FAZER LOGINAline sempre foi uma mulher determinada, mesmo que a vida nem sempre lhe desse as melhores cartas. Desde muito jovem, aprendeu a lutar pelo que queria, superando obstáculo que muitas pessoas sequer imaginavam. Após três anos de esforço intenso, ela se formou com honras em uma área promissora. Mas a realidade nem sempre corresponde às expectativas. Precisando pagar as contas, Aline continuou no trabalho fora de sua especialidade.
— Eu só preciso de um tempo. Logo, logo estarei onde quero estar, — ela dizia para si, todas as manhãs, ao encarar o espelho.
O que começou como um sacrifício temporário tornou-se uma oportunidade inesperada. Com dedicação e disciplina, Aline não só se destacou como foi promovida a um cargo efetivo na empresa.
Dividindo um apartamento com sua melhor amiga, Isadora, e vivendo um relacionamento aparentemente perfeito com Fred, Aline sentia que, enfim, estava encontrando a estabilidade que sempre buscou.
— Você merece, Aline. Trabalhou tanto para isso! — Isadora comentou uma noite, enquanto tomavam vinho no sofá do apartamento.
— Nem parece real às vezes, Isa. É como se eu tivesse... vencido.
Nos últimos meses, Aline, Isadora e Fred formaram um trio inseparável. Bares, restaurantes, noites de filmes — cada momento compartilhado parecia uma celebração da vida que Aline tanto desejou.
Porém, a vida nem sempre avisa quando vai virar de ponta-cabeça.
Era uma sexta-feira à noite. Depois de uma semana exaustiva, Aline havia combinado com Isadora de encontrarem-se em um bar. Fred, por sua vez, disse que não poderia ir, justificando que teria que trabalhar até tarde.
— Tudo bem, amor. Não se sobrecarregue, tá? Nos vemos amanhã, — disse Aline, beijando-o antes de sair.
Enquanto se arrumava para encontrar Isadora, algo começou a incomodá-la. Após várias tentativas de ligação, todas indo direto para a caixa postal, Aline murmurou, frustrada:
— Que estranho... Isadora sempre atende.
Tentando manter a calma, ela decidiu passar na empresa onde ambas trabalhavam. Talvez Isadora estivesse presa em alguma tarefa de última hora.
Chegando ao estacionamento, Aline foi tomada por um pressentimento estranho. O silêncio do local e as sombras lançadas pelas luzes do prédio criavam uma atmosfera inquietante.
Foi então que ela os viu.
Fred e Isadora estavam encostados em uma coluna, parcialmente escondidos pela penumbra, aos beijos.
Por um instante, o mundo de Aline pareceu parar. Ela congelou, incapaz de acreditar no que via. O coração disparava, o ar fugia dos pulmões, e uma dor lancinante atravessava seu peito.
— Que porra está acontecendo aqui?! Aline gritou, sua voz quebrando o silêncio.
Fred e Isadora se afastaram, visivelmente chocados. Isadora tentou falar, gaguejando:
— Aline, por favor... Eu posso explicar...
— Explicar? Aline interrompeu, os olhos marejados e a voz embargada. — Você está aos beijos com o meu namorado, Isadora! O que mais você poderia explicar?
Fred tentou intervir, em um tom defensivo:
— Aline, não faça drama. As coisas não são tão simples quanto parecem.
Essa frase foi a gota d’água. Aline sentiu como se uma faca atravessasse seu coração.
— Drama? Você destruiu tudo, Fred! Tudo!
Sem esperar mais explicações, Aline virou-se e saiu correndo, ignorando os chamados de Isadora.
Já na rua, com lágrimas escorrendo pelo rosto, ela vagou sem rumo, a mente tomada pelo caos e a dor da traição.
Após horas andando pelas ruas movimentadas da cidade, encontrou refúgio em um pequeno bar de esquina. Entrou, sem saber exatamente por que, apenas precisando de um lugar onde pudesse respirar.
Sentou-se em um canto escuro, pediu algo forte e tentou, mesmo que por um instante, anestesiar a dor que a sufocava.
Foi então que algo inesperado aconteceu.
O silêncio na mansão era profundo. Todos já haviam partido. A casa enorme, repleta de memórias, parecia maior e mais vazia do que nunca. Clark ficou ali, sozinho na sala de estar, observando a cidade através da grande janela de vidro. Na mão, um copo de uísque que ele nem tinha mais vontade de beber. Sua mente estava distante, vagando pelo passado. A infância ao lado da mãe, os momentos que passou tentando impressionar um pai que raramente demonstrava afeto… Agora, Dominic não estava mais ali. Ele suspirou, sentindo um peso no peito. Foi então que sentiu um toque suave em suas costas. Aline. Ela estava ali, tão linda como sempre, com aquele sorriso que parecia capaz de iluminar o mundo. — Não quero te ver assim, Clark. — Sua voz era suave, mas firme. Clark a olhou nos olhos e, pela primeira vez naquela noite, sorriu de verdade.Sem pensar duas vezes, ele a envolveu em um abraço apertado, buscando nela o conforto que precisava. Aline retribuiu o abraço, sentindo o coração dele b
A manhã nasceu sombria. O céu estava carregado de nuvens pesadas, o sol parecia ter desistido de iluminar Nova Iorque, como se o próprio universo lamentasse a perda. Logo, uma chuva fina e constante começou a cair, criando um cenário melancólico e silencioso. O corpo de Dominic Johnson foi levado para Massachusetts em um voo particular. A família seguiu em silêncio, acompanhada por um grupo de amigos, funcionários e empresários que respeitavam e admiravam o falecido patriarca. O destino era o Cemitério da Capela do Rei, fundado em 1630, o mais antigo da cidade, localizado no coração da Trilha da Liberdade. O cortejo fúnebre avançava lentamente. O pequeno carro que carregava o caixão movia-se pelo caminho de pedras úmidas, enquanto os presentes caminhavam em silêncio. O único som era o da chuva fina caindo sobre os guarda-chuvas e as folhas das árvores antigas. Era um dia de despedida. Clark Johnson caminhava ao lado de Aline, segurando firmemente a pequena mão de Gabriel. O meni
A noite estava pesada, sufocante. Clark não pregou os olhos. Seu corpo estava tenso, os pensamentos caóticos. A imagem do pai agonizando no hospital o assombrava. Ele sabia que Olivia tinha que pagar, principalmente agora que ele tinha certeza de sua culpa. Clark se levantou da poltrona, pegou o telefone e discou um número. A voz do outro lado atendeu em segundos. — JK, você sabe o que tem que fazer. Não a deixe escapar novamente. Do outro lado da linha, JK sorriu de canto. — Não se preocupe, eu a encontrarei e acabarei om isso.Clark apertou o telefone com força. Sua voz saiu fria, cortante. — Sem rastros, sem erros. Olivia precisa morrer esta noite. E qualquer um que tente protegê-la, morre também. JK assentiu, mesmo sabendo que Clark não podia vê-lo. — Pode deixar comigo, senhor Johnson.Clark desligou sem dizer mais nada. Ele confiava em JK. Se alguém poderia encontrar Olivia antes de Russo, era ele.Do outro lado da cidade, Olivia corria. Seu peito subia e descia rapidame
A raiva queimava dentro de Clark como fogo devorando um campo seco. A morte de Dominic foi a última gota. Seu pai pode ter cometido erros, pode ter sido duro e ausente, mas ninguém o matava e saía impune. Olivia pagaria. Ele fechou os olhos por um momento, tentando controlar a fúria crescente. Sua mandíbula estava travada, os músculos do pescoço retesados. Com um movimento firme, pegou o telefone e discou um número que sabia de cor. A ligação foi atendida no primeiro toque. — Senhor Johnson.Clark não hesitou. Sua voz saiu fria, cortante. — Quero Olivia. Viva ou morta. Mas se for viva, quero que ela chegue até mim ainda respirando. Quero olhar nos olhos dela antes de acabar com tudo. Do outro lado da linha, houve um breve silêncio, seguido de uma resposta direta. — Entendido. Em breve teremos um paradeiro. Clark desligou o telefone e respirou fundo. Dessa vez, Olivia não escaparia. Enquanto isso, do outro lado da cidade, um jato particular pousava discretamente em uma pista pr
A cidade de Nova Iorque seguia seu ritmo frenético, mas para Clark Johnson, o tempo parecia ter parado. O telefone em sua mesa vibrou, e ele, sem muito interesse, atendeu distraidamente. No entanto, assim que ouviu a voz aflita do motorista de Dominic do outro lado da linha, seu corpo inteiro ficou tenso. — Senhor Johnson! Seu pai… Ele foi baleado! — a voz do motorista tremia. Era evidente que o homem estava em pânico. — Dois tiros! Ele está sendo levado para o hospital agora! Clark sentiu o sangue gelar. Um choque percorreu sua espinha, deixando-o sem ar por um instante. — O quê?! — Ele se levantou bruscamente da cadeira, quase derrubando alguns papéis da mesa. — Onde ele está? — Hospital Presbiteriano! A ambulância acabou de sair! Clark não precisou ouvir mais nada. Desligou o telefone e saiu da sala em disparada. A assistente, Lessa, que estava do lado de fora, o viu sair e percebeu o pânico em seu rosto. — Senhor Johnson, está tudo bem? — Não! Ligue para a Aline e avise qu
As horas se passaram rapidamente, o tempo mudou trazendo nuvens acinzentadas, escurecendo a cidade de Nova Iorque, formando-se um temporal, quando Clark tomou uma decisão definitiva. Olivia estava viva, e isso significava apenas uma coisa: perigo. Ele não podia permitir que ela se aproximasse de sua família novamente. Naquele mesmo dia, Clark reuniu um grupo de homens de sua confiança e os enviou para vigiar o apartamento de Olivia. Se ela ainda estava na cidade, não demoraria muito para aparecer. Eles receberam ordens claras: descobrir seus passos, entender seus movimentos e, se necessário, agir antes que ela pudesse causar algum estrago.O que Clark não imaginava era que Olivia já estava um passo à frente. Em um apartamento alugado em outra parte da cidade, Olivia observava o reflexo no espelho. Seu rosto, mesmo após o tratamento inicial, ainda carregava marcas das queimaduras. Mas aquilo não importava agora. Seus olhos refletiam algo muito mais intenso do que vaidade. Ódio.Ela d







