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Não sou de vidro

last update Data de publicação: 2025-08-21 22:27:03

Parte 13...

Camila

Um mês. Trinta dias.

Setecentas e vinte horas ouvindo Rafael me chamar de "minha frágil guerreira" enquanto ajustava os travesseiros, contava as cápsulas dos meus remédios e, o pior de tudo, afastava até o menor sinal de iniciativa minha com aquele olhar preocupado de médico em plantão.

Eu entendi, juro que entendi. Ele me viu sangrar. Me viu quase morrer.

Foi ele quem me carregou no colo até o hospital, quem dormiu naquelas cadeiras duras do pronto-socorro com a cabeça encos
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Último capítulo

  • O Médico e O Bombeiro que Me Queriam   Um clichê irresistível

    Parte 15...LunaEra para ser um jantar tranquilo. Só nós três, num daqueles bistrôs charmosos com luz baixa, velas acesas e guardanapos dobrados com mais capricho do que eu jamais tive na vida.Lara, toda empolgada, mal tocava no macarrão enquanto contava sua última aventura científica.— E aí a professora mostrou como fazer um vulcão de bicarbonato! Tinha espuma por todo lado! - ela explicava, com os olhos brilhando e as mãos desenhando erupções invisíveis no ar.Gabriel estava todo babão. E eu, claro, completamente rendida a essa mini versão dramática que ele criou.— Aposto que você fez a maior bagunça da sala - ele provocou, erguendo uma sobrancelha.— Foi só um pouquinho - respondeu, com aquele tom ensaiado de inocência que ninguém acreditava mais.Nós rimos. Rimos como quem sabe que esses pequenos momentos vão ser lembrados para sempre.Mas a calmaria teve um leve terremoto. Duas garotas se aproximaram da nossa mesa com aquele sorrisinho nervoso de quem está entre o "vou" e o "

  • O Médico e O Bombeiro que Me Queriam   O modelo da capa

    Parte 14...LunaTerminar aquele livro foi como respirar fundo depois de um mergulho longo. Fechei o notebook e fiquei olhando a capa improvisada que eu mesma montei no editor de imagem.Fundo escuro, uma chama estilizada e o título em letras vermelhas.“Chamas Noturnas”.O melhor e mais provocante romance que eu já havia escrito. E tudo por causa dele.Naquela manhã, entreguei o pendrive na mão da Fernanda, minha editora. Ela era uma mulher prática, elegante, que raramente elogiava qualquer coisa de primeira. Mas, depois de passar os olhos pelos últimos capítulos, ergueu a sobrancelha, surpresa.— Isso aqui está... Ousado - comentou, folheando na tela. — E ótimo. Muito melhor do que seu último livro.— Então vai aprovar?— Vou mandar rodar a primeira prova de impressão ainda hoje. Também vamos começar o planejamento de divulgação.Soltei o ar, aliviada. Queria comemorar. Beijar alguém. Beijar especificamente um certo bombeiro que ainda nem sabia que era protagonista de mais um sucess

  • O Médico e O Bombeiro que Me Queriam   O número da esperança

    Parte 13...LunaEstava em casa, sentada com o notebook no colo, tentando fazer o capítulo do meu romance fluir. Mas as palavras não pareciam cooperar. A protagonista estava estagnada, assim como minha criatividade. Eu tinha que encerrar mais nove capítulos para fechar meu romance da forma certa.Suspirei, me esticando no sofá. Deixei a televisão ligada no volume baixo apenas como ruído de fundo. Gabriel tinha saído mais cedo naquele dia, atendendo a uma chamada do quartel. Ele disse que era coisa rápida. Mas, com bombeiros, nunca se sabe.Foi quando a programação foi interrompida por uma vinheta urgente.— Temos notícias ao vivo do centro da cidade. Um incêndio de grandes proporções atinge um prédio histórico no bairro do Centro Antigo. Equipes do Corpo de Bombeiros foram acionadas e o trabalho segue intenso...Senti meu coração apertar. O Centro Antigo. Era longe de onde Gabriel normalmente fazia ronda, mas eles sempre se deslocavam conforme a urgência.Larguei o notebook no sofá e

  • O Médico e O Bombeiro que Me Queriam   Noite de fuga

    Parte 12...GabrielHavia algo de perigoso naquele desejo que crescia entre nós dois, um vício bom, feito de pele, cheiro, olhar e provocação.Luna não era uma mulher comum. Era tempestade que começa mansa, mas devasta tudo por dentro.Naquela noite, depois de colocar Lara na cama, esperei alguns minutos observando sua respiração calma, o cabelo espalhado no travesseiro, a boneca preferida entre os braços. Meu coração apertava só de pensar em deixá-la ali, mesmo que por algumas horas. Mas a babá já tinha chegado. De confiança, amiga da minha irmã, responsável, atenciosa.— Ela nem vai acordar - garantiu. — Pode ir. Aproveita. Se precisar eu ligo, não se preocupe.E foi o que eu fiz.Luna já me esperava no saguão do prédio, vestida com um casaco leve que mal escondia o vestido vermelho de alcinhas finas. Ela sorriu ao me ver, como se fosse nossa primeira vez, como se tudo que aconteceu entre a gente ainda estivesse em brasa, queimando devagar, intenso e cheio de promessa.No caminho

  • O Médico e O Bombeiro que Me Queriam   Curativos e outras certezas

    Parte 11...GabrielNão demorei mais do que sete minutos.A padaria da esquina estava praticamente vazia. Peguei o bolo de cenoura com cobertura de chocolate que a Lara amava e ainda tive tempo de conversar dois minutos com a moça do caixa, que perguntou da escola da minha filha.Sete minutos.Mas bastou esse intervalo para o mundo parecer escorregar um pouco do lugar.A porta do apartamento estava entreaberta quando cheguei. O bolo quase caiu da minha mão.— Lara? - chamei, já entrando com o coração batendo rápido demais.Nada.Corri pelos cômodos como um maluco, abrindo portas, chamando o nome dela, conferindo debaixo da mesa e até atrás das cortinas. Nenhum sinal.A única coisa que encontrei foi um banco tombado na cozinha, ao lado do armário onde ficam os copos. E uma colher no chão. Pequena, daquelas coloridas que ela adorava.Minha cabeça deu um estalo. A geladeira ainda estava aberta. E o vidro de chocolate granulado estava no balcão.Ela tentou fazer brigadeiro. Sozinha.Meu e

  • O Médico e O Bombeiro que Me Queriam   Mal - entendido

    Parte 10...LunaFazia uma semana que eu e Gabriel vivíamos um caso secreto. Digno de um best-seller.Todas as noites, depois que Lara dormia, ele atravessava o hall como um ladrão elegante. Entrava no meu apartamento com um sorriso nos lábios e uma desculpa qualquer no celular para o caso de alguém perguntar.E todas os dias, eu escrevia como nunca.Foi a primeira vez na minha vida que transar e trabalhar funcionaram juntos. Talvez porque Gabriel me deixava mais viva do que café forte.Com ele, as palavras vinham, os desejos se espalhavam pela pele e até as vírgulas pareciam respirar melhor.À tarde, Ana estava no meu apartamento.Ela tinha trazido uma torta de frango horrorosa, mas que eu comia mesmo assim porque a gente era amiga há anos e certas coisas não se dizem em voz alta.— Então você me diz que dorme com o bombeiro mais gostoso do bairro, escreve vinte capítulos cheios de safadeza e ainda é elogiada pela editora? - ela perguntou, sentada no meu sofá como se aquilo fosse um

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