LOGINDuas vidas diferentes. Dois caminhos opostos. Um encontro que jamais deveria ter acontecido. Liam Carter tem tudo o que qualquer um poderia desejar: uma vida perfeita, uma família exemplar e um futuro cuidadosamente planejado. Desde sempre, aprendeu a fazer o que esperavam dele, a esconder os próprios desejos e a seguir um caminho que nunca escolheu de verdade. Até conhecer Dante Navarro. Deslumbrante, imprevisível e dono de uma liberdade que Liam sempre desejou, Dante vive pelas próprias regras. Ele não se importa com julgamentos, limites ou consequências. Para ele, a vida foi feita para ser vivida — mesmo que isso signifique desafiar tudo e todos. Quando os dois se encontram, aquilo que deveria ser apenas um acaso transforma-se em algo impossível de ignorar. Entre olhares que dizem demais, desejos que não podem ser revelados e segredos que ameaçam separá-los, Liam e Dante serão obrigados a escolher entre aquilo que o mundo espera deles e aquilo que seus corações realmente desejam. Mas existe um problema: eles não deveriam se apaixonar. Porque algumas histórias de amor não são proibidas por falta de sentimento... São proibidas porque amar a pessoa errada pode destruir tudo.
View MoreA mansão Carter era mais do que uma casa — era uma fortaleza de vidro e aço. Seguranças permaneciam espalhados pela propriedade, enquanto câmeras monitoravam cada movimento. Tudo era impecável, luxuoso e perfeitamente controlado.
Para Liam, no entanto, aquele lugar não passava de uma prisão dourada. Parado diante da janela do quarto, ele observava as luzes de Nova York brilharem à distância.
Do lado de fora, a cidade pulsava com vida. Pessoas caminhavam pelas ruas, carros cruzavam as avenidas e, em algum lugar naquela imensidão, existiam vidas que pertenciam apenas aos seus donos.
Liam queria uma delas. Queria liberdade.
Mas, dentro daquela mansão, o silêncio parecia engoli-lo pouco a pouco.
— Liam, seu pai quer vê-lo no escritório.
A voz fria do mordomo o arrancou de seus pensamentos. Liam respirou fundo antes de deixar o quarto. Desceu as escadas, e o som de seus sapatos ecoou pelo mármore impecável. Cada passo parecia aproximá-lo ainda mais de uma sentença que já conhecia de cor.
No escritório, Charles Carter, o patriarca da família, o esperava.
Era um homem imponente, de traços austeros e postura rígida. Sentado atrás da enorme mesa de madeira escura, segurava um copo de uísque enquanto observava o filho com um olhar que parecia julgá-lo antes mesmo de ele abrir a boca.
— Liam, é hora de parar de brincar de artista.
Charles tomou um gole da bebida.
— Você precisa começar a se preparar para assumir o Carter Group.
Liam engoliu em seco. Aquele discurso, ele já o tinha ouvido vezes demais.
— Eu já disse, pai. Não quero fazer parte do Carter Group. Eu quero...
— Basta!
Charles bateu o copo sobre a mesa. O som seco fez Liam se calar.
— Você é meu filho e, como tal, tem responsabilidades. Não pode simplesmente passar a vida desperdiçando seu potencial com pinturas.
Liam fechou as mãos cravandoas unhas na palma das mãos.
— Para você, tudo o que eu amo é um desperdício.
O olhar de Charles endureceu.
— A arte não vai sustentar o império que sua família construiu.
— Talvez eu não queira sustentar esse império.
Por alguns segundos, o escritório ficou em completo silêncio. Charles levantou-se lentamente.
— Esse não é o tipo de decisão que você pode tomar.
Liam sentiu o peito apertar.
— Então qual decisão é minha?
Charles não respondeu. Não precisava. A resposta estava estampada naquele olhar.
— Nenhuma.
Liam deixou o escritório antes que as lágrimas que lutava para conter aparecessem. Subiu para o quarto e fechou a porta.
Por alguns segundos, ficou parado. Então abriu o guarda-roupa, pegou uma mochila e começou a colocar algumas coisas dentro.
Ele sabia o que precisava fazer.
Precisava sair.
Nem que fosse apenas por algumas horas.
Precisava respirar.
....
Meia hora depois, Liam estava em uma pequena galeria de arte no centro da cidade.
Ali, longe do sobrenome Carter, ele podia ser apenas Liam.
Sob um pseudônimo, algumas de suas pinturas estavam expostas naquele espaço. O ambiente era simples, mas vibrava com criatividade. Quadros preenchiam as paredes, conversas baixas ecoavam pelo salão e uma música suave tocava ao fundo.
Liam sentiu os ombros relaxarem.
Ali, ninguém esperava que ele fosse o herdeiro perfeito.
Ninguém queria transformá-lo em um empresário. Ali, ele podia simplesmente existir.
Enquanto caminhava pelo local, seus olhos encontraram alguém parado diante de uma de suas obras. Era um jovem de aparência marcante.
Cabelos desgrenhados, braços cobertos por tatuagens, uma jaqueta de couro e botas gastas. Havia algo nele que destoava completamente daquele ambiente sofisticado.
E, estranhamente, Liam não conseguia parar de observá-lo. O rapaz parecia completamente concentrado na pintura.
— Interessante, não é?
O jovem virou-se.
Um sorriso curioso surgiu em seus lábios.
— É mais que interessante.
Ele voltou os olhos para a tela.
— É visceral.
Liam ficou em silêncio.
— Quem fez isso tem algo a dizer — continuou o rapaz.
As palavras atingiram Liam de uma maneira inesperada. Era raro alguém falar sobre seu trabalho daquela forma.
Sem julgamentos.
Sem mencionar dinheiro.
Sem perguntar quanto valia.
Apenas enxergando a pintura.
— E você? O que faz por aqui? — perguntou Liam, tentando parecer casual.
O rapaz deu de ombros.
— Passei por acaso. Não sou exatamente o tipo de pessoa que frequenta lugares como este.
Então voltou o olhar para Liam.
— E você? Parece deslocado também.
Liam soltou uma pequena risada.
— Talvez eu esteja.
O desconhecido estendeu a mão.
— Dante.
Liam hesitou por um instante antes de apertá-la.
— Liam.
O simples toque fez algo estranho percorrer seu corpo.
Uma sensação que não soube explicar.
Dante também pareceu notar alguma coisa, embora seu sorriso não revelasse o quê.
— Foi um prazer, Liam.
— O prazer foi meu.
Liam olhou discretamente para o relógio.
O tempo havia passado rápido demais.
Se demorasse muito, seus seguranças poderiam encontrá-lo. E ele não queria imaginar as consequências.
— Espero que a gente se veja de novo.
Dante sorriu de lado.
— Quem sabe.
Aquela resposta deveria ter sido insignificante.
Mas não foi.
Liam deixou a galeria às pressas.
Enquanto caminhava pelas ruas, percebeu que seu coração estava acelerado.
Não sabia se era por medo de ser descoberto ou por causa daquele estranho de olhos intrigantes.
Talvez fosse pelos dois.
---
Quando voltou à mansão, a atmosfera havia mudado.
A tensão pairava no ar.
Charles estava na sala de estar, esperando por ele.
Liam parou no último degrau.
— Espero que tenha aproveitado sua escapada — disse o pai, sem sequer levantar a voz. — Porque não haverá outra.
Liam não respondeu.
Apenas passou por ele e subiu novamente para o quarto. Assim que fechou a porta, encostou-se nela.
Seus olhos arderam.
Ele sabia que sua vida estava destinada a ser controlada.
Sabia que, mais cedo ou mais tarde, teria de enfrentar o futuro que seu pai havia escolhido para ele.
Mas naquela noite algo havia mudado.
Pela primeira vez em muito tempo, Liam sentira uma fagulha de liberdade.
Uma fagulha que não sabia onde o levaria.
E ela tinha um nome.
Dante.
O amanhecer do dia seguinte foi uma mistura de confusão e tensão. Liam acordou mais cedo do que o normal, sentindo um peso na consciência, uma mistura de emoções ainda difíceis de processar. O beijo de ontem à noite não estava mais em seus lábios, mas a sensação que ele provocou ainda estava em seu corpo e mente. Ele sentia uma vontade incontrolável de ver Dante novamente, de tentar entender o que havia acontecido, mas também temia o que esse encontro significaria.Sentado à mesa do café, Liam mexia distraidamente na xícara, o olhar distante, enquanto seu pensamento voltava incessantemente para o beijo. Dante havia dito que não se arrependeria, que queria tentar. Mas e ele? Liam não sabia ao certo o que queria, não tinha a certeza de seus sentimentos, e isso o deixava inquieto. Era mais fácil racionalizar que tudo não passava de uma confusão passageira, mas no fundo ele sabia que não era bem assim. Algo estava mudando, algo que ele não podia ignorar.Enquanto isso, Dante também lutava
O ar na oficina estava denso, pesado com tudo o que não havia sido dito. Liam ainda sentia o gosto do beijo nos lábios, e o peso de suas palavras não ditas pesava como uma rocha em seu peito. Dante estava diante dele, mas não mais como o homem destemido e confiante que sempre parecia ser. Algo havia mudado entre os dois, e Liam não sabia o que fazer com isso.Dante não tinha mais aquele olhar impassível, mas sim uma fragilidade rara, um vislumbre da verdade que ele sempre tentou esconder. O que estava acontecendo com ele? Como ele podia sentir tudo isso por Liam, quando nunca havia considerado um homem como objeto de desejo? A confusão era ainda maior do que ele queria admitir, mas no fundo ele sabia que não poderia ignorar o que estava acontecendo entre eles.O silêncio entre eles era desconfortável, mas, de alguma forma, também acolhedor. Liam tentava processar o turbilhão de emoções que sentia. A vergonha ainda o consumia, mas havia algo mais... um desejo profundo, uma necessidade
O silêncio que pairava na oficina após o beijo era denso e pesado, como se o tempo tivesse se estagnado, incapaz de avançar. Liam estava parado, sua respiração irregular, o corpo aquecido por uma energia estranha que ele não sabia como controlar. Ele olhou para Dante, mas o que viu foi algo que o deixou ainda mais perdido. A expressão de Dante estava tão intensa que parecia um reflexo dos próprios sentimentos confusos de Liam. Não era apenas a adrenalina do momento, mas algo mais profundo e incontrolável, como se o mundo ao redor deles estivesse desmoronando. Liam sentiu um calor inusitado subindo por seu pescoço. O beijo, aquele gesto espontâneo e urgente, parecia agora uma terrível falha. Ele sentiu vergonha, a tímida sensação de estar exposto, de ter ultrapassado uma linha que não sabia como voltar atrás. O que ele fizera? O que Dante pensaria? Ele se afastou, tentando esconder a aflição no fundo de seu olhar. Seu corpo estava tenso, seus dedos trêmulos. A última coisa que queria
A escuridão da noite envolvia a oficina como um véu, mas Dante sabia que algo estava errado assim que colocou os pés ali. O lugar, sempre bagunçado, parecia ainda mais caótico. Ferramentas espalhadas, marcas de pneus no chão e um cheiro de óleo queimado denunciavam que ele não estava sozinho. Ao se aproximar da bancada principal, viu um bilhete preso na parede com uma faca cravada. Suas mãos tremiam ao puxar o papel, lendo a mensagem escrita em letras grandes e raivosas: — "Seu tempo acabou. Resolva isso ou resolvemos você." Dante amassou o bilhete com força, sentindo o peso das ameaças que se acumulavam. A dívida não era apenas uma sombra em sua vida; agora era um perigo real que poderia engolir tudo. Ele precisava de um plano, mas cada opção parecia levar a mais caos. Na manhã seguinte, enquanto Dante lutava com suas preocupações, Liam enfrentava seus próprios desafios na mansão Carter. Durante o café da manhã, Charles colocou uma pilha de documentos na frente dele, cada um deta
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