FAZER LOGIN— Eu vou fazer com que desista.
— E vai me ameaçar com o que? Matar minha filha? Que é sua também? Teria coragem de matar a Lizzie? Eu acho que sim. - Tristan a olhou por alguns segundos até agir. Sua mão fechou ao redor do queixo dela a aproximando de si — Você tá... Me machucando.
— Existem várias maneiras de te parar sem meter minha filha no meio.
— Você não tem direito de abrir a boca pra a chamar de filha. Nunca a viu, nunca se interessou. E se depender de mim, nunca vai.
— Eu vou te falar só mais uma vez, que talvez você não tenha entendido no nosso último encontro. - Foi mais bruto ao apertá-la fazendo com que a delegada chorasse pela dor — Para de atrapalhar meus esquemas, você não vai conseguir me prender, e se tivermos outro encontro desses, eu mesmo acabo com a sua vida. - A soltou fazendo a mulher se desequilibrar e cair no chão, o encarando.
E ele encarou de volta, ela ainda tinha aqueles mesmos olhos da adolescência, aqueles que lhe encaravam com amor, os mesmos que ele adorava.
— Você podia ter se tornado tudo… - Voltou a dizer, e engoliu todos os xingamentos que vieram a sua mente — menos uma pedra no meu caminho.
— Eu odeio você. - Choramingou e abaixou o olhar, não tinha o que fazer.
— O sentimento é recíproco. - E deixando essas palavras, ele saiu da sala levando todos os seus homens que ali estavam.
Aquela noite não deveria ter terminado daquele jeito. Deveria estar sorrindo, comemorando sua tão sonhada prisão, mas nada do que planejou deu certo. Dedicou dias, anos para o momento, só esqueceu que mafiosos jogam sujo demais, usam família, amigos, colegas e tudo que o puder livrar da cadeia.
Entrou em casa jogando suas coisas onde podia, precisava de um banho, uma taça de vinho, tudo para fazê-la esquecer de mais um fracasso que logo, logo seria punida.
— Mamãe. - A delegada virou devagar em direção à voz que surgiu na escuridão, respirou fundo quando avistou sua filha se aproximar com cautela. — Você chegou tarde. Eu pedi o jantar para nós duas, mas…
— Está tudo bem. Acabei me atrasando, mas estou aqui. Espero que já tenha jantado, não precisa me esperar todas as noites - Lizzie cruzou os braços encarando dos pés a cabeça — O que foi? Estou bem. E estou aqui.
— Está aqui agora. Sei que você tem um trabalho complicado…
— A gente pode pular a parte em que você me dar um sermão sobre o meu trabalho? - Pediu com carinho se aproximando da filha, encarou seu rosto bonito, os olhos claros como os seus… Era a única coisa que tinha de si naquela garota. — Eu te amo, tá bom? Sinto muito não ter chegado a tempo para o jantar, prometo recompensar.
— Já estou acostumada. Mas você parece diferente hoje… Sua missão não deu certo? Prendeu o homem errado de novo?
— Como sabia que eu tinha uma missão hoje? - Lizzie abaixou o olhar — Eu já pedi para não entrar no meu escritório, ali dentro tenho informações confidenciais, não mexa nas minhas coisas, Lizzie.
— Como não quer que eu entre lá? É o único lugar onde posso te encontrar. Está há meses planejando sua missão e o grande dia era hoje. Eu sei. - Lilian se afastou, não estava pronta para discutir aquela questão com sua filha de dezesseis anos que não sabia de nada. — Eu sei quem você quis prender hoje. Não adianta esconder de mim, todo mundo sabe que aquele homem é o meu pai.
— Ele não é o seu pai. - Virou outra vez para a filha que não se intimidou — Ele é um criminoso, e toda a sua família também. Eles matam pessoas, as usam, fazem troca, são maus. - Segurou as mãos de sua filha que tentou negar toda aquela história, eles não pareciam ser tão maus assim. — Eu sinto muito, devia ter escolhido uma pessoa melhor. - Admitiu fazendo a garota concordar.
— Você pode querer esconder isso das pessoas lá fora, do seu chefe, dos seus amigos, da mídia, de todo mundo, mas todos sabem que Tristan Bennett é o meu pai. Na rua, na escola, nos lugares aonde vou, mas claro, sou conhecida também como a filha dele que foi ignorada e deserdada, isso é bom, não é? Pra você?
— É pra você também, assim, nenhum inimigo dele vem atrás de você.
— Você é a inimiga dele - Lilian se afastou outra vez, o olhar sério em direção à filha, será que a garota que colocou ao mundo e cuidou a livrando de todas as coisas ruins do universo estava ali para defender o pai? — Não é defendendo o meu pai, mas não quero vê-lo preso.
— Eu não vou deixar barato para Tristan Bennett só porque ele é o pai da minha filha. Eu como delegada tenho que prender todos que fazem o mal. Inclusive, aqueles que ameaçam crianças inocentes como o Archie, seu amigo, por exemplo.
— O que? - Se surpreendeu rapidamente e viu um sorriso no rosto de sua mãe crescer.
— É isso que o homem que você não quer ver preso, faz. Ele machuca as pessoas sem se importar se o ferimento é físico ou emocional, se vai durar a vida toda. - A menor continuava horrorizada — Não o defenda na minha frente.
Lizzie continuou calada, porque Archie tinha sido envolvido, era seu melhor amigo e a última vez que falou com ele, estava em casa jogando seu videogame chato.
— Eu peço desculpas por ter perdido a janta, e queria muito sentar e saber como foi seu dia hoje na escola, mas eu preciso de um banho, estou muito cansada. - Lizzie assentiu entendendo o lado de sua mãe, e depois de um beijo a deixou ir.
A noite não tinha sido boa para ela e os pequenos momentos que passou dentro de casa foi pensando no quanto foi burra ao não dar assistência para a família das pessoas que trabalham consigo, especialmente para Cassius que era seu parceiro de muitos anos. Isso lhe serviu para que da próxima vez não deixasse escapar esse detalhe.
A cada prisão de Tristan, Lilian aprendia alguma coisa e iria continuar assim, até colocar cada homem daquela família na cadeia e ter o prazer de sorrir para cada um dando um tchau e adeus.
Depois de se arrumar, saiu do quarto escutando a voz de Lizzie cantando alguma coisa em seu quarto. Queria poder sair e agir como se tudo estivesse normal, mas as coisas sempre ficam estranhas quando discutiam. E o motivo era sempre o mesmo, o pai dela. Ah, como odiava esse homem, além de lhe tomar tudo, ainda tinha o amor de sua filha sem nunca ter a ajudado ou visto na vida?
Cruzando o corredor, ela chegou à cozinha deixando suas coisas para preparar um café forte. O clima na delegacia certamente seria de terror e ela tinha que estar preparada para lidar com tudo isso.
— Bom dia, mãe. Achei que iria sair sem falar comigo hoje. - Lilian negou com um sorriso — Está ficando profissional nisso. Desculpa-me por ontem.
— Está tudo bem. - Lizzie correu para abraçá-la — Quer carona para o colégio? – Avisou buscando suas coisas.
— Não. Vou com uma amiga. – Lilian assentiu e dando uma última olhada em sua filha, saiu de casa sem falar nada.
Chegando à delegacia, ela sabia que as coisas não estavam boas, mas havia uma movimentação a mais do que esperava. Parou no meio de tudo aquilo assistindo uma correria inexplicável. Segurando seu café, ela andou mais rápido para sua sala e fechou a porta assustando Cassius que digitava algo no computador praticamente sem piscar.
Ele riu dela erguendo sua garrafa de café também. Ambos mortos por dentro.
— Eu achei que tinha entrado na delegacia errada, mas enfim, entrei na certa já que estou olhando pra você. – Disse ao se encaminhar para a sua mesa do outro lado da sala e em frente à de Cassius — Eu imaginei o tumulto que estaria esse lugar, mas eu acho que tem algo a mais.
— E tem. James estará chegando em menos de cinco minutos e tudo precisa está em ordem, certo? – Lilian fez cara de choro — eu cheguei mais cedo e mandei que todos já se organizassem você chegaria apenas para a reunião com ele. E pedi para que não incomodasse também, sei que você está um caco.
— Tem um momento?— Sim, eu acho. Estou terminando o relatório para o James. As coisas que aconteceram lá dentro podem vir à tona. Estou me sentindo um pouco culpada. Se eu tivesse procurado saber um pouco mais sobre o Mike, ele não morreria ali, e estaria feliz com sua família.— Julian me contou que ele estava dormindo em um hotel tinha dois, ou três meses. - A delegada tornou a olhar para o homem — Ele estava falando a verdade quando disse que seu casamento já tinha acabado, mas não haviam se divorciado, ele só não contou.— Não tente defender o que aquele homem fez. Estou com ódio.— Espero que fique bem, porque o que eu tenho para dizer não vai te trazer paz, ou te ajudar - Lilian estreitou os olhos quando um documento foi empurrado em sua direção com cautela, pegou com medo e olhou para seu amigo. — Meu investigador me entregou tudo que descobriu sobre a Lizzie.— Prefiro que você conte - Jogou o papel na mesa outra vez e Cassius quis rir, mas não fez. Olhou para o documento enqu
— O meu pai vai matar você.— Toda sua família vai me matar um dia.— Menos ele… - Abaixou a cabeça dando uma pequena risada — Ele diz que não te ama, que não gosta de você, que sente ódio que quer te torturar, mas eu sei que ele sente alguma coisa por você, se não, não te protegia. E por quê? Por causa da Lizzie? - Lilian revirou os olhos fechando a pasta.— Seu irmão tem tido bons momentos com a Jenie, deve ter se esquecido de mim ah muito. Não se preocupe, o único sentimento que existe entre nós é ódio. E a Lizzie não tem nada haver com isso. - Teodoro piscou duas, três, cinco vezes analisando os policiais antes de rir.— Aquela vadia é uma espiã… - Concluiu seus pensamentos. — Aquela vadia…— É, Jenie é uma policial muito respeitada. E dormir com homens e ter suas confissões, é algo muito importante - Cassius avisou deixando o outro ainda mais zangado — Tudo que descobrimos a respeito do assalto que prendeu seu namorado, foi dado por ele mesmo, enquanto era seduzido por ela. Somos
Mas iria querer uma explicação e o silêncio dele não combinava com a fúria e milhares de perguntas que se formou na mente.— Você tem filhos por acaso? - Virou para buscar pelo homem em meio ao seu desespero de saber que havia se tornado uma amante… Contudo, se assustou ao ver Mike refém e calado sob a mira de uma pistola na cabeça. — Teodoro…— Eu aposto que você sabe até quantas vezes o Tristan vai ao banheiro… Mas não sabe que seu namorado tem uma esposa? - Quis rir.Lilian piscou algumas vezes.Não era assim que queria se encontrar com Teodoro, queria está pronta, apontando uma longa e potente arma em sua direção, ela deveria ser a caçadora, não a caça.— Teodoro - Sussurrou o nome daquele homem que se aproximou um pouco levando seu refém junto. Lilian estava estática, não havia armas na sala, ainda de calcinha e uma camisola transparente mostrando tudo a ele… que droga de emboscada era aquela? — Não precisa machucar ninguém.— “não precisa machucar ninguém” - Imitou a delegada sor
— Tristan… - O gemer do seu nome deixou o homem agitado. O olhar felino de Jenie, seus toques no braço, o abrir e fechar da boca, tão sensual. Podia imaginar perfeitamente os movimentos da noite passada, como se estivesse fazendo ali mesmo — Nos conhecemos agora e lembra que sou sua? Podemos conversar, ou não confia na garota que te deu a noite inteira, e sem ganhar nada?Ele riu… Será que…— Meu irmão foi atrás do namorado - Jenie arregalou os olhos.Mike sacou o celular.Julian levantou chamando por sua delegada.— Teodoro já saiu daqui? - Perguntou totalmente surpresa — Não pode ser, eu o vi ontem enquanto dançava, ele gosta de me ver dançando.Tristan riu.Bingo.— Estava apenas me esperando, já deve ter chegado em Seant e armado alguma coisa para matar uma pessoa.— Suponho que deve ser a pessoa que prendeu seu namorado - Tristan assentiu — Vamos para o quarto agora?Ele sorriu a vendo caminhar na frente.— Você é espetar Lilian, muito esperta. Mas eu sou mais._-_— Que droga. -
Ao rolar na cama naquela manhã Tristan sentou ali buscando ar para respirar. Olhou ao redor avistando sua arma no canto de sempre e qualquer coisa para se defender do outro lado. Jamais abaixaria sua guarda, ainda mais do que houve com o primo. O celular devia estar apagado numa hora dessas, deveria ao menos ter a consciente de se manter ativo para falar com o irmão, mas sendo sincero, nada naquela noite lhe deixou tão desorientado que dormir ao lado de Jenie.E lembrando-se dela, procurou pela garota do outro lado da cama e se surpreendeu ao não vê-la. Levantou de uma vez indo até o banheiro e quando notou que ela não estaria ali se arrumou e saiu pelos corredores cumprimentando um ou outro até chegar à sala de jantar onde a mesa do café-da-manhã ainda estava colocada.Porém, não havia ninguém. Deveria se preocupar?Não tardou a voltar e procurar por seu pai. Oscar estava junto de seus homens, planejando e conversando no centro da mesa um grande mapa com nomes de prisões que nem mesmo
— Como é? - Cassius bradou do outro lado da mesa. O sol daquele dia entrava na sala da delegada iluminando sua mesa dando cor e calor ao clima pesado e frio — Você não acha que é demais colocar sua filha na frente do Valentin? Ele vai ataca-la.— Não vai - Desviou o olhar para a janela aberta gostando da vista. — Porque eles são iguais. - Cassius cruzou os braços — Eu realmente tentei criar a minha filha longe de tudo isso, mas ontem, Cassius ela me disse coisas absurdas. Ela tem o sangue deles.— Mas foi criada por você. Deve ter algo bom na sua alma.— Talvez ela tenha puxado mais ao pai - Virou para o amigo — Ela pagou e assediou dois alunos para segurar uma porta, tocou fogo em três garotas, está fingindo namorar com uma para não ser pega, e continua planejando se vingar da outra se voltar a lhe perturbar.— Posso abrir mais a sua mente? - A delegada concordou — Quanto você paga a sua filha por mês? Digo, a mesada?— Nada mais que o Archie, a mesma coisa talvez.— Lilian, minha esp







