrigada pelo seu tempo. E por mostrar o tipo de homem que você realmente é, Sr. Prescott — digo, pegando a bolsa e me levantando.

Caminho furiosa até a porta, me odiando por ter sido tão ingênua.

Como deixei esse homem me tocar? Me beijar? Me fazer acreditar que eu era especial?

— Espere — ele diz, quando já estou quase saindo.

Viro, esperando… o que, exatamente? Um pedido de desculpas? Um sinal de que ainda existe humanidade ali?

Mas tudo o que vejo é um sorriso cruel.

— Só disse que havia riscos. Mas eu adoro riscos — ele continua. — A vaga é sua. Afinal, você também quer provar que é boa em algo além da cama, né?

— O quê? — pergunto, virando lentamente para encará-lo.

— Você ouviu bem. A vaga é sua, se quiser — ele sorri, o sorriso mais cínico que já vi. — Sempre dou certos… privilégios às mulheres com quem durmo.

Franzo a testa, confusa e ainda mais irritada. Qual será a próxima jogada?

— Por que você faria isso?

— Aceita ou não, Srta. Sterling? — Ele ignora minha pergunta, tamborilando os dedos na mesa. — Não tenho o dia todo.

Continue a ler este livro gratuitamente
Escaneie o código para baixar o App

Último capítulo

  • O Chefe Que Roubou Meu Coração   182. Este é o meu lugar

    Penso por um longo momento. — Acho que sim — respondo, finalmente. — Ou pelo menos… quero acreditar. Porque se não for verdade, se ela estiver mentindo de novo… eu não sei se aguento, Nathan. — Vou pedir que confirmem se eles realmente foram embora — ele diz, acariciando minha bochecha. — E se ela tentar voltar, se tentar qualquer coisa… eu acabo com ela. — Nathan… — Não, Ann — ele me corta, sério. — Chega. Ela teve todas as chances do mundo. Agora, acabou. Você, eu e as meninas vamos viver nossas vidas. E Sierra Lancaster vai ser só uma lembrança ruim do passado. Assinto e passo os braços ao redor do pescoço dele. Nathan beija minha testa devagar, como se estivesse selando a promessa que acabou de fazer. Ficamos em silêncio por alguns minutos, ouvindo a respiração um do outro e o som suave das meninas pela babá eletrônica. — Vamos voltar para a sala de jantar? — pergunto. — Antes que alguém venha nos procurar. — Vamos. Ele se levanta, me ajuda a levantar, e guarda a carta na

  • O Chefe Que Roubou Meu Coração   181. Você Acredita Nela?

    Fico parada no corredor, segurando o envelope como se ele pudesse explodir a qualquer segundo. Sierra. Meu coração dispara só de ver o nome dela. Como ela tem a audácia de me mandar uma carta depois de tudo que fez? Olho para o envelope branco, simples, só com meu nome escrito à mão. As vozes vindas da sala de jantar viram um murmúrio distante. Eu deveria rasgar. Jogar fora. Queimar, se possível. Mas… E se for importante? E se for uma ameaça? E se ela estiver planejando algo? Minhas mãos tremem. — Ann? Viro rápido demais e quase deixo o envelope cair. Nathan está no topo da escada, me observando com a testa franzida. — O que você está fazendo aí parada? — ele pergunta, descendo. — Todo mundo já está na mesa. — Eu… — minha voz sai falha. — Eu… Ele chega perto e vê o envelope na minha mão. — O que é isso? — Uma carta — respondo, engolindo em seco. — Da Sierra. O rosto do meu marido muda na mesma hora. O maxilar trava, os olhos escurecem… a raiva toma conta. — Me dá iss

  • O Chefe Que Roubou Meu Coração   180. Um Envelope Sem Remetente

    Duas semanas.Duas semanas desde que as meninas nasceram.Quatorze dias de idas e vindas ao hospital, de ver minhas filhas em incubadoras, de contar cada minuto até poder trazê-las para casa.Mas hoje…Finalmente vou levar minhas filhas para casa.— Pronta? — Nathan pergunta, segurando a bolsa com as roupinhas delas.— Mais do que pronta — respondo, sorrindo.Entramos no quarto da UTI neonatal pela última vez, depois de conversarmos com o Dr. Patel. Ele confirmou que os pulmões estão perfeitos, que o peso está bom, e finalmente deu alta para as duas.Agora, Claire pesa 2.355 kg e Melanie, 2.630 kg.Ainda são pequenas, mas prontas para continuarem se recuperando longe daqui.Quando nos aproximamos, a enfermeira está vestindo Melanie com uma das roupinhas rosa-claro que Eleanor comprou.Ela não reclama nem se mexe muito; só observa tudo com aqueles olhinhos azuis atentos.Poucos minutos depois, é a vez da Claire que, ao contrário da irmã, faz careta e mexe os bracinhos como se estivesse

  • O Chefe Que Roubou Meu Coração   179. Torcendo Para Um Milagre

    “Ann Prescott” A cesárea é… brutal. Ninguém me avisou que seria assim. Cada movimento dói. Respirar fundo dói. Rir é uma verdadeira tortura. Mas, ao mesmo tempo, não consigo parar de sorrir. Porque minhas filhas nasceram. Nathan está sentado no sofá, mexendo no celular. Quando percebe que estou acordada, guarda o aparelho imediatamente. — Bom dia, pequena — ele diz, se aproximando. — Como está se sentindo? — Como se tivesse sido atropelada por um trem — respondo, honesta. — Mas feliz. Ele sorri e beija minha boca. — A enfermeira passou aqui há uma hora. Disse que você pode tomar o café da manhã e, se estiver se sentindo bem, visitar as meninas de novo. — Quero ir agora — digo, sem pensar duas vezes. — Primeiro o café — ele responde, apontando para a bandeja ao meu lado. — Você precisa se alimentar. Reviro os olhos, mas obedeço, tomando o café mesmo com o estômago embrulhado de ansiedade. Alguns longos minutos depois, finalmente seguimos para a UTI neonatal. Melanie e Cla

  • O Chefe Que Roubou Meu Coração   178. Os Melhores Presentes Da Minha Vida

    “Nathan Prescott” Ann finalmente está dormindo. Após horas na sala de recuperação, perguntando tudo o que existia para perguntar e fazendo a Dra. Blackwood repetir explicações três vezes, ela finalmente cedeu ao cansaço. Fico observando por alguns segundos. O rosto dela está exausto, mas relaxado pela primeira vez desde que tudo começou. Beijo sua testa com cuidado para não acordá-la e saio do quarto. Preciso ver minhas filhas. O corredor até a UTI neonatal parece nunca acabar. Passo pela recepção, mostro minha identificação, lavo as mãos com o exagero recomendado e só então entro. A sala é silenciosa, ocupada somente pelo bip constante dos monitores. Há várias incubadoras, mas só enxergo duas no canto esquerdo. Melanie e Claire. Me aproximo devagar, quase com medo de fazer barulho demais. Elas estão em incubadoras separadas, pequeninas, com tubos de oxigênio nos narizinhos e sensores grudados na pele rosada. Melanie dorme profundamente, com a mãozinha fechada. Claire, cla

  • O Chefe Que Roubou Meu Coração   177. Vendo Um Milagre Pela Primeira Vez

    “Ann Prescott” A dor é diferente de tudo que já senti. É… avassaladora. Cada contração parece querer me partir ao meio. — Respira, pequena — Nathan diz, segurando minha mão. — Como treinamos. Tento, mas respirar parece o menor dos meus talentos no momento. A porta se abre e entra a Dra. Blackwood, já de roupa cirúrgica e com uma expressão que não me deixa nada tranquila. — Ann — ela chama, vindo até mim. — Como está se sentindo? — Com dor — respondo, tensa. Ela dá um sorriso compreensivo e se posiciona para me examinar. — Vou checar a dilatação, ok? Assinto. Ela examina rápido. — Quatro centímetros — anuncia, séria. — O trabalho de parto está progredindo rápido. — E a medicação que a outra médica ia… A obstetra balança a cabeça antes que Nathan termine. — Não vai funcionar. O parto já começou. Meu coração dispara. — Então… elas vão nascer hoje? — Minha voz sai trêmula. — Vão — ela confirma, pegando minha mão. — E considerando que são gêmeas, que você está com trinta e

Mais capítulos
Explore e leia bons romances gratuitamente
Acesso gratuito a um vasto número de bons romances no app GoodNovel. Baixe os livros que você gosta e leia em qualquer lugar e a qualquer hora.
Leia livros gratuitamente no app
ESCANEIE O CÓDIGO PARA LER NO APP
DMCA.com Protection Status