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A Cobertura do Julgamento

last update Fecha de publicación: 2026-08-26 06:05:50
As horas seguintes no andar da presidência transcorreram como uma tortura calculada em segundos.

Cada minuto que passei sentada diante da tela do computador exigiu de mim um esforço irreal para manter uma fachada de normalidade. O plug mantinha uma pressão contínua, queimante e ininterrupta dentro de mim, lembrando-me, a cada pequeno movimento ou mudança de posição na cadeira, do domínio absoluto que Henrique exercia sobre o meu corpo. A umidade constante sob a saia do terninho cinza era uma pr
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Último capítulo

  • O Pai Ardente da minha Melhor Amiga   Verdades Entregues

    O toque dos nossos dedos entrelaçados sobre a mesa de centro parecia a única coisa sólida num mundo que acabara de ser reduzido a escombros. Olhei para a mão de Lucas, quente e acolhedora, e depois ergui os olhos para encontrar a serenidade do seu olhar. A forma como ele me enxergava — sem o peso da condenação que o escritório inteiro me lançara — tornava a minha culpa ainda mais esmagadora.Respirei fundo, sentindo o peito apertar com uma honestidade dolorosa que eu não podia mais adiar.— Lucas... eu preciso te pedir desculpas — comecei, com a voz embargada e falhada, puxando suavemente o ar. — Me desculpa de verdade. Por não ter sido sincera com você desde o começo.Lucas não desviou o olhar. Ele apenas me escutou em silêncio, ajustando a postura para me dar toda a sua atenção.— Você sempre foi tão correto, tão transparente e atencioso comigo — continuei, sentindo novas lágrimas quentes marejarem meus olhos, mas desta vez não de pavor, e sim de uma vergonha genuína. — E eu permiti

  • O Pai Ardente da minha Melhor Amiga   O Peso da Escolha

    O silêncio do apartamento de Lucas era um contraste absoluto com a tempestade que devorava a minha vida do lado de fora. Deitada no sofá, envolta pelo cobertor macio, deixei que o calor do ambiente e a presença constante dele acalmassem a tremedeira involuntária das minhas mãos. O cheiro de café fresco começou a tomar conta da sala, trazendo uma sensação estranha de normalidade para uma manhã que começara no inferno.Lucas voltou da cozinha trazendo uma xícara fumegante. Ele se aproximou devagar, sentou-se na borda da mesa de centro diante de mim e me entregou o café, esperando pacientemente até que eu conseguisse segurar a xícara sem derramar.— Obrigado, Lucas... por tudo — murmurei, mantendo os olhos fixos na bebida. — Eu nem sei como te agradecer por ter me tirado daquele lugar.Ele me observou em silêncio por alguns segundos, o olhar atento e compreensivo, sem qualquer vestígio do julgamento que eu tanto temia.— Você não precisa me agradecer, Valentina — ele respondeu, a voz cal

  • O Pai Ardente da minha Melhor Amiga   O Refúgio no Caos

    O barulho abafado do elevador descendo em velocidade constante parecia o único ruído em um mundo que havia acabado de desmoronar.O choro preso na minha garganta explodiu em soluços convulsivos, fazendo meu peito subir e descer desordenadamente. Minhas pernas, desprovidas de qualquer força, cederam por completo. Eu teria caído contra o piso de espelho se os braços de Lucas não tivessem me amparado com firmeza, segurando-me pela cintura e me trazendo para junto do seu peito.Ele não disse nada naquele primeiro momento. Apenas me segurou com um abraço protetor e quente, permitindo que eu escondesse o rosto no tecido de seu paletó e descarregasse ali cada resquício da humilhação, da culpa e do pavor que me esmagavam.— Calma, Valentina... Já passou. Eu estou aqui — a voz de Lucas veio baixinha, perto do meu ouvido, num tom calmo e constante que funcionava como um bálsamo sobre a minha pele queimada pelo escândalo.Quando a cabine alcançou o subsolo, as portas se abriram para o silêncio d

  • O Pai Ardente da minha Melhor Amiga   A Hora do Show

    O som do telefone sendo recolocado no gancho ressoou como um tiro na minha mesa. A frase de Henrique continuava reverberando na minha mente, paralisando meus dedos sobre o teclado: a Laura estava no prédio. O ar no setor de compliance pareceu congelar, e o bipe característico das portas do elevador se abrindo no andar da diretoria fez meu peito dar um salto doloroso. Laura não foi em direção ao gabinete da presidência. Passos rápidos e pesados cruzaram o piso atapetado. Quando ergui os olhos, ela já estava parada no início da ilha de mesas. O rosto jovem continuava pálido, com marcas profundas do choro da madrugada, mas a postura vinha carregada por uma fúria cega e incontrolável. — Laura... — murmurei em um fio de voz, tentando me levantar. — Não fala o meu nome, sua vadia! — o grito de Laura rasgou o silêncio do escritório como uma bomba. Ao redor, o barulho de teclados cessou instantaneamente. Analistas, secretárias e diretores pararam o que estavam fazendo, virando as cabeças

  • O Pai Ardente da minha Melhor Amiga   O Preço da Ruína

    O relógio de parede da sala marcava seis e quinze da manhã. O som compassado e metódico dos ponteiros era a única coisa que preenchia o vazio dilacerante do meu apartamento. Eu continuava sentada no piso frio, com os joelhos encolhidos contra o peito e o roupão de seda apertado ao redor do corpo, encarando a porta de entrada por onde Henrique passara minutos atrás. A sensação de que o mundo havia ruído sob os meus pés não era uma metáfora; era uma dor física, aguda e sufocante, que tornava cada respiração uma tarefa miserável. As palavras de Laura ainda queimavam na minha pele como ferro em brasa. “Eu tenho nojo de vocês dois! Nojo!” A expressão de puro desprezo e desilusão estampada no rosto da garota que um dia me enxergara como uma confidente repetia-se em um looping infinito na minha mente. Não havia justificativa no mundo, não havia tese corporativa ou discurso sobre casamentos de fachada que pudesse apagar a imagem sórdida que ela presenciou. Eu era a vilã. Eu era a mulher qu

  • O Pai Ardente da minha Melhor Amiga   O Colapso dos Espelhos

    O som das chaves atingindo o piso de madeira ecoou pelo quarto como um estrondo ensurdecedor.Por dois segundos que pareceram uma eternidade agonizante, o tempo congelou dentro daquele espaço. O ar tornou-se rarefeito, sufocante, carregado pela eletricidade estática do choque. Laura permanecia imóvel sob a luz amarelada do corredor, a boca meio aberta, os olhos arregalados em uma mistura de horror, repulsa e uma dor profunda que rasgou a pouca sanidade que me restava. Eu não conseguia respirar. O calor que preenchia meu corpo segundos atrás transformou-se instantaneamente num gelo glacial. — L-Laura... — a palavra saiu da minha boca como um sopro quebrado, um sussurro insignificante de vergonha. Num reação puramente instintiva de pavor, empurrei o peito de Henrique com as duas mãos. Ele se deslocou para o lado da cama de forma pesada, mas sem o menor sinal de pânico ou desespero. Henrique sentou-se na borda do colchão, mantendo a postura ereta, e usou o braço para cobrir a minha ci

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