INICIAR SESIÓNSem teto, sem emprego e sem querer continuar em um relacionamento de cinco anos, Elena Hart tomou a decisão mais drástica de sua vida: cancelou o próprio casamento no altar. Em busca desesperada por uma saída e por um novo recomeço, um tropeço acidental muda o seu destino, literalmente ao derrubar café no terno impecável de Alexander Thorne. Alexander é o temido CEO da cidade: um viúvo implacável, frio e completamente perdido tentando controlar seus três filhos pequenos. Em vez de aceitar o reembolso pelo estrago, ele impõe uma condição inusitada: Elena pagará sua dívida trabalhando como a nova babá dos trigêmeos. O que parecia um acordo punitivo logo se transforma em um jogo perigoso de convivência. Em meio a discussões acaloradas, madrugadas em claro e a rotina caótica com as crianças, Elena começa a enxergar as rachaduras na armadura do poderoso magnata. No entanto, o caminho para refazer essa família está longe de ser simples. Uma das crianças recusa a aceitá-la, o fantasma do ex-noivo promete não dar trégua, rivalidades maldosas se insinuam e segredos enterrados ameaçam vir à tona. Entre a obrigação do contrato e uma atração avassaladora, será Elena capaz de amolecer o coração do CEO e transformar esse caos em um lar?
Ver másElena Hart
A primeira coisa que perdi naquela noite foi um dos meus sapatos; a segunda foi o resto da minha dignidade. Segurei a barra do vestido de noiva com as duas mãos e corri o mais rápido que minhas pernas permitiam, sentindo o tecido pesado arrastar atrás de mim enquanto atravessava a rua sem me importar com os carros, as buzinas ou os olhares assustados das pessoas. — Elena! — ouvi alguém gritar atrás de mim. Meu coração disparou, mas não olhei para trás, pois sabia que perderia a coragem se o fizesse. Meu véu havia se soltado parcialmente do cabelo e balançava atrás da minha cabeça como uma bandeira branca, embora eu estivesse longe de me render. Como o outro salto ameaçava escapar do meu pé, simplesmente o tirei e o joguei para o lado, correndo descalça pelas ruas — uma noiva com a maquiagem borrada pelas lágrimas e um vestido que provavelmente custara mais do que o primeiro carro que eu havia comprado. Que cena ridícula. Se alguém tivesse me contado algumas horas antes que eu terminaria a noite correndo como uma fugitiva, eu teria rido. Na verdade, talvez ainda estivesse rindo se não estivesse tão apavorada, sentindo meu peito doer e minha garganta queimar. Eu precisava chegar a algum lugar seguro, qualquer lugar onde pudesse desaparecer. — Elena! Volte aqui! Fechei os olhos por um segundo. Eu não voltaria, não importava o que acontecesse. Continuei correndo até avistar a fachada iluminada de um enorme hotel do outro lado da rua. Era perfeito: um lugar cheio de pessoas, câmeras, funcionários e segurança onde eu talvez conseguisse despistá-los. Atravessei a porta giratória quase tropeçando na cauda do vestido. — Senhora, você está bem? — um funcionário perguntou, arregalando os olhos. — Estou ótima — menti, ofegante, embora não estivesse nem de longe. Olhei para trás através do vidro e, graças a Deus, eles ainda não haviam entrado. Corri até o elevador mais próximo e apertei o botão repetidamente. — Vamos... vamos… As portas finalmente se abriram e eu entrei, apertando qualquer andar e encostando as costas na parede para tentar recuperar o fôlego. Foi quando percebi minhas mãos tremendo e caí na real: eu havia realmente fugido. — Você é uma covarde, Elena — murmurei para mim mesma, sentindo uma lágrima escorrer pelo meu rosto. — Uma covarde estúpida. As portas se abriram no andar sorteado, revelando que eu não estava sozinha. Cinco homens vestindo ternos impecáveis saíram do elevador, e, no meio deles, havia um homem que parecia ter sido arrancado diretamente de uma capa de revista. Ele era alto, largo, tinha os cabelos escuros perfeitamente penteados, vestia um terno preto que provavelmente custava mais do que todos os meus móveis juntos e sustentava um olhar tão frio que, por um instante, esqueci completamente que estava fugindo. Ele parou diante de mim, percorrendo os olhos pelo meu vestido, meus pés descalços e finalmente meu rosto, antes de erguer uma sobrancelha. — Posso ajudar? — Ela entrou aqui! — ouvi vozes atrás de mim. Meu sangue gelou. Sem pensar, avancei e agarrei o braço daquele desconhecido. — Por favor. Ele olhou para minha mão em seu braço e depois para o meu rosto: — Por favor, o quê? — Finja que me conhece. O silêncio reinou enquanto os homens que o acompanhavam trocavam olhares. — Você costuma abordar estranhos vestida de noiva ou eu tive sorte hoje? — ele perguntou, completamente impassível. — Eu não estou brincando! — minha voz saiu mais alta do que deveria. As portas do elevador se abriram novamente e dois homens apareceram no corredor. Meu coração quase saiu pela boca. — Ali! Agarrei o paletó do desconhecido em desespero. — Eu imploro. Ele me encarou por alguns segundos antes de, para minha surpresa, passar um braço pela minha cintura e me puxar para perto. Meu corpo inteiro ficou rígido. — Sorria — ele murmurou. — O quê? — Se quer que eu ajude você, tente parecer menos apavorada. Tentei obedecer, resultando provavelmente no sorriso mais horrível da minha vida. Os homens se aproximaram. — Senhor Thorne — um deles cumprimentou, parando diante de nós. — Desculpe incomodá-lo. Estamos procurando Elena Hart. Meu sangue gelou outra vez. Alexander olhou para mim e depois voltou os olhos para o homem. — E por que estão procurando por ela? O homem apontou diretamente para mim: — Porque é ela. Não havia como negar nem fingir que não me conheciam, eu estava totalmente encurralada. Alexander percebeu a situação. — Ela está fugindo de vocês? — Isso é um assunto de família, senhor Thorne. Ele me observou por um instante antes de responder: — Ela parece estar bastante determinada a não participar desse assunto. — O senhor não entende. — Talvez não — a voz dele permaneceu assustadoramente calma. — Mas entendo quando alguém está com medo. O homem deu um passo à frente: — Precisamos levá-la de volta. Alexander se colocou discretamente entre nós: — Não. — Senhor? — o homem piscou, surpreso. — Vocês ouviram. Um silêncio pesado tomou conta do corredor. — Ela pertence à família Hart. O senhor não pode simplesmente… — Posso fazer o que quiser dentro do meu hotel — ele interrompeu, erguendo o queixo na direção dos seguranças que se aproximavam. — Acompanhem os cavalheiros até a saída. — Isso não acabou, Elena! — um deles gritou enquanto era afastado. Meu corpo inteiro estremeceu. Alexander esperou até eles desaparecerem para só então se virar para mim. — Você sempre causa esse tipo de confusão? — Não — engoli em seco. — Tem certeza? — ele arqueou uma sobrancelha. Olhei para meu vestido rasgado, meus pés descalços e o rastro de lágrimas no meu rosto. — Hoje é uma exceção. Pela primeira vez, um pequeno sorriso apareceu no canto de sua boca. — Qual é o seu nome? — Elena. — Elena o quê? — Hart — hesitei antes de responder. — Certo, Elena Hart. Por que aqueles homens estão atrás de você? — Eu não posso contar — respondi, desviando o olhar. — Não pode ou não quer? — As duas coisas. Ele soltou uma risada baixa, sem humor: — Você é sempre tão misteriosa? — Só quando estou fugindo. Ele me encarou por alguns segundos: — E para onde está indo? Olhei para as portas do hotel e depois de volta para ele. — Para longe daqui. — Isso não é um lugar. — Para mim, é — dei um passo para trás. — Obrigada por me ajudar. — Não agradeça ainda. Franzi a testa: — Por quê? — Porque, se aqueles homens voltarem, talvez eu não consiga ajudar você uma segunda vez — disse Alexander, aproximando-se um pouco. — Então espero não precisar. Virei-me para ir embora, mas parei quando ele me chamou: — Elena. Olhei por cima do ombro e o encontrei me encarando com uma expressão impossível de decifrar. — Se estiver realmente fugindo de alguém, não confie em qualquer pessoa. — Inclusive em você? Um sorriso de canto surgiu em seus lábios: — Principalmente em mim. Continuei andando sem olhar para trás, sem fazer ideia de que aquele homem mudaria completamente a minha vida, de que voltaria a encontrá-lo ou de que, meses depois, estaria morando sob o mesmo teto que Alexander Thorne. Naquela noite, eu só sabia de uma coisa: precisava fugir e não podia voltar.Alexander Thorne Raiva. Era a única coisa pulsando em mim agora.Elena estava realmente cogitando a proposta daquele sujeito? Ele não a conhecia, ele não precisava dela do jeito que eu precisava.Ficamos em um silêncio sepulcral pelo resto do caminho no carro. Elena manteve o rosto virado para a janela o tempo todo. Ela não disse uma única palavra comigo desde que acertei aquele desgraçado.E eu não sentia nenhum remorso. Ele merecia aquilo e muito mais.Olhei de relance para ela. Estava de braços cruzados, encarando a paisagem do lado de fora. Observei a respiração funda fazer seu peito subir e descer.Talvez eu tivesse exagerado. Talvez estivesse sendo possessivo demais, mas não conseguia me controlar quando o assunto era ela. Ver outros homens tocando nela me irritava num nível indescritível.Eu só queria que as coisas voltassem para como eram antes, quando Audrianna não estava enfiada no meio da nossa rotina. Quando Elena era só minha, e eu era dela.Agora ela devia me odiar.Lem
Elena HartDesde que voltei para os Thorne, os dias que antecederam o Natal eram uma palavra: caos.Enquanto estávamos todos sentados perto do fogo na véspera de Natal, assistindo Como o Grinch Roubou o Natal, eu poderia dizer que amanhã seria ainda pior.Audri foi rápida em sentar ao lado de Alexander e colocou a cabeça em seu peito largo enquanto fechava os olhos e fingia dormir. Enquanto ela fingia dormir, eu tinha que fingir que não me importava.— Esta sala não tem metade do charme da sala de cinema do andar de cima — comentei baixinho, tentando me distrair enquanto ajeitava as pernas no estofado perto do sofá.Passei a mão pelo pelo macio e sedoso de Winston e o puxei para mais perto de mim. Abaixei-me e beijei sua orelha antes de fazer cócegas nela.No tapete de atividades ao lado, Oliver soltou um ganido manhoso e tentou rolar de bruços para que eu pudesse acariciá-lo também. Passei a mão pelas costas dele, tocando o macacão fofo de Natal que ele usava — o macacão igual ao de
Alexander Thorne — Por que você está acordada uma hora dessas?A bebê de sete meses apenas soltou um ganido baixinho e começou a chacoalhar o chocalho de plástico contra as grades.— É, você tem razão... eu sou um covarde — gemi, afundando ainda mais na poltrona e cobrindo o rosto com as mãos. — Eu me acovardei, comecei a divagar e ugh... você nem imagina o tamanho do estrago.Olivia apenas deu uma risadinha banguela e jogou a chupeta para fora do berço.Levantei da poltrona, peguei a chupeta do chão e devolvi para ela. Olivia agarrou meu dedo com a mãozinha gordinha e babou um pouco na minha manchete.— Fui colocado na zona de amizade, Olivia. Ela me chamou de amigo e fugiu logo depois que eu basicamente disse que a amava.A bebê soltou a chupeta, deu um espirro alto que espalhou saliva para todos os lados e começou a gargalhar do meu desespero.— Isso foi realmente necessário? — perguntei, revirando os olhos para a tempestade de saliva. — Você está rindo da desgraça do seu pai.Inc
Alexander Thorne — Eu não tenho que prestar absolutamente nenhuma explicação a você, Audrianna. Para onde eu vou ou deixo de ir não é da sua conta — suspirei profundamente, ajeitando com uma irritação crescente o nó da minha gravata de seda, um gesto que Elena costumava fazer com tanta delicadeza e perfeição todas as manhãs. — É da minha conta sim, Alexander! Eu sou a sua noiva oficial e daqui a poucos meses serei a sua esposa perante toda a sociedade! — ela argumentou aos gritos, parada no meio do closet e me encarando com os olhos faiscando de raiva. — Desde que aquela babá insignificante foi embora desta casa, você ficou mil vezes mais distante, frio e inacessível do que já era. Fale comigo! Eu sou a sua mulher, eu me importo com você! — Pare com isso agora mesmo, Audrianna — pedi em tom severo, mas ela ignorou meu aviso completamente. — Você está me negligenciando terrivelmente! A mim, o grande amor da sua vida! — ela disse, franzindo a testa com uma expressão mimada. — E eu n






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