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Autor: LuadMel
last update Fecha de publicación: 2023-05-05 11:19:31

— Você não tem direito de abrir a boca para chamá-la de filha. Nunca a viu, nunca se interessou. E se depender de mim, nunca vai.

— Eu vou te falar só mais uma vez, que talvez você não tenha entendido no nosso último encontro. — Foi mais bruto ao apertá-la fazendo com que a delegada chorasse pela dor — Para de atrapalhar meus esquemas, você não vai conseguir me prender, e se tivermos outro encontro desses, eu mesmo acabo com a sua vida. — A soltou fazendo a mulher se desequilibrar e cair no chão, o encarando.

E ele encarou de volta, ela ainda tinha aqueles mesmos olhos da adolescência, aqueles que lhe encaravam com amor, os mesmos que ele adorava… que ele amava.

— Você podia ter se tornado tudo… — Voltou a dizer, e engoliu todos os xingamentos que vieram a sua mente — menos uma pedra no meu caminho. Menos aquela que eu tenho que enfrentar e machucar. Porra Lilian. — Gritou em frustação.

Ela virou o rosto.

— Eu odeio você. — Choramingou e abaixou o olhar, não tinha o que fazer.

— O sentimento é recíproco. — E deixando essas palavras, ele saiu da sala levando todos os seus homens que ali estavam.

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Aquela noite não deveria ter terminado daquele jeito. Deveria estar sorrindo, comemorando sua tão sonhada prisão, mas nada do que planejou deu certo. Dedicou dias, anos para o momento, só esqueceu que mafiosos jogam sujo demais, usam família, amigos, colegas e tudo o que o puder livrar da cadeia.

Entrou em casa jogando suas coisas onde podia, precisava de um banho, uma taça de vinho, tudo para fazê-la esquecer de mais um fracasso que logo, logo seria punida.

— Mamãe. — A delegada virou devagar em direção à voz que surgiu na escuridão, respirou fundo quando avistou sua filha se aproximar com cautela. — Você chegou tarde. Eu pedi o jantar para nós duas, mas…

— Está tudo bem. Acabei me atrasando, mas estou aqui. Espero que já tenha jantado, não precisa me esperar todas as noites — Lizzie cruzou os braços encarando dos pés à cabeça — O que foi? Estou bem. E estou aqui.

— Está aqui agora. Sei que você tem um trabalho complicado…

— A gente pode pular a parte em que você me dá um sermão sobre o meu trabalho? — pediu com carinho se aproximando da filha, encarou seu rosto bonito, os olhos claros como os seus… Era a única coisa que tinha de si naquela garota. — Eu te amo, tá bom? Sinto muito não ter chegado a tempo para o jantar, prometo recompensar.

— Já estou acostumada. Mas você parece diferente hoje… Sua missão não deu certo? Prendeu o homem errado de novo?

— Como sabia que eu tinha uma missão hoje? — Lizzie abaixou o olhar — Eu já pedi para não entrar no meu escritório, ali dentro tenho informações confidenciais, não mexa nas minhas coisas, Lizzie.

— Como não quer que eu entre lá? É o único lugar onde posso te encontrar. Está há meses planejando sua missão e o grande dia era hoje. Eu sei. — Lilian se afastou, não estava pronta para discutir aquela questão com sua filha de dezesseis anos que não sabia de nada. — Eu sei quem você quis prender hoje. Não adianta esconder de mim, todo mundo sabe que aquele homem é o meu pai.

— Ele não é o seu pai. — Virou outra vez para a filha que não se intimidou — Ele é um criminoso, e toda a sua família também. Eles matam pessoas, as usam, fazem troca, são maus. — Segurou as mãos de sua filha que tentou negar toda aquela história, eles não pareciam ser tão maus assim. — Eu sinto muito, devia ter escolhido uma pessoa melhor — admitiu fazendo a garota concordar.

— Você pode querer esconder isso das pessoas lá fora, do seu chefe, dos seus amigos, da mídia, de todo mundo, mas todos sabem que Tristan Bennett é o meu pai. Na rua, na escola, nos lugares aonde vou, mas claro, sou conhecida também como a filha dele que foi ignorada e deserdada, isso é bom, não é? Pra você?

— É pra você também, assim, nenhum inimigo dele vem atrás de você.

— Você é a inimiga dele — Lilian se afastou outra vez, o olhar sério em direção à filha, será que a garota que colocou ao mundo e cuidou a livrando de todas as coisas ruins do universo estava ali para defender o pai? — Não é defendendo o meu pai, mas não quero vê-lo preso.

— Eu não vou deixar barato para Tristan Bennett só porque ele é o pai da minha filha. Eu como delegada tenho que prender todos que fazem o mal. Inclusive, aqueles que ameaçam crianças inocentes como o Archie, seu amigo, por exemplo.

— O quê? — Se surpreendeu rapidamente e viu um sorriso no rosto de sua mãe crescer.

— É isso que o homem que você não quer ver preso, faz. Ele machuca as pessoas sem se importar se o ferimento é físico ou emocional, se vai durar a vida toda. — A menor continuava horrorizada — Não o defenda na minha frente.

Lizzie continuou calada, porque Archie tinha sido envolvido, era seu melhor amigo e a última vez que falou com ele, estava em casa jogando seu videogame chato.

— Eu peço desculpas por ter perdido a janta, e queria muito sentar e saber como foi seu dia hoje na escola, mas eu preciso de um banho, estou muito cansada. — Lizzie assentiu entendendo o lado de sua mãe, e depois de um beijo a deixou ir.

A noite não tinha sido boa para ela, e os poucos momentos que passou dentro de casa foram dedicados a pensar no quanto foi burra ao não dar assistência para a família das pessoas que trabalham consigo, especialmente para Cassius que era seu parceiro de muitos anos. Isso lhe serviu para que da próxima vez não deixasse escapar esse detalhe.

A cada prisão de Tristan, Lilian aprendia alguma coisa e iria continuar assim, até colocar cada homem daquela família na cadeia e ter o prazer de sorrir para cada um dando um tchau e adeus.

Depois de se arrumar, saiu do quarto escutando a voz de Lizzie cantando alguma coisa em seu quarto. Queria poder sair e agir como se tudo estivesse normal, mas as coisas sempre ficavam estranhas quando discutiam. E o motivo era sempre o mesmo, o pai dela. Ah, como odiava esse homem, além de lhe tomar tudo, ainda tinha o amor de sua filha sem nunca tê-la ajudado ou visto na vida?

Cruzando o corredor, ela chegou à cozinha deixando suas coisas para preparar um café forte. O clima na delegacia certamente seria de terror e ela tinha que estar preparada para lidar com tudo isso.

— Bom dia, mãe. Achei que iria sair sem falar comigo hoje. — Lilian negou com um sorriso — Está ficando profissional nisso. Desculpa-me por ontem.

— Está tudo bem. — Lizzie correu para abraçá-la — Quer carona para o colégio? — avisou buscando suas coisas.

— Não. Vou com uma amiga. — Lilian assentiu e dando uma última olhada em sua filha, saiu de casa sem falar nada.

Chegando à delegacia, ela sabia que as coisas não estavam boas, mas havia uma movimentação a mais do que esperava. Parou no meio de tudo aquilo assistindo uma correria inexplicável. Segurando seu café, ela andou mais rápido para sua sala e fechou a porta assustando Cassius que digitava algo no computador praticamente sem piscar.

Ele riu dela erguendo sua garrafa de café também. Ambos mortos por dentro.

— Eu achei que tinha entrado na delegacia errada, mas enfim, entrei na certa já que estou olhando pra você — disse ao se encaminhar para a sua mesa do outro lado da sala e em frente à de Cassius — Eu imaginei o tumulto que estaria esse lugar, mas eu acho que tem algo a mais.

— E tem. James estará chegando em menos de cinco minutos e tudo precisa estar em ordem, certo? — Lilian fez cara de choro — eu cheguei mais cedo e mandei que todos já se organizassem você chegaria apenas para a reunião com ele. E pedi para que não incomodasse também, sei que você está um caco.

— Não me lembre, nem me fale sobre isso. Nove meses, Cassius, nove meses jogados fora em menos de duas horas. Eu estou destruída, me sinto a pior das mulheres, eu devia ter acertado um tiro na cara dele ao ter que tirar suas algemas. — Ele concordou, mesmo sem olhar pra ela — Como está Archie e Naomi?

— Archie foi pra escola porque não queria ficar em casa, e Naomi ficou por lá, arrumando as portas, janelas, além de colocar segurança a mais, alarmes e tudo o que ela acha que deve.

— Eu sinto muito que tudo isso tenha acontecido. Comprei chocolates, os preferidos dela.

— Ela vai gostar — Cassius levantou indo até a impressora e trouxe até Lilian dois papéis digitalizados, a mulher levantou já revirando os olhos, pois sabia do que se tratava — O relatório de ontem. Espero que você consiga explicar isso ao James.

Lilian só pegou aqueles papéis e acompanhou o outro até a sala de reuniões, a qual já estava arrumada, escolheu sua cadeira e sentou à espera de James que chegou segundos à frente.

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Último capítulo

  • O Mafioso, A Delegada e a Agente Secreta   - 63 -

    Silêncio.— Lilian — a mãe chamou, quase num pedido.Mas agora já era tarde.— Você encontra o Tristan escondida?— Não é assim.— Então como é?Lilian respirou fundo.— Algumas vezes nossos caminhos se cruzaram.O pai gargalhou.— Caminhos? Ele arrisca ser preso para passar algumas horas com você.— PARA!A voz de Lilian ecoou pelo quarto.Todos ficaram em silêncio.Ela apontou para a porta.— Saiam.— Quero o dinheiro — Jorge respondeu.— Você não vai receber nada.— Então todo mundo vai saber quem você realmente é.— Conte.Ele franziu o cenho.— O quê?— Conte tudo.Lilian se aproximou.— Conte que me abandonou grávida. Conte que voltou anos depois interessado na minha filha porque descobriu que havia dinheiro envolvido. Conte que mexeu em documentos policiais para descobrir a conta dela. E enquanto estiver contando, explique para todo mundo que tipo de pai faz isso.O sorriso desapareceu.— Você vai se arrepender.— Já me arrependi de muitas coisas nessa vida.Olhou para a mãe.—

  • O Mafioso, A Delegada e a Agente Secreta   - 62 -

    Aquela era mesmo uma Bennett.Dos pés à cabeça.— Tome banho. Troque de roupa.— Vamos à prisão?— Vamos. — Lizzie abriu um sorriso enorme. — Depois mudaremos de hotel novamente.— Por quê?— Porque se meus pais conseguiram nos encontrar, qualquer pessoa consegue.A garota já ia embora quando voltou.— Meu celular.— Não.— Mãe...— Não.— Você é insuportável.— Herdou de mim.Lizzie saiu. Lilian permaneceu sentada na cama. Passou as mãos pelo rosto. Sua vida estava acabada. Carreira ameaçada. Casa destruída. Namorado morto. Filha praticamente entrando para o crime organizado. Ex-marido mafioso prometendo buscar a menina. Podia piorar?A porta abriu.Seu pai entrou novamente.Um brilho estranho iluminava os olhos dele.Lilian conhecia aquele olhar.Ganância.Ela levantou.Cansada ou não, quebrada ou não, jamais abaixaria a cabeça diante daquele homem.— O que você quer?Ele sorriu.— Dinheiro.E Lilian percebeu que, sim, sua vida ainda podia piorar.— Que dinheiro?O pai de Lilian entr

  • O Mafioso, A Delegada e a Agente Secreta   - 61 -

    — Não precisamos sair desse quarto. Ela vai acordar logo.A voz de Lizzie chegou primeiro.Lilian abriu os olhos depressa demais e imediatamente se arrependeu.O teto branco girou sobre sua cabeça. O estômago embrulhou, uma dor atravessou suas têmporas e ela precisou fechar os olhos outra vez, levando uma das mãos à testa.— Mãe?Sentiu os dedos da filha em seu braço.— Calma. Você dormiu bastante.Lilian abriu os olhos novamente, dessa vez devagar.Lizzie estava sentada ao seu lado.Os cabelos escuros caíam pelos ombros, os olhos atentos demais para uma garota de dezesseis anos e aquele pequeno sorriso preocupado fez alguma coisa se apertar dentro do peito de Lilian.Sua filha.A única coisa que ela tinha feito de verdade naquela vida e pela qual jamais se arrependeria.— Onde estamos?— No hotel.Lilian franziu o cenho.— Que hotel?— O hotel para onde você veio depois que nossa casa deixou de ser uma casa e virou praticamente uma cena de crime.As lembranças voltaram de uma vez.Mik

  • O Mafioso, A Delegada e a Agente Secreta   - 60 -

    — Droga Lilian, que merda você se tornou? Eu te pedi, implorei pra você ser tudo, tudo menos o meu inimigo. Todo mundo que conheço quer te matar.— Eu sei que já deveria ter morrido há muito tempo, mas eu mantive firme, porque eu precisava ser forte para criar a minha filha — A escutou chorar e logo se procurou. — Mas eu acho que não consigo mais, antes de morrer, quero fazer um pedido.— Você não vai morrer caralho. — Chutou a mesa de centro do quarto espalhando todas as armas e o vaso de vidro — Eu já falei pra você, era pra ter se tornado qualquer desgraça nessa vida, mas não a minha desgraça e muito menos a da minha família. Você não aprendeu nada durante todos os nossos encontros nesses anos? Sabe o quanto é difícil ficar aqui querendo que as pessoas não te matem?— Eu nunca te pedir nada. É só você deixar isso acontecer.— Eu não posso deixar você morrer — respondeu rápido… respirou, escutou quando ela chorou mais do outro lado — A Lizzie está bem?— Cassius sabe das contas, você

  • O Mafioso, A Delegada e a Agente Secreta   - 59 -

    A noite na boate estava agitada, muito agitada para Tristan realmente querer andar entre as pessoas e beber e dançar. Tinha tanta coisa acontecendo ao seu redor, com seu pai e as loucuras de que havia alguém ali observando…Quem seria?Ela?Um garçom?Ela?O DJ?Ela?Quem sabe alguém da limpeza…Ah… E se fosse seu segurança?Era ela…Não, Arthuro já lhe conhecia há muito, desde criança, jamais iria traí-lo. Mas que era estranho e corajoso era.Aos poucos, seu olhar chegou a mulher que dançava no palco, Jenie era incrivelmente maravilhosa, em seu modo de falar, de andar, de sorrir, de como tocava em seu corpo e de como gemia seu nome, tudo isso era perfeito. Perfeito demais… MERDA!E mais lindo ainda, era vê-la dançar, abrir e fechar as pernas enquanto subia e descia naquela barra… Os homens iam à loucura.Sua arma era a sedução… DROGA!E nenhum deles poderia tê-la, porque no momento, a única pessoa a qual ela tinha que rebolar em cima, era ele.Sentiu o celular vibrar no bolso, poderia

  • O Mafioso, A Delegada e a Agente Secreta   - 58 -

    Os dois deram as costas para aquilo e Lilian saiu do hospital com a cabeça erguida, não poderia fazer isso, uma vez que dormira com um homem casado.Mas para sua defesa, caso alguém se aproximasse ou lhe acusasse, ela não sabia de nada, e ninguém sequer notou ou contou sobre a família de Mike. Eram homens que trabalhavam para a Agente Secreta. Maldita mulher que sempre estivera atrapalhando sua vida dentro dessa missão.A delegacia estava em festa, prender um membro daquela família era como ganhar na loteria, todos sabiam que ganhariam prêmios, que a delegacia seria falada. Entrevistas, jornais, tudo.Alguns aplaudiram a delegada quando passou, mas sendo sincera, ela serviu apenas montou toda a estratégia, e se mostrou para iscar, na hora de prender Teodoro Bennett, ela ficou parada, como uma estatua. Parecia com defeito, não fez nada nem mesmo quando seu amante caiu morto bem a sua frente.— Seja bem-vinda, demorou em chegar, achei que estaria aqui logo atrás de Teodoro Bennett. — Jam

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