INICIAR SESIÓNCHEGUEI EM CASA
Essa noite foi de surpresas, entrei em casa com a gravata afrouxada e o coração apertado, uma sensação que não condizia com uma festa beneficente. O salão ainda está em minha mente: o brilho, os aplausos, a música e, no centro de tudo, ela. —Sabine, seu nome, atravessou dois anos como se o tempo fosse apenas uma desculpa ridícula, como se o que aconteceu entre nós tivesse mudado de cenário, mas não de intensidade. Ela estava ainda mais linda, uma mulher que me desarmou completamente. —Seu corpo mais volumoso, cintura fina, seios cheios e quadris largos, refletindo o impacto do tempo de maneira silenciosa e madura. Nervoso, peguei meu celular e digitei o nome dela, como se fosse um pecado. — Fiz a busca em grego, como quem busca um endereço para escapar da própria culpa, e a tela me mostrou o que não esperava: o nome da clínica. Um símbolo simples de um gato e um cachorro, o endereço, o horário e, surpreendentemente, uma foto dela. —Ampliei a imagem, admirando seu rosto mais maduro, seu olhar firme, a expressão de alguém que se construiu sozinha. Não sabia nada sobre ela, não sabia onde estava ou o que se passara em sua vida, mas ao vê-la naquela noite, percebi que meu corpo se lembrava dela melhor do que minha mente. —Senti raiva de mim mesmo, porque se ela estava ali, com tanta clareza, como eu não percebi? —Como não percebi que Sabine estava na Grécia, comigo, enquanto eu vivia um noivado falso, preso a uma rotina inventada? A verdade era simples e dolorosa: sempre soube que deixaria algo importante para trás. —“Eu preciso reconquistar essa mulher”, pensei, e a frase surgiu com uma urgência alarmante. Torci para que ela não estivesse acompanhada. Fechei os olhos por um instante, tentando ignorar essa perda. — Quando finalmente consegui dormir, foi um sono leve, que não descansava, apenas interrompe a consciência por alguns minutos. Ao amanhecer, já estava de pé, colocando meu moletom e amarrando os tênis, tentando correr para dissipar a imagem dela dançando comigo, a palavra “noivo” atravessando a pista como uma lâmina, e a frieza com que ela havia me colocado em meu lugar. —Meu personal trainer me aguardava pontualmente, com prancheta em mãos, excessivamente animado para alguém que não tinha o coração no lugar certo. Assenti com a cabeça e começamos a correr, o ar frio da manhã cortava meu rosto. —Quase acreditei que o cansaço do corpo apagaria os pensamentos. Quase. Então vi a gatinha. Ela estava perto de um canteiro, encolhida, ao lado de dois filhotes tão pequenos que pareciam mais sombras do que vidas. —Ao perceber minha aproximação, ela tentou se mover, mas se arrastou com um fraco miado, como se pedisse silêncio para não chamar a dor. Parei imediatamente. — Christos — chamou meu personal, já irritado. — Você ainda tem exercício. — O exercício pode esperar — respondi, sem desviar o olhar. — Essa mãezinha não pode esperar, abaixei com cuidado, estendi as mãos. A gata rosnou, tentando arranhar seu instinto ainda vivo apesar da fraqueza. — Calma, garota… calma — murmurei, aproximando meu moletom para aquecê-la. — Eu vou te ajudar, você e seus filhotes também. Ela tentou rosnar novamente, mas o som saiu falho. —Seu corpo tremia, e o corte na pata estava aberto, feio e sujo, como se alguém a tivesse ferido de propósito ou ela tivesse sido chutada para longe de sua casa. Tirei a toalha de rosto que carregava, cuidadosamente enrolei a gatinha e puxei os filhotes para perto dela, um de cada lado, protegendo-os com meu calor, meu personal se aproximou, incrédulo. — Você vai interromper o treino por causa de um gato? — Sim — respondi, simples. — Amanhã seguimos, com as aulas, agora vou pra casa com essas três. Caminhei de volta para casa com aquela pequena família grudada em mim. Não tinha ideia do quanto precisava daquilo até sentir aquele peso frágil contra meu coração. —Na cozinha, a governanta me olhou como se eu trouxesse um segredo. — Senhor…? — Preciso de sardinha — disse, sendo direto. Aproximou-se, viu a gata e os filhotes, e seu rosto amoleceu. — Coitadinha… — murmurou. — Sardinha eu tenho, mas atum também, vou abrir uma lata. — E água — pedi. — Uma vasilha com água, e… você acha que esses filhotes conseguem comer? Ela riu baixinho. — Não, senhor, eles são muito pequenos, só mamam. Eles só mamam, assenti, observando a gata tentando erguer a cabeça, desconfiada, mas menos agressiva. — Então coloca atum para ela — pedi. — Ela precisa de força. Enquanto a governanta organizava tudo, sentei à mesa, colocando a gata sobre uma toalha, mantendo os filhotes por perto. Ela comeu devagar, como se desconfiada, como se temesse que sua comida fosse retirada. A cena apertou meu peito de uma forma inesperada. — Você veio em boa hora — murmurei para mim mesmo. — Deus está me ajudando. A gata elevou o olhar e soltou um miado curto, como se eu estivesse falando uma língua estranha. — Como eu vou te chamar? — perguntei, a pergunta saiu naturalmente. — Vênus, você será uma deusa. Ela piscou devagar. — E como foi que te machucaram? — continuei, olhando para a pata ferida. — Esse corte está feio, Vênus… muito feio. — Miou — respondeu ela, como se o mundo estivesse reduzido a essa reclamação. — Sorri minimamente, sem alegria. — Agora você é minha — murmurei, e essa frase teve um peso estranho. — Se você apareceu, você é minha. —Vou tomar um banho, tomar café e te levar na clínica veterinária da mulher da minha vida. Essa é a desculpa perfeita para ir até lá. Tomei um banho rápido, vesti roupas simples, tomei café sem sentir o gosto, enquanto minha mente repetia o mesmo nome como uma oração e uma sentença simultaneamente: Sabine, ás nove horas, pedi ao motorista que preparasse o carro. — Não coloquei Vênus em qualquer embalagem. — Usei uma caixa de sapatos, sim, mas forrei com toalhas macias e improvisei um ninho para os filhotes. Carregava a caixa como se tivesse nas mãos algo que poderia mudar meu destino. —Durante o percurso, olhei pela janela e uma impaciência infantil crescia dentro de mim. Eu não queria apenas vê-la. Queria entender por que ela estava ali, por que nunca me procurou. —Desejava consertar o que foi quebrado, ansiava que olhasse para mim sem aquele gelo. Cheguei à clínica e vi a fachada simples, profissional, sem ostentação, mas bem cuidada. O símbolo do gato e cachorro estava lá, o nome em grego, a porta de vidro, o interior limpo e organizado. Assim que entrei, uma atendente levantou os olhos. — Bom dia — disse ela. — Em que posso ajudar? — Gostaria de falar com a doutora Sabine. A atendente me avaliou rapidamente, com um olhar treinado para distinguir urgência de capricho. — Ela está atendendo um paciente e fazendo uma visita no canil, quando ela voltar, o senhor será o primeiro. É uma consulta marcada? — Resgatei uma gata com dois filhotes hoje de manhã, ela está ferida. O rosto da atendente se transformou. — O senhor sabe a idade dela? — Não, a encontrei hoje, quando estava me exercitando Ela anotou algo e respirou fundo antes de perguntar se eu poderia descrever o estado dela. — Ela comeu um pouco de atum, ofereci água, mas não sei se bebeu. Parece com dor e não consegue ficar em pé, a atendente respirou fundo e começou a falar com calma. — Assim que ela entrar em consulta, precisaremos colocá-la em uma caixa de transporte adequada. Caixas de sapato não são seguras. —O senhor também vai precisar de uma caminhada, comedouro e bebedouro. Eu aconselho também a colocação de um chip, se você for ficar com ela. — Eu vou ficar — respondi prontamente. — Com ela e os filhotes. A atendente sorriu sinceramente. — Que bom, não deveriam existir mais pessoas como você. — Eu já comprei algumas coisas — expliquei. — E planejo construir um playground quando eles se recuperarem. Ela riu, — Você está levando isso a sério. — Estou, pois sempre quis ter um pet. — Posso ver os filhotes? — pediu, abri um pouco a caixa para que ela visse. — Um macho e uma fêmea — disse. — O macho se chamará Odin, a fêmea, Hera. — E a mãe? — Vênus, e ela riu novamente, como se esse detalhe tornasse tudo mais humano. — Vou avisar a doutora Sabine — disse, pegando o interfone. — Esperei com a caixa sobre o colo, ouvindo os sons de animais ao fundo, latidos distantes. O tempo ali dentro parecia ter uma densidade diferente, pelo interfone, escutei a voz dela, primeiro distante, depois mais clara. — Vou lavar as mãos e já entro no consultório, pode mandar o primeiro paciente. A atendente respondeu: — Só tem um até agora, doutora, é um resgate. — Tudo bem — a voz dela soou firme e profissional. — Peça para aguardar dez minutos. Já atendo. Prendi a respiração inconscientemente. Dez minutos pareceram uma hora. — Quando o interfone chamou novamente, a atendente sorriu para mim. — Pode entrar com a gata e os filhotes. Levantei-me e dei o primeiro passo até o consultório parecia mais pesado do que deveria, abri a porta e vi Sabine. —Ela estava de jaleco, cabelo preso, sem maquiagem, o rosto limpo e bonito, austero de concentração. Ela levantou os olhos e, por um instante, vi a mulher da festa desaparecer e a mulher do estábulo aparecer, com a mesma rigidez, a mesma defesa. — Ah, não… — ela disse, sua voz carregada de irritação e incredulidade. — Isso é perseguição. — Não — respondi, com a voz calma. — A única veterinária que eu conheço é você. Ela apertou os lábios, decidida a não acreditar em nada que eu disse. — Você comprou um filhote só para vir atrás de mim? — acusou. — Não — reafirmei. — Eu estava correndo no condomínio onde moro. Vi essa gata ferida com os dois filhotes, eu a resgatei. O olhar dela desceu até a caixa e percebi a mudança, Sabine não resistia a ajudar um animal ferido. — Diante de um resgate genuíno, seu instinto falou mais alto que a raiva. — Deixe-me ver — ordenou, estendendo as mãos. Aproximando-me, abri a caixa. Vênus tentou rosnar, mas o som saiu fraco, Sabine a pegou com uma firmeza delicada, como se segurasse algo valioso. — Calma… — murmurou, sua voz se suavizando apenas o suficiente para a gata entender. Ela examinou a pata, o corte, a sujeira, a profundidade, e eu observei sua concentração. — Como você a chamou? — perguntou, direcionando seu olhar à gata. — Vênus. Sabine ergueu uma sobrancelha, quase rindo, mas segurou a emoção. — Vênus… — repetiu. — E os filhotes? — Odin e Hera. Finalmente, ela me olhou. — Você gosta de mitologia. — Eu sou grego — respondi, de forma objetiva. Ela voltou ao exame. — Isso é um corte profundo, mas não parece fratura — disse. — Vou limpar, fazer um curativo, e ela precisará de antibiótico e anti-inflamatório. Repouso absoluto. Assenti. — O que for necessário. Sabine examinou os filhotes com zelo. — Eles estão bem, e mamaram. — Vou ficar com todos — repeti. Ela fez uma pausa, parecendo avaliar a gravidade da minha decisão. — Não deveriam existir mais pessoas assim — disse, e a frase saiu antes que pudesse evitar. Não respondi com orgulho, pois não estava ali para isso. — Ela teve sua primeira cria recentemente — comentou Sabine. — Deve ter pouco de seis meses um. Anotou algo e então levantou os olhos para mim, mas apenas por um segundo. — Onde você a encontrou? — No condomínio, perto de um canteiro. — Então alguém a deixou ali — concluiu. — Ou alguém a machucou. Fechei a mandíbula, frustrado. — Eu não entendo como fazem isso. — Eu entendo — respondeu Sabine de forma seca. — E é por isso que prefiro os animais às pessoas. —Essa declaração atingiu o que ainda estava aberto em meu coração, ela já havia dito algo semelhante no Texas. Ela finalizou o curativo, organizou a medicação e explicou sobre o retorno. — Ela precisa de mais observação, seria melhor eles ficarem internados, alguns dias para que possamos trocar o curativo e avaliar a cicatrização. — Faça o que for preciso para que ela não sinta mais dores, eu volto a noite para vê-los. — Sabine fechou a ficha e me encarou agora como mulher. — Eu não disse que precisa ser comigo. Sustentei seu olhar, e o silêncio se estendeu entre nós como uma corda esticada demais. — Não faça isso — pediu, com a voz baixa e firme. — Não transforme esses três inocentes em um jogo Christos. — Não é um jogo Sabine , olhe para esses anjos.— reiterei. — Eu não usaria uma gata ferida para me aproximar de você, mas a situação criou a ocasião. Ela me estudou por um instante e percebi que algo cedia. — Certo — ela concordou, voltando ao seu tom profissional. Não forcei a situação, naquele momento, minha preocupação é com Vênus e os filhotes, mas não perdi a oportunidade de falar o quanto ela estava linda ontem. — Você estava linda ontem, está mais mulher, não sei explicar— disse, apenas uma verdade. Sabine não respondeu imediatamente, seu olhar desceu para a caixa, onde Vênus e os filhotes, como se fosse mais fácil lidar com a dor nos animais do que consigo mesma. — Cuide dela, por favor, Ela sofreu muito nas ruas— foi tudo o que disse. Sai, mas saiu com a certeza de que uma porta havia se aberto, nem que fosse uma fresta, e não pretendia desperdiçar essa oportunidade.**QUERIDOS LEITORES,**Agradeço de todo o coração a cada um de vocês que acompanhou a jornada de Christos e Sabine até este momento final. Para quem já conhece o meu estilo de escrita de novelas, sabe que, quando temos um vilão e esse vilão demonstra que merece uma redenção, eu sempre busco dar uma nova chance a ele. E, sim, eu fiz questão de mostrar no epílogo final a transformação profunda de Nikolaos e Atena, porque eu acredito sinceramente que o mundo seria um lugar muito melhor se existisse mais espaço para a mudança de caráter e para o perdão.Coloquei a sugestão de Christos sobre a adoção justamente para mostrar que, muitas vezes, nós podemos ser pais biológicos, mas também pais do coração, porque Deus colocou as crianças no nosso caminho com um propósito sagrado. Todos nós um dia fomos crianças. Tivemos a sorte de crescer com um pai e com uma mãe; alguns de nós tiveram pais bons, outros tiveram pais ruins, mas a verdade é que todos nós estamos aqui hoje.E Jesus Cristo disse:
A REDENÇÃO DE NIKOLAOSNIKOLAOSCinco anos haviam se passado desde o dia em que assinei os papéis do meu casamento civil com Atena em uma sala fria de cartório, sob os olhares julgadores de uma sociedade que nos considerava párias. Hoje, parado diante da imensa janela de vidro do nosso apartamento — que há muito tempo deixara de ser um cativeiro de luxo para se tornar um verdadeiro lar —, eu contemplava o pôr do sol dourado sobre Atenas com um sentimento que há décadas não experimentava: a paz absoluta de um homem realizado.Aos cinquenta e sete anos, eu me sentia mais jovem, forte e vigoroso do que nunca. A rigidez cinzenta e a arrogância corporativa que antes moldavam o meu caráter haviam sido completamente substituídas por uma leveza de espírito que me preenchia a alma.Atena aproximou-se em silêncio, vestindo um vestido simples de algodão claro, com os cabelos castanhos presos de forma despojada. Ela não ostentava mais as joias extravagantes ou a maquiagem carregada dos tempos de
O ANIVERSÁRIO DA RECONCILIAÇÃO O aniversário transcorria de forma perfeitamente normal e harmoniosa sob a brisa suave do início da noite em Atenas. Eu e o Christos nos mantínhamos abraçados perto da mesa do bolo do Safari, observando com os corações transbordando de paz a cena mais linda que os nossos olhos poderiam testemunhar: os nossos filhos mais velhos brincando alegremente no gramado com os pequenos aniversariantes, enquanto o irmãozinho de Christos — o garotinho que o Nikolaos trazia no colo — corria de um lado para o outro na maior descontração junto com os nossos gêmeos.Cantamos os parabéns em uma grande e barulhenta roda familiar, rodeados pelo irmão de Christos, pelas nossas cunhadas e pelos sobrinhos pequenos, filhos da irmã dele. Aquelas crianças eram as únicas crianças presentes na festa, enchendo o jardim com risadas puras e uma energia que renovava a nossa alma.Virei-me devagar nos braços de Christos, apoiando a minha cabeça no seu peito largo enquanto o via contemp
O JARDIM DA REDENÇÃOSABINEO gramado da nossa mansão em Atenas havia sido transformado em uma verdadeira selva mágica de cores e sons. Para comemorar o aniversário de um ano dos nossos gêmeos caçulas, o pequeno Odin e o Christos Júnior, nós escolhemos o tema Safari. Enormes girafas de pelúcia, leões esculpidos em madeira rústica e arcos deslumbrantes de balões em tons de verde, areia e dourado misturavam-se à vegetação natural do jardim. Dárius e Belilla corriam eufóricos entre os brinquedos com as outras crianças, enquanto a Valentina e os seus filhotes observavam toda a movimentação, confortavelmente deitados sobre as almofadas do lounge externo.A nossa família estava inteiramente reunida sob a luz dourada do fim de tarde. Minha mãe, Marli, conversava alegremente com a Eleni, que exalava uma beleza madura e uma paz de espírito invejável após o seu divórcio e o sucesso da sua carreira digital. Mais adiante, perto da mesa de doces, o meu irmão Petros exibia com orgulho o seu sorris
O NOVO MILAGRESABINEOs meses seguintes àquela revelação na clínica médica passaram em um verdadeiro sopro, como se o próprio tempo estivesse com pressa de nos fazer vivenciar cada segundo da nossa felicidade. E, durante todo esse período de gestação dupla, o Christos simplesmente se transformou em uma sombra protetora e obstinada que não desgrudava de mim por um único milésimo de segundo. Ele fazia questão absoluta de me levar até a clínica veterinária todas as manhãs e de me buscar no final do expediente, controlando os meus horários de repouso com um zelo masculino que às vezes me fazia rir de puro carinho.Eu não estava tendo trabalho prático com absolutamente nada nos bastidores da mansão. Com a ajuda valiosa da minha sogra, Eleni, e das minhas cunhadas, Christos contratou um dos arquitetos mais renomados de Atenas para planejar e decorar o quarto dos nossos novos gêmeos, criando um verdadeiro santuário de ninhos. Enquanto isso, a minha mãe, Marli, e a Eleni se encarregaram pess
CHRISTOSEu simplesmente não conseguia conter a eletricidade que corria nas minhas veias. No mesmo instante em que o teste deu positivo na bancada do banheiro, eu liguei para a família inteira avisando sobre a suspeita da gravidez e que já estávamos a caminho da clínica médica. Deixamos os gêmeos na creche particular de forma rápida e seguimos direto para o consultório do obstetra de total confiança que atende a Sabine desde que ela retornou para Atenas.A minha sorte monumental de bastidores foi que, justamente no momento em que estacionei o carro, a secretária nos informou que uma paciente havia desistido do primeiríssimo horário da manhã. Nós entramos na sala do consultório de imediato, e o médico nos recebeu com um sorriso acolhedor no rosto.— O que traz vocês dois aqui tão cedo, Sabine? Que surpresa agradável de início de expediente — o obstetra saudou, ajeitando os óculos.— Nós estamos grávidos, doutor! — anunciei em tom firme e imponente, não deixando nem que a minha esposa a







