FAZER LOGINCaius Castiel Dois Anos DepoisEu nunca pensei que ia conseguir sentar aqui no jardim da casa do Vicente, olhando para o céu azul, sentindo o cheiro das flores e ouvir o riso do meu filho preenchendo o ar — e me sentir, finalmente, em paz. Mas aqui estou.Dois anos depois do inferno que vivemos, depois de tudo que foi arrancado e reconstruído, a nossa família está inteira. Selene está ali, ao meu lado, mais linda do que nunca, com os olhos cheios daquela luz que só quem passou pela tempestade sabe ter. Ela segura a mão do nosso pequeno Leo, que ainda nem tem dois anos, mas já tem uma vontade de viver que me surpreende todo dia.A gente saiu daquela selva de concreto, das sombras que o passado jogava sobre nós, e encontrou um refúgio aqui, nessa casa que é de Vicente, mas que agora é a nossa casa — o nosso lar.Selene deu um sorriso para mim e eu apertei a mão dela, sentindo cada músculo relaxar, como se tudo o que carregávamos tivesse finalmente encontrado seu lugar.— Você já viu a c
POV Selene CastielA sala ficou silenciosa depois da notícia. Caius segurava minha mão com tanta firmeza que eu sentia o mundo se encaixar de novo.— Vamos para o quarto? — ele sugeriu, com um sorriso terno, mas cheio de promessa.Eu assenti, sentindo meu coração acelerar. Cada passo que dávamos juntos era uma vitória contra tudo que a gente enfrentou.A luz suave do quarto dançava sobre a pele nua de Caius, destacando cada músculo tenso, cada cicatriz que contava a história do que havíamos enfrentado. Seus olhos, sempre tão intensos, agora queimavam com um fogo que era só meu.Ele me puxou contra seu corpo, e eu senti o calor dele através da fina camada da minha roupa. Suas mãos deslizaram pelas minhas costas, firmes e possessivas, como se precisasse confirmar que eu estava ali, que era real.— Selene… — Meu nome em seus lábios era um pedido, uma reverência.Eu não resisti. Meus dedos se enredaram em seus cabelos escuros, puxando-o para mim. O beijo foi lento no começo, uma exploração
POV Caius VarellaA porta do quarto do hospital se abriu devagar, e uma onda de alívio quase me derrubou. Primeiro entrou Dona Nair, com aquele jeito calmo e acolhedor que só ela sabe ter. O cheiro familiar do perfume dela invadiu o ambiente, e mesmo ali, naquele lugar frio e cheio de máquinas, senti um pouco do calor de casa.— Selene, minha filha... — a voz dela era um abraço.Segurei a mão de Selene mais firme, e a vi tentar sorrir, aquela luta para parecer forte.Logo depois entrou meu sogro, Vicente. O peso nos olhos dele denunciava noites em claro, preocupações que nem ele sabia como lidar. Ele me cumprimentou com um aperto de mão firme, o olhar passando pra Selene.— Estamos todos juntos nisso — falou com aquela voz dura, mas cheia de um amor que só um pai tem.Bianca apareceu em seguida, como um furacão de coragem e determinação, a luz que Selene precisava para não sucumbir.Quando Leonor entrou, meu coração apertou. A mulher que me deu a vida estava ali, frágil e forte ao mesm
POV Caius VarellaA luz do corredor já não me cegava como antes.Era só um silêncio estranho, pesado, quase confortável.Talvez fosse o alívio. Talvez fosse o cansaço. Talvez fosse… a paz depois da tempestade.Eu estava sentado, os cotovelos nos joelhos, a cabeça baixa, quando ouvi passos lentos.Olhei de canto. Vicente Castiel.Ele andava devagar. Não como um homem velho, mas como um homem que carrega o mundo nas costas.Se aproximou. Parou ao meu lado.Ficou em silêncio por um tempo. E eu deixei.— Eu quase perdi ela duas vezes nessa vida, Caius. — a voz dele saiu baixa, grave, como se ecoasse de dentro de um baú trancado. — Uma, quando enterrei a mãe dela. E agora…— Eu sei. — murmurei. — E isso nunca vai se repetir.Ele me encarou, como se quisesse acreditar. E acredito que acreditou.— Ela está viva por causa de você. — disse, por fim.Respirei fundo. Tive que encarar o chão pra não desmoronar.— Eu falhei. Eu devia ter protegido ela antes.— Você protegeu. Quando mais importava.
POV Selene CastielO som das sirenes ainda ecoava no meu ouvido. Uma sinfonia distorcida de urgência e caos. O zumbido da cidade desaparecia ao fundo, abafado pelo barulho do meu próprio sangue pulsando nos ouvidos. Eu era movida como um corpo entre mãos alheias, sobre uma maca dura, enquanto a luz do hospital me cegava em flashes. Clarões. Brancos. Impiedosos.O ar cheirava a álcool e sangue seco. A pele ardia onde ele me tocou. Onde ele me machucou. E as dores... vinham em ondas. Primeiro físicas. Depois emocionais. Uma memória ruim por segundo. O cativeiro. As correntes. O gosto metálico do medo.Mas o que mais doía... era o coração. Não o órgão. O centro. O lugar onde mora o amor — e que agora estava trincado, afundado num trauma que eu não sabia como nomear.Minhas mãos buscavam por algo. Refúgio. Âncora. E logo encontraram.Caius.Sua mão segurava a minha como se, se soltasse, o mundo acabasse.Os olhos dele — vermelhos, úmidos, violentos de raiva, exaustos de alívio. A barba po
POV Caius VarellaO ar cheirava a ferrugem e ameaça.Pietro ainda sorria, o cigarro pendurado no canto da boca, como se fosse o dono da porra toda. Os homens de Vincenzo surgiram das sombras como se o próprio inferno tivesse aberto as portas.— Então, irmãozinho... — ele zombou — vai abaixar a arma e conversar ou vai morrer tentando ser herói?Eu respirei fundo. O colete sob a camisa colava na pele com o suor. Meus dedos não tremiam. Meus olhos, sim, ardiam.— Eu vim só com uma pergunta — falei, baixo, firme. — Onde está a Selene?— Ah, ela está bem... ou estava. Até ontem à noite. Vincenzo é um homem de princípios — Pietro respondeu, girando a faca que agora tirava do cinto. — Do tipo que gosta de tirar tudo de quem o decepcionou. E você, maninho, decepcionou o papai.Vincenzo apareceu no alto da estrutura de ferro, como um imperador grego. A sombra dele caía direto em mim.— Caius... — a voz dele ecoou, grave e teatral — Eu tinha tantos planos pra você. Um herdeiro legítimo. Um nome







