FAZER LOGINYannis
O user Ghost era um amador. Um mercenário de baixo nível que provavelmente vendia sensações baratas no The Void apenas para manter o aluguel de algum cubículo úmido e o estoque de comida congelada em dia. Encontrá-lo foi um exercício ridículo, como resolver um quebra-cabeça de dez peças destinado a crianças. Um dia depois de ter flagrado o nome de usuário dela brilhando na tela do celular enquanto eu recolhia as xícaras da mesa atrás da sua, eu já tinha o endereço real dele, o IP, o histórico bancário e todas as vulnerabilidades que ele tentava esconder atrás de um firewall de segunda categoria. Eu não precisei sair de casa para destruí-lo. O mundo digital é o meu reino, lá eu era uma espécie de rei,a começar pela forma como era conhecido no meio. Na noite de terça-feira, enquanto o resto da cidade dormia sob a falsa segurança de suas senhas alfanuméricas, eu iniciei o protocolo. Abri uma janela de chat criptografada, direta e invasiva, que saltou na tela dele como um espectro.Alphaking: Você tem um encontro na Rua 4 amanhã à noite. Um encontro com a usuária 'Canelinha'.Ghost: Quem é você? Como entrou aqui?Alphaking: : Alguém que pode apagar sua existência digital em dez segundos ou dobrar o valor do seu contrato em cinco. Você escolhe. Enviei o comprovante da transferência. Uma fração das minhas carteiras frias de criptomoedas, dinheiro que a polícia, em sua infinita inexperiência, nunca conseguiu rastrear quando queimaram minha ficha criminal. Eles acham que me reabilitaram, que me transformaram em um cidadão comum que ganha a vida atrás de um balcão de cafeteria. Eles precisam dessa ilusão e eu preciso daquele avental para manter as aparências. O emprego estável é minha camuflagem perfeita contra os oficiais de condicional, ninguém suspeita do cara que decora se você prefere adoçante ou açúcar mascavo. Mas, por baixo da camiseta verde e do cheiro de café torrado, eu ainda sou o arquiteto do mundo digital. E eu tenho liquidez suficiente para comprar aquela cafeteria dez vezes antes do fechamento do caixa.Alphaking: O dinheiro está na sua conta. Agora, passe as credenciais do fórum e suma. Se eu detectar um único login seu, ou se você chegar a cem metros daquela esquina, eu envio seu histórico de buscas para a divisão de crimes cibernéticos. Entendido? A resposta foi imediata. O medo tem um cheiro específico, mesmo através de fibras ópticas. As credenciais foram entregues. O contrato dela agora era meu. Eu não estava apenas assumindo um papel,eu estava comprando o direito de possuir a noite de Elizabeth. ... Agora, no café, o relógio na parede parece zombar da minha paciência. Cada segundo é um arquivo carregando com uma lentidão desesperadora. Eu estou em um estado de alerta que não sentia há anos, uma vibração sob a pele que me lembra de quem eu realmente sou. Às 15:00 em ponto, o sino da porta toca. É ela. Mas hoje ela não está sozinha. Elizabeth, minha canelinha, minha obsessão impecável entra e vai ao encontro de uma amiga. Eu as observo enquanto finjo limpar o balcão. A acompanhante é uma mulher por volta dos trinta anos, com um olhar pragmático e uma postura relaxada, o oposto da rigidez quase aristocrática de Elizabeth. Elas se cumprimentam,se abraçam e sorriem. Sei que é seu aniversário,a mulher que está com ela já havia me feito um pedido especial antes dela chegar. Estão em uma mesa reservada e começam uma conversa que, para qualquer ouvido comum, seria apenas o diálogo natural de duas adultas comemorando um aniversário. Mas eu não sou um ouvido comum. Eu a escaneio. Vejo o tremor imperceptível nas mãos de Elizabeth quando ela ajusta o relógio de pulso. Noto como seus olhos fogem para a janela, buscando alguma passagem de tempo. Ela está interpretando o papel da executiva bem-sucedida, da amiga presente, mas o seu "código" está falhando. O desejo de ser quebrada está vazando pelas frestas da armadura que ela mesma deve ter construído por anos. Quando a amiga me chama para trazer o bolo, sinto o gosto metálico da vitória. Vou até a cozinha e preparo o prato. Ignoro os bolos coloridos e infantis. Escolho uma fatia de chocolate amargo, denso, quase negro. É um teste de resistência. Quero ver se ela consegue digerir a intensidade do que está por vir antes mesmo de chegarmos à rua. É incrível pensar que ela planejou isso pra hoje,seu próprio presente de aniversário. Caminho até a mesa. O som dos meus passos parece ecoar no silêncio que eu projetei em volta dela. Coloco o bolo na mesa com precisão. — Presente da sua amiga. Digo, a voz baixa, calibrada para vibrar apenas na frequência dela. — Achei que você não ia querer nada... clichê hoje. Eu disse, deixando minha voz descer um oitavo. A palavra "clichê" flutuou entre nós como um código. — Obrigada. Ela respondeu. Curta. Seca. Uma tentativa desesperada de retomar as rédeas da interação e me colocar de volta na caixa de "apenas o atendente". Eu dei um meio sorriso, aquele que eu sabia que a tirava do eixo, e me inclinei um pouco mais, invadindo o espaço pessoal que ela protegia com tanto zelo. — De nada, Canelinha. Retruquei, saboreando a forma como o apelido soou como um segredo compartilhado entre dois cúmplices. Vi o pulso dela saltar no pescoço. — Coma tudo. Sussurro, inclinando-me o suficiente para que ela sinta o calor da minha presença. — Você vai precisar de energia para o que vem depois....O horário de pico ainda nem começou. A amiga ri, fazendo algum comentário sobre minha atenção aos detalhes, mas Elizabeth não consegue acompanhar a brincadeira. Ela está paralisada. Eu volto para trás do balcão e observo-as de longe. Ela mexe no chocolate com o garfo, mas sei que não está sentindo sabor nenhum. Ela está pensando na Rua 4. Está imaginando o homem sem rosto que ela contratou para dominá-la. Mal sabe ela que o verdadeiro"Ghost" foi deletado. O contrato foi atualizado. Meu turno acaba em uma hora. Vou para casa, trocarei o avental pelo preto que me funde às sombras e estarei lá, esperando na esquina. Ela pediu uma surpresa. Eu vou entregar isso a ela. A noite vai ser longa, Elizabeth. E eu mal posso esperar para ter o controle de todo o seu prazer.Elizabeth Eles falavam comigo como se eu fosse uma estagiária incompetente, e não a mulher que triplicou o valor de mercado da firma nos últimos dois anos. A angústia começou a subir pelo meu peito, uma sensação de sufocamento que me dava vontade de gritar. Eles controlavam o meu tom de voz, o meu vocabulário e, se pudessem, até os meus pensamentos. — Olá, priminha. Continua sendo a estrela da constelação, pelo que vejo. Virei-me e vi Caleb meu primo, encostado no batente da porta. Caleb era o único ali que não me via apenas como um investimento ou um troféu. Crescemos juntos, dividindo o mesmo ar rarefeito da alta sociedade e a mesma pressão esmagadora. Mas, para ele, o fardo sempre pareceu mais cruel. Leo perdeu o pai de uma forma terrível quando ainda era apenas uma criança uma tragédia que prefiro nem lembrar nos detalhes, mas que deixou cicatrizes profundas em todos nós. A morte brutal do meu tio foi o que forçou minha tia e ele a se mudarem para perto de nós. Meus
Elizabeth O luxo silencioso da minha cobertura em Chicago parecia sufocante. Assim que entrei, joguei as chaves na mesa de cristal e caminhei em direção ao escritório, ignorando a dor que ainda pulsava suavemente entre minhas coxas. Eu precisava encerrar o ciclo. Precisava que essa noite deixasse de ser uma memória carnal e se tornasse um arquivo fechado em meu sistema. Abri o notebook com mãos que ainda insistiam em tremer. Acessei a plataforma criptografada e, com a precisão de quem assina um contrato multimilionário, autorizei a transferência para o Ghost. O valor era alto, mas era o preço da minha liberdade emocional. Junto ao comprovante, digitei aquela mensagem curta, reafirmando que ele fora um profissional impecável, mas que aquilo fora um evento único. Cliquei em enviar. Meu coração martelava contra as costelas enquanto eu observava o ícone de carregamento. A resposta veio quase instantaneamente, mas não era o que eu esperava.Ghost:"Ok." E então, o status mudou pa
Yannis Eu me afastei para as sombras, fundindo-me à escuridão que sempre foi meu lar. Observei Elizabeth se levantar, as mãos pequenas tentando em vão consertar a imagem de executiva poderosa que eu acabara de destruir. A Rua 4 não era lugar para mulheres como ela, especialmente às três da manhã e com as roupas rasgadas. Eu sabia quem rondava aquelas esquinas. Saí silenciosamente por uma passagem lateral e subi até o parapeito de uma janela quebrada no segundo andar. De lá, eu tinha uma visão clara do Mustang dela estacionado sob a luz amarela de um poste velho. Meus olhos varreram o perímetro. Dois usuários de drogas se moviam nas sombras de um beco próximo, observando a figura de Elizabeth com intenções que eu conhecia bem demais. Minha mão se fechou em um punho,se um deles ousasse dar um passo na direção dela, eu não hesitaria em terminar o que a noite começou, mas de uma forma muito mais sangrenta. Eu esperei, imóvel como uma estátua, até que ela entrasse no carro e as
Elizabeth Eu já tinha experimentado isso antes, mas nada me preparou para o que o Ghost estava fazendo. Não era apenas o tamanho ou a força, era a intenção. Cada estocada era um aviso. Ele se movia com uma brutalidade ritmada, profunda, esticando meus limites de uma maneira que me fazia arfar, buscando oxigênio em um ambiente que parecia ter ficado sem ar. — Isso... aproveita cada centímetro, Canelinha. Ele rosnou no meu ouvido, o apelido vibrando contra minha pele e enviando choques elétricos para o centro da minha intimidade. O prazer era diferente. Era uma queimação surda que se espalhava pelo meu baixo ventre, uma sensação de estar sendo preenchida de forma absoluta. Meus dedos se enterraram no tecido do colchão enquanto eu empurrava meu corpo contra o dele, buscando mais daquela dor deliciosa. Ele me segurava pelos quadris com uma força que deixaria marcas de dedos por dias, ditando um ritmo impiedoso que me fazia ver estrelas na escuridão. No meio daquele caos se
Elizabeth — Olhe como você está molhada...Ele disse, o ritmo ficando cada vez mais frenético. — Você é só uma putinha rica implorando pelo meu pau, não é? Você gosta de ser tratada assim. Gosta de saber que aqui dentro você não manda em nada... Sua buceta está me apertando tanto... você está desesperada por isso. As palavras dele eram como chicotes, inflamando um desejo que eu nem sabia que possuía. Ele não parava; ele me queria entregue, quebrada, totalmente dele. — Se solta, Canelinha. Ele ordenou, apertando minha cintura com tanta força que eu sabia que ficariam marcas. — Esquece quem você é lá fora. Se perde no meu pau como você nunca fez com nenhum desses caras de terno que você conhece. Seja minha. Agora! Ouvir aquelas coisas sujas, ditas com aquela voz que eu reconhecia, mas que agora pertencia a um monstro, foi o gatilho final. O ápice me atingiu como uma onda de choque, me deixando sem forças, enquanto eu gritava de prazer para a escuridão do prédio. Eu estava go
Elizabeth Ele deu um passo à frente, invadindo meu espaço pessoal com a autoridade de quem já era dono de cada centímetro do meu corpo. Senti o calor de sua mão subindo pela minha coxa, deslizando por baixo da seda da minha saia que já estava arruinada. Quando seus dedos encontraram a evidência física da minha traição, a umidade em minha calcinha que denunciava o quanto meu corpo ansiava por aquele perigo, ele soltou uma risada baixa e carregada de escárnio. — Olhe só para isso... Ele sussurrou, a voz vibrando de uma satisfação cruel. — Tão molhada. Você está toda trêmula, chorando por causa de um relógio quebrado, mas seu corpo está implorando por mais. Você adora isso, não adora, Elizabeth? Adora ser tratada como a pequena vadia que você esconde sob esse blazer caro. Ele se moveu para trás de mim, circulando meu pescoço com uma das mãos em um aperto firme, mas não o suficiente para me sufocar, apenas para me lembrar de que ele tinha o controle da minha respiração. Com a ou







