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Author: LuadMel
last update publish date: 2023-05-16 19:18:33

— O relatório de ontem. Espero que você consiga explicar isso ao James.

Lilian só pegou aqueles papéis e acompanhou o outro até a sala de reuniões, a qual já estava arrumada, escolheu sua cadeira e sentou à espera de James que chegou segundos à frente.

Seu rosto não demonstrava nada, atravessou a sala olhando para Lilian e seu detetive com atenção, sentou em seu lugar e esperou que a porta fechasse para começar a falar.

— Bem-vindos? Ou posso dizer que estou surpreso em vê-los aqui ainda? — Lilian abaixou os olhos — Ontem tivemos um episódio muito intenso, vamos começar a dizer assim. A operação que estamos tratando há anos foi colocada em suas mãos desde que chegou neste lugar, e eu achei que depois de dois fracassos, essa terceira tentativa de prender um dos Bennett, teria sucesso.

— Ele estava preso. A gente só não esperava que fosse haver reféns, reféns importantes.

— Eu sinto muito por sua família, Cassius, tenho um amor muito grande por seu filho e isso inclui Lizzie também — Lilian respirou mais profundamente, todos naquele lugar conheciam sua história, pois não precisavam pensar muito quando estava diante de Lizzie, era tão parecida que no primeiro questionamento, Lilian sentiu vergonha em confirmar a paternidade na frente de todos.

— Eles estão bem — Cassius informou.

— Lizzie também — Lilian sussurrou depois.

— Isso é bom, vamos ao que interessa. — Lilian lhe entregou os documentos, não queria ler, só de viver aquele momento pessoalmente já bastava. — Lilian nós te colocamos como a cabeça desse caso porque você tem motivos para prendê-lo, pessoal ou não, você tem e a gente quer esse vigor, queremos usar isso de você e acabar com essa quadrilha, mas eu e todos ao seu redor estamos vendo a dificuldade que está tendo, e acredito que agora a gente vai ter que nos submeter a um novo tipo de operação.

— Um novo tipo de operação? — Cassius repetiu tentando raciocinar direito — Um tipo de abordagem diferenciada? Podemos pegar um avião e explodir a casa noturna que eles vivem? Sabemos onde é, é só ir lá e bum! — sugeriu o detetive e a delegada concordou.

— Sua linha de pensamento é igual a da sua delegada. — Os dois se entreolharam — Vocês acham que atacar de frente é a melhor solução. Não podemos atacá-los, assim, a não ser que queira ser culpado pelas mortes de inocentes que vivem lá também. O que a defensoria falaria? E a mídia? Assassinou seis Bennett e mil inocentes, acha que vale a pena?

— James…

— Tudo bem. E o que vamos precisar para essa nova abordagem? Mais homens, recursos, tempo?

— Apenas uma mulher, Jenie Jones — Lilian estreitou os olhos se jogando contra a cadeira. — A nossa maior e melhor espiã infiltrada acabou um serviço recentemente, prisão efetuada com sucesso, uma operação de três meses bem sucedida. Deviam aprender com ela.

— Uma mulher? — Lilian quis rir — E o que a gente faz com a sua espiã? Coloca ela na cova dos leões e deixamos que ela faça nosso serviço?

— Se você não consegue fazer, outra vai fazer, e fazer direito — Cassius encarou sua delegada que estremeceu por inteiro com ódio. — Estou cansado dos seus fracassos, trabalhe com a agente, e então, terei certeza que da próxima vez que eu entrar por aquela porta para falar sobre o assunto “Bennett” não será para demitir você, pela sua incompetência, Lilian.

A delegada continuou calada, nem mesmo deixou que uma lágrima caísse.

— Esse é o número que vocês precisam ligar para marcarem um encontro. Não é qualquer pessoa que chega perto. Faça isso ainda essa semana, temos informações de que haverá uma troca de mulheres, inclua Jenie nessa lista e deixe que ela faça todo o resto.

Sorriu para os dois e levantou indo embora.

O olhar da delegada não mudou. Assistiu seu chefe ir embora com um sorriso no rosto achando que tinha feito seu trabalho muito bem feito, quando na verdade apenas lhe jogou uma responsabilidade que não estava disposta a carregar nas mãos.

— Jenie Jones… — Cassius murmurou aos poucos jogando-se contra a cadeira — Ela é uma espiã muito boa, e nunca deixou que um dos seus alvos escapasse — Encarou a delegada que, quanto mais escutava, mais zangada ficava — Pense nisso como um prêmio, Lilian, ela vai prender o Tristan.

— Eu não preciso de uma agente de vinte rostos para prender o Tristan, Cassius, não preciso — bradou ao levantar. Caminhou pela sala tentando elaborar um plano em que não tivesse aquela mulher por perto.

— Para prender não, mas quem sabe para mantê-lo preso. — Lilian o olhou na mesma hora — A gente o prendeu três vezes nesses últimos anos e ele saiu pela porta da frente como se não tivesse acontecido nada. Sem provas, sem regras, com uma ameaça. Tristan Bennett arruma um jeito de sair com tanta facilidade que às vezes o estado não pode fazer nada. Temos que ser mais espertos, ele não está apenas a um passo à frente. Com essa agente, poderemos estar a um quilômetro de distância e eles nunca iriam desconfiar.

— Cassius, eu acho que esse não é o ponto…

— E qual é o ponto? Você está sendo orgulhosa demais, olha… Lilian, você reclama quando menciona a paternidade da sua filha e o quanto ela é parecida com ele. Odeia quando colocam juntos numa mesma frase e não quer misturar o profissional e o pessoal? Mas tocar no nome dele é o mesmo que despertar o espírito do ódio eterno, um ego ferido?

— Ego ferido? O que você está querendo dizer? Que ainda sou apaixonada por aquele homem? Não. Eu não sou apaixonada por ele. — Desviou o olhar mantendo sua pose — Eu odeio aquele homem.

— Sei… Eu vou ligar e marcar um encontro com a Jenie, esteja pronta para sair quando precisarmos.

Saiu da sala sem esperar qualquer resposta de sua delegada.

-

-

— De novo essa mulher? Eu não aguento mais essa pedra no nosso caminho. Diga-me o porquê de a gente ainda não ter eliminado essa delegada que mete o nariz onde não é chamada? — Teodoro andava pela sala, estava com raiva por mais uma vez Lilian aparecer onde não foi chamada fazendo novamente o que sua carreira mandava. — Ah lembrei, porque Tristan Bennett, meu irmãozinho não quer matar aquela desgraçada.

— Aquela desgraçada é a mãe da minha filha. Eu não quero vê-la sofrer. Já basta ter a mim como pai.

— Filha essa que ninguém tem nada a ver — Teodoro resmungou de novo e cruzou os braços — se ao menos se interessasse pelos negócios da família, ela poderia ser aceitável, não?

— E como você quer que ela se interesse se não temos uma relação com a garota? — Oscar falou mais grosso do outro lado da sala e Tristan apenas soltou um longo suspiro, — Ainda faz o que mandei? Porque, se alguma coisa acontecer com a mãe, ela vai ter que procurar o papai.

— Trocamos algumas mensagens. Ela parece feliz com uma vida normal. Lizzie só tem dezesseis anos, ainda é uma criança.

— Uma criança que pode crescer já sabendo muito bem como comandar tudo em nossa família — Oscar riu de lado — O mais importante agora é que não quero Lilian Stewart ao nosso redor. Vou cuidar disso sozinho, sem matá-la por enquanto. — Encarou o filho que não disse uma palavra. — Conversou com Luke?

— Calvin pretende ampliar a clientela dele em Beatham, quer mulheres de Seant. — Oscar subiu uma sobrancelha — Veja pelo lado bom, se emprestarmos cinco, teremos cinco para testar. Podemos escolher as mulheres de qualquer lugar e dar uma folga a elas, porque segundo Juan, as mulheres do outro lado são traficadas.

— Felizmente as nossas têm liberdade — Deu de ombros — O que você acha disso, Valentin? — O outro homem que parecia dormir no sofá apenas ergueu a cabeça encarando todos os presentes. — Mulheres novas?

— Eu vou poder testar antes de mandar para o salão? — A parte mais importante para o Bennett preguiçoso era saber que quando as mulheres chegavam, elas precisavam ser testadas para saber até onde as mesmas iam. E quem poderia fazer isso melhor que Valentin e Teodoro Bennett?

— É seu trabalho, e o de Teodoro também.

— Sabiam que James Reynolds está na delegacia desde manhã em reunião com Lilian Stewart e Cassius Stanley? Certamente vão perder o caso e estaremos livres dessa delegada perturbada.

— Ainda bem. — Oscar olhou para Tristan notando seu jeito cabisbaixo e respirou fundo. — Saiam todos, menos você, Tristan. — Os outros se foram rapidamente. — Eu quero Tristan, que você sinta qualquer coisa, menos pena daquela mulher — O mais novo estreitou os olhos sem entender no começo, mas conforme os segundos iam passando ele entreabriu a boca dando uma risada baixa.

— Acha mesmo que eu tenho pena daquela mulher? Eu queria mesmo era estrangular seu pescoço até vê-la não se mexer mais.

— Ainda sente algo por ela?

Ele ficou sério.

Será que sentia?

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