Compartir

Capítulo 4°

Autor: Ieda Lemos
last update Fecha de publicación: 2024-01-05 04:39:33

Não demorou muito e a minha casa foi praticamente invadida por curiosos.

Minha mãe entrou afastando as pessoas. Ela as reprovava impaciente:

— Saiam da minha casa, bando de abutres!

Eu estava confusa. Não conseguia acreditar no que as pessoas diziam.

— Não é verdade, é mãe?— foi a primeira vez em que eu segurei o meu ventre lembrando-me de que carregava um filho ali.

— Filha, não acredite nessas pessoas! Não houve sequestro algum!

Eu não sabia como minha mãe tinha tanta certeza do que dizia, mas aceitei o seu abraço que era tudo o que precisava naquele momento.

Depois de um tempo, Ana e Maria chegaram da cozinha com um copo de água e minha mãe se afastou falando como quem escolhe as palavras:

— Eu não queria te deixar triste, filha, mas eu creio que o seu noivo desistiu de se casar. Ele é jovem e deve ter ficado assustado com tanta responsabilidade, ainda mais você estando grávida!

Eu olhei para a minha mãe sem acreditar em tamanha crueldade.

— Como pode pensar uma coisa dessa! O Arthur nunca faria isso comigo!

Eu aceitei a água das mãos de Maria, depois subi as escadas como um robô. Estava desolada, mas acreditava que Arthur chegaria no dia seguinte com uma desculpa convincente.

Aquela noite foi uma das mais difíceis que eu já vivi. Acordava assustada e pensava que tudo não passou de um pesadelo.

Eu nem imaginava, mas pesadelo mesmo era o que Arthur estava vivendo. Ele foi levado para longe e colocado na presença do todo poderoso Victor Sorano.

— O que quer de mim? Por que me sequestrou? O que espera com isso?

Victor com olhar sombrio do outro lado da mesa, respondeu seco:

— Não acho que mereça ser enganado, rapaz! Precisa saber tudo a respeito da sua noiva.

Arthur ouvia cheio de ódio. Ele não queria ouvir coisa alguma. Tudo o que desejava era estar se casando com a mulher amada.

— Nada que disser irá me fazer desistir de Nora! Eu a amo desde que ainda éramos crianças!

Victor riu sarcástico e retrucou:

— Aos meus olhos, ainda são!

— E por que quis casar-se com ela?— Arthur quis saber.

Victor se levantou, inclinou o corpo na direção do seu oponente e esbravejou:

— Ela me pertence! Não entende de negócios!

— Entendo de mulheres, de amor!

Victor voltou a sentar, sentindo-se derrotado. Ele não entendia mesmo nem de mulher e muito menos de amor. Mulher era um prazer comprado e amor, fantasia da cabeça de lunáticos.

— Ela espera um filho meu!— Victor disse sério encarando Arthur.

— Ficou louco? Ela é minha mulher! Eu fui o primeiro. Nora é uma mulher decente. Não vai me convencer do contrário!

Victor insistiu convincente:

— Você foi apenas o primeiro. Tivemos alguns encontros. A mãe dela a trouxe aqui. Mesmo que tenha sido para aliviar a dívida que elas têm comigo, mas foi o suficiente para gerar o meu herdeiro.

Arthur lembrou-se de que a sogra fez questão de avisar Victor da gravidez da filha. Na época, isso não fazia o menor sentido, mas agora, ouvindo palavras tão convincentes, estava confuso.

— Isso não me importa! — ele disse levantando-se.

Victor ficou surpreso e Arthur continuou:

— Se ela se vendeu, foi por necessidade. Você é o vilão dessa história! Você compra as pessoas. Tudo para você não passa de negócios!

Victor se levantou irritado e jogou a última carta:

— Está bem! Então vá e se case com a mãe do meu filho. Ao menos não está sendo enganado, graças a mim! Cuide bem do meu filho. Não se preocupe, não deixarei que nada lhe falte!

Arthur ficou paralisado e Victor continuou sentindo-se vitorioso:

— Melhor assim, meu rapaz! Ao menos quando ela vier me procurar para aliviar um pouco mais a divida que tem comigo, não o estará traindo mais! Agora você já sabe de tudo!

Arthur acompanhou com o olhar os passos de Victor que foi lhe abrir a porta do escritório.

— Vá! Se case com a minha mulher! Agora sabe que ela me pertence. Boa sorte!

Arthur sentiu uma dor muito grande, mas não demonstrava seus sentimentos àquele ser frio e amargo. Saiu correndo e entrou no carro preto onde era esperado.

— Vamos! Me levem de volta para a igreja! Vamos logo!— ele falava desesperado.

Como Victor morava na capital, claro que a essas alturas não seria possível mais haver casamento.

Arthur foi deixado na porta da igreja onde não havia mais ninguém. Sua casa não era longe e ele fez o trajeto a pé e chorando. Chegou em casa desolado e recebeu o abraço dos pais.

Para sua surpresa, o seu pai lhe falou, depois que se acalmou:

— Eu entendo que não entraria nessa canoa furada, filho!

— Não supõe que eu possa ter sido sequestrado? Por que tem tanta certeza de que eu simplesmente desisti.

A mãe de Arthur ficou inquieta e acabou por confessar.

— Nós sabemos de tudo. Sabíamos que não se casaria. Victor Sorano nos procurou pessoalmente e nos contou a respeito da dívida que a família da sua noiva tem com ele.

— Fingiram que aceitaram meu casamento?— Arthur indagou incrédulo.

O pai dele esclareceu toda a história:

— Ele nos preparou. Disse para não contrariar você, para que não se casasse por capricho! Ele nos contou que se Nora não te contasse a verdade, ele contaria, mas que você não faria papel de bobo nesta história.

Arthur se afastou falando alterado:

— Vocês se venderam! Deixaram que eu ficasse na ignorância, dependendo de uma mulher adúltera! Quanto eles pagaram para vocês? Ele compra todo mundo!

A mãe de Arthur tentou se justificar:

— Aquela moça nunca te amou filho! Ela é rica, bem criada, nós somos trabalhadores, não nascemos em berço de ouro! Esse casamento nunca daria certo!

Arthur se dirigiu ao seu quarto esbravejando:

— Deixaram que eu fizesse papel de idiota todo esse tempo, enquanto Nora pagava a divida com o seu corpo! Deixaram que ele me contasse! Vocês são desprezíveis!

O pai de Arthur ainda tentou tranquilizar o filho piorando a situação que já não estava boa:

— Precisávamos daquele dinheiro, filho! Ele nos ofereceu muito pelo nosso silêncio. Ele nos garantiu que não se casaria com essa moça!

Arthur se trancou no quarto e adormeceu fazendo planos de falar poucas e boas para seu amor de infância.

Continúa leyendo este libro gratis
Escanea el código para descargar la App

Último capítulo

  • O Homem de Pedra    A Grande Final ❤️

    Eu olhei para trás assustada. Eu tinha certeza de que eram os carros do Victor. O senhor Joaquim estava tranquilo e achava que era impressão do motorista. As moças ficaram desesperadas e começaram a pedir para o motorista correr. Eu cheguei a pensar que o homem havia sido comprado pelo Victor. Ele falou umas coisas estranhas. — A senhora não sabe de alguém que seja contra o seu casamento, senhora? Eu sei quando alguém está me seguindo! — Victor!— minha boca me traiu. — Victor Sorano? Mas ele não a abandonou nesse fim de mundo?— foi uma das moças quem falou. A outra se desculpou pela colega. — Desculpe senhora! Nós não somos daqui, mas ontem quando chegamos, fomos num bar e esse era o assunto! Disseram até que esse filho é do outro! Senhor Joaquim olhou para trás tranquilamente e depois voltou à posição anterior dizendo: — Não é nada! Eu fechei o semblante e ordenei ao motorista: — Ignore esses carros, senhor, eu tenho convidados de posse que moram na capital! Na verdade,

  • O Homem de Pedra    Capítulo 144°

    Naquele dia, Arthur me achou estranha. Eu estava quieta, distante. — Está assim porque o casamento está próximo, é perfeitamente normal, Nora!— ele disse preocupado. Eu suspirei entristecida o dia inteiro. Arthur perdeu a paciência. — Eu não me importava que desistisse de se casar comigo, se ele ao menos te amasse, Nora! Voltamos para casa mais cedo e tivemos uma despedida fria na porta da minha casa. Eu não queria magoá-lo, mas também não gostava de me sentir daquele jeito. Confusa, perdida. Uma tinha um vazio no peito que me consumia. Fiquei no meu quarto até ouvir o barulho de carros parando na minha porta e corri para a sacada. Ele desceu do carro. Eu vi o meu amor olhando para cima. Ele entregava o Júnior para Ana. Eu desci as escadas correndo, o coração acelerado gritando desesperado para se jogar naqueles braços e dizer que nada mais importava, que eu o amava e que eu só queria o seu amor, eu não podia mais viver sem o seu cheiro. Quando enfim, eu cheguei n

  • O Homem de Pedra    Capítulo 143°

    Naquela semana, minha mãe se casou no civil com Joaquim e não teve festa, a pedido dele. Ela fazia tudo para lhe agradar. Depois do almoço em família, voltamos para casa. Eu estava exausta, com os pés inchados. Arthur foi comigo e lá anunciou que nos casaríamos em breve. — Victor sabe disso?— minha mãe ficou incrédula. — Não é da conta dele, mulher!— Senhor Joaquim sempre me defendia, parecia meu pai. Arthur me deixou em casa e ainda fez massagem nos meus pés, antes de ir embora. Depois de um tempo, Júnior já dormia no seu quarto, Maria passava um café, quando Ana entrou correndo, dizendo que dois carros pretos pararam na frente da minha casa. Eu saí correndo, imaginei que fosse o Victor. Quem mais chegaria na cidade com escolta? — Alberto! Ele caminhou na minha direção com a sua elegância e tomou a minha mão para beijar. — Então é aqui que a princesa se esconde?— ele disse brincalhão. Ana mediu o visitante de cima a baixo. Maria

  • O Homem de Pedra    Capítulo 142°

    Eu pulei no pescoço do meu amigo sorrindo enquanto as lágrimas de felicidade escorriam. — Obrigada Arthur! Você é incrível! De repente eu me lembrei de um detalhe. — E a sua namorada? Ela me odeia! Arthur deu uma risada sonora e respondeu: — Ela também me odeia, Nora! Desde que você voltou não foi como antes! Além do mais, ela disse que não iria morar na fazenda comigo de jeito nenhum! Eu fiquei surpresa. — Qualquer moça desta cidade iria querer casar com um fazendeiro jovem e bonito como você! Arthur encheu o peito orgulhoso e brincou: — Verdade, até já estou recebendo algumas cantadas! Eu lhe dei alguns safanões no ombro, falando brincalhona: — É mesmo? Pois diga para essas oferecidas que você já tem dona, ouviu? Arthur me abraçou sorrindo. — Vamos casar logo então? Eu murchei e os meus braços deslizaram. — Casar logo? Por que a pressa? — Vamos ter um filho, não vamos? Eu ri sem jeito. — Esse

  • O Homem de Pedra    Capítulo 141°

    Depois de uma semana, Victor voltou de viagem e a notícia da minha suposta gravidez, caiu como uma bomba. — O quê? Grávida! Ela está escondendo de mim que está grávida? Diana viu todos os objetos da escrivaninha espalhados pelo chão e segurou o peito, nervosa. — Calma, filho! Não pode falar com ela assim! Ela está magra e abatida! — O que quer que eu faça mãe? Quer que eu deixe ela ter esse filho longe de mim? Eu não devia ter ouvido os seus conselhos! Agora ela vai ter outro filho e se eu for mais trouxa, ela vai se casar com o salvador da pátria, para não ter que voltar comigo! — Do que está falando menino?— Diana se queixou impaciente. — Daquele ex noivo dela, mãe! Ele vive rondando a casa, eu vi! Diana ficou sem jeito, vendo que o filho não sabia de tudo. Victor ficou desconfiado. — O que foi? Tem mais alguma coisa para me contar? Diana fechou os olhos e soltou: — Ele está lhe apoiando e vai a fazenda todos os dias com ela! —

  • O Homem de Pedra    Capítulo 140°

    No dia seguinte, eu cheguei na fazenda pisando fundo. Arthur subiu as escadas atrás de mim. — O que aconteceu, Nora? Por que não me conta? — Já vai saber!— Eu disse olhando rapidamente para trás. O administrador estava no alto esperando preocupado. — Nossa, menina! Que bicho que te mordeu? Por que está nesse alvoroço todo! Eu passei direto para o escritório e os homens me seguiram. Eu sentei atrás da mesa os encarando, afogada. — Onde está o engenheiro agrônomo? Onde está o Thomas? Joaquim cruzou os braços e respondeu gesticulando suavemente com as mãos: — Ele passou aqui cedo para se despedir. Disse que o seu marido dispensou ele. Eu ia interromper para dizer que Victor não era meu marido, mas deixei ele falar, porque isso não fazia diferença alguma diante do assunto. — Mas ele não estava triste não! Até me pareceu alegre, só disse que lamentava não ter conhecido melhor a patroa! — Ousado!— Arthur exclamou. Eu fiz um g

Más capítulos
Explora y lee buenas novelas gratis
Acceso gratuito a una gran cantidad de buenas novelas en la app GoodNovel. Descarga los libros que te gusten y léelos donde y cuando quieras.
Lee libros gratis en la app
ESCANEA EL CÓDIGO PARA LEER EN LA APP
DMCA.com Protection Status