INICIAR SESIÓN- Você precisa de um milagre para sobreviver até amanhã de manhã - ele cortou, finalmente desligando a tela do tablet.
A luz sumiu, deixando a cabine escura de novo, exceto pelos flashes distantes dos postes de iluminação passando pela rodovia. Kael ergueu o rosto. Os olhos de prata se fixaram em mim, me avaliando. Meu instinto de preservação se encolheu de terror no fundo do meu estômago.
- Aria. Dezoito anos. Órfã acolhida por caridade pelo Alpha da Lua Crescente. Sem primeira transformação. Sem utilidade.
Ele listou meus maiores traumas e segredos como se lesse um catálogo de peças com defeito.
- Eu vi o herdeiro arrogante rejeitar você no meio daquele salão. Eu vi o momento exato em que ele jogou você fora como lixo para ficar com a irmã perfeita.
As palavras dele foram socos no meu estômago já machucado. Minhas unhas cravaram nas minhas mãos até quase rasgarem a pele. O constrangimento queimou meu rosto miserável.
- Se você sabe que eu sou um lixo... - Minha voz falhou, quebrando no meio da frase. Apertei o casaco dele contra o meu pescoço, tentando conter o tremor dos meus ombros. - Por que me tirou da lama? Por que o Supremo se importaria com uma loba defeituosa?
Kael não piscou. Não houve um pingo de compaixão naquele olhar que ele me deu. Ele inclinou o corpo gigante para frente, apoiando os cotovelos nos joelhos. A proximidade fez o cheiro de tempestade me envolver como uma corda no pescoço.
- Eu não salvei você por bondade, pequena loba. Eu não ligo para a sua dor. - A sinceridade dele machucava. - Eu tirei você daquela floresta porque você é exatamente o que eu preciso. Uma fêmea sem valor político para o Conselho dos Anciões, sem matilha que a defenda e sem nada a perder.
Ele enfiou a mão ao lado do banco e tirou um envelope de couro escuro, jogando-o no espaço vazio entre nós.
- Eu preciso de uma esposa de mentira para fechar um acordo. Você assina este contrato e jura obediência absoluta às minhas regras. E em troca... - Kael inclinou a cabeça. Os lábios dele se curvaram em um sorriso frio. - Em troca, eu te dou proteção você será intocável, o meu sobrenome, e a cabeça do seu ex-companheiro servida em uma bandeja de prata.
A cabeça de Damon servida em uma bandeja de prata.
A velha Aria, a garota submissa e idiota que passava os dias esfregando o chão de madeira e implorando silenciosamente por um pingo de aceitação de quem a odiava, teria recuado, aterrorizada com a violência daquela promessa. Ela teria chorado. Teria fugido.
Mas essa garota morreu na lama daquela floresta há menos de uma hora.
O que sobrou de mim era apenas um buraco esfolado e sangrando no peito, misturado com um instinto animalesco de sobrevivência. O ódio começou a borbulhar nas minhas veias, abafando o pânico de estar trancada ali. Eu pisquei para o vazio, meus pulmões doendo a cada respiração, e então estiquei a mão trêmula.
Agarrei o envelope no banco.
Kael não disse uma palavra. Ele tocou em um botão discreto no encosto de braço e uma luz amarela acendeu no teto do SUV, iluminando o espaço entre nós. Puxei as folhas. O papel era grosso cheirava a tinta fresca e poder. Minhas unhas sujas de terra molhada mancharam as bordas brancas na mesma hora.
A luz do rádio piscou uma última vez antes de apagar completamente. O silêncio que se seguiu dentro da cabana foi pesado. Do lado de fora, a quietude da floresta foi coberta pelo som de passos. Dezenas deles. Mercenários fechando o cerco na escuridão.Kael não hesitou, mesmo com o rosto pálido e os músculos tremendo de exaustão após o choque que sugou o veneno das suas veias. Ele chutou um tapete velho e empoeirado no canto da sala, revelando uma porta de ferro escondida no piso: um alçapão.O primeiro tiro estourou a janela.Balas de prata começaram a furar as paredes. Estilhaços voaram em todas as direções. Kael me agarrou pela cintura e me empurrou para o buraco escuro do alçapão. Caí de pé nos degraus. O Alpha Supremo desceu também, puxando a escotilha de ferro acima de nós e girando a tranca justo quando os caçadores arrombaram a porta principal da cabana lá em cima.- Continue correndo, Aria - a voz de Kael soou rouca.Disparamos pelo corredor estreito. Mas, no terceiro lance de
A boca de Kael desceu para o meu pescoço. O calor do corpo dele era uma fornalha contra a minha pele, mas a respiração ofegante que batia no meu rosto não era apenas de desejo. Era de dor.Meus olhos estavam fixos no braço esquerdo dele. As veias negras e grossas pulsavam de forma bizarra, subindo pelo antebraço, cruzando a dobra do cotovelo e avançando agressivamente pelo bíceps rígido. A necrose estava se movendo. Rápido demais, como vermes debaixo da pele, subindo em direção ao tronco.Meus pensamentos, antes inundado e entorpecido pelo Cio da Ligação, se clareou um pouco. Se nós consumássemos aquela ligação ali, o ritmo cardíaco de Kael bateria no teto. O coração de um lobo Supremo acelera muito durante a cópula, e isso bombearia aquele veneno desconhecido diretamente para o peito em questão de minutos. Ele morreria antes mesmo de terminar de me marcar.Eu me recusei a ser a assassina do único homem que se colocou na frente da morte por mim.Kael tentou prender o meu quadril, rosn
O sorriso perverso do mercenário através do vidro rachado durou apenas um segundo.O ar dentro da cabine estava saturado com o calor do meu cio, uma tensão carnal que fazia meus ossos derreterem. Mas quando a ameaça quebrou a nossa bolha, a luxúria nos olhos de Kael desapareceu, substituída por fúria uma demoníaca. Ser interrompido no pico do Cio da Ligação não deixava um Alpha Supremo irritado. Deixava-o completamente irracional.Kael virou o rosto para mim.- Não saia daqui - ele rosnou, a voz distorcida, não mais humana.Kael puxou a perna para trás e chutou a porta blindada da SUV de dentro para fora. A força do golpe fez as dobradiças estouraram. A porta inteira foi arrancada da lataria, voando pelo ar até despencar no asfalto.Lá fora, o mercenário saltou do teto. Ele girou duas foices afiadas nas mãos, rindo alto.- O Mestre Damon manda lembranç...Ele nunca terminou a frase.Kael não se transformou em lobo. Ele sequer deu tempo para que o mercenário firmasse os pés no chão. Us
O ar ali dentro estava pesado, quase impossível de respirar. O calor que emanava da nova tatuagem na minha garganta não agia mais como um ferimento ardido, ele havia se transformado em um veneno doce, incendiando cada terminação nervosa do meu corpo.O cheiro de Kael, deixou de ser apenas um perfume no ar para se tornar uma presença. Ele encurralava meus sentidos, impregnando o banco e prendendo a minha mente em uma caixinha estreita onde só existia uma única necessidade primitiva.O sobretudo que eu usava ficou pesada. A gola alta apertava minha pele febril como uma corda. Eu precisava de ar. Eu precisava de toque.Pela primeira vez em dezessete anos de vida, o trauma que sempre me fez encolher os ombros e recuar diante da aproximação de um macho simplesmente evaporou. Minha loba não estava rosnando em alerta de perigo, ela estava uivando em exigência.Avancei.Minhas mãos agarraram o tecido da camisa de Kael. Com um puxão, forcei os ombros do Alpha Supremo para baixo, trazendo o pei
Chloe desceu os degraus da antecâmara como se flutuasse, com o rosto coberto de satisfação. Uma coleira pendia de seus dedos. Ela parou a um passo de mim.- Você tem noção do que vai acontecer, Aria? - ela sussurrou. - Os cirurgiões do Conselho não se importam com a sua loba. Eles querem abrir você viva. Eles vão escavar cada centímetro daquela luz prateada até não sobrar nada de você. Você será apenas um espécime em um frasco.- Você não é uma Iniciada, Chloe. Você é apenas uma cadela adestrada segurando a coleira de velhos covardes que têm medo de uma mulher que nunca conseguiram controlar.O rosto de Chloe contorceu-se. Ela soltou um ganido de ódio e avançou, tentando prender o metal ao redor do meu pescoço.Antes que o metal tocasse a minha pele, Kael agarrou o pulso de Chloe. Os ossos do braço dela estalaram sob a pressão de Kael. Ela soltou um grito estridente e a coleira caiu no chão.Dezenas de guardas do Conselho surgiram das sombras das galerias superiores, como baratas saind
O som da sirene quebrou a bolha de desejo que nos prendia contra a porta de ferro.Mas a conexão entre nós não sumiu. Ela apenas mudou de forma.Kael não me mandou recuar. Ele não gritou para que eu corresse para o quarto e me escondesse debaixo dos lençóis como uma fêmea humana frágil. Os olhos dele desceram pelo meu rosto, farejando a adrenalina, a fúria da loba contida e a firmeza dos meus músculos. Ele sabia que eu não ia quebrar.Ele se abaixou. E pegou o cabo da minha adaga de prata. Kael se levantou e bateu a arma contra a minha palma aberta, sujando a minha pele de terra.- Proteja a minha retaguarda - foi a única coisa que ele disse.Não houve beijo. Não houve hesitação. Giramos juntos e corremos lado a lado sob o dilúvio em direção ao pátio sul. O peso do sobretudo encharcado arrastava meus ombros para baixo, e a lama tentava prender as minhas botas a cada passada, mas eu forcei o ritmo, acompanhando os passos do monstro ao meu lado.O cheiro chegou antes do barulho.Um fedo







