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O Dançarino Mascarado e o CEO Alfa
O Dançarino Mascarado e o CEO Alfa
作者: NanaBOliver

Capítulo 1

作者: NanaBOliver
last update publish date: 2026-06-10 09:51:45

O dia de Adrien Vince não estava sendo um dos melhores. Primeiramente, começou com o atraso do seu secretário. Parecia até que fazia sacanagem. Uma das coisas que ele mais detestava era o atraso. Havia deixado isso bem grifado como uma exigência no contrato. Para completar, depois de dar um gole no café que aquele idiota trouxe, percebeu que estava carregado de açúcar. Ele abriu a tampa do café e ali estava uma coisa branca e gordurosa que achava nojenta.

Chantilly de capuccino.

Incompetente!

— Nem um café decente esse inútil saber me trazer — murmurou para si mesmo, jogando o café no lixo.

A manhã tinha sido um caos. Reuniões, relatórios e uma sequência de falhas da equipe de laboratório o deixavam prestes a explodir. O perfume que havia sido lançado recentemente atingiu o público, mas não nos níveis que ele considerava aceitáveis. O perfume havia ficado em segundo lugar; o primeiro era de uma nova marca, feita por betas em uma empresa recém-criada.

Depois de anos no mercado de fragrâncias, nunca havia dado um furo sequer, era sempre o número 1. Segundo lugar? Não mesmo. Para Adrien, o sucesso era absoluto; nada além da perfeição.

Tudo o que saía da Kairós deveria ser impecável e implacável — e se não fosse, alguém pagaria por isso.

A fragrância ideal, o aroma certo, o equilíbrio entre notas suaves e intensas… nada escapava ao seu controle. Cada criação precisava ser exemplar; cada detalhe refletia sua exigência e perfeição.

Por isso, quando aquele café extremamente doce e gorduroso tocou seu olfato logo cedo, soube que o dia seria infernal.

Respirou fundo e ajeitou o paletó. O alfaiate havia feito sob medida, como tudo o que usava. Roupas, relógio, canetas — com mínimos detalhes representando quem ele era: controle, poder, domínio.

Mas nem isso aliviava o incômodo crescente.

Havia sido específico na lista de coisas que gostava em um café, e o bendito tinha que ser descafeinado — algo meio amargo, na dose certa.

Agora, seus lábios estavam grudentos e açucarados. Não que Adrien detestasse algo totalmente doce, mas aquilo ali era uma bomba açucarada.

Ele foi até o banheiro da sua sala lavar a boca e limpar as mãos. Quando voltou a se sentar à mesa, ia conferir o novo contrato quando o imbecil do secretário entrou ofegante, suado e descabelado.

— Senhor… sinto muito, mas é urgente! Dois alfas estão brigando perto do setor do laboratório!

Adrien encostou-se na cadeira, controlando sua irritação e respiração ao máximo para não explodir ali mesmo. A sorte era que ele era conhecido por ter um autocontrole enorme. Se não, aquele beta desgraçado, parado à sua frente, já teria morrido.

— Não chamou os seguranças? Não é o seu trabalho lidar com isso? — perguntou, cruzando os braços e deixando sua voz gélida e mortalmente calma falar por si.

— Bem, senhor, eu pensei que...

Adrien levantou-se, arrastando a cadeira, e passou pelo secretário sem ao menos encostar nele. Atravessou os corredores, observando a movimentação e todos se calando quando o viam.

Ele foi até o elevador e desceu para o laboratório. Por que dois alfas estavam brigando lá? Ainda mais quebrando uma das regras mais rígidas da sua empresa.

Quando o elevador parou no andar, ele viu o caos formado. Seu olfato aguçado sentiu o aroma diferente no ar, como caramelo misturado com mel, e mais à frente dois alfas lutavam um contra o outro — mortalmente. O tipo de luta em que nenhum outro poderia se meter, e que só a morte resolveria. A luta por um ômega.

Os outros funcionários estavam agachados entre as mesas; os betas, dentro do laboratório, horrorizados com o que viam; e as ômegas, trêmulas e chorando, desviando o olhar, esperando que tudo aquilo acabasse de uma vez.

E mais à frente, um ômega trêmulo e frágil chorava, enquanto a supervisora o segurava.

Adrien não se meteria se fosse em outro lugar. Não mesmo. Mas ali, na sua empresa, ele era a maior autoridade — e todos tinham que seguir suas regras.

Com uma agilidade e força impressionantes, ele se meteu entre os dois alfas. Seus olhos vermelhos apareceram, e ele deixou sua força inumana se mostrar. Segurou o pescoço de um alfa mais jovem, recém-contratado, e do outro também.

Os dois ficaram suspensos no ar, balançando os pés na tentativa de manter o equilíbrio.

E depois empurrou um para um lado e em seguida o outro para o oposto, ouvindo os corpos baterem nas paredes do corredor.

— Se querem brigar, façam isso lá fora e não dentro da minha empresa! — vociferou mostrando as presas pontiagudas e os olhos vermelhos. — Aqui é um espaço de trabalho, não uma batalha corporal para situações pessoais! Entenderam?!

Os dois alfas gemeram, voltando a si, sentindo todo o impacto.

Adrien virou-se para o ômega trêmulo.

Cio.

O cheiro doce vinha dele — não o suficiente para causar um estrago em seu corpo preparado, mas para alfas mais inexperientes, entrando na rotina, aquilo seria perigoso.

— Você está entrando no cio. — afirmou, irritado.

— S-sim… eu não pensei que… me perdoe, senhor.

Adrien passou a mão pelos cabelos, sentindo o suor escorrer pelo rosto impecável.

— Tudo bem, você não tem culpa — disse, olhando para a beta ao lado dele. — Dê bloqueadores a ele e o mande para casa. Duas semanas é o suficiente?

O ômega tímido apenas balançou a cabeça, sem olhá-lo.

— Senhorita Nyra, cuide dele.

— Pode deixar, senhor. Se acalme agora, Finn. Vai ficar tudo bem — disse ela, com um sorriso tranquilizador.

Adrien observou os dois alfas já recompostos e envergonhados.

— Saiam os dois! — ordenou. — Estão proibidos de chegar perto de ômegas dentro da minha empresa até segunda ordem, e se considerem sortudos, uma próxima será demissão com justa causa.

— Sinto muito, senhor — disse um deles.

O outro também se desculpou.

Adrien revirou os olhos, tentando não matar aqueles dois ali mesmo.

Então, observou o pessoal do escritório se levantar e olhar para ele. A porta do laboratório se abriu.

— Se alguma coisa do que houve aqui vazar, eu saberei quem foi — disse com voz firme. — Voltem ao trabalho!

Saiu, observando seu secretário totalmente atrapalhado e os seguranças chegando ofegantes.

— Desculpe, senhor, só...

— Esqueçam, voltem lá para baixo — respondeu rispidamente. — E você… demitido. Passe no RH. Eles vão cuidar de tudo.

O que esperar de um cara que não sabe nem escolher um bom café? Iria conseguir resolver aquela briga?

Aquele era o seu terceiro ou quarto secretário em um mês e meio. De qualquer forma, eles nunca duravam muito. Adrien estava quase desistindo da procura por um, e decidindo tudo sozinho. Era bem aquele ditado: se quer um bom trabalho, faça você mesmo.

No entanto, ser dono da Kairós Fragrances exigia muito dele, e fazer tudo sozinho — cuidar da agenda, atender telefones e organizar a empresa — era inviável. Sendo completamente realista e objetivo, não conseguiria.

— Senhor... — chamou Julie, uma das especialistas do laboratório. Ela correu em sua direção.

Ele se virou rapidamente. Daquela ômega especificamente, Adrien gostava. Não sabia dizer exatamente o porquê —talvez fosse pela história de vida triste daquela garota, que o comovia demais. E Adrien não era de se meter na vida dos seus funcionários, mas aquela ali. Ele sentia um afeto como se fosse alguém de sua própria família.

— Diga, Julie. — pediu, dando toda a atenção à moça.

— A nova fragrância está pronta. — Ela sorriu como se estivesse orgulhosa de si mesma. — O senhor gostaria de dar uma olhada agora?

Adrien olhou para o relógio. Tinha alguns minutos antes da próxima reunião. Ignorou o ex-secretário ainda parado no corredor e passou por ele. Enquanto a química explicava sobre as essências e especiarias usadas na nova fragrância.

Antes que ele entrasse no laboratório, ouviu a voz atrás de si dizer:

— O se-senhor... é uma pessoa horrível — o homem gaguejou totalmente trêmulo no começo. — Eu desejo que o senhor encontre alguém que o faça sofr...

Ele não ficou para ouvir o resto. Apenas entrou no laboratório, ignorando todas as pragas rogadas a ele. Era sempre assim. Nada de novo. Todo demitido jogava uma maldição em sua direção, mas nada acontecia. E aquele idiota nem era o suficiente para desafiá-lo como pensava. Só bastava uma olhada dele e todos se encolhiam como ratinhos.

Ninguém naquela empresa era ousado o suficiente para encará-lo nos olhos — nem mesmo os alfas. Ele era respeitado e temido, e aquilo era o suficiente.

Adrien foi até a mesa do laboratório, cumprimentando com um aceno de cabeça todos os profissionais. Quando chegou à mesa de Julie, observou um líquido cor-de-rosa bebê no frasco.

Ela abriu e entregou o frasco para cheirar o aroma. Era refrescante, gostoso, e lembrava folhas secas do outono.

— Bom… — sussurrou ele sendo sincero, observando os olhares aliviados da equipe. — Porém… ainda falta algo. Acrescente um pouquinho de baunilha. Vai ficar perfeito para os betas.

— Para os betas? — Julie perguntou um pouco cansada.

— Sim, esse é o tipo de aroma que beta gosta.

— Eu estava tentando fazer para ômegas. — Ela soltou um muxoxo.

— O aroma de ômega é um pouco único. O que você fez não está ruim, mas precisa ser melhorado. — Explicou Adrien, entregando o frasco para ela.

— Então o senhor aprova? — ela perguntou.

— Sim, está indo bem, só precisa da indicação que eu dei, que já podemos fabricá-lo

Ela deu um sorriso aliviado.

Adrien observou as outras fragrâncias nas mesas próximas, aprovando algumas e reprovando outras. Contudo, nenhuma ainda atingia o nível ideal. Seus perfumes eram conhecidos por provocar reações intensas em alfas e ômegas, despertando desejos irresistíveis que ajudavam os alfas a encontrar os seus parceiros — foi assim com seu irmão, seus clientes e amigos.

Entretanto, curiosamente, nunca havia encontrado alguém que provocasse tal loucura nele. Até hoje, estava sozinho — e talvez fosse assim que deveria ser.

Ele acenou em despedida ao pessoal do laboratório. Seu celular não parava de vibrar no bolso.

Saiu dali apressado e mandou uma mensagem ao gerente de RH:

“Helion, preciso de outro secretário o mais urgente possível. E seja exigente dessa vez. Quero alguém perfeito.”

Então, Adrien guardou o celular no bolso e ignorou o resto das vibrações. Até achar um novo secretário, teria muita coisa para resolver.

E, no fundo, esperava que, dessa vez, fosse alguém diferente.

Alguém que o desafiasse e atendesse aos seus padrões.

— • —

Simon passou as mãos pelos cabelos, sentindo a exaustão do dia abatê-lo com mais afinco do que o comum. Passara o dia inteiro deixando currículos, recorrendo até mesmo à jardinagem e a vagas de auxiliar de serviços gerais — e cada “não” soava mais pesado do que o anterior. Com o aluguel atrasado, as dívidas pelos remédios caros da sua mãe e os estudos, ele não podia se dar ao luxo de escolher um emprego perfeito para sua área.

Precisava de dinheiro urgentemente, ou sua situação se tornaria lamentável. Os últimos centavos que lhe restavam eram para pegar o ônibus. Sua barriga roncou ao passar por uma barraca de cachorro-quente.

Ele caminhou até o ponto de ônibus e sentiu seu celular vibrar. A tela quebrada mal deixava ver o número chamando, e o modelo antigo parecia um sobrevivente de guerra. Mas ainda servia para ligações, e isso era suficiente.

— Sim? — atendeu.

— Simon, estou saindo do trabalho. Que tal uma bebida agora? — a voz do alfa, seu amigo de longa data, soou animada.

Diferente dele, Lion havia conseguido um emprego maravilhoso e muito competitivo. Às vezes Simon sentia inveja, mas só às vezes.

— Cara, sinceramente, estou muito ferrado. Só quero ir para casa, tomar banho e descansar...

— Vamos, só um copo. Vai ser bom, faz tempo que não nos vemos.

— Está bem, só um. Devo chegar em uma hora.

— Estou te esperando no bar — afirmou Lion, desligando.

O seu ônibus chegou. Simon entrou, sentou-se em uma cadeira vazia e fechou os olhos, completamente cansado.

Um ponto depois, um alfa e um ômega sentaram-se à frente dele. As risadinhas chamaram sua atenção. Por um momento, Simon os observou — o casal feliz, envolto em um cheiro de amor. Rosas e pimenta. O aroma de quem encontrou o que ele ainda procurava.

Simon tinha trinta anos e nunca havia encontrado o seu predestinado.

Nunca se apaixonara. Nunca encontrara um alfa que o fizesse sentir que valia a pena arriscar o coração.

E sabia muito bem que envolver-se com o alfa errado era perigoso; eles podiam ser autoritários, ciumentos e possessivos demais.

Aquele era o conselho que sua mãe repetia desde a adolescência:

— Espere pelo seu alfa. Ele vai aparecer.

Até agora, nada.

Simon começava a perder a esperança.

O alfa à sua frente começou a se inquietar, esfregando o nariz e remexendo-se no banco mais vezes do que ele poderia contar.

Então ele se tocou: era o seu cheiro. Simon rapidamente mudou de assento para evitar qualquer constrangimento.

Discretamente, aplicou um neutralizador de odor que fabricara em casa — um aroma de beta, misturando baunilha, ferro e terra molhada. Dez minutos depois, percebeu que o alfa relaxou e voltou a prestar atenção ao próprio ômega. Simon respirou aliviado, guardando o frasco no bolso, útil para situações como aquela... ou muito piores. Uff, ele já passara por experiências terríveis dentro do ônibus e não queria mais repetir.

Colocou os fones de ouvido. Uma música animada começou a tocar. Fechou os olhos, afastando os pensamentos por alguns instantes.

— • —

No bar, o ambiente estava calmo e vazio. Simon encontrou Lion bebendo em um banquinho. O amigo fez uma careta ao sentir o cheiro estranho vindo dele.

— O que houve? — Helion perguntou, preocupado. — Problemas com alfas de novo?

— Nada grave. Só evitei que a situação ficasse constrangedora — respondeu Simon, colocando a mochila no banquinho ao lado vazio e sentando-se em outro.

— Esse seu perfume funciona mesmo — disse o amigo, torcendo o nariz. — Seu cheiro está horrível.

Apesar de ser alfa, Simon estava seguro perto de Helion; seu cheiro não causaria reação — a não ser que ele estivesse no cio. Nesses períodos, não importava se fosse o companheiro do alfa ou não, bastava alguém para aliviar o calor intenso. Fora isso, o aroma do amigo era simples e limpo — sabão de coco e carro novo.

Nada que despertasse os instintos de Simon.

Aquele não era seu alfa.

Ele riu e pediu uma bebida.

— Você paga, estou zerado.

Lion observou e assentiu.

— Ainda não conseguiu nada? — perguntou. — Você tem um currículo excelente, foi ótimo aluno na faculdade... só conseguia chegar atrasado em algumas aulas, mas não que isso importasse... Como não consegue nada? Impressionante.

— Pois é — lamentou Simon, apoiando a testa no balcão. — Trabalhar na área química é difícil. Se não fossem meus bicos noturnos, estaria ainda pior. Pelo menos consigo os remédios da minha mãe. Mas, se atrasar o aluguel mais um mês... estamos ferrados.

Lion soltou uma risadinha.

— A tia Diana já sabe dos seus bicos noturnos?

— Está louco? Ela vai me matar. — Riu, balançando a cabeça, e então parou. — Estou falando sério, ela me mata. Nunca conte.

— Está bem. Não sei como você explica isso para ela, mas ok.

Então Lion estalou os dedos, de repente animado.

— Eu tive uma ideia excelente e acho que vai gostar. Vai ser perfeito para sua área.

— Sério? — Simon sorriu lentamente, meio incrédulo.

— Sim. — Lion deu um gole na bebida. — Só preciso do seu currículo. O resto, eu cuido.

— Qual emprego? — perguntou Simon, desconfiado.

— Como secretário de Adrien Vince, na Kairós Fragrances.

Simon engasgou com a bebida, tossindo desesperadamente. Lágrimas brotaram em seus olhos. Olhou para o amigo como se ele estivesse louco.

— Adrien Vince? — indagou em um sussurro, completamente chocado.

O nome soou como uma sentença.

— Sim — confirmou o alfa. — O homem que nunca contrata ômegas... pelo menos, não para ficar ao lado dele.

Simon engoliu em seco. Por um instante, a cabeça girou e o coração acelerou.

Como vou sobreviver a esse homem cara a cara?

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